Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Campanha eleitoral legislativas 2022. Minutâncias das bem parvas em torno das eleições.

O tempo voa, não é, Tiago?

E chegamos a sexta-feira.

É, já estamos em sexta-feira, fim da primeira semana. Está na hora de fazermos as contas à primeira semana de tempos de antena.

Exatamente, sem dúvida, Ricardo. Até porque nem de propósito, e é incrível como tu antecipas estas coisas.

É verdade.

Até porque hoje a comunicação social dá conta dos custos dos tempos de antena.

Sim, é isso mesmo. A notícia hoje também está no Observador. O Estado vai pagar 2.465 € por cada minuto de tempo de antena transmitido nas televisões, na RTP, na SIC e na TVI.

Exato, essa é a despesa que os tempos de antena darão ao Estado. Já os cidadãos, pelo menos os mais incautos, depois de assistirem a estes tempos de antena todos, incorrerão provavelmente ainda noutras despesas, nomeadamente com terapias para resolver o estresse pós-traumático e com medicação para os nervos, por exemplo, e se calhar até com uma ou outra vida de elevado teor alcoólico, ou mesmo com uma grave delas.

E a propósito de ver tudo o que é tempo de antena, é da mais elementar justiça, Tiago Torres, e deixa-me fazê-lo publicamente perante os nossos queridos e estimados ouvintes, muito obrigado pelo teu serviço.

Obrigado, Ricardo. Obviamente, não o faço por ter elogios, mas é sempre bom sermos reconhecidos pelo nosso sacrifício. Portanto, 2.465 € por cada minuto é quanto custam os tempos de antena. A mim parece-me um preço estupendo.

Achas? Eu confio que a maior parte das pessoas achará 2.465 € por minuto um pouco caro.

Sim, Ricardo, mas isso é porque a maior parte das pessoas não analisa o impacto da despesa em tempos de antena no âmbito das contas nacionais, que é como esta despesa deve ser analisada, principalmente em termos do seu efeito ao nível da balança comercial.

Eu, de facto, acredito que a maior parte dos eleitores não estabelece uma relação entre os gastos com tempos de antena e a balança comercial de Portugal.

O que é pena, porque se o fizessem rapidamente perceberiam que 1 € gasto num tempo de antena pode ser 1 € poupado em novelas brasileiras.

Ou seja, seguindo esse raciocínio, há de facto um custo para o Estado com os tempos de antena, mas ao mesmo tempo poupamos a importação de novelas, melhorando dessa forma incrível a balança comercial.

Ora aí está! Para que comprar novelas brasileiras quando o CDS disponibiliza tempos de antena que são estupendas obras de ficção?

Imagino que estejas a referir-te àquela minissérie que o CDS lançou nos tempos de antena chamado "O Primeiro Encontro da Direita Depois do Confinamento".

Nem mais, Ricardo. Precisamente. E aqui está Francisco Rodrigues dos Santos a apresentar a minissérie.

Jazz.

Jazz funk.

Encontrei, como já é tradição, as personagens que já conhecem bem. O irmão desaparecido em combate, a prima moderninha e o primo sem modos à mesa. Só que desta vez apareceram todos e ainda nos aperitivos tivemos uma conversa bastante animada.

Cá está a minissérie em que Francisco Rodrigues dos Santos contracena com o irmão desaparecido em combate, com a prima moderninha e com o primo sem modos à mesa, representados respetivamente pelo PSD, Iniciativa Liberal e CHEGA.

O primeiro episódio foi aquele da prima moderninha, não foi?

Foi, correto, Ricardo. E logo neste primeiro episódio torna-se óbvio o bom negócio que é trocar as novelas brasileiras por tempos de antena. Ora escuta.

Esquece isso, primo. Prepara-me mas é uma bebida, vá. Então vamos começar por colocar duas boas doses de conservadorismo para te impedir de meteres em cima da mesa a tua agenda bloquista, que vai da liberalização das drogas leves até à eutanásia, passando inclusivamente pela ideologia de género nas escolas. Isto já para não falar do cancelamento cultural que os dirigentes do teu partido defendem no salão nobre da Assembleia da República com os seus amigos do Bloco de Esquerda, ou ainda da regularização da prostituição.

Vês, Ricardo? É verdade que o coquetel mete lá para o meio eutanásia e prostituição. Eu teria preferido gim e manjericão, por exemplo, mas são opções. Agora, o que é facto é que nesta minissérie já se poupou imenso, nomeadamente num barman. Não é preciso barman, porque Francisco Rodrigues dos Santos trata do assunto, portanto lá está a ficar mais barato do que a novela brasileira. Mas não ficamos por aqui. Também no episódio do primo sem modos à mesa, se poupou forte e feio. Ora confirma.

Bom, adiante. Olha, para finalizar aqui o teu prato, eu vou acrescentar um toquezinho de mel na tua broa para ver se te adoço.

Aí tens, Ricardo, viste isto?

Muito bom.

Viste? Um prato que se finaliza com um toquezinho de mel por cima de uma modesta broa. Nada contra, delicioso, aliás. Mas não há um sous-vide.

É verdade. Acho que aí tens um ponto.

Não vês uma esferificação. Enfim, não tens Estrelas Michelin. É tudo muito poupadinho, confirmando assim a minha teoria de que os tempos de antena, embora custem 2.465 € por minuto, saem mais baratos ao país do que as novelas brasileiras.

Perante isto, Tiago Dores, eu estou não apenas convencido, mas até um pouco ansioso. Estou ansioso pela tua análise ao próximo episódio da minissérie do CDS com aquele do irmão desaparecido em combate.

Acredito que sim, mas atenção, episódio que, aviso desde já, porque tem o desaparecido em combate no título e é enganador isso, porque nesse episódio não entra o Chuck Norris. Só para esclarecer que embora esteja desaparecido em combate, não há Chuck Norris.

Mas eu aposto mesmo que sem Chuck Norris será superior a qualquer novela brasileira.

Vamos com calma. A qualquer novela brasileira também não diria, Ricardo. Aqueles lá no Brasil são fortes em termos de boas peixeiradas televisivas em torno de eleições. Tipo esta:

Quero dizer à dona Marta Suplicy que a senhora, administrativamente, é desqualificada. A senhora vai me perdoar. A senhora não está qualificada administrativamente. Não, senhora. Eu estou com a palavra.

A senhora peça à senhora Vera que fale, dona Marta.

A senhora não está qualificada administrativamente. Então a senhora veio para esse debate para achar que insultando, mentindo, que a senhora pudesse ganhar o debate. A senhora já foi condenada por ter me insultado e vou novamente lhe processar, porque a senhora vai ter que tomar jeito. A senhora é uma petista que não perdeu o jeito da calúnia e da mentira. Eu quero dizer para a senhora que construí, sim, o Piscinão do Pacaembu, é mentira sua. Além disso, comecei outros três piscinões que é absoluta verdade. E a senhora, por favor, respeite. Eu estou falando, respeite o telespectador. A senhora fica quietinha e para de dar palpite. Cala a boca, maluco! Cala a boca você.

Por favor.

Eu estou ansioso por ver o Piscinão entrar também no debate político.

O Piscinão do Pacaembu.

No debate político.

Quem sabe?

Quem sabe? Bom, como sempre... Não vamos perder a esperança.

Não, não vamos. E está na hora de frisar que este espaço é da exclusiva responsabilidade da organização interveniente, neste caso, o Tiago Dores.

Menos a parte do Piscinão do Pacaembu.

Isso não é.

Isso não tem nada a ver com isso.