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Este é um podcast da Rádio Observador. Pode ouvir a rádio também em 98.7, na Grande Lisboa, e 98.4, no Grande Porto.
Bem-vindos ao Imperdíveis. Hoje com Carlota Ribeiro Ferreira, fundadora e CEO da Win World, uma empresa de mídia que organiza, entre muitas outras coisas, a Happy Conference. Tem o projeto Leaders in Action Society, faz vários programas executivos, como o Playbook, na Nova, como o National Geographic Summit e muitas outras coisas. Carlota, como é que se define?
Como é que eu me defino? Uma curiosa. Adoro estudar e transformar esse conhecimento em experiências de impacto. Adoro inspirar pessoas, espero ser bem-sucedida nisso. Aliás, uma vez perguntaram um dia, quando morrer, o que gostava de ser lembrada, e eu: "Olhe, se calar, por inspirar as outras pessoas pro futuro e pra coisas boas e pra agarrarem a vida diferente". São tudo coisas que me apaixonam.
Isso é muito interessante, porque toda essa motivação se traduz nos seus projetos, tudo aquilo que cria, tem como objetivo, como propósito, mas depois também como impacto, validado, certificado pelo mercado e pelos seus clientes, exatamente essa inspiração. E aquilo que Carlota faz é ver o que inspira os outros, o que motiva os outros, pra poder mostrar a muitos outros os caminhos dessa motivação e daquilo que pode ser transformador pra sua vida. Agora vou partir aqui de um exemplo muito concreto. O Jack Welch morreu esta semana. Nós demos a notícia no jornal e foi uma pessoa que a inspirou muito e que entrevistou.
Sim, sem dúvida. Ele é talvez a pessoa mais influente na minha vida e carreira nesse ponto de vista, na medida em que eu sempre adorei estudar e sou de Gestão, estudou Gestão, mestrado em Gestão, essas coisas todas. E o Jack Welch era uma referência muito grande nas nossas vidas, de todos nós, meu, dos meus colegas, dos meus professores, etc. Nós estudávamos muito a GE, o Jack, as atitudes, as estratégias, os pensamentos, etc. Quando estava nos Estados Unidos, havia várias conferências todos os dias e houve duas coisas que aconteceram, que era nesses momentos, nessas conferências, nesses encontros, nesses seminários todos que havia nessa agenda concorrida, eu tive uma noção que pessoas inspiram pessoas e bons casos inspiram bons casos. Portanto, através de encontros, podem se criar momentos de forte inspiração, de alta transformação e que leve as pessoas mais longe e que inspire as pessoas e as organizações pra irem ainda mais longe e fazerem mais a diferença.
Isto tudo sem impor nada a ninguém, só mostrando os caminhos.
Só mostrando caminhos.
Só revelando.
Sim, exatamente.
Só expondo a história de cada um e sabendo que a história de cada um faz eco nas histórias dos outros. No fundo, é esse sistema de vasos comunicantes.
Esse sistema de vasos comunicantes e essa não presunção de que aquela pessoa vai fazer isto com esta mensagem. Se nós não tivermos essa intenção, ou seja, de alguma maneira dispusermos a mensagem e depois respeitarmos aquilo que cada um absorve dessa mensagem. Cada um vai tirar aquilo que, de fato, eu não estou dentro da vida das pessoas. Cada vez que nós fazemos uma conferência, cada vez que nós fazemos um programa executivo, uma sessão de impacto, vai ter alcances diferentes, reações diferentes e efeitos diferentes nas várias pessoas. E portanto, o não querer que haja um determinado comportamento padrão como reação àquilo que nós fizemos, eu acho que é essa liberdade de, enquanto curadora, propormos experiências que acreditamos que fazem sentido, mas depois deixar que cada um as interprete da sua maneira, que cada um leve isso pra casa.
Então, só voltando ao Jack Welch, porque interrompi. Então, nesse encontro e nessa cartografia grande das pessoas que expõem a sua história e que influenciam os outros, o que aconteceu nos Estados Unidos?
Então, o que aconteceu nos Estados Unidos? Obviamente, que o Jack Welch era uma referência de estudo e tínhamos muitos casos, não só do Jack, como da GE, de tudo isso. E houve um dia que o Jack foi à faculdade.
Temos só que lembrar a quem não sabe quem é o Jack Welch, porque nem toda a gente sabe, foi diretor da General Eletrics durante 20 anos.
Durante 20 anos, esteve nessa empresa durante 40 anos, era engenheiro de formação e foi um empresário, aliás, considerado um gestor do século XX. Fez uma transformação enorme na General Electric, multiplicou resultados, fez uma série de transformações que foram absolutamente visionárias, inspiradoras e que ditaram tantas outras transformações noutras empresas. E, portanto, é uma figura fundamental de referência, não só nessa geração, como inclusive nas seguintes. E eu acho que vai ser sempre. É engraçado que no Leaders in Action, e agora depois vamos falar um bocadinho mais no Leaders in Action, a pessoa mais nova que nós entrevistamos no Leaders in Action, eu fiz uma pergunta: se houvesse alguém que gostasse de entrevistar, quem é que seria? E ele sem saber que nós já tínhamos feito a entrevista do Jack Welch, ele disse Jack Welch. E quando o Josh Falman, que é esse miúdo de 25 anos, nos disse o Jack Welch, eu: "Que engraçado, realmente, o mais novo adorava conhecer o mais velho, um dia vou promover este encontro".
Já não é possível.
Já não é possível, mas pronto. Mas isto pra dizer que o Jack é uma figura de referência, não só pra sua geração.
Se fizesse uma síntese do pensamento dele, que seja tangível pra quem nos ouve, o que diria?
There's a better way every day.
Todos os dias podemos fazer melhor.
Todos os dias podemos fazer melhor.
Isso é muito bom. E a si diretamente, ele a interpelou, tornaram-se amigos? Tanto quanto julgo saber.
Sim. Como é que isto aconteceu? Nós tínhamos muitos estudos e tínhamos um livro obrigatório do Jack, o "Straight from the Gut", que acabara de ser publicado. Um livro espetacular que vendeu mais de 10 milhões de cópias em todo o mundo e que era um livro obrigatório numa das nossas cadeiras na faculdade. E o que aconteceu foi que ele foi fazer a apresentação do livro, havia vários auditórios ligados, nós éramos obviamente todos grandes fãs do Jack Welch, e aquilo foi tão mágico, tão transformador, que eu verdadeiramente desejei que toda a gente em Portugal estivesse a ouvir e estivesse naquele momento comigo. E disse eu: "Um dia vou levar este homem a Portugal", porque realmente todos nós precisamos de ouvir estes discursos pragmáticos, destemidos, corajosos, honestos, humanos.
Livres.
Livres. E no final disso, e depois de acabar de ler o livro, resolvi mandar uma carta pra editora, que era a Warner Books. Eu ainda hoje me lembro de todos os detalhes.
Quantos anos tinha na altura?
Tinha 27.
E agora tem quantos?
Agora tenho 46.
Isso é bom, não diga isso com exatidão. Está muito bonita, 46.
Pois é ótimo.
Mas então escreveu a carta.
Não, isso já foi há muito tempo. Escrevi a carta pra Warner Books. Atenção, que este livro era best-seller em todo o mundo e havia várias coisas bastante provocatórias também. Era um livro cheio de disrupção. E qual não foi o meu espanto? Comentei, agradeci, obviamente, o tempo que teve a escrever o livro, etc., e a partilhar todos aqueles ensinamentos conosco, mas ia dizer o que é que dá uma maneira, era aplicável ou não no meu país, até pelo ponto de vista da meritocracia, do enquadramento legal, laboral, etc. Portanto, de facto, há coisas que numa sociedade americana, são possíveis de fazer do ponto de vista de negócio e de gestão de pessoas e que cá na Europa temos um pouco mais-
Isso porque há 20 anos a meritocracia era um conceito ainda bastante remoto.
Exato. E então, de facto, fiz alguns comentários e alguns pontos. E qual não é o meu espanto quando 15 dias depois recebo uma carta dele. E isso foi com os contactos dele, a agradecer a carta, etc. E houve aí duas coisas que me fascinaram. Por um lado, a eficácia do sistema, ou seja, da análise, avaliação, categorização das cartas, a carta ter chegado a ele, e depois a humildade em escrever uma carta de volta a uma miúda de Portugal que estuda em Harvard e que era no meio de milhentas cartas que certamente estaria a receber. Isso foi muito mágico, porque mostrou uma pessoa altamente próxima.
Isso fez de si também uma pessoa mais próxima, de quem a contacta ou quem tenta chegar a si?
Eu acho e procuro ser. Mesmo quem me contacta por LinkedIn e por tudo isso, e tento reservar espaço pra pessoas que eu não conheço de todo e quando insistem comigo, "tu tens que conhecer alguém", eu conheço sempre. Para além de gostar e de haver um gosto pessoal em conhecer pessoas, mas além disso, procuro dedicar tempo às pessoas. Acho que é a maior riqueza e há toda uma rede de conversas de significado, que eu acho que é aquilo que nos traz uma cultura maior e que nos faz todos aprender uns com os outros. Na minha vida é isso.
Carlota, e na gênese da Happy Conference, que muitas pessoas que nos ouvem conhecem ou já foram ou gostariam de ir, como é que começou a Happy Conference? É uma espécie de um legado que traz de Harvard e destas pessoas todas, desta combinação de talentos e de pessoas capazes de inspirar e de transformar e interpelar a ação. Não são só pessoas que partilham conhecimento, são pessoas que interpelam uma nova ação.
A Happy Conference surge já bastante tempo depois. Aliás, a minha primeira conferência nem foi com o Jack Welch, foi a primeira tentativa. Quando eu voltei a Portugal, era diretora do Diário de Notícias e da TSF, diretora de Marketing e Novos Negócios, e fazia sentido lançar uma linha de grandes conferências com oradores. Eu nessa altura disse: "É agora que faz sentido". A primeira grande conferência, que depois ele vinha em maio, houve um orador que aproveitamos a oportunidade e começamos em dezembro, mas na realidade, as minhas conferências começam aí, ainda dentro da esfera de Diário de Notícias e da TSF.
Isto já foi há quantos anos?
Já foi em 2004.
Há 16, 17 anos.
Essas foram as minhas primeiras grandes conferências. Depois, entretanto, estive sempre em mídia, fui pra Omnicom e em 2008 fundei a Win World. Nessa altura tinha um conjunto de ideias de conferências que achava que faziam sentido no mercado. A Happy Conference era uma delas. E a Happy Conference, nessa altura, não havia muito discurso de felicidade e culturas positivas nas organizações. Felicidade e bem-estar eram palavras difíceis. Eram tropeços, mais ainda com o próprio do nome Happy. Era quase que uma ousadia. E depois havia um cuidado muito grande que eu tinha, que era tornar tudo isto numa mensagem corporativa. E havia aí uma base de ciência que eu queria procurar.
Claro, não é uma coisa de bonzinhos e de pessoas queridinhas e iluminadas. É uma coisa científica.
É uma coisa científica.
Com racional por trás.
Com racional e que fala de felicidade, mas também fala de negócio, que fala de produtividade e que fala de colaboração e de criatividade. Toda uma série de dimensões que, de alguma maneira, contribuem pra felicidade e bem-estar dos colaboradores e, por consequência, para os resultados das organizações e pra ecossistemas mais saudáveis, mais sustentáveis, etc.
E a verdade é que a resposta do mundo corporativo foi torrencial, porque as conferências não só estavam sempre a abarrotar, não eram propriamente baratas. Penso que ainda não são. Mas abarrotavam de pessoas e muitas pessoas, todas as pessoas que estão em linhas de decisão ou de influência vão.
Sim, a Happy tem uma história engraçada e sobretudo conseguiu aquilo que nós procurávamos no início, que era não trazer só aquele target natural das pessoas mais ligadas à psicologia, ao coaching, essas coisas todas, mas no fundo fazê-la uma conferência de líderes que são comprometidos com a felicidade e com o bem-estar dos seus colaboradores. Nós temos empresas em que vai a empresa toda, temos empresas em que vem o CEO, os gestores de mudança Gestores mais seniores, mais juniores, enfim, há uma grande mistura de público e, portanto, é uma conferência que é desenhada para um público muito amplo. Eu acho que acima de tudo são pessoas que estão comprometidas e que acreditam que todo este caminho se trabalha todos os dias e com atitudes, com relações de confiança.
Com ética.
Com ética, claro.
Integridade, transparência.
Exatamente. E nós na Happy Conference, e nesta história de 11 anos, e agora já vamos para o dia 21 de abril, a próxima Happy Conference.
Com quem?
Com o Stefan Sagmeister, com a Julia Xu e com a Alanini. É uma conferência extraordinária sobre pensamento criativo, que na realidade é uma das principais competências a trabalhar quando se trata de gerir negócios, gerir pessoas, gerir equipes nestes ambientes tão complexos, imprevisíveis e de alguma maneira, repletos de desafios. O fazermos caminhos criativos e saudáveis para conduzirmos as nossas equipes e os nossos negócios mais além, é absolutamente fundamental. E há toda uma série de dinâmicas que se trabalham nisso.
Agora falamos aqui já muito da sua parte profissional e já tocamos e já falamos algumas vezes de palavras que não são as palavras mais fáceis no mundo corporativo e das grandes organizações, que é felicidade. O que é que para si, Carlota, como pessoa, o que é a felicidade? Onde é que começa? De que se trata? De que estamos a falar quando falamos de felicidade?
Ui, de que estamos a falar? De um caminho de consciência, de um caminho de fé, de um caminho de alegria. Eu acho que acima de tudo, é um compromisso que nós temos com o mundo e com as pessoas. Agora, como é que cada pessoa o vive e como é que se desenha o seu caminho, eu acho que é uma consciência que tem que ser feita todos os dias. A minha mãe é psicóloga e é muito ligada a sentimentos e sempre nos incutiu imenso: "Sintam-se todos os dias e vejam", aliás, ela dizia: "Não se levem a estados, limites ou extremos. Vão tendo atenção a vocês e aos outros, obviamente, que estão à vossa volta para no fundo nos tratarmos a todos como flores, porque se formos fazendo isso ao longo do caminho, na realidade conseguimos caminhos com mais significado, com mais impacto". Eu acho que para mim felicidade é ir fazendo esse caminho com essa saúde física, mental, relacional, um dia de cada vez, a aceitar o que o mundo nos dá, eu acredito imenso que a vida são chance encounters e que nós devemos estar bem atentos, porque a felicidade está nas coisas simples e muitas vezes onde menos se espera. Portanto, é estar com esse estado de alerta, com essa consciência boa e positiva.
E a confiança, onde é que põe a reserva da confiança? Porque hoje em dia nós sabemos que é na confiança que tudo se joga. É a confiança que faz com que uma pessoa se apaixone e queira ter uma relação de compromisso, é a confiança que faz com que uma pessoa seja contratada, é a confiança que faz com que seja promovida, é a confiança que faz com que seja enviada, projetada mais alto e mais longe. De onde é que nasce a confiança?
De onde é que nasce a confiança? Eu acho que desse ambiente positivo que vivemos ou que nos proporcionam e que nós depois também temos o dever de proporcionar aos outros.
Ou seja, de alimentar também.
É, eu acho que é de entregar e é uma dinâmica que existe. Obviamente, todos nós temos dias em que estamos com menos confiança, outros dias em que estamos com mais confiança.
Mas a confiança também vem da preparação? Já que estamos tanto inclinadas ao mundo corporativo, também vem da preparação, também vem da motivação?
Vem da preparação, vem da motivação.
E vem desse cuidado.
Vem do cuidado com o outro e vem da fé. Eu acho que vai muito no sentido de acreditar que somos capazes, que estamos cá, que estamos bem, que estamos com saúde e o melhor que nós pudermos dar aos outros, vai ser bom não só para os outros como para nós também.
Vai projetar essa confiança nos outros.
Mas eu acho que é uma coisa que se constrói todos os dias e que nós também não podemos ficar abalados se houver um dia em que estejamos com menos confiança. Também temos que, de alguma maneira, nos aceitar um bocadinho, mas estar atentos. E o António Damásio e a minha mãe dizem muito isso, vamos estando atentos. Se eu hoje, por exemplo, estiver com menos confiança, por que isso está a acontecer? O que aconteceu?
Ir à causa, não só ao sintoma.
Ir à causa. Porque assim consegue-se trabalhar o antídoto mais rapidamente. Essa atenção com os sentimentos é para mim, hoje em dia, absolutamente crucial.
Estamos aqui a uns breves minutos antes de fazer uma pausa, mas como é que faz para este exercício diário de se sentir, é o quê? É uma espécie de um exame do dia? É um exame de consciência? Porque também já falou nos desafios de consciência e nessa consciência reforçada das realidades. Como é que se faz esse exercício de sentir todos os dias, de se sentir todos os dias?
Eu acho que essa consciência, sabe que eu sou muito pragmática no meio disto tudo, mas de facto eu sou muito emocional.
Muito business.
Muito business.
Uma mulher de sucesso, há aqui muita coisa.
E trabalhamos muito estes projetos e estas experiências que são altamente emocionantes e, portanto, se não pusermos a nossa carga toda e a nossa energia, na realidade, eu tenho perfeita noção que cada vez que pomos uma conferência com 3000 pessoas no ar, que muita daquela energia vem de nós, e nós temos que estar inteiros nesses momentos. As pessoas que trabalham comigo, quando eu digo há um tema de foco, de se estar no momento, que para mim é absolutamente crucial. E às vezes o momento é nas minhas corridas, essa consciência passa por estar nas minhas corridas e quando eu estou a correr, estou a correr.
Todos os dias corre?
Não corro todos os dias, mas corro três, quatro vezes por semana.
E portanto, é o seu tempo.
É o meu tempo. E quando estou a correr, estou a correr. Quando estou a fazer desporto, estou a fazer desporto. Quando estou a ler, estou a ler. Quando estou a estudar, estou a estudar. Quando estou em reunião, estou a olhar para si. Quando estou numa entrevista, estou consigo.
Está a pensar em quem nos está a ouvir.
Estou a pensar em quem nos está a ouvir. Não, agora estou mais preocupada com as perguntas que me está a fazer, no sentido de eu também ter resposta.
Isto acontece agora e não editamos.
Exatamente. Mas eu acho que o estar no momento, para ser franca, é das coisas para mim mais importante. E não há pior do que estar, por exemplo, numa reunião e há dias em que as pessoas ou estão com o filho doente ou com uma mãe doente e obviamente até fazem esse alerta: "Atenção, eu hoje estou preocupada com isto". Mas até este disclaimer é mesmo importante, porque eu acho que nos pomos todos na mesma página. E eu acho que, de facto, o estar inteiro é absolutamente fundamental.
Então agora vamos inteiramente para um intervalo e já voltamos também.
Combinado.
Até já.
Até já.
Bem-vindos à segunda parte do "Impredíveis", hoje com Carlota Ribeiro Ferreira, uma mulher de sucesso, com uma cabeça muito business. Estudou em Harvard, é de gestão, é fundadora e CEO da Win World, que organiza entre muitas outras coisas a Happy Conference, que criou o Leaders in Action Society. Já vamos perceber o que é isso. A National Geographic Summit também é organizada pela Win World, entre muitas outras coisas. Estávamos a falar de unidade interior e de estar inteiros onde nós estamos. O que faz, para além de correr, para manter essa unidade? Porque nós vivemos numa época, num tempo em que tudo nos divide, tudo nos estica, tudo nos fragmenta. E como é que cultiva a unidade interior?
Olha, uma coisa que eu preciso imenso para mim, são os meus momentos de estudo. O meu pequeno-almoço rodeada de revistas ou de livros, ando sempre com livros e com revistas.
Quantos filhos tem?
Tenho dois.
Ou seja, eles depois da escola ou o pequeno-almoço pode ser mesmo com eles ainda em casa.
Não, eu levanto-me às 06:00 a.m.
É uma morning girl.
Eu sou uma morning girl.
Muito bem. Então às 06:00 da manhã acorda e tem duas horas para si. Ou uma hora e meia.
Não, não são duas horas porque eu vivo em Cascais e portanto saio de casa às 07:00 a.m.
Muito bem.
Mas tenho ali meia hora em que estou um bocadinho comigo, faço uma passagem nas notícias ou numa revista ou qualquer coisa. Depois entretanto trago os miúdos para a escola.
Têm quantos anos?
O mais velho tem 16 e o outro tem 07. Portanto, eles têm nove anos de diferença. O mais velho já vai sozinho, o mais novo vem comigo. Deixo o pequenino no colégio e depois chego ao escritório às 08:00, 08:15 e aí até as pessoas começarem a chegar.
Quando os problemas ainda não começaram.
Exatamente. E então aí entre as 08:15 e as 09:00, novamente, tenho um tempo de leituras que pode ir desde livros, a relatórios, a revistas. Hoje o jornal, deixaram-me uma entrevista do Carlos Moedas e eu fiquei a ler. E portanto, esses momentos comigo, de cultivo, digamos, e de leitura, é uma coisa que me mantém muito próxima de mim, que me dá muito gozo. Depois, tenho uma paixão brutal por desporto e por vida ao ar livre. Faço bastante esqui aquático, adoro desportos de montanha, caminhadas, corridas, etc. E isso são tudo atividades que me ligam.
E que unem por dentro.
Que me unem por dentro. E mais rapidamente adoro levantar-me às 08:00 a.m. para ir fazer esqui do que propriamente ter-
Ires para o escritório.
Não, não é ir para o escritório.
Estava a dizer para vos.
Não, do que por exemplo, fazer uma noitada brutal e não dormir.
Muito bem, por contraste.
Por contraste à noitada. Não, no escritório gosto imenso, divirto-me imenso, porque eu faço o que adoro.
Sim, é o privilégio de quem tem, como nós, esse privilégio. É extraordinário e temos que o agradecer todos os dias.
Exatamente.
Há bocadinho falou, e já falou também algumas vezes, em fé. Ter fé. Eu não sei se está a falar do ter fé de quem acredita e cultiva essa confiança em si, nos outros e no mundo, ou se está a falar de uma fé transcendente ou de uma fé religiosa, não sei. Ou criacionista, porque gosta tanto da natureza, porque pode ser a fé pela criação.
Quando falo em fé, e a fé é um tema querido da minha família e da minha avó, é uma crença maior, ou seja, é nós acreditarmos que estamos cá por uma razão e que há um contributo e o querer fazer esta viagem deixando o melhor de nós. E procuro isso. É acreditar no mundo. Vejo muito, isto não é ver só a parte idealista das notícias, não, de todo. Aliás, gosto de ver as duas partes, mas gosto de acreditar que nós, homens, nos vamos conseguir unir e resolver parte dos grandes desafios que temos. E, portanto, e se não houver essa fé que vamos conseguir isso, ou quando uma pessoa, por exemplo, tem um namoro, se não acredita Que vai dar uma maneira, não é estar com grandes projeções ou que se vai casar, não é nada disso, mas tem que acreditar que de fato aquilo faz sentido, que tem um futuro, porque se não haver essa fé, também na realidade as coisas não fazem sentido.
Não é uma fé, não é uma crença, é uma fé em Deus? Deus para si-
Deus para mim tem um papel muito especial
É muito familiar?
É. E aliás, eu fui batizada aos 28 anos, portanto, por opção. Exatamente. Aliás, eu sou de uma família muito católica, uma avó que assistiu ao milagre do sol e, portanto, que tem uma fé enorme em Nossa Senhora de Fátima e em Deus, obviamente. Os meus pais são os progressistas dos anos 70.
Capela do Rato.
Sim, mas nessa altura, a minha mãe psicóloga dos primeiros cursos de psicologia, o meu pai economista, e nessa altura decidiram de facto largar a vida deles religiosa e depois, por coerência, não desbatizaram nem a mim nem a minha irmã Margarida. Eu sempre adorei ir à missa com a minha avó e tinha uma ligação muito especial à minha avó e, portanto, mesmo não sendo católica, mesmo não fazendo ou não estando na missa como todas as outras pessoas estavam, eu estava porque estava com ela e porque me sentia bem.
Ela ainda está viva?
Não, morreu com 101 anos.
Maravilha, quando?
Em 2004, um ano depois do meu filho Vasco nascer. E eu fui batizada no dia dos anos dela. Não, uns anos antes. Mas, portanto, na realidade, sempre houve essa proximidade, que sempre foi relativamente informal ou diferente daquela que as pessoas que tinham sido batizadas e tudo isso tinham. Agora, que era um lugar onde eu me sentia bem, porque estava com a minha avó e porque sinto que há fé. Na realidade, há.
Mas isso então fez ela fazer um caminho de preparação e da opção por se batizar aos 28 anos.
Fez. Aliás, quando eu estava nos Estados Unidos, tinha uma igreja extraordinária ao lado de casa, lá está mais uma vez um chance encounter. Porque depois, obviamente, tudo isto colidia, de alguma maneira, com toda uma abertura e todo um estudo e toda uma filosofia que eu também gostava, e toda uma modernidade de pensamento e todo um conjunto de valores projetados que estão dentro de mim pelos meus pais e que eu valorizo imenso, que é, de alguma maneira, olharmos por nós, termos noção do impacto que temos nos outros, ter essa consciência muito presente, etc. E então fiz vários cursos de filosofia das religiões e tive contacto com pessoas de várias religiões e foi super enriquecedor. Obviamente que depois não fazia sentido eu ser batizada nos Estados Unidos, eu sabia que era um gosto para a minha avó e, portanto, quando voltei para Portugal, fez-se esse passo.
E identifica-se de alguma forma ou tem alguma prática religiosa ou tem só o sentimento de pertença?
Tenho um sentimento de pertença e tenho uma fé. Há práticas e há disciplinas, eu sou um bocadinho outlier, no sentido de não é estar, mas não estar, não é isso. De facto, há depois, ao mesmo tempo, uma prática e uma consciência e uma parte emocional que eu gosto de explorar e que se calhar sou um bocadinho diferente. Há noções na Igreja Católica, as noções de pecado, há coisas pesadas, que de facto não é que sejam erradas.
Ou então estão mal traduzidas.
Ou estão mal traduzidas, exatamente.
Numa das entrevistas aqui nos Imperdíveis, o padre Miguel Siqueira de Almeida dizia que há muitas pessoas que ficaram na quarta classe da fé. E depois eu percebi que foi uma das entrevistas em que houve mais downloads. E fiquei a pensar que talvez-
Toda a gente quer perceber.
Sim, e realmente é uma realidade que pode estar mal traduzida. Então avançando aqui um bocado.
Aliás, só um ponto, quando eu cheguei a Portugal e quando eu tomei essa decisão, queria ser batizada, fui falar com vários padres. E o padre que mais me encantou foi o cónego Armando Duarte. Por quê? Porque ele é um homem da ação.
É um homem maravilhoso.
É um homem maravilhoso. E essa parte, essa ação que ele tem nos Chiados, com os velhinhos, com os bebês, isso, sim, fascinava-me. Então foi com ele que eu quis fazer o caminho.
E o cónego Armando Duarte fez uma obra absolutamente fabulosa de recuperação daquelas igrejas da Baixa Chiado que são maravilhosas. Entre os prémios que se ganharam, o esforço titânico para fazer a coleta, para ter o dinheiro, mais as multas que tiveram, que são inacreditáveis, porque houve umas multas porque ficaram uns andaimes de fora e de facto que vou voltar a prestar um tributo ao cónego Armando Duarte, porque ele é extraordinário.
Pois é, mas não é das figuras mais conhecidas.
Porque ele também é muito low key.
É, e eu gosto imenso disso. E portanto, foi exatamente com ele que de facto, quando ele me começou a explicar todo o projeto, eu disse: "Não, é aqui, realmente, este é um homem da ação, é um homem que acredita em Deus, que de facto tem aqui uma visão maior da comunidade", e pronto, e é com ele que eu levei este caminho.
Então pegando nas suas palavras, porque hoje deu para ir pegando nas palavras que a Carlota vai dizendo, ação marca muito o seu pensamento, o seu passo. O seu contributo cívico e por isso criou a Leaders in Action Society. O que é esta sociedade e qual é o propósito?
Esta sociedade é basicamente uma plataforma de histórias de liderança contadas na primeira pessoa. E por histórias de liderança entenda-se desde pessoas que fazem a diferença nas suas áreas de atuação. Portanto, temos desde maestros a gestores, a políticos, a desportistas, ou seja, temos várias pessoas que na sua área de atividade e de significado, na realidade, estão a marcar a diferença. Por que este projeto surgiu?
Isto é internacional, portanto é gravado em inglês, mas legendado
Legendado em quatro línguas. Basicamente, o que é a grande missão deste projeto? Levar estas histórias para inspirarem tantas outras histórias de liderança que existem dentro das pessoas e que muitas vezes estão relativamente encapsuladas, ou fechadas, ou constrangidas.
No fundo, são vídeos que podem ser usados para debates em empresas, como podem ser usados para assignments ou debates nas escolas ou nas universidades e que mostram os caminhos ou do sucesso ou do insucesso, ou como é que as pessoas lidam com a adversidade, ou como é que as pessoas vão de conquista em conquista, ou de fracasso em fracasso. E como é que tudo isto acontece na vida das pessoas consideradas líderes e muito ativas, muito dinâmicas.
Exatamente. E a ideia deste projeto surge por quê? Porque em 2015 nós tínhamos o privilégio de termos trazido a Portugal quase 400 oradores, formadores, artistas de grande impacto, uns mais conhecidos, outros menos conhecidos, mas tínhamos acesso a histórias de vida maravilhosas, tão interessantes como as histórias que são levadas a palco, ou seja, que muitas vezes são histórias técnicas e são pontos de liderança colaborativa, economia circular, ou seja, são coisas muito temáticas, técnicas. Na realidade, é muito mais interessante, muitas vezes, a história que está por trás da pessoa que domina essa matéria.
Exatamente, por isso que está aqui hoje. Não é só o que faz, mas é a motivação pelo que faz.
Pelo que faço. E então quando nós chegamos, de facto, em 2015, tínhamos cerca de oito anos, pensamos: "Como é que nós vamos levar estas histórias?" Nós somos uns privilegiados aqui, e é ótimo termos acesso e termos o privilégio de trabalharmos com estas vidas e com estas pessoas. Mas como é que podemos levar estas histórias?
E revelar, desocultar isto.
Desocultar histórias que merecem ser contadas e que, de alguma maneira, podem inspirar tantas outras histórias. Quando o McNamara me diz que aos 16 anos tinha medo de ondas gigantes, não era medo propriamente, mas de alguma maneira tinha. O que aconteceu para os 44 ou 45?
O seu McNamara.
Exatamente. Qual é que foi o caminho? O livro que ele leu. No caso dele, há um livro absolutamente emblemático que ele leu e que foi transformador na vida dele.
Qual foi?
Foi um do Eckhart Tolle. Agora não tenho a certeza do nome.
Tem diferentes. Se quiser o próprio nome.
Ou então o que aconteceu, por exemplo, com o Jack Welch, que aos 28 anos teve uma explosão numa fábrica que lidrava. E, no fundo, esse episódio em concreto, e graças a Deus não morreu ninguém, mas esse episódio em concreto, deu-lhe uma exposição interna e ele assumiu as responsabilidades de tudo e fez uma exposição grande e teve um líder que o apoiou na desconstrução de toda essa história. Esse foi um momento decisivo da carreira dele. Mas tantos outros. E eu acho que o dar a conhecer estas histórias e que os caminhos não são lineares e que há medos, há falências, há impasses, há desconfianças, há dias bons, há dias menos bons, há pessoas que nos dão as mãos. E tudo isso é que vai fazendo a vida das pessoas.
E sobretudo mostrar os caminhos da resiliência também, não é?
Mostrar muito os caminhos da resiliência, mostrar a ousadia e a coragem, que às vezes, mesmo quando estamos com o coração com um nó na garganta e de repente vamos.
E uma das coisas que a Diana Gomes da Silva, que é uma das suas entrevistadas, que eu também já entrevistei há muitos anos numa série de programas que fiz, e ela diz nos seus programas, no seu episódio, diz "treinar o startle", que é treinar para o imprevisto. Que é um conceito extraordinário, porque aquilo que nos é dado fazer é, quando estamos num esquema colaborativo de uma organização, seja ela qual for, temos que estar treinados para lidar, gerir, resolver o imprevisto. E é interessante ver como é que através de um testemunho, de alguém, que na primeira pessoa diz como é que faz as coisas, e ela é piloto de acrobacia.
E comercial.
E comercial também. E ela fala disso. Que coisas é que tem também aprendido e aplicado à sua vida ou que percebe que tem aplicação concreta, tangível na vida?
Dessas histórias todas? Muitas coisas. Claramente o "prepare for the unexpected" da Diana, acho que hoje em dia é transversal e não só do ponto de vista, até porque é impossível não estarmos preparados para todas as competências e o próprio Yuval Harari diz uma coisa muito interessante, que é acima de tudo, hoje em dia, um treino de agilidade mental, que é absolutamente fundamental, porque o mundo é tão complexo e evoluiu a uma velocidade tão rápida que é impossível não estarmos formados em todas as disciplinas e todas as competências emocionais. E portanto, agilidade, criatividade, são duas dimensões absolutamente críticas para gerirmos imprevistos e para estarmos preparados para o inesperado, que é o que a Diana trabalha bastante.
Daniel Traça, o dean da Nova, diz que o cérebro não está muito preparado para aprender e desaprender e voltar a aprender, mas que esse também é um segredo e é um truque para o futuro, é aprender a desaprender.
Olhe, que engraçado, eu e a Roberta Medina vamos falar agora numa conferência e o tema da nossa sessão é exatamente isso, aprender desaprendendo.
Exatamente, porque é uma chave de sucesso agora, daqui e para frente.
Pois.
Porque o mundo está a mudar de uma forma tão acelerada, que as pessoas só sobrevivem a esta mudança se conseguirem adaptar-se e mudarem e aprenderem e voltarem a aprender e desaprenderem coisas que já não lhes servem.
Exatamente. E temos que ser muito rápidos nisso.
Muito rápidos.
E pragmáticos.
E quando aprendemos, temos que aprender inteiramente, voltando à sua analogia. Não é fazer a batota de vou fingir que aprendo, porque já sei que vou ter que desaprender. Portanto, é mais difícil ainda. É dar a volta ao cérebro e à maneira como está.
E parece que temos que ser rápidos a ser profundos, mas para depois te desaprofundar também muito rapidamente e virar algo.
Exatamente, voltar a ser superficiais.
Sim. Quer dizer, superficial, mas pronto.
O que mais a fascina nos outros, nas pessoas?
O que mais me fascina nos outros? Tanta coisa. As pessoas são as minhas grandes inspirações. O que mais me fascina nos outros? As suas histórias de vida, claramente, os seus caminhos, as opções.
A sua autenticidade.
A sua autenticidade. Acho que claramente a sua autenticidade.
Ou seja, pessoas com artificialismos não...
Não, e pessoas com vontade de contribuir. Eu fico fascinada é quando as pessoas gostam, ou até podem não saber exatamente ainda qual é que vai ser o legado que vão deixar, mas que estão nesse compromisso, que é fazer uma entrega, contribuir para um mundo melhor, fazer a diferença na vida das pessoas, naquele negócio. Enfim, pessoas que têm um compromisso com as pessoas e com o mundo. Isso fascina-me.
O que é mais difícil para si aceitar nos comportamentos seus ou dos outros? O que é mais difícil? Aquilo que mais a fascina, já percebemos, o que mais a desilude?
A falta de coragem e de frontalidade de pessoas. Quando as pessoas se evadem, quando acontecem coisas ou quando sentem coisas, ou a passividade também, que é outra coisa. Ou seja, quando: "Eu adorava fazer isto".
Uma pessoa que é um dínamo humano realmente não deve lidar bem com a passividade.
Não, não lido nada bem com a passividade.
Nem com a passividade dos filhos. É que às vezes os filhos também podem ser muito passivos.
Pois, mas aí por acaso os meus filhos são muito pouco passivos.
Muito dinâmicos também.
Muito dinâmicos.
Herdaram o gene.
Sim. Mas também, atenção, eu também tenho a sorte e o privilégio de nascer numa família e ter exemplos muito dinâmicos à minha volta. Minha avó trabalhou até os 98 anos.
Morreu aos 101.
Morreu aos 101 e dizia, era voluntária nos hospitais, no Hospital de São José, no Curry Cabral, era voluntária, bata amarela e tirava 15 dias de férias no verão, 15 dias no Natal e dizia: "Enquanto Deus me der saúde, eu vou ajudar naquilo que posso os outros".
E cumpria o seu horário.
Cumpria o seu horário, era inacreditável. E portanto, mesmo não tendo essa necessidade, sentia esse compromisso de naquilo que ela podia, ela estava lá.
Já que fala na sua avó, que se chamava Anica, se a pudesse trazer aqui agora, temos um minuto, o que é que lhe diria?
Que a adoro e tenho umas saudades imensas dela. Adoro.
O que mais recorda nela? Fisicamente?
A coragem. Era uma pessoa que me atirava pra frente. Às vezes dizia: "Avó, adorava ir com a tia Isabel não sei onde." "Então vai e peça, o mais que pode acontecer é ter um não, o não já está garantido." E então empurrava-me.
Portanto, não havia impossíveis.
Não, não havia impossíveis. Além de ser uma extraordinária desportista e uma matriarca incrível.
Já não há tempo para mais. Que desportos é que ela fazia? Já agora, só pra acabar.
Muito. Era um bocado como eu fazia. Ela era caçadora e isso caça já não.
Já não é para si.
Não.
Muito bem, Carlota. Fica aqui a homenagem à grande avó Anica, que morreu com 101 anos, que deixou muito boas memórias em todos os que a conheceram. Muito obrigada e muitas felicidades para tantos projetos e tão bons.
Obrigada, Laurinda.
Obrigada.
Obrigada.