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8.4. Desfazemos ideias feitas com o Alberto Gonçalves. Alberto, boa tarde.

Olá, boa tarde.

Olá, boa tarde. Alberto Gonçalves. Hoje o Alberto Gonçalves quer desfazer ideias feitas sobre a ideia do governo de monitorizar o discurso de ódio que anda pelas redes sociais e pela internet, mas quero falar também sobre os comentadores que defendem a ministra que quer avançar com esta prática.

Sim, a sugestão ou a promessa da ministra já tem uns oito dias, talvez, e eu escrevi sobre isso no site do Observador. A proposta em si já é muito curiosa, mas o que eu achei curiosas foram as reações. As reações foram ainda mais curiosas, porque quase não houve. Ou seja, muito pouca gente se indignou e os que se indignaram foram os de costume. São casos previsíveis, de pessoas que têm bom senso que se indignaram com semelhante sugestão. Houve sim algumas reações, mas de apoio à ministra, de pessoas que compreendem perfeitamente que se monitorize. E agora aproveito para especificar, para quem não sabe, a ministra disse que o governo ia passar a monitorizar o discurso de ódio nas redes sociais.

Já agora falamos da ministra de Estado e da Presidência, Mariana Vieira da Silva.

Mariana Vieira da Silva, exatamente. Ela avançou com essa sugestão/proposta/promessa e houve vários comentadores e vários jornalistas que não tiveram nada a opor e, pelo contrário, alguns acham muito bem que isso aconteça. Quando isso, na realidade, é apenas uma promessa ou uma sugestão de censura. Não há outra maneira de dizer isto. Falar de discurso de ódio é a coisa mais vaga do mundo neste contexto ou em qualquer contexto. O que a senhora ministra está a dizer, e os comentadores e os jornalistas que a apoiam estão a dizer, é que são a favor da censura das coisas que eles não gostam que sejam ditas. Basicamente é isso. Algumas dessas coisas podem ser, de facto, mais ou menos consensualmente desagradáveis, como afirmações racistas ou coisas do gênero. Outras coisas não. Pode ser apenas uma crítica ao senhor primeiro-ministro, uma coisa do gênero, pode ser considerado um discurso de ódio. Considerar alguma coisa ódio, alguma atitude ou, no caso, um discurso, é apenas uma questão de opinião. Absolutamente. Nós hoje soubemos que o presidente do Brasil, independentemente da opinião que tenhamos dele, o senhor Bolsonaro, está infetado com a Covid. Seria interessante ver nas próximas horas e dias o tipo de discursos que há ou que vai haver sobre o senhor Bolsonaro. E que já há há muitos meses, aliás. Independentemente de ele merecer ou não. Eu posso achar que ele merece, o João pode achar que ele não merece ou que mereceria mais, etc. Isto é absolutamente subjetivo. O discurso de ódio, em si, salvo casos muito específicos, que é melhor nem sequer irmos por aí, porque seria eu que estava a definir esses casos específicos, é sempre uma coisa muito subjetiva. Isto peca por uma extrema subjetividade. Portanto, num mundo ideal ou num mundo pelo menos democrático e livre, o ideal é que as pessoas possam expressar o "ódio" que quiserem, ou o ódio sem aspas. Desde que não aplique, não leve à prática esse sentimento, desde que fique apenas pelas palavras, as pessoas são absolutamente livres de se expressarem. O que estas pessoas não querem, a senhora ministra não gosta, o governo não gosta, os apoiantes do governo não gostam, é que haja oposição. É tão simples quanto isto. Volto a dizer porque acho que faz algum sentido realçar: o discurso de ódio, neste contexto, é a coisa mais vaga do mundo, não tem qualquer significado. É apenas um discurso de uma pessoa a discordar de nós. Isso, para nós, é o discurso de ódio. E é assim que estas pessoas o entendem. E é normal que algumas pessoas o entendam assim, que não são pessoas com grandes credenciais democráticas. É um bocadinho desagradável que algumas pessoas ligadas ao jornalismo, ao comentário e à opinião pensam assim, porque isso é o oposto daquilo que a sua profissão deveria representar. Mas já estamos habituados. Volto para terminar. O que é natural é que as pessoas critiquem, insultem e façam o que quiserem no domínio das palavras das outras pessoas, ou dos atos, ou dos grupos ou das ideologias de que não gostam. As pessoas não têm que ter razão, as pessoas têm que ter a liberdade. O resto é censura.

Obrigado, Alberto Gonçalves. Alberto Gonçalves hoje a desfazer ideias feitas a propósito dessa ideia que foi avançada pela ministra de Estado e da Presidência, Mariana Vieira da Silva, para monitorizar o discurso de ódio que vai sendo proliferado também na internet e nas redes sociais.

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