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Esta semana no Isto Não Passa na Rádio, o tema é: Canções para ir a Miami. Benuron, Corona, na abertura do Isto Não Passa na Rádio. Escolha do Tiago Pereira para ir a Miami.

Uma Corona e um Benuron.

Um G de Gandim.

Exato. G de Gandim.

Quem é que está a ouvir aí no computador?

Agora já não estamos. Eu gosto tanto da canção.

Eu ia dizer assim: "Epá, agora deixámos este disco a rolar e vamos embora."

Queria tornar este momento interminável.

Este programa já não vai melhorar muito mais do que isto.

Tu não achas que isto é a banda sonora oficial de uma excursão de portugueses em Miami?

Sem dúvida.

De clube em clube a queimar o Benuron.

Se bem que eu tive um saudosismo aqui com todas as discotecas que ele refere.

Isto são pistas de dança que tu andaste a arranhar pelo norte do país.

É verdade. Zona Industrial.

Noutros tempos.

O Santo Pleno.

Agora és um homem sério.

O Vaticano.

Agora és um homem sério.

Bons tempos.

Mas então queres dizer às pessoas porque é que estamos a fazer isto?

Estamos em Miami porque a seleção de Portugal também está ou esteve, não sei.

Imagina.

Há pessoas que podem ouvir este programa para a semana e Portugal se calhar já está fora do mundial.

Eu não sei como é que vai ser o futuro. Sei que quando nós estamos a gravar, há portugueses em Miami e, portanto, nós decidimos fazer aqui...

Jornalistas, atletas.

Muita gente. E eu acredito que uma canção destas, de banda sonora para roteiro noturno, com aquele toque de reggaeton, é perfeito.

Até porque Miami é uma zona bem latina, como vamos perceber também por outras escolhas que aqui trazemos esta semana. A seleção está em Palm Beach, mas são 100 quilómetros de Miami. É a grande Miami.

Imagino muito bem aqui David Bruno e amigos a queimar o Benuron.

Muito bem. Mais canções para Miami. Lembrei-me de muitas, mas desta em especial. Baxter Dury com "Miami", está mais ou menos explícito. Dizer que gosto muito do Baxter Dury. Parece que esteve no Primavera, não foi? Outra vez. Aliás, a primeira vez que o vi ao vivo foi na primeira edição do Primavera, no Porto, e ele este ano regressou. Também há alguns meses passou por Lisboa. Fui ver esse concerto, o melhor concerto que eu vi, não sei, se foi em 2025, é 2025, se foi em 2026, é o melhor concerto de 2026 que eu vi.

Calma!

Baxter Dury no Lisboa ao Vivo e agora aqui em Miami.

I don't think you realize how successful I am. I'm like a ship in Tyrone, full of promise and calm. I'm a salamander, a short-riff lover boy, causing grief with the bleeding eyes. I'm a turgid, fucked up little goat pissing on your fucking hill. And you can't ship me out, because you can't catch me, because you're so fat. So fuck you. I'm Miami. I don't think you know who I am. I'm the sausage man, the shadow licker. I'm a tiny little ghost that features in your despondent moments. The timeless whisper, the glassy dude. I'm the science of all that's wrong, and I'm making you think that you doubt everything you love. But I'm here to stay. I'm Miami.

Baxter Dury, em Miami. Ele fala de sonhos destroçados, onde os broken dreams acontecem também. Miami será uma dessas cidades. Tinha a ideia que Los Angeles tem mais essa conotação, não é?

Eu acho que aquilo há a possibilidade de tudo. É uma cidade onde acontece tanta coisa, ao mesmo tempo, a toda a hora, que é possível encontrar a felicidade plena, ainda que efémera, ou a desgraça permanente, meu amigo.

É verdade.

É preciso ter cuidado.

Já vamos perceber aqui numa outra canção.

Além disso, faz muito calor.

Também. Vamos perceber que há desgraças a acontecer em Miami, numa outra canção que eu vou trazer daqui a pouco. E agora, o que é que vamos ouvir? Diz-me tu.

Vamos ouvir Omara Portuondo.

Muito bem.

Porque Miami tem vista para Cuba.

100 quilómetros em linha reta.

É uma ligação rápida, mas complexa. Rápida, em teoria, mas muito difícil. É uma história que une as duas cidades, Miami e Havana, se quiseres. E são culturas que se cruzam. Isso depois tem muito resultado na vida, sobretudo neste caso.

Cruzam-se normalmente numa lancha rápida.

Sim, é uma coisa muito complexa, não temos agora tempo para isto, mas é difícil falar de Miami sem falar de Cuba e Omara Portuondo-

Desculpa, sabes qual é o prato oficial de Miami?

Hum?

É o cubano.

Pronto.

É um sanduíche, chamam-lhe o cubano.

Omara Portuondo, que faz 96 anos em outubro.

Está ótima de cabeça.

Meu amigo, isso é uma boa frase para pessoas que fazem 96 anos. E eu escolhi uma canção, não é muito fácil, porque há muitas e muito boas. Escolhi uma com o Buena Vista Social Club, uma canção que se chama "La Sitiera" e que fala sobre uma camponesa, se quiseres, alguém que trabalha a terra e dilemas, dramas, há romance pelo meio e depois tem esta voz melosa de Omara Portuondo.

Sitiera mía, dime que has hecho de nuestro dulce hogar. Reina que un día fue la alegría de todo aquel sitial. Lágrimas vierte la sitiería que tiende a desolar. Y es por no verte, reina que un día fuiste de aquel lugar. Ya el jilguero se alejó de aquel frondoso algarrobo. Y hasta la mata de jobo nos da muestras de dolor. La sitiera se ha marchado y yo enamorado lloro por su amor

"Y es para la sitieria, cual si fuera un día que le falta el sol. Ven, si quiera, por favor. Ven conmigo a mi retiro. Y gozaremos de amor al son del tiple y el güiro. Ven, si quiera, por favor. Ven conmigo a mi retiro. Y gozaremos de amor al son del tiple y el güiro. Ven, si quiera, por favor. Ven conmigo a mi retiro. E gozaremos de amor ao som del tiple e el güiro".

Sai de uma camponesa, na versão de Omar Portuondo. Não é um original de Rui Veloso, mas podia ser, até porque fala numa camponesa, não é, Tiago?

El güiro, no fim, é um instrumento que é uma espécie de reco-reco. Ficas a saber.

Obrigado por isso.

Mas gosto muito da palavra reco-reco.

Como é que se chama aquela coisa no trompete, que faz aquele som?

A surdina.

Surdina?

Uhum.

Ok. Obrigado por essa informação também.

Miado.

Gosto muito quando o trompete mia.

Podia ser uma canção.

Podia.

"Gosto quando o trompete mia".

Já vamos voltar ao lado latino de Miami, canções para ir a Miami numa altura em que é o quartel-general da Seleção Nacional de Futebol no Campeonato do Mundo, para já, enquanto Portugal se mantém nessa competição. Lembra-me de uma canção que não tem propriamente nenhuma relação com Miami, pelo menos que eu saiba, mas que eu gosto muito e que eu acho que faz sentido numa cidade para fazer um passeio noturno de carro pela cidade com as luzes dos neons a baterem no para-brisas.

Andas a ver filmes a mais.

Sim. E por isso é que me lembrei da "Nightcall", do Kavinsky.

Pronto.

Porque acho que faz sentido ouvi-la em Miami. Ela originalmente foi produzida pelo Guy-Manuel de Homem Christ, dos Daft Punk, e cantada pela Lovefoxx, das Cansei de Ser Sexy. Mas eu fui buscar aqui a versão que tem a Angèle e os Phoenix e que foi apresentada na-

Tenho mais franceses ainda.

Mais franceses ainda. Que foi apresentada na cerimónia que fechou as Olimpíadas de Paris 2024.

Eu lembro-me dessa situação.

Sim, e as pessoas redescobriram essa música, que já fazia parte da banda sonora do filme Drive, mas não ficou nada mal nesta nova versão.

Tem belíssimas canções, essa banda sonora.

Tem. São quase todas feitas pelo Kazinsky, acho eu.

É, acho que sim.

Kavinsky, desculpem. "Nightcall".

Kavinsky, Kandinsky, Kazinsky. Vamos embora.

Vamos passear de carro por Miami à noite.

Let's go.

I'm giving you a nightcall to tell you how I feel. I want to drive you through the night, down the hills. I gotta tell you something you don't want to hear. I'm gonna show you where it's dark, but have no fear. There's something inside you. It's hard to explain. They're talking about you, boy. But you're still the same

Canções para ir a Miami é o tema esta semana no Isto Não Passa na Rádio. Eu sou o Nelson Ferrara, comigo está o Tiago Pereira. Já por cá passou Kavinsky, também Omar Apollo. Já vamos voltar a esse lado mais latino da zona de Miami, mas agora, Tiago Pereira, tens Giorgio Moroder e Debbie Harry?

Giorgio Moroder e Debbie Harry. Miami faz-me sempre lembrar muita coisa de ficção, filmes, sobretudo. E um dos mais clássicos é o Scarface, o filme do Brian De Palma com o Al Pacino, em que ele faz de Tony Montana, que é o cubano que chega a Miami, foge e tal.

E parte-se na droga.

E quer ser um drug lord, e tem tiros, bombos e socos nas trombas, é um grande filmaço. O argumento é do Oliver Stone, é baseado num livro com o mesmo título. Tinha havido já um filme nos anos 30. E a banda sonora deste filme, deste clássico, se não viram ou se não veem há muito tempo, revejam ou vejam pela primeira vez.

Agora apetece-me ir vê-lo.

A banda sonora é de Giorgio Moroder e tem muita música só instrumental. Atenção, o filme é de 83, portanto, isso faz algum sentido. E depois tem algumas cantigas e esta é com Debbie Harry. E apesar de Debbie Harry, inevitavelmente, associarmos sempre a Nova Iorque, para sempre, eu acho que ela não vai nada mal em Miami, agora que penso nisso.

Isto é bem como dizias, a Debbie Harry até a cantar uma música cubana.

Podia cantar uma bula.

Podia funcionar. Giorgio Moroder e Debbie Harry, "Rush Rush". De facto, Miami também tem assim um lado...

Nem que seja para correres, para dar um mergulho ou para um sítio que tenha ar condicionado.

É mais isso, fugir do calor.

Ou dos chuis.

Dos chuis.

Tem chuis.

Ou fugir de mar a lago.

Por exemplo.

Lembrei-me de uma canção da Lana Del Rey chamada "Florida Kilos", a propósito daquela situação de que falavas do Al Pacino no filme. Ele também lidava com muitos quilos.

Certo.

Exato. E é sobre esses quilos de que fala esta canção. De resto, Miami é a grande porta de entrada de muitos destes quilos, a maior porta de entrada da América, pelo que estive a ler e pelo que disse a própria Lana Del Rey. Esta é uma canção que faz parte do "Ultraviolence", mas já vou confirmar.

Mas a Lana Del Rey vai muito bem, porque acho que ela está sempre com calor.

É verdade.

Portanto, aquilo tudo em câmara muito lenta.

E ela foi inspirada para escrever esta canção num documentário que eu já vi, que era os "Cocaine Cowboys". Não sei se já viste um documentário, eu creio que é Netflix. É uma história de traficantes de Miami nos anos 70. Muito criativa, pelo menos as formas como eles conseguiram ludibriar os chuis para o seu negócio. E a canção foi escrita com o Harmony Korine, que é o realizador do filme "Spring Breakers", e tem a produção do Dan Auerbach dos Black Keys. "Florida Kilos", Lana Del Rey. Estes são os Florida Kilos, de Lana Del Rey, produção de Dan Auerbach, dos Black Keys, para o disco Ultraviolence, creio que de 2014. Gosto desta coisa que a Lana Del Rey tem de ter um ar e uma voz mais ou menos angelical e depois dizer coisas de menina marota.

Pois é, meu amigo, é uma arte, não é para todos.

E ela consegue isso muito bem.

Ficas a saber.

E esta não é nada educativa, esta canção. Ficam a saber.

Acho que depende.

"Rhythm of the Night". Até porque já tivemos Corona, não é?

Exato, mas isto não é aquilo que vocês estão à espera. Este "Rhythm of the Night", provavelmente conhecem, já ouviram, mas se calhar não ouvem há muitos anos. O que é que aconteceu? Depois de decidirmos que era este o tema desta semana, eu reencontrei-me com esta cantiga e agora não me consigo lembrar a razão. Não me lembro se vi numa série ou num filme, não sei se apareceu num daqueles shuffle malandros. Qualquer coisa, não sei. Mas fui lá parar. E já tínhamos escolhido o tema e automaticamente eu disse: "Isto é Miami", apesar de estar completamente ligada a Michigan e a Detroit, geograficamente falando. Até porque este saiu numa das editoras de Berry Gordy, o homem da Motown, portanto imagina.

Uma espécie de Jacksons, não é? Esta é uma família.

Tudo irmãos e primos. É uma canção que me faz lembrar Miami Sound Machine, Gloria Estefan e essa onda. Portanto, aquela pop misturada com uma latinidade aqui pelo meio. É uma canção escrita por Diane Warren, que é uma autora de canções de grande sucesso, como por exemplo, "If I Could Turn Back Time", da Cher, "Because You Love Me", da Céline Dion, ou "I Don't Want to Miss a Thing", do Aerosmith, a famosa canção do filme Armageddon, não sei se lembras. Portanto, é uma senhora que sabe escrever o seu sucesso.

Sabe escrever hits.

Sabe o que faz. E é uma canção que no fundo é uma festa de uma noite que nunca mais acaba, ao som de um valente ritmo. Portanto, vamos a isso.

Debarge, "Rhythm of the Night". DeBarge, "Rhythm of the Night", com o Tiago Pereira a escolher aqui uma canção em que é melhor o instrumental que a voz do seu intérprete, não é? Fiquei com essa sensação.

Digamos que não é o cantor que tenha ficado mais na história.

É verdade. Vamos fechar de novo com a latinidade de Miami e com o cinema. Estava com dúvidas entre duas canções, uma que já passei aqui há uns anos, que é o "Crocad Theme", que é a banda sonora do Miami Vice.

Esse é Miami Vice.

Do Miami Vice, da série, mas tocada pelos Bacau Rhythm and the Steel Band, que é uma coisa assim tipo em xilofone.

Damn! Esse nome.

Bacau Rhythm and the Steel Band, "Crocad Theme". Deixei essa de parte e fui mesmo a banda sonora do filme Miami Vice, do Michael Mann, que eu gosto muito. E há uma cena espetacular em que o Colin Farrell vai para Miami numa lancha rápida com a Gong Li e depois passam lá umas horas a bailar numa taberna em Havana e eventualmente têm momentos românticos.

Eventualmente consegue o que quer.

Eventualmente consegue o que quer. E lembrei-me de Manzanita. Manzanita é um espanhol, curiosamente, um mestre do flamenco, mas que está na banda sonora do Miami Vice com esta "Arranca", porque é uma canção cheia de salsa e salero, como tu vais perceber. Eu gosto muito desta canção e identifico-a super com o filme Miami Vice e faz montes de sentido, principalmente nessa viagem entre Miami e Havana. Por isso aqui fica no fecho do Isto Não Passa na Rádio esta semana com canções para ir a Miami. Tiago Pereira, obrigado pela companhia.

A honra é essa, Nelson. Até para a semana.

Até para a semana.