Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Cam-cam-cam-cam-cam-cam-cam-campanha eleitoral legislativas 2022. Minutências das bem parvas em torno das eleições.
Por favor, até o fim da campanha.
Envelhece bem isto, não envelhece?
Muito. Mas diga-me, que nota é esta que o Tiago atinge?
Alguém que perceba. Eu não vou ser, de certeza.
Diria um si bemol sustenido.
Mas isto é uma nota, sequer?
Tem que ser.
Tem sempre que encaixar numa nota.
Eu acho que sim. Bom, a partir de agora, temos o Tiago Dores conosco. Tiago, com que pérolas de perspicácia e acutilância em torno da campanha para as eleições legislativas nos pretendes brindar hoje?
Olá de novo, Ricardo. Ricardo, eu hoje promoveria uma espécie de viagem no tempo dos tempos de antena, mas não pretendo queimar tempo, e despacho isto em três tempos, que não desejo fazer-nos perder tempo. Depois descansamos, mas tudo a seu tempo. Também há que dar tempo ao tempo.
Claro, avança com confiança.
É, sim, eu imaginei que fosse para avançar, mas não queria fazê-lo sem antes esgotar todas as expressões de que me lembrei envolvendo a palavra tempo. Achei que era importante e que era uma coisa que nesta fase, em particular.
Achaste bem. Tanto eu como os nossos estimados e queridos ouvintes, agradecemos muito por isso.
De nada.
Porque agora, refletindo um pouco, acho que valeu mesmo a pena-
Um bocadinho
...o tempo que investiste nessa tarefa de usar tempo.
Ótimo, foi um gosto, nesse caso. Sendo assim, vamos avançar. Anos 80, Ricardo. O que tens tu a dizer sobre os anos 80? Quer dizer, deixa-me completar, não começares a responder.
Não.
Qual é a primeira coisa que te vem à cabeça quando pensas nos anos 80? Reflete um bocadinho antes de responderes. Qual é a primeira coisa que te vem à cabeça quando pensas nos anos 80?
Maus cabelos, maus penteados.
Certo. Outra coisa.
Roupas mais duvidosas.
Também é correto, mas ainda outra coisa, vá.
Sim, boa. Anos 80, eu gosto de rádio, boas músicas bem melhores do que as destes anos 20, por exemplo. Da Pecenada, essas músicas agora da Pecenada.
Certo. Enfim, melhores se não contarmos com as performances de Johnny Abreu. Cuja categoria pudemos ainda ontem comprovar neste mesmo espaço.
E obrigado por nos teres apresentado.
De nada, sempre que precisarem de bons temas, falem comigo. Mas já vi que tenho de ser eu a avançar com isto, caso contrário, vais ficar por aqui a mandar palpites até às presidenciais de 2026. Bom, a primeira coisa que me vem à cabeça quando pensamos nos anos 80 é: bons tempos de antena.
É verdade, bons tempos de antena. Tiago, tu eras um miúdo nos tempos de antena.
Era um jovem.
Mas eu lembro-me bem daquela imagem com grão, daquela imagem com chuva que parecia um dia de fevereiro em Copenhaga.
Então viajavas sem sair do... Bem bom.
Aqueles gráficos dos tempos de antena que pareciam saídos do ZX Spectrum 48K.
Ainda o 48 K, não era o 128 com a cassete tinha por prato.
Não queremos que modernizes.
Não, está bem, certo isso, mas eu referia-me em termos de conteúdo, Ricardo, não em termos de forma, como é óbvio. Eu referia-me em termos de substância. Em termos de substância, os tempos de antena dos anos 80 são imbatíveis. Nos tempos de antena dos anos 80, podias escutar coisas deste tipo.
Iniciámos há dois anos um surto de desenvolvimento que não tem paralelo nas duas últimas décadas. A produção cresceu a um ritmo surpreendente. Geriram-se com rigor os dinheiros de todos os portugueses no setor público da economia. A inflação desceu drasticamente, aproximando-se dos valores médios dos países da CEE. O nosso crescimento económico atingiu valores superiores aos da média dos países da CEE e da OCDE.
Isto, realmente, com a voz do João Chaves, ainda fica mais impresso.
É verdade.
Mas havia boas notícias para o país nesta altura.
Era, não era? Dava mesmo a ideia que isto até podia ir a algum lado.
Exato.
É engraçado recordar. E ligeiramente deprimente, também, mas é engraçado, principalmente. Não sei se reparaste noutra coisa, a propósito lá está de música dos anos 80, que é o facto de neste tempo de antena do PSD, estes dados positivos para a economia portuguesa serem apresentados com uma banda sonora que parece saída daquele filme, o "Shining", com o Jack Nicholson. Reparaste nisso ou estiveste mais atento aos dados? Ora, escuta lá de novo para prestares bem atenção.
Vamos a ver.
A produção cresceu a um ritmo surpreendente. Geriram-se com rigor os dinheiros de todos os portugueses no setor público da economia.
A ideia que dá é que vem alguém com uma faca para espetar nas costas da produção portuguesa.
Parece que esta banda sonora, tu falaste no Shining, mas eu não sei, acho que se aproxima mais do Poltergeist.
Também pode ser.
Mas lá que é música de filme de terror, disso não há dúvida.
Nenhuma.
Não há nenhuma dúvida.
E por isso avanço com a seguinte tese, Ricardo. Eu estou convencido que, nas últimas décadas, aquilo a que assistimos em Portugal foi a uma disrupção ideológico-musical no panorama político-partidário.
Disseste uma disrupção ideológico-musical no panorama político-partidário? Queres elaborar o que queres dizer?
Sim, quero muito explicar-te os contornos desta disrupção ideológico-musical no panorama político-partidário nacional, com recurso a um outro tempo de antena, este do PAN, e feito para estas eleições legislativas que estão aí à porta. Ora escuta.
Mais de 10 milhões de euros anuais para a proteção animal. O aumento do IVA para 23% nos bilhetes para as atividades tauromáquicas. O fim do tiro ao pombo. Queremos garantir a inclusão do bem-estar animal na Constituição da República Portuguesa e o alargamento do Código Penal a todos os animais. Exigimos o fim das touradas. Precisamos de garantir uma rede de hospitais médico-veterinários públicos, uma campanha nacional de esterilização e apoio aos cuidadores de colônias de gatos. Precisamos de um plano nacional de desacorrentamento animal e de um plano de recuperação e preservação dos animais selvagens.
Ouviste isto?
Ouvi e acho que estou a chegar ao teu ponto.
Então.
Nos anos 80 tínhamos filme de terror e agora temos música épica.
Nem mais.
Já não temos Poltergeist, temos Gladiador.
Por exemplo, nem mais, Ricardo. Daí a tal disrupção ideológico-musical no panorama político-partidário nacional que falava, estás a perceber? Que se resume basicamente nisto, resume-se desta forma: enquanto nos anos 80 se transmitiam factos muito positivos para os portugueses ao som de música de filme de terror, em 2022 transmitem-se programas eleitorais para a bicharada dos portugueses ao som de música épica grandiosa. É capaz de ser lá o progresso ou o que é que eles chamam, não é?
Eu, como sempre, e neste momento do programa, só me resta frisar que este espaço é da exclusiva responsabilidade-
Para todos os efeitos, até judiciais, não é?
Da organização interveniente, que neste caso é o doutor Tiago Dores. Cam-cam-cam-cam-cam-cam-cam-campanha eleitoral. Legislativas 2022. Minutências das bem parvas em torno das eleições.