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Cam-cam-cam-cam-cam-cam-cam-campanha eleitoral. Legislativas 2022. Minudências das bem parvas em torno das eleições. Boa tarde, Tiago. Bem-vindo. Boa tarde, Miguel. Muito obrigado. Mais um "Caça ao Voto", mais minudências. Uma destas coisas, não é? Exatamente. Para esmiuçar neste momento. A campanha está a chegar ao fim, Tiago. Termina amanhã e portanto, esta é a tua penúltima crónica sobre legislativas 2022. O que é que nos trazes hoje? Miguel, queres com esse introito insinuar algo do género: "Epá, olha que vende bem se já só tens duas oportunidades de fazer alguma coisa de jeito em torno da campanha eleitoral, vê lá isso". Era essa a ideia? Não. Eu não referi isso. Não foi esse o sentido que referi. É o facto de estar a ser a tua penúltima crónica, porque de facto é. É, de facto é. É apenas um pretexto para dar início à nossa conversa. Bom, nesse caso tudo bem, até porque ainda tenho amanhã para inventar alguma coisa com piada. Tenho muito tempo, dá mais do que tempo. Aliás, tu sabes qual é o meu hino, Miguel? Sei. Claro que sei. O meu hino é este aqui. Conheces? Não. Negativo. Não é isto. Isto não é o meu hino. Isto é um hino, de facto, mas não é o meu hino. Aliás, como confirmará qualquer analista político que se considere um analista político. Isto é o hino, isso sim, do acampamento de verão do Bloco de Esquerda. Não é o meu hino, nada disso. O meu hino é aquele outro tema em que às tantas o poema diz: "É para amanhã. Bem podias fazer hoje. Sim, mas é tão gostoso procrastinar". Conheces este ou não? Talvez seja. Mais ou menos. Mas a dinâmica do "Caça ao Voto" não se coaduna com procrastinações, como sabes. Certo. Por isso, eu gostava de saber o que é que destacas afinal destes últimos dias de campanha. Bom, dizes bem quando referes últimos dias, Miguel, porque o assunto de que vou falar hoje é de anteontem. Refiro-me ao discurso do Ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, em Aveiro, no âmbito da campanha do PS. Sim, mas também não há problema, que nós estamos nos últimos dias para aí desde segunda-feira. Pois é, isto é curtinho. Exatamente. Esse discurso foi de facto um discurso marcante e que te obrigou certamente a este par de dias de reflexão, acredito eu. Não, por acaso acreditas mal, Miguel. Confesso que o que aconteceu não foi tanto reflexão da minha parte. Estás, como é óbvio, recordado daquele outro discurso de Pedro Nuno Santos há uns anos, em que ele explicou como devíamos fazer para deixar os banqueiros alemães com as pernas a tremer. Vou utilizar um termo caro: não há como olvidar esse momento, Tiago. Pois não. E eu confesso que depois de escutar Pedro Nuno Santos em Aveiro, não foram só as pernas que me ficaram a tremer. Todo eu fiquei a tremer, Miguel. Eu parecia sabes o quê, depois do discurso de Pedro Nuno Santos em Aveiro? Eu parecia um idoso com Parkinson depois de dar um mergulho na Nazaré em novembro num dia de nortada. Eu fiquei a tremer de tal maneira, Miguel, que o IPMA registou um sismo de magnitude 4.4 com epicentro nos meus joelhos. Isso é coisa para ser grave. Isto foi o quanto eu tremi. Mas afinal o que é que disse de tão grave para esse sismo de 4.4 com epicentro nos teus joelhos? O que disse Pedro Nuno Santos? Miguel, foram coisas deste calibre.
Só conseguiremos desenvolver o nosso país mobilizando o povo que constitui a comunidade nacional a que chamamos Portugal, em torno de desígnios concretos e coletivos e com lideranças mobilizadoras.
E aqui faço uma pausa só porque os nossos ouvintes não podem ver, mas neste momento do discurso, Pedro Nuno Santos apontou para António Costa de forma muito pouco esclarecedora, na minha opinião. Eu fiquei com a dúvida se ele queria dizer: "Lideranças mobilizadoras como a do nosso camarada António Costa". Ou se, por outro lado, queria antes dizer: "Estás a ouvir, ó palerma? Quando deres por elas, estou eu com o rabinho nessa cadeira, meu fascista". Bom, mas prossigamos. Isto era só um pequeno aparte. Vamos prosseguir.
É assim que se desenvolve um país. Escolhe-se uma missão coletiva, junta-se o setor público, o privado e a academia e dá-se execução a esse desígnio coletivo. O que os une a todos, a cola da nossa comunidade, a nossa casa comum é o Estado social. A maior construção coletiva de que fomos capazes, uma construção que devemos proteger, aprofundar e quando a colocam em causa, defender dos que a querem destruir em nome da liberdade.
E foi muito isto, Miguel. Tudo em torno dos desígnios concretos e coletivos, do escolher uma missão coletiva, do dar-se execução a esse desígnio coletivo, do o que nos une a todos é o Estado social e do denunciar aqueles que querem destruir essa construção coletiva em nome da liberdade. Isto fez-te tremer? Um bocadinho. Confesso que sim, porque se é verdade que a legenda do vídeo do discurso garantia estarmos em Aveiro no ano 2022, eu era capaz de jurar que estávamos na União Soviética em 1922. O que arrepia um bocadinho. Arrepia, mas também porque aquela zona do globo em janeiro acaba por ser um bocado fresca, Tiago. Bem visto, Miguel, também por isso. Ainda assim, o que arrepia mais ao relembrar a União Soviética é o facto de a história destas ideias não ter corrido lá muito bem. E Pedro Nuno Santos sabe perfeitamente disso. Quem nos dera que o problema de Pedro Nuno Santos e dos seus acólitos fosse não saberem nada de História. Isso resolvia-se repetindo o nono ano. Não, o problema de Pedro Nuno Santos e de tantos como ele é ter a convicção inabalável de que ideias experimentadas em dezenas de sítios, com o único resultado de dezenas de milhões de mortos, só não foram um sucesso porque não foi ele próprio, mente brilhante e visionária, a implementar essas ideias. Estas péssimas ideias são apenas isso mesmo, péssimas ideias, até encontrarem almas gêmeas nestas personalidades narcisistas e megalómanas. Aí é que começa a diversão. E é por isso que em relação às ideias de Pedro Nuno Santos para o nosso país, faço minhas as palavras do próprio Pedro Nuno Santos.
Não têm mérito.
Muito bem, ficam as palavras e fica também a faltar dizer que este espaço é da exclusiva responsabilidade da organização interveniente, Tiago Dores. Cam-cam-cam-cam-cam-cam-cam-campanha eleitoral. Legislativas 2022. Minudências das bem parvas em torno das eleições.