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Começa agora o Gabinete Guerra das Manhãs 360. É a hora que falamos do conflito entre Rússia e Ucrânia e hoje a análise é feita pelo professor e historiador Bruno Cardoso Reis, que faz também parte dos programas Café Europa e Cinco Continentes da Rádio Observador. Bom dia, Bruno. Obrigada por estar conosco.

Bom dia. Obrigado.

Começamos pelo alerta de ataques aéreos em todas as regiões da Ucrânia, incluindo na capital. A informação está a ser avançada pela comunicação social ucraniana. Isto vem ao encontro dos avisos de Kiev de que a Rússia estará a preparar uma nova ofensiva. Mas Bruno, que ofensiva pode ser esta? Ou melhor, o que pode ter de diferente das que já temos visto com ataques massivos de mísseis?

Por um lado, vemos esta continuação dos ataques aéreos. A utilização de mísseis e drones tem sido a forma principal da Rússia conduzir a guerra e manter alguma iniciativa, basicamente desde, pelo menos outubro, na ausência de grandes ofensivas terrestres. Pelo contrário, a última grande ofensiva terrestre que vimos foi exatamente o avanço ucraniano na zona de Kherson, que forçou a retirada russa. Aqui o que estamos a falar é de, eventualmente, para além destes ataques aéreos, a Rússia retomar as ofensivas terrestres, as ofensivas no terreno. E aí a especulação é se isso será feito sobretudo a partir do leste ou eventualmente a partir do norte. Na verdade, na zona do leste, a Rússia tem continuado a mandar vagas sucessivas de soldados, sobretudo mercenários do grupo Wagner, por exemplo, contra a zona de Bakhmut. O problema é que realmente não tem conseguido avanços. Está há meses a atacar, por exemplo, essa cidade da zona do Donbass, sem conseguir conquistá-la, sem conseguir cercá-la, sem conseguir quebrar a resistência ucraniana. E é por isso que surgem, por exemplo, especulações sobre se haveria uma nova ofensiva a partir do norte, a partir da Bielorrússia, eventualmente em direção à capital, em direção a uma central nuclear, uma das três que a Ucrânia ainda controla, que fica próxima da fronteira. Há a especulação, inclusive, de uma coisa mais ambiciosa, tentando cortar as linhas de abastecimento a partir da Ucrânia ocidental em direção à capital e às zonas da linha da frente, que são obviamente essenciais, por exemplo, para o abastecimento de armamento. Tudo isso tem a ver também com esta ideia que a Rússia fez aqui uma mobilização parcial de 300 mil soldados. Continua a insistir, o presidente Putin, no seu discurso de Ano Novo, que vai haver uma vitória militar neste conflito e isso não é possível simplesmente com ataques aéreos, que não têm, para já pelo menos, levado ao quebrar da resistência ucraniana ou da determinação ucraniana de continuar a resistir à invasão russa e inclusive de reconquistar os territórios perdidos. Um último elemento que também tem sido muito referido é qual é a capacidade que a Rússia tem de continuar a levar a cabo estes ataques aéreos. Tem sido muitas vezes dito que a Rússia está a ficar sem estoques, por exemplo, em termos de mísseis. Eu tendo a acreditar que isso será provavelmente o caso em termos de mísseis mais avançados. É isso que explica a utilização de mísseis menos avançados, é isso que explica também a utilização crescente de drones e drones inclusive iranianos e não russos. Agora, isso não significa que a Rússia não tenha aqui opções. Por exemplo, usar armamento menos sofisticado e tentar obter outro armamento, sobretudo num país como o Irão, que já está em grande conflito com o Ocidente e está muito sancionado e tem aqui alguns incentivos, eventualmente, para ligar pouco à pressão ocidental e valorizar uma aproximação à Rússia.

Ainda sobre o ataque ucraniano a Makiivka, na região de Donetsk, naquele que o Kremlin reconhece como a pior perda desde o início da guerra, 89 mortes, segundo o Ministério da Defesa russo. Este anúncio do número de baixas, que se prevê que seja até maior, tem originado várias críticas ao alto comando russo. Bruno, isto já não é a primeira vez que acontece, mas até que ponto são sérios os danos na estrutura russa pela forma como o conflito está a decorrer?

É o maior número de mortes e, como referiste, foi agora atualizado para quase 90 soldados mortos. É o maior número de mortes que a Rússia reconhece num incidente único durante a guerra e tem levado a imensas críticas. Nós não sabemos exatamente qual é o número. Temos razões para desconfiar da informação que vem de fontes oficiais russas, que em muitos casos tem provado ser errada, mas em todo caso, é muito significativo que mesmo as fontes oficiais russas já admitem o número muito elevado de mortos. Aquilo que tem sido mais criticado, e não só a partir de fora, mas sobretudo por estes meios de nacionalistas, de antigos militares, os chamados military bloggers, os bloggers militares russos, pessoas como o Igor Girkin, por exemplo, que foi alguém que esteve muito envolvido na ocupação da Crimeia e depois mesmo no início do conflito do Donbass em 2014, e que se tem tornado um grande crítico, não da invasão, mas da eficácia das forças russas e sobretudo do comando militar russo. Ele, em relação a este incidente, veio dizer que isto mostrava que os generais russos eram incapazes de aprender com os erros do passado. E aqui o que foi criticado é a concentração de um número muito elevado de soldados num edifício evidentemente sem condições, sem proteção, e o fato de, inclusive, haver também a informação de que nessas instalações improvisadas, seria uma escola que estava a ser usada como um quartel, as mesmas instalações estavam a ser usadas como uma espécie de paiol também improvisado, ou seja, com explosivos, com armamento e quando se dá a explosão, ela torna-se ainda muito mais Destrutiva e mortífera. Tudo isso mostra uma grande dificuldade do comando russo de se organizar, de aumentar a sua segurança operacional, de ter em conta também estes novos sistemas de armamento que a Ucrânia agora tem, nomeadamente os HIMARS. Aquilo que a propaganda russa tentou fazer foi utilizar isso para uma mobilização patriótica, sublinhando sobretudo que foi esse sistema de armamento de origem ocidental, de origem norte-americana, que foi a causa da morte. Obviamente, isso é um completo disparate. A Ucrânia está a usar o armamento que lhe é fornecido, como é evidente. A Rússia já sabe isso, este armamento está a ser fornecido já desde o verão e estamos num conflito armado, o que mais faltava era que a Ucrânia não pudesse atacar as tropas que estão a invadir e ocupar com o armamento que tem disponível. É evidente que tem de ser o comando militar russo a saber lidar com essa situação e a saber adaptar-se à mudança do tipo de capacidades que a Ucrânia também tem. Eu não sei qual é que o efeito prevalecente, será sobretudo um efeito de desmoralização. Imagino que entre estes muitos soldados, por exemplo, mobilizados à pressa, treinados à pressa, que o efeito seja de aumentar a desmoralização. Em termos da frente interna, também não sei qual será o impacto. Isto aparentemente era uma unidade proveniente da zona de Samara, da Rússia Central, mais uma vez um pouco da periferia russa. Não sei se aí vai prevalecer este discurso patriótico, que é termos de nos vingar, de fazer pagar aos ocidentais, aos ucranianos, por este morticínio, ou se vai prevalecer um certo efeito de desmoralização. Teremos de ver o impacto a prazo.

Bruno, do lado ucraniano, que raramente anuncia responsabilidades por ataques em territórios controlados pela Rússia, o Estado-Maior das Forças Armadas fala agora num ataque contra mão de obra e equipamento militar russo. Podemos começar a assistir cada vez mais a ofensivas ucranianas sobre os russos, deixando de ser sobretudo uma tática defensiva?

Eu acho que estamos a assistir a uma certa escalada e alargamento da guerra do ponto de vista de ofensiva ou de ataques aéreos. A Ucrânia não atacou, até este momento, nunca com forças terrestres território russo internacionalmente reconhecido, ou seja, as fronteiras da Rússia de 91, quando está a separação da União Soviética e a criação da Ucrânia independente. Desde o início do conflito, houve ataques na zona mais da fronteira e sobretudo em nós logísticos, próximos da fronteira com a Ucrânia, por exemplo, Belgorod foi já várias vezes atacado. Têm aparecido notícias que a Ucrânia tende um pouco no modelo israelita a não confirmar nem desmentir, mas há claros sinais de que evidentemente são ataques ucranianos, não é lógico pensar que haja aqui outro ator em jogo. Sabemos que houve ataques, por exemplo, numa base aérea, na base aérea Engels, que é já mais próxima de Moscovo do que propriamente da fronteira da Ucrânia, e inclusive também ataques a infraestruturas elétricas, também numa cidade a cerca de 100 km da fronteira da Ucrânia. É possível que isso corresponda a um novo padrão. A grande questão é perceber se esses ataques continuarão a ser essencialmente a estruturas militares, a equipamentos, a unidades militares, a bases militares, eventualmente a algumas infraestruturas que sejam mais importantes do ponto de vista da logística militar, ou se começará a alargar para além disso e se começaremos a ver ataques mais a infraestruturas críticas, por exemplo, importantes para a população civil, no fundo, uma retaliação direta pelo tipo de ataques que a Rússia está a fazer à Ucrânia. Isso seria realmente uma escalada significativa e para já eu acho que é demasiado cedo para dizer que temos aqui um padrão e temos também garantidamente capacidades da Ucrânia para fazer isso. Basicamente, estamos a falar de ataques com drones que são mais difíceis de detetar e abater, mas têm cargas explosivas relativamente pequenas e teremos de ver se isto vem a constituir uma real mudança ou correspondem a ataques pontuais.

Há pouco falavas sobre isto, a luta pela conquista de Bakhmut. O Ministério da Defesa do Reino Unido diz que é pouco provável que a Rússia consiga um avanço significativo nesta região. Até Prigozhin, o chefe do grupo Wagner, disse que passaram semanas a tentar capturar uma única casa na cidade. Isto é uma imagem, mais uma, da forma descoordenada e um pouco desorientada das forças russas neste conflito. Já agora perguntava também que importância têm estas críticas do líder do grupo Wagner no interior do Kremlin.

Este senhor Prigozhin realmente tem ganho um grande protagonismo, um aspecto que foi muito notado e também criticado por alguns destes bloggers militares destes setores mais nacionalistas, mas críticos da forma como a campanha tem sido conduzida, sem criticarem diretamente Putin, no entanto, não deixaram de elogiar ou destacar o facto do senhor Prigozhin ter ido durante o período do Ano Novo, durante o período das festas, à linha da frente. No fundo, fica aqui implícita uma crítica a Putin, que nunca foi à linha da frente, nem no período do Ano Novo, nem noutros períodos. Também ao contrário de Zelensky, que inclusive foi a Bakhmut e isso obviamente é bastante moralizador, numa zona da linha da frente a mais difícil, a mais mortífera, ter lá o líder do país em pessoa também a correr riscos, a elogiar os heróis, como ele descreveu as forças ucranianas que estão a resistir. Isso tem um efeito moralizador e do lado da Rússia, isso não tem existido por parte de Putin. Prigozhin tem aparecido como alguém Mais dinâmico, com mais capacidade também ofensiva, utilizando este grupo de mercenários e muitas vezes os criminosos que recruta nas prisões russas, mas pelo menos tem mostrado alguma iniciativa. A questão aqui é: isso parece significar que ele está a querer aparecer cada vez mais, ou está a aparecer cada vez mais como uma espécie de alternativa a Putin. Ora, nós sabemos que isso é um jogo bastante perigoso na política russa. As alternativas a Putin tendem a ter fins bastante trágicos. Ou são mortos ou são presos ou acabam no exílio. Eu diria, para já, apesar de tudo, a Putin interessa, porque não há assim tanta gente com dinamismo e com capacidade de recrutar forças, por exemplo, para preencher as baixas russas, mostrar algum dinamismo no terreno. Prigozhin continua a ser conveniente e publicamente, pelo menos, ele nunca criticou Putin. Em vários momentos criticou os militares, as fias militares, mas nunca criticou Putin. Para já não pisou essa linha vermelha, vamos dizer assim, mas eu diria que é algo que é importante continuar a acompanhar. Em relação à questão de Bakhmut, realmente, aquilo que se tem de concluir é que as ofensivas russas não têm sido eficazes, provavelmente porque são conduzidas por mercenários, provavelmente porque são conduzidas nesta lógica um pouco de vagas de carne para canhão, de criminosos que são recrutados à pressa e treinados à pressa. Isso não quer dizer que a situação não seja bastante difícil e que não possa acontecer a determinado momento as forças ucranianas terem de se retirar para uma zona mais defensável, mas o que é incrível é que tenham conseguido resistir todos estes meses às sucessivas ofensivas russas.

Bruno, e com o novo ano, a notícia da Cimeira Ucrânia-União Europeia, já no próximo mês, dia 3, em Kiev, para discutir o apoio financeiro e militar. Esta é uma resposta à liderança que os americanos assumiram neste processo de ajuda a Zelensky e também um assumir definitivo que já não acreditam em qualquer possibilidade de convencerem Putin a um cessar-fogo e a sentar-se à mesa de negociações?

Eu espero que corresponda, sobretudo, a este reconhecimento que a defesa da Ucrânia é fundamental, não só por uma questão de simpatia pela Ucrânia, não só por uma questão de caridade ou de empatia, mas porque é fundamental para o futuro da ordem regional de segurança na Europa e até da ordem global de segurança. É fundamental que esta invasão não seja vista como vitoriosa, porque isso criaria aqui um precedente extremamente perigoso. No fundo, seria um regresso ao mundo anterior à Carta das Nações Unidas, anterior ao fim da Segunda Guerra Mundial, portanto, no fundo, uma espécie de regresso à guerra de conquista como algo normal, como uma solução normal para problemas, como um instrumento normal do exercício do poder pelas grandes potências. Isso implica um apoio muito significativo e de longo prazo à Ucrânia. E também é fundamental sinalizar isso, não só fazer isso, mas deixar isso claro em público, porque também na medida em que há alguma possibilidade de um cessar-fogo ou de uma negociação que não seja uma rendição da Ucrânia, eu acho que isso só é possível realmente se a Rússia perceber que a Ucrânia não só continua determinada a resistir, mas vai continuar a ter as condições econômicas, as condições logísticas, as condições militares, em termos de munições, de armamento, para continuar a fazer isso. E para isso é fundamental o apoio dos Estados Unidos, sobretudo a nível militar. A Europa não tem, em muitos aspectos militares, as capacidades, as reservas de armamento, a capacidade de produção de armamento que os Estados Unidos têm. Tem alguma e, portanto, é fundamental que se chegue à frente, que mostre essa disponibilidade, até porque isso é fundamental para uma outra questão, que é o próprio debate interno que está a existir nos Estados Unidos. Temos agora um novo Congresso, temos um Congresso com uma maioria republicana na Câmara Baixa, na Câmara dos Representantes, e vários desses novos eleitos republicanos, mais próximos de Trump, têm sido críticos do que eles chamam o cheque em branco à Ucrânia e têm também sido críticos. Por exemplo, o novo senador do Ohio, J.D. Vance, veio dizer: "Sim, eu sou favorável aos Estados Unidos não apoiarem tanto a Ucrânia ou deixarem de apoiar a Ucrânia neste volume, porque os europeus não fazem aquilo que deviam, porque nós no fundo estamos a defender a Europa e os europeus não apoiam a Ucrânia". Obviamente, isso não é verdade. A Europa tem apoiado muito a Ucrânia, mas é fundamental que isso seja bem visível, continue também para garantir que ao nível dos Estados Unidos, esse apoio se mantém e que este tipo de argumentos não ganham espaço no debate público norte-americano.

Entretanto, a notícia do encontro entre Joe Biden e o primeiro-ministro do Japão, agendado para a próxima semana. É certo que a Coreia do Norte e Taiwan vão ser temas em debate, mas claro que a guerra também. E nesta matéria, Bruno Cardoso Reis, o que pode sair deste encontro?

Eu acho que aqui o que é interessante e de se sublinhar é que no encontro entre o primeiro-ministro do Japão e o presidente dos Estados Unidos, além da Coreia do Norte, além da China, além de Taiwan, portanto, no fundo, dos problemas do Extremo Oriente, do Indo-Pacífico, realmente a questão da Ucrânia aparece explicitamente referida como um dos temas importantes na agenda. Isso mostra bem como, muitas vezes na política internacional, há as grandes ideias, as grandes prioridades estratégicas, e depois há aquilo que acontece no terreno. Os Estados Unidos estavam muito decididos a dar prioridade precisamente a esta região da Ásia e, na verdade, acabam por ser forçados pelo regresso da guerra em grande escala à Europa, a dar muito mais atenção à Europa e inclusive a pedir ajuda dos seus aliados na Ásia. O Japão é aqui um aliado muito importante Um outro lado dessa discussão que também é importante é ter em conta que o Japão é a terceira economia mundial, portanto é um cliente, é um importador, um exportador importante para a Rússia e é inclusive também um vizinho da Rússia, porque a Rússia é o maior país do mundo e também tem território no Extremo Oriente. A Ilha Sakhalin, por exemplo, fica logo a norte do arquipélago japonês, enfim, há toda a zona de Vladivostok, no chamado Extremo Oriente Russo, e portanto a Rússia também está presente nesta região da vizinhança próxima do Japão e isso tudo dá grande importância ao Japão, que também tem feito um esforço muito significativo para reforçar o seu investimento em defesa. Isso tem sobretudo a ver com a questão de uma China mais agressiva, de uma Coreia do Norte muito mais agressiva. Mas não deixa de ser aqui um fator também a ter em conta nesta geopolítica global em que a Rússia neste momento aparece provavelmente como a ameaça principal do ponto de vista dos interesses norte-americanos.

Já agora, Bruno, também Putin e Erdogan vão voltar a reunir. O papel da Turquia continua a ser muito de habilmente jogar em dois tabuleiros. Até que ponto isto pode beneficiar o líder turco?

O presidente Erdogan vai falar aparentemente hoje com Putin, mas também com Zelenskyy, portanto é exatamente esse o ponto. Ele de fato continua a procurar manter algum equilíbrio, a aparecer como inclusive o principal facilitador em termos de eventuais negociações e tem retirado aí muitas vantagens. Por exemplo, a Turquia sendo um país membro da NATO, foi o único país da NATO que não aderiu às sanções contra a Rússia. Na verdade, é o único país, o Financial Times fez esse trabalho, penso que ontem, de comparar os números, mesmo a China e a Índia, por exemplo, em que realmente têm aumentado muito as suas relações comerciais com a Rússia nos últimos meses, na verdade, isso corresponde apenas ao recuperar do volume de comércio que tinham com a Rússia antes da guerra. Basicamente, estão a atingir esse volume agora. Na verdade, o único país que aumenta significativamente o volume de comércio que tinha com a Rússia é realmente a Turquia. E portanto, Erdogan de fato está a tirar grandes vantagens deste conflito, desde logo em termos da sua visibilidade, de aparecer como um protagonista importante e quase incontornável. O próprio secretário-geral das Nações Unidas, por exemplo, fez uma parceria com Erdogan para negociar a questão do acordo dos cereais. Aí o papel da Turquia é fundamental também porque controla o acesso à saída do Mar Negro para o Mediterrâneo e para o resto do mundo e portanto, de fato a Turquia tem aumentado muito o seu protagonismo, o seu peso e tem retirado alguns benefícios econômicos e certamente a conclusão que Erdogan tirou é que vale a pena continuar a jogar esse tipo de jogo de algum equilíbrio entre as partes.

Bruno Cardoso Reis, obrigada pela tua análise em mais um Gabinete de Guerra da Rádio Observador. Um bom dia, Bruno.

Bom dia, obrigado.