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Major-general Isidro Morais Pereira, que impacto — voltando aqui a falar de Joe Biden — pode ter no conflito da Ucrânia as dificuldades que Biden está a ter para aprovar um novo pacote de ajuda financeira aos ucranianos?
As dificuldades são reais. Joe Biden tem-se empenhado decisivamente para que este pacote de 110 mil milhões de dólares seja aprovado. É muito dinheiro, de facto, mas é um pacote que Joe Biden pretende que seja aprovado para poder ser estendido pelo ano inteiro, para não ter que haver sempre esta situação de, cada vez que é preciso aprovar mais um pacote, ter que ir ao Senado e à Câmara Baixa também, ao Congresso, digamos, para ser aprovado. Isto contempla cerca de 60 a 66 mil milhões para a ajuda à Ucrânia, também contempla a ajuda ao Extremo Oriente, à questão de Taiwan, também temos aqui a ajuda a Israel e temos aqui também um volume de uma quantidade apreciável de dinheiro para reforço, em princípio, da fronteira sul com o México. Portanto, temos aqui estas situações e tem havido problemas internos, fundamentalmente relacionados com disputas internas do Partido Democrata e do Partido Republicano. O Partido Republicano coloca em cima da mesa uma contrapartida, que é aprovar um conjunto volumoso de milhares de milhões de dólares para quase erigir uma barreira entre o México e os Estados Unidos. A principal ala mais à esquerda do Partido Democrata parece não concordar com esta situação. As últimas informações que eu consegui apurar, mesmo de senadores republicanos, vão no sentido de que é preciso encontrar uma solução. Parece-me que a solução, julgo que a próxima semana não haverá votações, mas que ainda há uma ténue esperança de que este ano as coisas ainda sejam aprovadas, porque David Cameron está nos Estados Unidos e as coisas foram absolutamente claras. Aquilo que foi dito por Antony Blinken e David Cameron foi que não há outra forma senão apoiar a Ucrânia, porque é preciso garantir a todo o custo a derrota da Rússia. E eu agora vou citar o David Cameron, que a economia dos Estados Unidos, a economia da Grã-Bretanha e a economia da União Europeia somadas, quando comparadas com a economia da Rússia, representam uma diferença de 30 para um. Portanto, a única coisa que é preciso ser feita é não fraquejar, é continuar a apoiar a Ucrânia com meios financeiros e meios militares. Porque é impensável abandonar a Ucrânia. Isto é uma questão interna que está a ser dirimida nos Estados Unidos. Eu penso que o Partido Democrata e Joe Biden irão acabar por ceder às pretensões republicanas quanto ao reforço, pelo menos de grande parte das medidas propostas pelo Partido Republicano, no que se refere ao reforço das medidas de contenção dos fluxos migratórios vindos da América Central, através do México, e que o Partido Republicano quer controlar de forma definitiva. E a política do Partido Democrata tem sido diferente. Agora, há aqui vários aspetos que são importantes para juntar a isto. Nós sabemos que eu consegui obter a informação de que poderemos estar à beira de um novo conflito entre a Venezuela e a Guiana. Conflito esse, a Guiana Exequiba, como é assim designada, e que neste momento os Estados Unidos vão levar a cabo um exercício com meios aéreos, com a Força Aérea também da Guiana, para mostrar a determinação de que a Venezuela, se tentar invadir e conquistar pela força estes cerca de 160 km², estamos a falar de quase o dobro do continente de Portugal, em que a Venezuela sabe que existem reservas consideráveis, quer de petróleo, quer de outros hidrocarbonetos, como gás, e que agora a Venezuela pretende tomar conta. Não me parece que isso vá acontecer. E pode acontecer que os Estados Unidos tenham que intervir, e não apenas os Estados Unidos, porque a antiga potência, antes da Guiana ser independente, todo este território era um território britânico. O próprio David Cameron já se referiu também de forma categórica relativamente a esta situação, dizendo que esta pretensão venezuelana não faz qualquer sentido. Esperemos que este tipo de avisos por parte quer dos Estados Unidos, quer do próprio Reino Unido, e também do presidente do Brasil, que não tendo sido muito assertivo, disse que está disponível para resolver ou para mediar qualquer conflito entre a Guiana e a Venezuela, porque não há interesse nenhum em que haja guerras na América do Sul. Parece-me que a Venezuela tem de ir dando ouvidos a estas mensagens que têm vindo de outros países, da comunidade internacional. Caso contrário, infelizmente, vamos assistir a mais um conflito no mundo, a acrescentar a estes dois especialmente ativos, um na Ucrânia, outro no Médio Oriente, em Israel. Sobre a Ucrânia, eu penso que o problema será resolvido ainda este ano. Eu julgo que os cerca de 60 a 66 mil milhões que o Executivo norte-americano pretende que sejam aprovados pelas duas câmaras, que ainda possam ser aprovados este ano, para que a Ucrânia continue a receber esta preciosa ajuda norte-americana. Do lado europeu, e já que falamos na Inglaterra, a Inglaterra já se comprometeu a manter pelo menos o nível de ajuda de 2023, mas a intenção britânica é aumentar essa ajuda. A mesma intenção por parte da Alemanha. Existe aqui o apoio global da União Europeia. Existem aqui também alguns problemas internos, fundamentalmente a Hungria e a Eslováquia estão a colocar alguns problemas à ajuda global da União Europeia. É algo que também terá que ser resolvido. Vamos ver como é que essa situação se vai desenvolver. Mas é fundamental que estes problemas internos, quer nos Estados Unidos, quer na União Europeia, encontrem soluções no sentido de que a Ucrânia não deixe de contar com o apoio do Ocidente.
De todos os conselhos.
Porque isto é muito simples: se a Ucrânia deixar de ser apoiada e ficar entregue a ela própria, muito dificilmente conseguirá resistir às ofensivas russas que nós tivemos.
Mas, general, já chegamos ao fim do nosso tempo. Obrigado pela disponibilidade e por se juntar a nós hoje aqui neste gabinete de guerra.
Nada, muito obrigado. É sempre um gosto.