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Cam-cam-cam-cam-cam-cam-cam-campanha eleitoral legislativas 2022. Minutâncias das bem parvas em torno das eleições.

Bem-vindo, Tiago.

Muito obrigado, Miguel.

Tenho que dizer outra vez, é de facto uma grande capacidade vocal.

Tu ontem não dedicaste a devida atenção a este momento, mas hoje que reparaste, em que de facto puseste os olhos como deve ser.

Hoje notei.

Os ouvidos.

Os ouvidos.

Exatamente, mais os ouvidos.

Notei-se mais. Bem, a campanha está ao rubro, não é? As sondagens, pelo menos as dos últimos dias, indicam um empate técnico entre PS e PSD.

Exatamente, é como dizes. Portanto, creio que estas eleições se vão decidir nos detalhes. Ganhará quem cometer menos erros. Esta é daquelas eleições que podem ser resolvidas por um golpe de génio de algum dos seus intervenientes mais habilidosos do ponto de vista político, ou podem inclusive ser umas eleições resolvidas num lance de bola parada.

Isto vira futebol.

Isso são pormenores, são detalhes, estás a perceber?

Sim, resolvida num lance de bola parada.

Exatamente.

Deixa-me dizer-te que isto não faz grande sentido, Tiago.

Pois não, já não faz. Teria levado um bocadinho longe de mais, se calhar, a minha analogia futebolística. É uma coisa a pensar-se de futuro. Não sei se é possível e de que forma, mas vale a pena pensar nisso. Mas também, por outro lado, tu tens que estar mesmo atento a todos os detalhezinhos.

Claro.

Sempre a crer implicado.

Tu sabes que rigor é o nome do meio da Rádio Observador, Tiago.

Pois, eu sei. É pena é não ter também-

E o meu também.

O teu também. Exatamente. É pena é não ter também a Rádio Observador um segundo nome, merecia, porque digam o que disserem ficava muito bem. Rádio Fernanda, Rigor Observador, por exemplo. Mas a propósito de rigor e porque as eleições estão mesmo aí à porta, é nossa missão esclarecer uma dúvida que surgiu entretanto e que é a seguinte: há muitos eleitores a confundir o partido ERGUE-TE com a Iniciativa Liberal. Atenção a isso, eleitores.

Como assim? Confundir o ERGUE-TE com a Iniciativa Liberal?

Exatamente.

Tiago, estes dois partidos não são nada semelhantes. Quer dizer, não são semelhantes. Por que dizes que há esta confusão?

Miguel, a culpa desta confusão foi do próprio líder da Iniciativa Liberal, João Cotrim Figueiredo. É o próprio líder que causa a confusão.

Tu é que me estás a deixar confuso.

Então.

Portanto, dizes que por culpa de Cotrim Figueiredo há quem pense que a Iniciativa Liberal e o ERGUE-TE são o mesmo partido.

O mesmo partido, exatamente. Nem mais, Miguel. E por quê? Porque se ouvires o tempo de antena do ERGUE-TE, não sei se tens seguido com atenção os tempos de antena do ERGUE-TE. Eu tenho seguido com muita atenção. Mas se ouvires, escutarás esta introdução.

Partido ERGUE-TE.

Lá está. Partido ERGUE-TE.

Sim, e então?

Então que ontem João Cotrim Figueiredo, da Iniciativa Liberal, afirmou o seguinte:

Portugal a crescer, queremos pôr Portugal a crescer. E o PSD já perdeu o querido reformista, anda assim um bocadinho mortiço, anda murcho e portanto...

O senhor trouxe adereços.

Exato. O que eu queria era ser isto para o PSD.

Ah, muito bem!

Queria ser o Viagra do PSD.

"Queria", lá está.

O ERGUE-TE.

"Queria ser o Viagra do PSD", disse Cotrim Figueiredo. Ora, um eleitor ouve isto e fica a pensar que é o líder da Iniciativa Liberal, Cotrim Figueiredo, quem está a dizer:

Partido ERGUE-TE.

E está a dizê-lo para o PSD. Porque realmente é esta a mensagem que a Iniciativa Liberal pretende transmitir ao PSD. Partido, ERGUE-TE.

Tiago, confesso que não estava à espera.

Quem é que estava, Miguel? É difícil confundir o ERGUE-TE com a Iniciativa Liberal, na minha opinião.

Não é isso. Não estava à espera disso, mas eu referia-me mesmo era ao facto de não estar à espera de uma análise tão acertada da tua parte.

Como assim não estavas à espera de uma análise tão acertada? As minhas análises são sempre acertadíssimas. Eu não sou nenhum Rosa Mota.

Não és nenhum Rosa Mota.

Eu não sou algum Rosa Mota.

Mas referes-te a isto?

Aquela parte dele que ponha, ia dizer uma palavra, mas é feia, não se pode dizer. Ela é que manda, que é o nazizinho e o resto põe-me lá.

É isto?

Nem mais, Miguel. Era mesmo a isto que eu me referia. A declaração em que Rosa Mota chama Rui Rio de nazizinho.

Sim, como sabemos, no final da semana passada esta declaração acabou por causar a sua polémica.

Foi, causou polémica desnecessária, Miguel. Só quem não está atento aos contributos de Rosa Mota para campanhas eleitorais do PS é que pode ter dado alguma relevância a esta declaração. Porque quem está a par do currículo de Rosa Mota em termos de declarações políticas a favor do PS, estará certamente familiarizado com esta declaração da ex-atleta feita durante a campanha para as legislativas de 2015.

Há bastante tempo que não participo em campanhas eleitorais. Há muito tempo conheço António Costa. E é por conhecê-lo há muito tempo que participo nesta campanha para garantir aos portugueses que António Costa é uma pessoa em quem se pode confiar.

"Participo nesta campanha para garantir aos portugueses que António Costa é uma pessoa em quem se pode confiar". Eram estas as palavras de Rosa Mota a reter pelos nossos ouvintes, nas vésperas de umas eleições na sequência das quais António Costa reivindicaria o lugar de primeiro-ministro, não tendo ganho, através de uma coligação cuja possibilidade jamais havia alvitrado. Portanto, vamos ao fact check?

Temos fact check.

Fact check. Vamos a isto, Miguel.

Vamos lá. Rosa Mota, neste caso, diz que Rui Rio é um nazizinho. Tiago Dores, esta declaração é:

Falsa.

Muito bem. E então, portanto, chegados aqui é tempo de frisar que este espaço é da exclusiva responsabilidade da organização interveniente, Tiago Dores.

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