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O presidente da Câmara de Lisboa retificou esta quarta-feira o valor da limpeza do Rossio no âmbito das manifestações pelo direito à habitação, de 100 mil para mais de 138 mil euros, após pedidos de esclarecimento de PS e Chega.

“Realmente, nos custos de limpeza do Rossio tive aqui um engano, é que não são 100 mil euros, são 138.104 euros tudo aquilo que foi gasto pelos contribuintes de Lisboa”, corrigiu Carlos Moedas (PSD), após ter sido questionado pela vereação do PS e do Chega na reunião pública da Câmara Municipal de Lisboa (CML), que está a decorrer nos Paços do Concelho.

Na quinta-feira, no seu espaço exclusivo de comentário no canal televisivo Now, o presidente da CML disse que a limpeza à estátua de Dom Pedro IV, no Rossio, vandalizada no âmbito dos protestos pelo direito à habitação, custou “100 mil euros à Câmara”.

O vereador do Chega, Bruno Mascarenhas, tinha perguntado a Moedas como justificava 100 mil euros pela limpeza de uma estátua e porque não tinha instalado um perímetro de contenção para proteger o património.

“Tenho a certeza de que qualquer lisboeta, por um décimo desse valor, iria com certeza limpar as estátuas”, afirmou Mascarenhas.

No mesmo sentido, o vereador Pedro Anastácio, do PS, disse ter encontrado contratos de remoção de grafíti referentes a 2025, para três freguesias lisboetas, com um valor anual de 244 mil euros.

“Segundo as suas contas, uma limpeza terá custado mais de 40% do que a Câmara gasta num ano para limpar grafíti em três freguesias no centro histórico”, salientou o socialista.

Pedro Anastácio lembrou ainda a limpeza do Padrão dos Descobrimentos, vandalizado em 2021 com um grafíti de cerca de 20 metros, cuja limpeza custou 2.300 euros mais IVA.

“Parece que a única coisa que sobe mais rápido do que o preço das casas em Lisboa é o preço da remoção de grafíti na cidade de Lisboa”, apontou o socialista, perguntando ao abrigo de que contrato foi feita a limpeza no Rossio.

Para o PS, há apenas duas hipóteses: “Ou os 100 mil euros são mais uma mentira sua, que infelizmente já tem um histórico e lastro alargado na cidade de Lisboa, ou existem [os contratos] e a Câmara pagou 40 vezes mais o preço do mercado quando já tem um contrato de remoção de grafíti para essa freguesia”.

“O que nós lhes pedimos é que esclareça se é mentiroso ou se é mau gestor. Qual das duas”, questionou o vereador do PS.

Carlos Moedas respondeu que quando os vereadores acusam a CML de mentir, “estão a chamar mentirosos ao diretor municipal da Higiene Urbana, que é uma pessoa competentíssima e, portanto, isso é triste”.

Pedro Anastácio disse ter percebido pela intervenção do presidente “que não existe contrato nenhum e que se refere a uma alegada internalização de custos na estrutura do município”.

“Em rigor, qualquer pessoa nesta sala percebe que isso não é mensurável dessa forma, por isso, e também para que não haja equívocos, a sua resposta permite concluir que de facto é mentiroso e que não há confusão nenhuma, porque foi mesmo a si que lhe atribuí isso e nunca ao diretor municipal da Higiene Urbana”, rematou o socialista, mantendo o desafio ao presidente para que divulgue o contrato.

O grupo municipal do PS também anunciou na terça-feira, na reunião da Assembleia Municipal, que ia pedir explicações urgentes a Moedas sobre o custo da limpeza dos grafítis da estátua do Rossio.