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O podcast Grelha de Partida tem o apoio da Renault. 10 anos de experiência no domínio elétrico levam a uma nova oferta híbrida. A tecnologia E-Tech, que conjuga o know-how elétrico e a experiência da Fórmula 1 Renault na gestão de energia. O melhor das motorizações térmica e elétrica num só automóvel, com o híbrido plug-in da Renault. Saiba mais em renault.pt.

Bem-vindos à Grelha de Partida, o novo programa da Rádio Observador. Aqui ao longo de uma semana, vamos pegar no volante todos os dias para falar de Fórmula 1 e do Grande Prêmio de Portugal. 24 anos depois de deixar o Estoril, o grande circo regressa a terras lusas. Nos próximos dias 23, 24 e 25, os motores vão rugir no Autódromo Internacional do Algarve, em Portimão. O meu nome é Miguel Cordeiro e vou pilotar uma honrosa equipa de experts da mais famosa competição de automobilismo e, por isso, sem tempo a perder. Nesta grelha de partida contamos com Alfredo Lavrador, é o editor da seção Auto aqui no Observador e é também a voz do podcast "Operação Stop", um programa sobre carros e condução. Olá, Alfredo.

Olá, Miguel. Olá a todos.

Olá a todos, sim. Já vamos aos restantes, porque também nesta equipa temos Pedro Bus 朕 Mendes, diretor de Planeamento Estratégico da SIC, também diretor da SIC Radical, membro do nosso painel do programa "PopUp", o podcast sobre cultura pop aqui na Rádio Observador, e ao que interessa para esta viagem, é um grande fã de Fórmula 1. É assim? Viva Pedro.

Isso é a coisa mais importante de todas.

Exatamente. E por fim, contamos com a única pessoa desta equipa que sabe o que é conduzir um Fórmula 1 em alta competição, Pedro Matos Chaves, piloto português que em 1991 fez parte da equipe italiana Coloni. Olá, Pedro. Bem-vindo.

Olá, viva a todos.

Agora que estamos todos a postos, vamos à nossa corrida e sem mais demoras, vamos para a pole position. É na pole position que olhamos para a atualidade e estamos no início desta semana em que a Fórmula 1 regressa a Portugal. É o Grande Prêmio que acontece em Portimão e por isso vamos olhar para a pista e sem mais demoras, Pedro Matos Chaves, o que é que podemos esperar deste circuito?

Muita coisa. O circuito é espetacular, como era o Estoril na altura, antes de o modificarem e de o estragarem do lado da vista dos pilotos. O Estoril perdeu as melhores curvas que tinha naquela altura de pânico depois do Senna ter morrido. Mudaram tudo que era rápido e tudo que fazia a diferença para chicanes lentas e curvas apertadas, tiraram muita piada aos circuitos. Depois começaram a andar um bocadinho para trás nessa estratégia, começaram a fazer escapatórias maiores e outros tipos de medidas de segurança e não estragar tanto os traçados. Portimão é um circuito muito giro, com muitos desníveis. Vai ser muito giro para os pilotos que devem ter horas e horas de simuladores, mas é a primeira vez que vêm cá, a maior parte deles. Não creio que haja na grelha muita malta que tenha passado cá no GP2. Acho que não. Vai ser muito giro. Acho que o circuito é um desafio.

E vai certamente produzir um bom espetáculo.

Acho que sim. A Fórmula 1 são os carros mais rápidos do mundo. Acho que quem tiver a oportunidade de ir lá embaixo a Portimão ver um Fórmula 1 atual destes Mercedes, os carros da frente a fazer a entrada da reta da meta de Portimão, deve ser fantástico, porque é uma curva já de si muito rápida. A aderência que estes carros têm, porque têm uma aerodinâmica fantástica, proporciona uma velocidade em curva fora de série. E são os carros mais rápidos do mundo, vale a pena sentar na bancada e ver, sobretudo a qualificação. Não nos podemos esquecer que na Fórmula 1 a qualificação são cinco, seis segundos mais rápidos por volta do que a volta do Grande Prêmio, em que o carro está carregado de gasolina e aí passa-se tudo um bocadinho mais em câmera lenta.

É aí que os carros vão ao limite. Pedro Bus 朕 Mendes, o que é que esperas desta prova e deste circuito?

Bem, em primeiro lugar, espero que os meus bilhetes cheguem a casa, que ainda não chegaram. É isso que eu estou à espera.

É o essencial.

E a cada dia que passa, fico um bocado mais ansioso.

Mas estão no correio ou não?

É pá, espero que sim. Eu já contactei a malta do autódromo, foram impecáveis a responder. Dizem-me que os últimos bilhetes foram enviados a semana passada, mas só sei que os meus não chegaram ainda.

Não te preocupes que segunda-feira, sem falta, estão lá.

E não vêm certamente de Fórmula 1.

Segunda-feira que vem, é isso? Bom, mas eu vou me pôr a astrear a quinta-feira. Comprei bilhetes para os três dias, para mim é um grande acontecimento. Eu e meu filho somos muito fãs e basicamente falamos de Fórmula 1 o dia todo, acreditem ou não. Acho que vai ser uma oportunidade extraordinária. Acho que não haveria Fórmula 1 em Portugal se não fosse o Covid. É uma ironia, mas é verdade. É porque o calendário teve que ser completamente refeito que nós temos esta corrida em Portimão e desde já parabéns à malta de Portimão e do autódromo que conseguiram vencer, digamos assim, porque havia outros países a tentar ter corridas, conseguiram vencer o speech junto da Liberty Media. E acho que vai ser uma grande corrida. Ganha pela Mercedes. Não sei se essa parte vocês ainda ouviram, mas vai ganhar do Hamilton.

Não é evidente.

Vamos deixar prognósticos para mais perto da corrida. Alfredo, que desafio é que este circuito traz para os carros?

Ocorre-me perguntar ao Pedro Bates Chaves até que ponto é que o facto de nenhuma das equipas ter rodado em ritmo de grande prêmio ou até mesmo em ritmo de uma sessão de qualificação, pode ser um problema para encontrar a afinação ideal não só para os treinos como para a corrida? Eu sei que a Ferrari, a McLaren, creio que a Mercedes já rodaram no Estoril, mas sempre com pilotos de treinos, o de La Rosa acho que guiou a McLaren, etc. O facto de não haver grande informação do circuito nos simuladores das diferentes marcas é um problema, é uma limitação que vai favorecer os pilotos mais experientes face aos menos experientes?

Nem tanto. Os simuladores hoje em dia são espetaculares. Eles metem as dimensões da pista, o tamanho das retas, os ângulos das curvas. Tudo isso traz já os carros muito adiantados para as sessões de sexta-feira e já muito perto de uma afinação ideal. Os pilotos fazem voltas e voltas de simulador, os simuladores são brutais. Hoje em dia os simuladores são mesmo muito perto da realidade e com tantas voltas que eles fazem, todos eles chegam aqui a um ponto muito adiantado já de experiência no circuito, sem nunca terem andado. Depois vai haver aqueles pormenores que só estando cá é que vêm ao de cima. As lombas, circuitos, ressaltos no asfalto que não estão no simulador, a temperatura da pista, parece que há um bocadinho de chuva, ou pelo menos a última vez que eu vi falava-se um bocadinho de chuva, a temperatura do asfalto nas sessões da manhã para as sessões da tarde, tudo isso depois vai variar. E sim, o ser novo para todos faz aqui um fator diferente dos outros circuitos, embora os suspeitos do costume vão estar à frente. Acho que a Mercedes, como a gente já sabe, a Red Bull, a Ferrari nem tanto, está-lhe a faltar um bocadinho de motor, mas a Race Point, esses vão estar lá já muito destacados. Podemos ver o erro humano. Acho que não tem havido muito ultimamente, mas aqui o circuito é mesmo um desafio e tenho um palpite que vamos ver alguns acidentes.

Diz-me uma coisa, Pedro, há pouco falavas daquela direita muito longa e de raio variável que dá a entrada na reta da meta. É conhecida por ter uma lomba a meio, que nos carros de turismo é uma chatice. Como é que vai ser nas fórmulas?

Nas fórmulas é uma chatice ao quadrado.

Se tomarem cuidado de entrar por baixo é uma chatice, então boas.

Há uma diferença muito grande. Não sei se vocês gostam de futebol ou não.

Quando a minha equipa ganha, sim.

Também.

É mais ou menos como eu, eu também só gosto. Futebol é para trouxas, mas não vamos falar de futebol. Há uma diferença muito grande ver um jogo da bancada ou ver um jogo do banco do treinador. Há muita diferença entre dar uma volta num Porsche ou num Fórmula. O Fórmula vai-se sentado no chão, não dá a mínima ideia do que é que vem ali. É muito baixo. A visão é completamente diferente, os interiores das curvas onde se tem que tocar, o apex da curva está muito cego sempre, vai-se muito baixo, vai-se realmente sentado no chão e o Algarve, a pista de Portimão ainda dificulta mais porque tem muitos desníveis, há muitas curvas que não se veem bem. Eu acho que é um grande desafio. Eu tenho ideia que os pilotos vão adorar, todos eles, os que já conhecem, já cá andaram. O Stroll acho que já cá esteve, foi há duas semanas ou isso, alugou a pista a nível particular e passou lá dois dias. Mas é como eu digo, é muito diferente andar num carro do dia a dia ou sentado no chão, a visão é outra.

E quem vai também adorar, certamente são os adeptos que vão estar nas bancadas, apesar desse número que está a ser revisto e vamos até sexta-feira perceber ao certo quantas pessoas vão poder estar nas bancadas. Mas sabemos que Portimão vai ser certamente o palco deste grande circo da Fórmula 1. E agora, aqui na grelha de partida, seguimos para o "Pit Stop". Neste segmento falamos sobre inovações tecnológicas e olhamos ao detalhe alguns pormenores do trabalho que é feito nestas supermáquinas que competem na maior competição de automobilismo do mundo. E hoje falamos precisamente deste momento que é a paragem na box e da importância que tem para a corrida. Alfredo, neste aspeto temos tido alguma evolução ao longo dos anos, porque estamos a falar de uma paragem que já chegou a demorar mais de um minuto e que agora está entre os dois, três segundos e é uma grande evolução tecnológica para chegar a estes valores.

Sim, mas há diferenças grandes. O Pedro mais uma vez poderá ter uma opinião ou deverá ter uma opinião muito mais completa. Entre as equipas da frente, exceto quando algo corre mal, não há muita diferença. Um faz 2,2 segundos para mudar os quatro pneus, o outro faz 2,4. É capaz de não ser por aí que se vai decidir a vitória ou um lugar no pódio. Era mais complicado quando antigamente os pit stop incluíam reabastecimentos. Mais complicado, mais perigoso. Todos nós nos lembramos de vários incêndios e feridos, etc. Isso é altamente indesejável, sobretudo para os feridos, mas é um bailado bonito de se ver. Muita gente diz: "Ok, como é que estes fulanos conseguem mudar quatro rodas em dois segundos?" Isso na oficina

Que aqueles para mudar os quatro pneus demoram a eternidade. O problema é que, para já, as rodas não têm quatro pernos ou cinco pernos. Depois são uns pernos muito especiais. Nunca há a possibilidade daquelas porcas se encavalitarem naquilo que é o parafuso central. Diria que a vida é bastante mais facilitada, mas ainda assim nenhum de nós conseguiria fazer aquele trabalho em dois segundos. Eu não conseguiria, certamente.

Claro. Pedro Matos Chaves, é um momento importante. O Alfredo antecipava que nem sempre decide as corridas, mas que de facto pode acontecer aqui um erro que acaba por decidir ou por chegar a um desfecho da corrida de um piloto.

É claro. A Fórmula 1, com a evolução tecnológica, começou a anular cada vez mais o talento dos pilotos e a função dos pilotos, porque os carros começaram a roubar muitas facetas que eram necessárias que os pilotos pusessem em prática. A tecnologia começou a substituir o talento e nesta altura temos muita percentagem de tecnologia e o talento já está a jogar menos. Na paragem das voltas o fator humano entra muito. Ainda é um dos pontos da Fórmula 1 em que o mecânico pode falhar. É o momento dos mecânicos. Nós andamos na pista, ganhamos duas, três décimas ao piloto da frente. Se estivermos a ganhar duas décimas, 10 voltas são dois segundos, demora a construir uma vantagem. Dois segundos demora muito a construir. E os mecânicos têm noção disso. E sabem que naquela paragem, perder seis décimas, oito décimas, depois o piloto para as recuperar demora seis voltas, sete voltas. Portanto, é muito importante. Eles têm consciência disso. A evolução tem sido enorme, tem a ver com o material, como o Alfredo estava a dizer, tem a ver com as anilhas ou as porcas das rodas, tem a ver com as rotações das pistolas de mudar, ou desapertar e apertar as porcas, que também evoluíram muito. Essa toda a tecnologia ajudou as paragens das boxes a serem mais rápidas. Os mecânicos, aquilo que a gente vê na televisão, eles não o fizeram ontem, fizeram 15 dias seguidos, 10 vezes por dia.

E treinam, como todos. Faz parte da competição.

A gente vê na televisão e fica deliciado, acha aquilo uma maravilha. Aquilo é tudo automático, está tudo mecanizado. Há sempre aquele tipo do macaco que deixa cair o carro, ou que põe o carro no chão antes do tempo.

Aperta mal.

O piloto larga a embreagem e ainda estava no ar e quando cai, vai muito abaixo. É ainda um fator humano que entra e às vezes é a parte que anima mais as corridas.

E para quem assiste, Pedro Buxadinho Mendes, continua a ser um momento interessante esta paragem e este trabalho dos mecânicos e esta ligação que acabam por ter também na corrida?

Para já o pit stop é obrigatório.

Claro.

Os carros têm que usar mais do que um tipo de pneus e a única forma de mudar pneus a meio da corrida é parando e mudando-os. Portanto, o pit stop é obrigatório, os reabastecimentos, portanto, pôr gasolina a mais está proibido desde 2010. E é uma parte fundamental da Fórmula 1, porque a Fórmula 1 é um trabalho de equipa, é um desporto de equipa, é um desporto coletivo, em que o estrategista que está na box diz quando se deve parar, o diretor de equipa está atento a tudo, obviamente, e depois os mecânicos e a malta que muda os pneus são uma parte integrante, porque os pilotos da frente, por exemplo, têm que perceber se lhes vão fazer undercut ou overcut, porque o pneu pode degradar rapidamente e se ficarem tempo a mais em pista e não os forem mudar, podem ser ultrapassados por aquele que vem em segundo e parou mais cedo. Enfim, essa questão tática e estratégica da Fórmula 1 para mim é a parte que mais me seduz e atrai e tentar prever como é que vai acontecer. As equipas têm como objetivos ter bons pilotos, ter bons motores, boa afinação e boa aerodinâmica, mas também ter bons pit stops, portanto, é uma parte integral e fundamental de uma boa performance de uma equipa de Fórmula 1. O recorde é abaixo de dois segundos. Como o Alfredo disse, as melhores equipas são excelentes nisso. Mas, por exemplo, uma equipa como a Williams, que está na cauda da tabela, é ótima em pit stops e uma equipa que está a evoluir imenso, como a McLaren, é péssima em pit stops e é um dos objetivos melhorar para o ano e nos próximos anos é melhorar os pit stops.

E faz parte de toda esta corrida e neste programa estamos também já a chegar ao fim da nossa corrida neste primeiro episódio e portanto seguimos com a bandeira de xadrez. Aqui vamos olhar para a história e para momentos marcantes do Grande Prémio de Portugal e hoje recuamos 62 anos. É muito tempo, tanto tempo que nenhum de nós os quatro era nascido. Vamos olhar para 1958, porque foi aí que começou a história do Grande Prémio de Portugal, a 14 de agosto. O circuito urbano da Boa Vista, no Porto, recebeu a Fórmula 1 e Pedro Matos Chaves, estamos a falar de um circuito com muita história.

Sim, aqui no Norte há uma grande aficção dos automóveis, seja ralis, seja velocidade, e quando cá veio a Fórmula 1, como tu disseste, nem sequer tinha nascido. Mas é evidente que eu ouvi falar muito sobre essas alturas e tenho uma história curiosa que quando eu estava nos IndyCar nos Estados Unidos, em 94, salvo erro, vivia em casa de um dono da minha equipa e a mulher dele era secretária pessoal do Dan Gurney, que é um homem conhecido das corridas. Mas eu na altura estava muito no meu mundo e não sabia muito bem até que ponto ele era conhecido. Eu sabia que era uma pessoa grande do desporto automóvel, já com autoridade naquela altura, mas dirigia a All American Racers, que tinha feito uns carros que eram os Eagle, que tinha ganho uma corrida Fórmula 1, um grande prémio, em 67, na Bélgica Fui com ela a Equipe, ela convidou-me para ir lá à Equipe e ela disse ao Dan Gurney que tinham lá um piloto português e ele disse para eu ir ao gabinete dele. E eu fui e ele disse: "Você é português, de onde é que você é?" Eu disse: "Sou do Porto." E ele disse: "Eu corri no Porto." Eu fiquei a olhar para ele, porque não estava a ver bem como é que ele tinha corrido no Porto, não percebi bem, a gente nem tem aqui uma pista, sequer. Mas ele depois descreveu-me o circuito onde tinha corrido. E dei por mim na Califórnia, 30 e tal anos depois dele ter corrido aqui, e ele a descrever-me as curvas da circunvalação. Mas ao pormenor. Eu fiquei de boca aberta, porque achei fantástico os anos que passaram, um homem que tinha corrido pelo mundo fora.

Ainda ter esse detalhe.

Exatamente. Achei aquilo fantástico. E eu nasci no Porto, sou do Porto, vivo na Foz, que é a poucos escassos quilómetros da circunvalação, e não me lembro das curvas da circunvalação como ele se lembrava.

Fica na memória essas curvas da circunvalação. Pedro Brucher Mendes, neste primeiro Grande Prêmio de Portugal, o vencedor foi Stirling Moss, um piloto britânico com várias vitórias na Fórmula 1, mas que nunca chegou a ser campeão e passou a ser um nome incontornável, não só porque era um excelente piloto, mas porque foi considerado até o melhor piloto a nunca vencer um campeonato.

Eu já apostei com meu filho, desculpa pessoalizar isto tanto, que o Max Verstappen vai ficar com esse título. Ou seja, eu vaticino que o Verstappen nunca há de ser campeão. Não quer dizer que não mereça, obviamente. Significa que nunca terá a máquina suficiente para ser campeão. Sim, o Stirling Moss tem esse título. Ele já morreu este ano. Tem esse título honroso, e digo honroso porque ele nunca se importou que dissessem isso: "Tu nunca foste campeão", mas ele nunca se importou, porque era, de facto, o epítome do gentleman driver. Naquela altura usava-se a expressão, era o tempo dos garagistas e dos gentleman drivers, portanto eram, no fundo, homens distintos que se punham a correr naquelas máquinas, que eram autênticos caixões com rodas. Muitos deles morreram. E ele não se importava que falassem disso nesses termos. Ele podia ter sido campeão, mas num Grande Prêmio de Portugal, é uma história que há um outro piloto que é penalizado, o Hawthorne, acho eu.

Sim, Mike Hawthorne.

Isso, em que ele diz "não, ele não fez isso", e então a administração voltou atrás e não o penalizou e foi esse o piloto que seria campeão no final do ano e não o Moss. Mas o Moss, obviamente, é um dos grandes pilotos, pouco importa que tenha sido campeão ou não. Quer dizer, ele talvez tivesse se importado, mas está com certeza na galeria dos melhores de sempre.

Alfredo, é também esta a memória que fica, um grande campeão, que morreu este ano, como já dizia o Pedro, e que fica também para a história dos grandes prêmios de Portugal, porque venceu não só esta primeira edição, como a segunda, que já foi no circuito urbano de Santos.

Exatamente. Ele não só era um grande piloto, como aquela geração de pilotos era uma coisa do outro mundo. O Pedro Matias Chaves, que correu na Fórmula 1 há uns anos, já apanhou uma fase em que os carros eram como são agora e as pistas também eram seguras, tinham escapatórias, etc. No tempo do Stirling Moss, que curiosamente correu no mesmo período e foi rival direto do Dan Gurney, que ele mencionou naquela história curiosa lá na Califórnia, daquele piloto que não sei quantos mil, 12 mil quilómetros ou assim, uma coisa do gênero, e 30 e tal anos depois ainda se lembrava do traçado da Boavista. Aquilo era um período diferente, ou seja, as pistas eram horríveis. A dois metros da pista estava uma árvore e os carros não tinham segurança. Não tinham nenhuma. Aquilo era um conjunto de ferrinhos soldados. Mas se recuarmos um pouco quando a última fase em que ainda eram os chassis tubulares, cada soldadura era testada. Em 58 não havia nada disso. Aquilo era soldado e pronto. Montava a carroçaria e o carro ia correr. O carro do Stirling Moss, que venceu em 58 e 59, aquilo tinha um motor Coventry Climax, que desenvolvia para 230, 240 cavalos, num carro extremamente leve e extremamente aerodinâmico, porque os carros na altura não tinham asas nem à frente nem atrás. De maneira que aquilo era um charuto. De maneira que a aerodinâmica era excelente, mas depois tinham uns travões de tambor que travavam bem nas primeiras vezes. Os travões é certo que eram sobredimensionados. Um travão de tambor, por muito grande que seja, nunca vai rivalizar, nunca vai conseguir rivalizar com um travão minimamente atual. Nem te falo de um Fórmula 1, estou a falar de um carro de turismo, por exemplo. E os carros do Moss, efetivamente, ele nunca foi campeão, mas na Fórmula 1, quando ele correu na Fórmula 1, ele nem sempre teve o melhor carro. Nós vemos o Hamilton e o Bottas que ganham com alguma facilidade, umas vezes mais que outras, porque têm ali um Mercedes por trás, que com esta nova regulamentação dos motores 1600 V6 turbo híbridos, ganharam um certo avanço. Mas ele na altura competia contra os Ferrari, por exemplo, e outras marcas, que tinham muito mais cavalos que eles, mais uns 40 ou 50 cavalos, e era uma coisa importante.

E muito mudou desde então, nestes 62 anos. E é mesmo com Stirling Moss que fechamos este primeiro episódio. Chegamos ao fim desta "Grelha de Partida". Eu sou o Miguel Cordeiro e com o Alfredo Lavrador, o Pedro Brucher Mendes e o Pedro Matias Chaves olhamos para o Grande Prêmio de Portugal. Aos três, até amanhã. Vai ser sempre assim até ao final da prova, todos os dias aqui na "Grelha de Partida" da Rádio Observador.

O podcast "Grelha de Partida" tem o apoio da Renault. Dez anos de experiência no domínio elétrico levam a uma nova oferta híbrida. A tecnologia E-Tech, que conjuga o know-how elétrico e a experiência da Fórmula 1 Renault na gestão de energia. O melhor das motorizações térmica e elétrica num só automóvel, com o híbrido plug-in da Renault. Saiba mais em renault.pt.