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Já temos ao telefone a Filomena Martins. Bom dia, Filomena.
Olá, bom dia.
Estou sempre curiosa para saber não só o que encontraste para nos contar, como também para onde nos vais levar no "Jet Lag" de hoje.
Hoje vou para um sítio magnífico, Kuala Lumpur, na Malásia. São já 3 p.m. lá e a história é um bocadinho pesada para esta hora da manhã, mas vamos deslindar o que se passou com a queda do MH370, aquele voo da Air Malásia que caiu e nunca mais foi encontrado, tornando-se o maior mistério da aviação. É que uma investigação da Atlantic dá finalmente alguma luz sobre o que se terá passado há cinco anos, já passaram cinco anos, a 8 de março de 2014, e há detalhes que merecem mesmo a pena vir à antena tal o mistério à volta da queda desse avião.
Há um mistério enorme sobre esse desaparecimento. O que é que já se sabe, Filomena? Já se sabe onde é que caiu o aparelho?
Não, isso ainda não é preciso, Carla, mas sabe-se muito mais. O voo partiu de Kuala Lumpur pouco passava da 00h30, rumo a Pequim, na China. Tinha 227 passageiros e 12 tripulantes a bordo e pouco depois da 01:00 fez a última comunicação. Disse um lacónico "boa noite, Malásia 370". Dois minutos depois, desapareceu dos radares. O Vietname é que deu conta do desaparecimento, mas só 18 minutos depois. Agora, segundo a Atlantic, o avião continuou a voar mais seis horas. É isso que dizem os sete contactos que foram detectados por um satélite. Sabe-se também que deu três voltas em sítios diferentes para deixar a rota que tinha prevista. E a pista do avião só se perdeu quando ele estava perto das costas da Austrália.
Filomena, mas tudo isto sabe-se por quê?
Sabe-se agora porque esta investigação da Atlantic, que foi publicada ontem, mostra uma grande reviravolta na história. Fala num suicídio assassino massivo do piloto de 53 anos, tal como aconteceu com aquele avião que caiu nos Alpes. Eu disse que era uma história difícil. Ele terá mandado sair o copiloto da cabine, trancou-se, fez subir o avião até 12 mil metros e a essa altitude, o avião pressuriza e caem as máscaras. Eu não sei se sabem, eu não sabia, o oxigênio só dura 12 a 15 minutos das máscaras. A partir daí, as pessoas desmaiam e depois morrem.
Bem, deve ser uma aflição.
Sem dar conta de nada.
Deve ser uma aflição, uma coisa horrível de se viver.
Assim sem dar conta de nada.
Claro.
O piloto não lhe acontece isto e não lhe aconteceu isto, segundo a Atlantic, porque na cabine o oxigênio das máscaras dura mais tempo, dura cerca de duas horas. Portanto, ele pôde voltar a entrar na altitude normal e voar até o sítio em que tinha previsto mergulhar o avião. E fez cair a pique o avião, deliberadamente ou não, é o que não se sabe. Ou ficou sem combustível e caiu a alta velocidade em espiral.
Mas Filomena, tinha razões para isso?
Segundo um testemunho de um amigo dele à The Atlantic, ele andava severamente deprimido há meses. A mulher tinha o deixado, depois descobriu que o traía com várias hospedeiras e as autoridades encontraram um simulador de voo com a rota que ele fez e tinha praticado várias vezes nos últimos meses. Daí acharem que foi tudo premeditado. Só que continua sem se saber o local da queda e as buscas duram até hoje e o enigma mantém-se cinco anos depois.
Vamos mudar agora de país, não sei se de registo, Filomena. Para onde vamos agora?
Ainda não, ainda vamos ficar com uma história um bocadinho negra. Vamos para o Vaticano, é mais uma hora que em Lisboa. A história não é feliz. A Santa Sé anunciou ontem que vai abrir dia 11 duas tumbas e resolver um crime com 30 anos. Portanto, este é um crime também, pelos vistos o do avião também foi. Trata-se do desaparecimento de uma jovem, Emanuela Orlandi, exatamente há 30 anos. Era filha de um funcionário do Vaticano, que era secretário do Papa. Desapareceu em 1983 e a história é digna de uma novela policial.
Ou seja, Filomena, preparas-te aqui para nos revelar uma história à Dan Brown. Não é isso?
Quase, muito parecido com isso.
Então conta-nos lá.
A rapariga de 15 anos saiu de casa pra uma aula de música no centro de Roma e nunca mais voltou. Nunca a encontraram. No ano passado, a família recebeu uma carta anônima que dizia: "Procurem onde aponta o anjo", com uma foto de um cemitério. Este cemitério está dentro do Vaticano, num sítio conhecido como Circo de Nero, onde era habitual o martírio dos primeiros cristãos no Império Romano. Existem duas campas para onde aponta o anjo, uma delas com sinais de ter sido aberta não há muito tempo.
E, portanto, pode ser mesmo um crime.
Naquela altura, houve várias teorias da conspiração, Judite. Diz-se que a rapariga foi raptada pela máfia para forçar a libertação do Agca, o turco que tentou assassinar o papa João Paulo II, porque o pai era secretário pessoal dele, que foi sequestrada como moeda de troca para recuperar o empréstimo feito ao Vaticano ou até raptada para integrar uma rede de abusos sexuais no Vaticano. Nenhuma pista foi convincente. Agora, o Vaticano, pela primeira vez, decidiu seguir com uma investigação deste gênero. Mas, como na altura houve uma outra rapariga que desapareceu 40 dias antes dela e tinha também 15 anos e nunca foi encontrada, há quem ache que os casos podem estar ligados. Eu diria que é melhor entrarmos aqui em "CSI", casos arquivados, almas criminosas, por aí. Podemos escolher uma série dessas.
Exatamente. Filomena, mas chega de histórias negras, até porque o tempo já está cinzento lá fora. Vamos mudar agora de registo?
Vamos. Aqui em Sintra chove, presumo que em Edimburgo também possa chover, nunca se sabe com o tempo agora mudado, mas é para onde vamos, pra Escócia. São as mesmas horas que em Portugal. E vou contar-lhes a história da peça de xadrez que foi comprada por £5 e ontem vendida em leilão por 735 mil. Aliás, tínhamos falado desta história já nas nossas emissões de testes, mas os ouvintes não sabem, não ouviram. Vocês conhecem um bocadinho dela. Em 1964, um antiquário escocês de Edimburgo comprou uma pequena figura em marfim por £5, o que não era muito barato à época, e durante 55 anos ele guardou-a numa gaveta sem perceber o que tinha em mãos. Uma das filhas, agora depois da morte dele, mandou avaliá-la este ano e descobriu que era uma das relíquias de xadrez mais conhecidas e valiosas do mundo. Foi ontem a leilão e foi vendida por £735 mil. Paulo, preciso aqui de ajuda com as contas. Dará aí quanto? Libras inglesas dá cerca de €900 mil. Pronto. Então pronto, quase €1 milhão. 800, 900 mil, diria eu.
Isso é muito dinheiro.
Pronto, ok. Obrigada, Paulo.
Portanto, valia mesmo isto tudo, Filomena?
Valia, sim. A peça conhecida como Lewis Archer, o carcereiro de Lewis, estava desaparecida há quase 200 anos. É uma relíquia considerada um importante símbolo da civilização europeia. Faz parte do conjunto Lewis Chessmen, do século XII. Terá sido feita entre 1150 a 1200 na Noruega. Foi parar à Escócia ou escondida por um mercador ou no carregamento de um navio. E desta coleção, justo, foram encontradas 93 peças, a maioria de marfim, na ilha de Lewis, na Escócia, em 1831. Oitenta e duas estão no Museu Britânico, em Londres, e 11 no Museu Nacional da Escócia, em Edimburgo. Só que ainda estão por encontrar mais cinco peças. Cinco. Portanto, é melhor começarmos a dizer.
Exatamente, era o que eu ia dizer.
À procura das que faltam. Nos avós, nas tias, por aí fora.
Exatamente. E esta peça é o quê? É o rei, para valer tanto?
Não, não é o rei, é um carcereiro, o equivalente a uma torre no xadrez atual. É uma pequena figura de um homem de pouco menos de 9 cm, com uma espada na mão direita e um escudo no lado esquerdo. Nós talvez não, mas os mais novos conhecem bem a figura, pois ela aparece num dos jogos de xadrez do Harry Potter, porque era assim que era o xadrez. Eu escolhi, para acabar, a música, uma música de que eu gosto muito, de uma pessoa de que eu gosto muito, é o João Afonso. Ele é sobrinho do Zeca Afonso, não tem a voz do tio, mas tem letras fabulosas. Esta é uma delas, fala sobre xadrez. Acho que podemos começar a falar ainda mais um bocadinho sobre o que vocês quiserem.
Não, vamos ouvir. Vamos ouvir, não temos tempo para mais nada.
A letra vai começar um bocadinho mais à frente. A letra começa bem mais à frente. Digo-vos eu, tem um bom trecho musical antes de começar a cantar o João.
Fica o som, fica o registo e fica identificado este João Afonso.
Oiçam, porque a música é fantástica.
Filomena Martins no Observador. Amanhã, viagens de novo pelo mundo, mas com jet lag, sempre antes das 08:00. Até já, Filomena. Até já. Quatro minutos para as 08:00. Daqui a nada temos notícias no Observador.