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"Ideias Feitas." "Ideias Feitas" com Alberto Gonçalves na Rádio Observador. Olá, Alberto. Olá? Olé!

Olê, a Argentina está a ganhar, acabaste de dizer.

Exato. Bem-vindo, Alberto. Não sei se vais fazer a crónica de hoje com uma ventoinha, mas queres ir às reações das autoridades ao calor.

Por acaso estou com 37 graus aqui em Trosmundos, mas gosto.

Amanhã aviso laranja por aí, Alberto.

Ah, é laranja? Pois, eu já perdi a conta das cores e dos pantones dos avisos. Há umas semanas, um porta-voz do governo francês anunciou que uma onda de calor na França tinha causado não sei quantos mortos, alguns deles, disse o senhor, por afogamento. E como a França atravessa nova onda de calor, há nova onda de mortos, infelizmente. Desta vez são 18 mortos, até à hora em que vi, há pouco tempo, e 13 deles são por afogamento. Perante isto, é estranho que as tentativas de prevenção das autoridades locais não passem por encerrar as praias marítimas, as praias fluviais e as piscinas. Aparentemente, o grande problema do calor nem é a desidratação, é convencer pessoas que não sabem nadar a dar um mergulho no charco mais próximo. Mas não proibiram e, curiosamente, o acesso à água é das poucas coisas que os franceses ainda não proibiram. Já proibiram, entretanto, por causa da onda de calor, o consumo de álcool na via pública, fecharam escolas, cancelaram comboios. Sou leigo na matéria, mas parece-me difícil sequer conceber que alguém possa morrer de calor ou afogar-se no TGV ou numa sala de aulas, talvez metaforicamente numa garrafa de vinho. Isso será possível. Agora, se o tempo aquece mais um bocadinho, os franceses vão regressar àqueles confinamentos semelhantes aos da Covid. E o curioso, e talvez perigoso, é que há quem queira repetir estas inovações em Portugal. Já vi por aí uns especialistas, pelo menos são designados assim, que defendem o encerramento de tudo e mais alguma coisa para enfrentar o calor, desde logo, o encerramento das escolas. Não sei o que se passa com as nossas escolas, mas pelos vistos, de repente, não têm condições para enfrentar qualquer espécie de temperatura. E tudo isto apesar de estarmos em pleno verão, que é uma época do ano que sempre se destacou por ser quentinha. A diferença é que antigamente o sol tórrido e as noites mornas eram motivo de alegria e hoje ninguém tem o direito de se alegrar, são flagelos. Hoje temos de ter pavor do tempo quente, como aliás temos de recear o tempo frio e se calhar o tempo intermédio, o tempo temperado, temos que recear tudo. A razão, evidentemente, prende-se com as alterações climáticas. E digo isto sem aspas, sem ironia. Agora, as alterações climáticas tratadas como são tratadas, tornam qualquer manifestação do clima numa fonte de aflição e um sintoma do apocalipse iminente. As notícias são dramáticas, os alertas são histéricos e os mapas da meteorologia são pintados aquele vermelho escuro, quando antigamente as cores não eram propriamente relevantes. Perante estas coisas todas, uma pessoa responsável tem que entrar em pânico com a situação a que chegamos e concluir que o mundo está a arder como nunca ardeu antes. Eu concordo com isto tudo e até, se for preciso, inscrevo-me na Climáximo e faço tudo o que for preciso. Agora, façamos o que fizermos, nada disto muda os factos, e os factos são os seguintes: mesmo que o clima esteja a mudar e mesmo que essas mudanças sejam causadas pelo homem, não estou por isso em causa, a verdade é que em qualquer dos casos, mesmo nos estudos mais alarmistas ou mais extremos, a temperatura média da Terra aumentou 0,6 graus nos últimos 30 anos e menos de um grau nos últimos 50 anos. Isto, a longo prazo, será gravíssimo. É possível que daqui a largos séculos ou até um milênio o planeta esteja inabitável, com certeza. Agora, durante o nosso tempo de vida, não houve mudanças suficientes para nós as sentirmos. Para efeitos práticos, ou seja, pra capacidade do corpo humano comum em reagir às temperaturas, os verões e os invernos são essencialmente idênticos ao que eram na infância do indivíduo que agora tenha 40 ou 50 ou 60 anos, não mudou nada de especial, pelo menos pra pessoa sentir. Acho que a pergunta que se deve colocar é: a que se devem estes esforços em convencer-nos de que estamos literalmente a derreter? Eu tenho uma tese que não é nada pessoal, nem original, e espero que não seja demasiado estapafúrdia, mas acho que se pretende assustar as pessoas, desde logo, porque o medo alimenta uma propensão para a dependência que os Estados gostam muito. E sobretudo, acho que é o mais importante, para que depois as pessoas estejam mais suscetíveis a aceitar o objetivo derradeiro de tudo isto, que é cobrir de impostos os cidadãos e as empresas e aumentar brutalmente a renda dos Estados. Eu tinha uma ideia, mas fui ver os valores exatos. Em 2023, foi o último ano que consegui apurar, os governos da União Europeia arrecadaram 341 mil milhões em impostos verdes e a cada ano são batidos novos recordes. Portanto, em 2024 já deve ter ultrapassado, 25, etc. Em princípio, isto deveria preocupar-nos muito mais do que o calor que mata pessoas por afogamento, especialmente esse tipo de calor. É que os danos das alterações climáticas, que mais uma vez digo, não questiono, e que até atualmente são em boa parte devidos à produção chinesa, que representa quase um terço da interferência, esses danos vão ter implicações, dizia eu, apenas no longíssimo prazo, isso não há ninguém que diga o contrário. E os danos causados pelo Fisco são imediatos. Em vez de se fechar escolas, acho que seria muito mais benéfico fechar os governos e também, já agora, ensinar os franceses a nadar, que aquilo, pelos vistos, está mau.

Até amanhã, Alberto.

Até amanhã.

Refresca-te.

Obrigado.

E se algumas das descobertas científicas que podem melhorar a vida de milhões de pessoas estivessem a acontecer neste momento em Portugal? No podcast "A próxima descoberta", conhecemos as pessoas e as inovações que estão a ajudar a transformar a saúde. Às quintas-feiras, a partir das 15h, na Rádio Observador e nas plataformas de podcast, em parceria com a Ovion. "O bom, o mau e o vilão" da Rádio Observador.

Até ao meio-dia é possível. Depois, a partir daí, tem de ser boa tarde.

Estava a correr bem. E tu não és daquelas pessoas que quando uma pessoa chega e diz: "bom dia", diz: "ah, por acaso já é boa tarde". Acutilância, ironia e, quando é preciso, alguma acidez.

Há coisas que surgem e nós não sabemos o que havemos de dizer. Não temos uma opinião, não pensámos sobre o assunto, não temos nada para dizer. Acontece, eu empatizo. Quando falo, como acontece aqui, é porque tenho coisas incríveis para dizer.

Ninguém é poupado ao rigor da opinião. "O bom, o mau e o vilão", de segunda a sexta, às 20h20, nas manhãs 360 da Rádio Observador e sempre em podcast. Este programa tem o apoio de Planicare. Vá pelo seguro. Quando o assunto é saúde, a prevenção e a confiança fazem toda a diferença. Na Planicare, a adesão é simples, rápida e pronta a usar. Planicare. Vá pelo seguro. No novo podcast, "O lado B da Terra", vamos ouvir o que a agricultura e a floresta têm para contar. Todas as quintas-feiras, a partir das 15h30, na rádio, em observador.pt e nas plataformas de podcast. Em parceria com a iniciativa B Rural. Rádio Observador, são 06h59 em Portugal continental e na Madeira, menos uma hora nos Açores