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Vamos atualizar a informação. Notícias na Rádio Observador com José Rafael Lopes e começamos em Israel. As urnas para as eleições já fecharam com um nível de participação eleitoral a bater recordes.

Votaram mais israelitas nestas eleições do que nas de 2022. O nível de participação eleitoral ultrapassou os 75% dos israelitas. A noite, ainda assim, promete ser longa. As projeções da emissora pública apontam para a vitória do Likud, de Benjamin Netanyahu, com 25 lugares dos 120 do Parlamento israelita. Ainda assim, Pedro Jorge Castro, agora em direto a partir de Israel, é o bloco da oposição que deve ganhar mais lugares do que a coligação atual do primeiro-ministro.

Sim, vamos ver. Estas projeções, na verdade, deixam razões para contentamento misto em quase todas as sedes. Estou em Jerusalém, na sede de Benjamin Netanyahu, e houve pessoas que ficaram contentes aqui por ser o partido mais votado, mas isso, na verdade, vai significar muito pouco. Não é o partido mais votado que é convidado a formar governo, aquilo que acontece a seguir é o presidente que vai ouvir todos os partidos que conseguiram a representação no Parlamento para ver quem é que eles indicam para primeiro-ministro. E sim, nesse cenário, se se confirmarem estas projeções avançadas há pouco, o bloco de Lapid parece estar mais perto de conseguir a maioria, mas também não chega lá. Na verdade, são precisos 61 deputados e as projeções não dão esses 61 deputados a nenhum dos blocos, digamos assim. E, portanto, podemos assistir aqui a negociações, vai ser muito interessante ver o que é que vão dizer outros partidos ao longo desta noite. Deixe-me só dizer que os partidos árabes, os partidos palestinianos, conseguiram, aparentemente, uma votação record, portanto, subiram a votação e pode confirmar-se aquele cenário de serem eles os kingmakers, de serem eles a decidir se viabilizam ou não viabilizam um governo de Lapid, sendo que um governo de Netanyahu, à partida, parece mais afastado dessa hipótese por integrar os partidos de extrema-direita. Pelo que percebemos aqui, ainda vamos assistir a muitas movimentações, podemos ver os líderes dos dois blocos a tentar seduzir deputados individualmente, a tentar seduzir partidos que estão no outro bloco. Vamos assistir ainda aqui a um período muito interessante de negociações na política israelita, até se perceber exatamente quem é que tem condições para chegar aos tais 61 deputados. A vitória do Likud acaba por ser um pouquinho surpreendente, tendo em conta até aquilo que apontavam as últimas sondagens. Há uma quebra muito grande na votação, atenção, em relação àquilo que aconteceu há quatro anos. Mesmo assim, o facto de ser o partido mais votado abre aqui uma janela para os apoiantes de Benjamin Netanyahu festejaram minimamente este resultado, mas que estão muito longe de conseguir a tal maioria dos 61 deputados. Vamos assistir a muitas conversas de líderes partidários uns com os outros, muitos temas nos bastidores para percebermos que desenvolvimentos haverá e para onde é que irá o sentido do governo e quem terá mais condições para ser indicado pelo presidente como candidato a formar governo.

A reportagem em direto do Pedro Jorge Castro a partir de Israel. Ele e o João Porfírio são os enviados especiais do Observador para acompanhar estas eleições em Israel.

Recordar também que a partir das 10:00 há emissão especial aqui na Rádio Observador, uma emissão conduzida pelo Ricardo Conceição, com transmissão em vídeo no YouTube. É para acompanhar esta noite eleitoral em Israel. José, na Assembleia da República, prossegue a manifestação contra a violência policial nas acampadas.

Se junta a esta hora milhares de pessoas em frente ao Parlamento, estão a encher a rua ao fundo da escadaria para uma concentração promovida pela plataforma Casa para Viver, sendo que o movimento Acampada em Lisboa também está representado. Este protesto está a ser acompanhado pelo jornalista Miguel Pina Andrade. Miguel, depois dos discursos da manifestação da plataforma Casa para Viver, decorre agora mais uma assembleia popular da Acampada de Lisboa e será aqui que os manifestantes vão decidir se montam tendas à frente da Assembleia da República ou se esse cenário fica, para já, fora dos planos. Não estamos a conseguir a ligação ao Miguel Pina Andrade, ele que está a acompanhar estes protestos pela habitação. Penso que agora sim, já é possível escutar Miguel Pina Andrade. Miguel, repito a minha pergunta. É neste momento a assembleia popular da Acampada de Lisboa, é nesse momento que os manifestantes decidem se vão ou não montar tendas à frente da Assembleia da República.

Sim, José, uma decisão que ainda não foi tomada nesta assembleia que começou há mais ou menos uma hora. É a primeira que não vai ser no Rossio, mas vai ter a mesma ordem de trabalhos. Como disseste, vai ser decidido se os manifestantes ficam ou não, montam tendas ou não à frente da Assembleia da República. Essa será uma decisão que só vai ser tomada depois de acabarem as intervenções que têm marcado a última hora. Ouviram-se novamente muitas críticas ao estado atual da habitação em Portugal, mas também várias palavras dirigidas a Luís Montenegro e ao executivo da Aliança Democrática, que motivaram vários assobios e apupos por parte dos milhares de manifestantes que estão na Praça de São Bento. De dar conta que os momentos de maior tensão têm acontecido quando os cinco polícias que vigiam a manifestação na escadaria são rendidos. Aí nestas alturas ouvem-se palavras contra a polícia e também já se ouviram vários apelos para que as autoridades se juntem ao protesto, algo que ainda não aconteceu. O contingente policial aqui é muito grande. São várias dezenas de polícias, também muitas carrinhas da Unidade Especial da PSP. É uma manifestação que até agora tem sido bastante pacífica. Destacar apenas que nos últimos minutos foram acendidas várias tochas, muito material pirotécnico vermelho, também aqui a circularem algumas tendas a fazerem o crowdfunding

Nos braços das pessoas que estão aqui com a expectativa de saber, quando acabar esta assembleia popular, se as pessoas vão querer ou não montar as tendas aqui à frente da Assembleia da República, num protesto que reúne muitas milhares de pessoas.

A reportagem do Miguel Pina Andrada, a dar conta dessas milhares de pessoas à porta da Assembleia da República. Uma manifestação contra o preço da habitação em Portugal. A esta hora, a decorrer essa assembleia popular da acampada de Lisboa, de onde vai sair a decisão sobre se estes manifestantes montam ou não tendas em frente ao Parlamento.

Um protesto que acontece no primeiro dia de discussão na generalidade do Orçamento do Estado para o próximo ano.

Depois de mais de uma semana em silêncio, Luís Montenegro defendeu a atuação da polícia. O primeiro-ministro utilizou o debate do Orçamento do Estado para responder às polémicas com as manifestações dos últimos dias e a atuação das forças de segurança. Numa discussão que relegou o debate sobre o Orçamento do Estado para segundo plano, o primeiro-ministro diz que não gostou das imagens, mas defende, Miguel Vitor Dias, que a atuação da PSP, como tem sido, o último recurso.

11 dias depois do silêncio.

A Polícia de Segurança Pública tem sido especialmente cuidadosa e competente na reposição da normalidade sempre que se verificam excessos.

Luís Montenegro defendeu a atuação da polícia, apesar de não gostar do que viu.

Não são imagens que nós gostemos de ver. Claro que não, senhora deputada, eu também não gosto de ver. Daquilo que eu observei, as forças de segurança só intervieram mesmo em última instância.

O primeiro-ministro a responder ao Livre perante um José Luís Carneiro, do PS, a acusar o governo de ter dado orientações para a carga policial.

O uso da força é uma última e uma derradeira opção. As forças policiais cumprem orientações do poder político.

Montenegro rejeitou a acusação e contrapôs com o passado de Carneiro no Ministério da Administração Interna. Já André Ventura quis saber por onde tem andado o chefe do Governo.

Onde é que andou quando o país se debatia com manifestações em todas ou muitas das suas cidades, em que polícias eram agredidos e o país não sabia do seu primeiro-ministro?

Onde é que o primeiro-ministro andou? Andou a trabalhar. Todos os dias o primeiro-ministro esteve por dentro de tudo.

A resposta do primeiro-ministro. As críticas à intervenção policial foram consensuais à esquerda, mas Paulo Raimundo lembrou também outras polémicas.

Insistiu, inclusive, naquela teoria dos egoístas. Eu só espero que também não alimente aquela ideia de que os jovens têm feito poucos sacrifícios.

Mas Luís Montenegro, que acusou os partidos que compuseram a Geringonça de terem faltado à chamada nos últimos 10 anos, insistiu.

Espero que esses partidos não caiam na tentação, por razões meramente egoísticas, importar para Portugal climas de instabilidade e contestação que não encontram respaldo na sociedade.

O primeiro-ministro a responder à oposição sobre as polémicas dos últimos dias, num debate em que o Orçamento do Estado ficou mesmo para segundo plano.

Um trabalho do jornalista Miguel Vitor Dias com os destaques do debate do Orçamento do Estado para o próximo ano. Este foi o primeiro de dois dias de discussão. A votação na generalidade acontece amanhã à tarde.

O Banco Europeu de Investimento anuncia um reforço de € 300 milhões para apoiar o setor da habitação em Portugal.

É um empréstimo destinado, sobretudo, ao setor privado, para apoiar a construção e reabilitação de casas. Anúncio feito esta tarde numa cerimónia em Lisboa pela presidente do Banco Europeu de Investimento, Nadia Calviño.

Estamos a reforçar o apoio à habitação em Portugal. Assinamos hoje um novo empréstimo de € 300 milhões para apoiar a construção e a reabilitação destinados, principalmente, ao setor privado, através do instrumento financeiro para a reabilitação e revitalização urbanas, juntamente com os dois pacotes anteriores para habitação acessível e social. Isto significa que o investimento do Banco Europeu de Investimento em Portugal na habitação vai ascender a € 3 bilhões em dois anos. Na prática, isto traduz-se em 70 mil habitações ou unidades habitacionais a construir ou a renovar.

Anúncio feito no Ministério das Finanças, em Lisboa, numa cerimónia que contou com a presença do presidente da República, sendo que António José Seguro elogia este apoio.

Os anúncios hoje aqui feitos pela senhora presidente, em particular, a disponibilidade de meios de financiamento para habitação, é uma excelente notícia. O apoio do BEI à habitação acessível pode ajudar a responder a estas dificuldades. O financiamento de longo prazo permite preparar e realizar investimentos que precisam de continuidade. A nossa responsabilidade é assegurar que essa oportunidade se concretiza, que os projetos avançam, que as casas ficam disponíveis e que as famílias encontram respostas compatíveis com os seus rendimentos.

As palavras do presidente da República na cerimónia dos 50 anos do Grupo Banco Europeu de Investimento em Portugal. Voltou a apelar António José Seguro ao diálogo entre as forças partidárias para encontrar soluções para o setor da habitação.

José, vamos agora atualizar a informação de âmbito local.

Começamos em Leiria. Nove meses após a tempestade Cristi, o município ainda regista custos com a recolha de resíduos, incluindo amianto, que confere uma despesa não elegível no Fundo de Emergência Municipal. A Câmara Municipal registou até agora uma despesa extraordinária de mais de € 9 milhões. É o que diz o presidente da Câmara, Gonçalo Lopes, à Agência Lusa. Em Lisboa, a greve no Metro marcada para amanhã e para sexta-feira foi desconvocada. A decisão acontece após o tribunal arbitral ter decretado serviços mínimos, o que para as organizações sindicais coloca em causa a segurança dos passageiros e dos trabalhadores. No Porto, está restabelecida a utilização do elevador que garante a comunicação entre o interior da estação Casa da Música e a superfície. O acesso a este equipamento esteve impedido durante algum tempo, de forma a que fosse integralmente renovado. No Seixal, a Câmara Municipal aprovou a abertura de um concurso público para a obra de reforço de água em alta. Trata-se de um conjunto de infraestruturas responsável pela captação, tratamento e transporte de água na localidade. Em Santa Maria da Feira, a Câmara Municipal promove, a partir do dia 2 de novembro, uma sessão de esclarecimentos sobre o Simplex Urbano. Vai acontecer no auditório da Biblioteca Municipal. A participação é gratuita. E fechamos em Santarém. O executivo da Câmara Municipal aprovou um voto de pesar pela morte de Mário de Sousa Cardoso, considerado um estudioso das muralhas de Santarém. O presidente da Câmara, João Leite, acrescentou que vai propor o nome de Mário de Sousa Cardoso ao Conselho de Medalhas para ser distinguido pelo município.

José Rafael Lopes com as notícias na Rádio Observador. Já a seguir retomamos a emissão especial do Despacho.