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Campanha eleitoral legislativas 2022. Minutâncias das bem parvas em torno das eleições.

E o autor deste inusitado momento musical e o dono desta voz maravilhosa é Tiago Dores, ele que também é dono de um perspicaz sentido científico para apurar o que há de melhor nesta campanha eleitoral. Olá, Tiago. Bem-vindo.

Olá, Ricardo. Queres que eu te dê mais um tempinho para explanar as coisas em que eu sou realmente muito bom?

Não. Eu peço desculpa pela forma modesta como te apresentei.

Amanhã depois vais acrescentando outras coisas.

Eu vou dar o meu melhor amanhã, Tiago.

Obrigado. Ainda antes dos tempos de antena, e se me permites, Ricardo, uma nota para o debate de ontem entre os representantes dos 11 partidos sem assento parlamentar.

E que nota te merece esse debate, Tiago?

Obrigado por me fazeres essa pergunta, Ricardo, pois não tenho sido convidado com frequência para o "E o Vencedor É?", o que me magoa também um bocadinho. O debate de ontem mereceu-me um sólido 16. Merecia da hipertimesia dos líderes dos partidos sem assento parlamentar.

Disseste hipertimesia?

Hipertimesia, sim. Parece hiperteimosia, dito por António Costa, mas não é. É mesmo hipertimesia, que é o oposto de amnésia, acho eu. Li um bocado à pressa, mas acho que é isto.

Eu acho que sim. Que assunto é que os líderes partidários sem assento parlamentar discutiram, que tenha sido esquecido pelos partidos que têm o tal assento parlamentar?

Ricardo, realmente é um assunto que foi esquecido pelos líderes dos partidos que estão no Parlamento, mas também se calhar porque se trata de um assunto pormenor. É uma coisa que terá até passado despercebida à grande maioria dos portugueses, que é aquilo da Covid. Da Covid, da pandemia e das medidas de suposto combate à pandemia. É uma coisa de somenos, que não tem tido tanta relevância nos dois últimos anos, por isso é que se calhar passou.

Tiago, lá está, talvez por isso não tenha merecido o tal destaque neste debate entre os líderes dos partidos com assento parlamentar.

Sim. Ou é isso, ou se calhar o problema dos partidos com assento no Parlamento são os próprios assentos no Parlamento.

Achas que os assentos não são confortáveis?

Não é bem isso. Repara, eu não sei em que tipo de assentos se sentam os nossos parlamentares, mas imagina que na Assembleia da República os deputados se sentam numas daquelas cadeiras com aquecimento, massagens e até um sitiozinho para colocares um copo e tudo. Tu num cadeirão daqueles, quentinho, com o rabinho a tremer e um reconfortante chá, tu esqueces tudo. Porque estás ali porreiramente. Quem é que se lembra cá de Covid? Ninguém.

És capaz de ter aí um ponto.

É muito provável.

Voltando ao debate de ontem entre os partidos que não têm o tal assento parlamentar na Assembleia da República. Foi referido nesse bate-boca, nesse debate, algum ponto que queiras destacar?

Então não foi, Ricardo. Se foi, foi sim senhor. Escuta lá este ponto.

Antes de mais, gostava de apresentar os meus cumprimentos a todos os telespetadores e dizer que o Partido Trabalhista tem no seu símbolo o significado que tem a ver com o seguinte: são dois golfinhos à volta do polvo a proteger os tubarões. Há uns anos, o tubarão era o engenheiro Sócrates e tudo o que o envolvia. Já nessa altura nós defendíamos o acabar da promiscuidade entre a política e os negócios. Um segundo tubarão foi o doutor António Costa, mas este já se palhou sozinho. Dizemos nós nas últimas eleições que andava num triciclo, com três rodas, naturalmente. Uma roda que estava bloqueada, a outra só andava para a esquerda. Ele separou a roda da frente e foi sozinho por aí fora. E foi apoiado, foi levado ao colo pelo Presidente da República, que agora com uma herna dificilmente o conseguirá aguentar.

São belas imagens, Tiago, na intervenção inaugural de Amândio Madaleno, o líder do Partido Trabalhista Português, o PTP.

Exatamente, é a intervenção inaugural genial e inspiracional, Ricardo. De uma penada tens golfinhos, a dupla de tubarões Sócrates e Costa, um triciclo todo escangalhado e uma lição sobre a velhice. Isto é um discurso de candidatura à Assembleia da República e é uma historinha para contar ao adormecer a qualquer petiz que esteja a dar os primeiros passos na leitura. 20 valores para Amândio Madaleno. Nota máxima.

20 valores.

Exatamente.

E quanto aos tempos de antena, hoje há algum tempo de antena com partidos com assento parlamentar que te tenha chamado mais a atenção, Tiago?

Mais ou menos, Ricardo. Chamou-me a atenção o tempo de antena de um partido com semiassento no Parlamento, que é o Livre. Tem um semiassento.

Boa imagem, Tiago.

É. Que entretanto foi abarbatado, tipo um jogo das cadeiras. Foi abarbatado pela deputada que eles próprios escolheram. Escuta a mensagem do Livre.

Hoje temos mesmo de fechar o slogan da campanha. Não sei se já viram o documento partilhado, têm lá as várias hipóteses. Gostaram de alguma?

Aquilo que me chamou mais a atenção é: bota acima, não abaixo. Tem muito potencial.

Nós no fundo queremos passar uma mensagem de um novo modelo de desenvolvimento que reflita os desafios do presente e do futuro e, portanto, no fundo, bota acima.

Bota acima os salários, bota acima as qualificações, valoriza as pessoas, valoriza o conhecimento, bota acima. Bota abaixo é umas eleições que ninguém estava à espera e que obrigam os cidadãos a estarem um mês e tal só a falar dos políticos. Nós temos é que pôr os políticos a falar de uma agenda cidadã que responda aos nossos problemas, e isso é bota acima.

E a escola pública? E os direitos humanos? Bota acima.

E a saúde? Botar acima.

É isso, temos o nosso slogan. Tudo bota acima

Calma, tudo não. As alterações climáticas e a destruição do planeta, bota abaixo.

Vota o LIVRE.

Bota acima, não abaixo.

Bota acima, não abaixo.

É o slogan.

É o slogan, a mensagem do LIVRE para estas legislativas. Isto levanta-te alguma dúvida em relação à eficácia do slogan?

Ricardo, sim, confesso que me levanta algumas dúvidas o "bota acima, não abaixo". Mas eu não sou um politólogo.

Ainda.

Sei que às vezes parece, mas não, de facto não sou. Agora, vejo é que este slogan, "bota acima, não abaixo", também levanta dúvidas a especialistas nestas matérias. Como é o caso de Johnny Abreu.

Mas Johnny Abreu, aquele cientista de Harvard? Qual é o Johnny Abreu que estás a falar?

Não é esse Johnny Abreu e fico até muito magoado que tu não conheças o Johnny Abreu que realmente percebe destes assuntos. Este Johnny Abreu.

Anda daí, vem comigo, vem cá beber mais um copo. Hoje é sempre bota abaixo. Vamos curtir esta noite, hoje já ninguém nos para. Aí já está todo mundo raso. Anda daí, vem comigo, vem cá beber mais um copo. Hoje é sempre bota abaixo. Vamos curtir esta noite, hoje já ninguém nos para. Aí já está todo mundo raso.

Como sempre, e cumprindo os meus deveres legais, devo frisar que este espaço é da exclusiva responsabilidade da organização interveniente, neste caso, o Tiago Dores.

Campanha eleitoral legislativas 2022. Minutícias às vezes bem parvas em torno das eleições.