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Atenção com esta palavra: coulrofobia. Alguém sabe o que é?

Medo de collants?

Medo de collants, que ideia esquisita. Não.

Então é medo de ter as meias rotas.

Com essa eu já me consigo identificar. Nunca imaginaram o que seria precisar de assistência médica e termos as meias rotas?

Não sei se uma pessoa com AVC ou no meio de destroços de um acidente pensa bem nisso.

No momento, não, mas antes, quando sai de casa. Enfim, a coulrofobia é o medo de palhaços.

Podias ter dito logo, eu tinha pesadelos com o Patatinha.

E com o Croquete, não?

Não, era só com o Patatinha.

Está bem.

O que eu não acho bem é haver um nome científico para o medo de palhaços e não haver um termo técnico para o medo de animadores de festas infantis.

Mas normalmente são palhaços? Podem não ser, não é?

Não, nem sempre. Muitas vezes são pessoas adultas vestidas com fatos do Homem-Aranha, feitos em casa pela mãe, ou então com vestidos de princesas da Disney que não assentam particularmente bem e que a mim, eu concedo que possa ser só a mim, me parece o tipo de coisas que um raptor de crianças vestiria para enganar os miúdos. Não sei, é sinistro.

Então vens falar-nos de um animador de festas infantis que assassinou alguém?

Quase. Isto passou-se em Inglaterra, na autoestrada entre South Woodford e Cambridge. Um condutor extraordinariamente consciencioso passou por outro carro e reparou numa coisa estranhíssima.

O outro condutor estava mascarado de Homem-Aranha.

Não, ele viu umas pernas por cima do banco da frente. E o que é que ele pensou?

Que o passageiro do outro carro estava na palhaçada.

Não, nada disso. Que o condutor estava a transportar um cadáver.

É lá!

E como ainda há pessoas no mundo que se importam com o que se passa à sua volta, o que ele fez? Ligou de imediato para a polícia a contar o que tinha visto.

E a polícia, imagino, não ligou nenhuma, não é? Porque era mais um daqueles malucos que sofrem de síndrome da janela indiscreta, que acham que estão sempre a testemunhar crimes.

Não. Justina, a polícia levou muito a sério a denúncia.

Tu disseste que isto era nos Estados Unidos, eu pensei que fosse em Portugal. Esquece.

Inglaterra.

Em Inglaterra. Fizeram uma perseguição até apanharem o suspeito. E o que eles encontraram?

Um palhaço esquartejado.

Umas meias rotas.

Não, um príncipe encantado.

Então os príncipes encantados andam por aí metidos à balda dentro de carros? E eu que julgava que até hoje vinham num corcel branco.

Não, bem que este príncipe encantado era, na verdade, um manequim vestido de príncipe encantado.

Não falava, então só vantagens.

É. E o senhor que transportava o manequim era um animador de festas infantis, que estava atrasado para abrilhantar uma festa de aniversário e não deve ter tido tempo de arrumar com delicadeza o príncipe encantado.

Mas agora levou multa por transporte indevido de realeza?

Não. Foi só avisado para não transportar manequins naquelas condições. É que há pessoas que veem muitas séries policiais e confundem qualquer corpo inerte com um cadáver.

Ou com um príncipe encantado.