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Cam-cam-cam-cam-cam-cam-cam-campanha eleitoral. Legislativas 2022. Minudências das bem parvas em torno das eleições.
Eu não sei se isto é um si sustenido, mas não deixas de me impressionar.
Isto melhora a cada dia, não é? É a sensação com que eu fico.
Conosco, a partir de agora, está o culpado deste genial momento musical que acabamos de ouvir, Tiago Dores. Tiago, que novidades nos trazes dos tempos de antena para as legislativas de 30 de janeiro?
Boa tarde, Ricardo. Antes de mais, muito obrigado pela tua bastante rigorosa introdução da minha rubrica. Na verdade, eu hoje tinha pensado debruçar-me ou sobre o tempo de antena do LIVRE, ou do movimento Alternativa Socialista, ou até do ERGUE-TE. Isso era o que eu tinha pensado. Mas após o debate de ontem com os nove líderes partidários, optei antes por falar do tempo de antena do Partido Socialista.
Mas por que os tempos de antena do LIVRE, do MAS, do ERGUE-TE foram, Tiago Dores, ultrapassados pelo tempo de antena do PS?
Ricardo, a história explica, mas temos de nos focar no futuro.
Excelente e muito esclarecedora esta resposta. A história explica, mas temos de nos focar no futuro. Foquemo-nos então no futuro, que entretanto já é presente, e avancemos para o tempo de antena do PS.
Mas isso foi extremamente poético.
Pelo menos senti.
Foi, eu senti que houve emoção. E vem mesmo a propósito, aliás, indo eu falar do poeta António Costa. Mas vamos então ouvir o que o PS tem para nos dizer acerca dos últimos anos de governação. Ora escutem.
Em quatro anos, entre 2015 e 2019, garantimos crescimento e estabilidade, devolvemos rendimentos às famílias, recuperámos a confiança, criámos empregos, apostámos no Serviço Nacional de Saúde e na escola pública. Apostámos no progresso, sem deixar ninguém para trás.
Peço desculpa, houve aqui um pequeno problema técnico. Como é óbvio, colocámos o áudio errado. Não era isto.
Houve aqui um engano.
Foi. Este é o tempo de antena do partido do governo. Até aí, tudo correto, só que é o tempo de antena do partido do governo da Lituânia, que é um daqueles países que ainda há 20 anos eram comunistas e que entretanto já nos ultrapassaram pela direita em termos de riqueza. Portanto, peço desculpa.
Tiago, mas já agora, na tua opinião, por que Portugal foi nos últimos anos ultrapassado por tantos países europeus em termos de riqueza?
Ricardo, lá está. A história explica, mas temos de nos continuar a focar no futuro. Foca-te no futuro, Ricardo. E qual é o futuro? É tentar perceber se neste tempo de antena o PS explica em que dados se fundamenta para dizer estas coisas que eles dizem.
E conseguiste perceber quais são os dados?
Creio que consegui perceber quais são os dados, Ricardo. Creio que sim. Ora escuta isto.
Garantimos apoio aos trabalhadores e aos empresários.
"Garantimos apoio aos trabalhadores e empresários" não são exatamente dados que fundamentem argumentos do Partido Socialista neste antena.
Pois não, não são. Não ouviste bem, Ricardo. Os dados não são esses. Os dados são os outros. São os que fazem um som, tens de escutar com atenção. Um som tipo vum, vum, vum. Ora escuta lá de novo. Vum, vum, vum. Escuta de novo.
Garantimos apoio aos trabalhadores e aos empresários.
Estás a escutar os dados que o PS apresenta? Fazem uma espécie de um vum, vum, vum. Eu acho que são sete vezes. Vum, vum, vum.
Não é muito percetível.
Não é muito? Então isto perde um bocadinho na rádio. Mas espera, vamos escutar em câmera lenta.
Queres replay?
Replay, exatamente. Replay radiofónico. Agora é que vai ser. Escuta com atenção.
Garantimos apoio aos trabalhadores e aos empresários.
Agora ouviste o vum, vum, vum?
Agora acho que sim, acho que ouvi aquele som a que te referes. Continuo a não perceber em que medidas é que esses vum, vum, vum são os tais dados que fundamentam os argumentos do Partido Socialista.
Ricardo, são os tais dados na medida em que este vum, vum, vum é o som que fazem as sete capas do jornal Público, sete, que aparecem neste tempo de antena do PS, umas atrás das outras, de rajada, a confirmar que o PS tem de fato feito um trabalho estupendo. Ricardo, isto é a imprensa em peso a atestar da qualidade do desempenho deste governo.
Como assim a imprensa em peso?
Em peso, exatamente.
São capas do Público.
Ricardo, são todas do Público, mas são muitas e muitas edições do Público. Isto é uma molhada de Públicos. Um puto que andasse a distribuir jornais e tivesse de distribuir tantos Públicos a elogiar o governo do Costa, não podia ir de bicicleta, o puto. Tinha de tirar carta de pesados de mercadorias e alugar um camião de 18 rodados.
Eu quero frisar que este espaço é da exclusiva responsabilidade das organizações intervenientes.
O que queres demarcar deste espaço?
Quero-me demarcar, neste caso, Tiago Dores.
Cam-cam-cam-cam-cam-cam-cam-campanha eleitoral. Legislativas 2022. Minudências das bem parvas em torno das eleições.