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Cam-cam-cam-cam-cam-cam-cam-campanha eleitoral legislativas 2022. Minutâncias das bem parvas em torno das eleições.

Bem-vindo, Tiago Dores. Entramos hoje na derradeira semana de campanha eleitoral.

É verdade, Ricardo.

Eu suponho que queiras perspetivar estes últimos e decisivos dias antes das eleições de 30 de janeiro.

Olá, Ricardo, de novo. Sim. Por um lado, poderei perspetivar a semana que principia, mas ainda antes disso, é inevitável rapar o fundo ao tacho da semana que ainda agora terminou.

Isso parece-me muito bem. Sabes por quê? Porque às vezes a melhor parte é essa mesmo que fica lá colada no fundo do tacho.

Nem mais, Ricardo. Exatamente. Às vezes a melhor parte é aquela que fica ali na fronteira do queimado. Mais caramelizada, digamos.

Temos masterchefs. Então que parte foi essa, Tiago?

Ricardo, curiosamente, foi a parte em que um caramelo, que já está bastante queimado, entrou na campanha. Falo de José Sócrates, como é evidente. Sócrates que deu uma entrevista ao Júlio Magalhães na CNN, na qual, relativamente ao facto de António Costa pedir uma maioria absoluta, disse o seguinte:

Quanto à maioria absoluta, deixe-me só dizer isto.

António Costa pediu a maioria absoluta e o PS teve a última maioria absoluta do PS.

Pois. O único conselho que eu daria é que para quem quer uma maioria absoluta, talvez devesse começar por não desmerecer a única que o Partido Socialista teve na sua história. Essa talvez fosse-

Está a falar da sua maioria absoluta?

Sim, aquela que eu tive em 2005.

Infelizmente, Tiago, foi desperdício de conselho por parte de José Sócrates.

Pois foi. Foi desperdício de conselho porque um dia depois António Costa garantia isto:

Eu não tive a oportunidade de ver.

Aceita o conselho de que não se pode apagar essa maioria absoluta do PS?

Eu não tive a oportunidade de ver.

Mas não está a querer dizer que desmerecia a maioria de José Sócrates?

Eu não tive a oportunidade de ver.

Lá está, desperdício de conselho de Sócrates, uma vez que António Costa não teve a oportunidade de ver.

Exato. E já foi notado em diversas sedes que este é um problema antigo, o de António Costa não ver coisas que o José Sócrates faz. O que pretendo assinalar aqui é que em verdade temos de ser justos e dar um desconto a António Costa. E não, não estou a falar de um daqueles descontos iguais à idade na compra de um par de óculos graduados que teriam sido úteis para Costa ver as moscambilhas de José Sócrates. Nada disso. Podia ser, mas não é. Eu refiro-me mesmo a dar um desconto no sentido de não sermos tão exigentes para com António Costa. E por quê?

É a pergunta que se impõe. Por quê, Tiago?

Por acaso era exatamente a questão.

Estava aqui mesmo já presa a aparecer.

Ótimo, Ricardo. Porque o olho humano só é capaz de ver aquilo que acontece nas frequências que se situam entre a frequência que corresponde à luz vermelha e a que corresponde à luz violeta. Aí tens um bocadinho de ciência. E quem diz o olho humano, diz o olho de Costa. Ora, o problema é que o José Sócrates trabalhava já mais ali para a zona de uma certa radiação gama. Estás a perceber? O Sócrates seria mais do gênero gama. Ou seja, já fora do espectro eletromagnético visível e, portanto, não era nada evidente o que ele andaria supostamente a fazer.

Em contrapartida, o que tu acabaste de fazer foi bem evidente, rapando como prometido, o tacho nesta entrada da última semana de campanha.

E atenção, e sem por uma única vez referir a tão batida piada dos políticos andarem todos à procura de tacho.

Incrível.

Ah, diabo! Lá fui eu. Que pena, lá fui eu repetir a tão batida piada. Estava a ir tão bem.

Pois era.

Que chatice. Peço desculpa a ti, Ricardo, e peço desculpa também aos nossos ouvintes.

Acho bem que o faças. Eu estou certo que os nossos ouvintes desculparão, mas só se nos trouxeres algo de verdadeiramente novo, diferente, algo prometedor, Tiago Dores, como é?

Mas que é algo novo, diferente e prometedor? É isso? Espera. Então acho que estou na posse daquilo que os nossos ouvintes desejam. Ora escutem, ouvintes.

Se sentes que a tua vida melhorou durante os seis anos da geringonça, faz sentido que votes num partido da geringonça, como o PS, Bloco, PCP, PAN.

Certo. No entanto...

No entanto, se continuaste com o salário baixo, se és precário, se não encontras uma casa com renda acessível, passaste horas à espera de ser atendido no hospital, estás farto de injetar dinheiro na banca, se tiveste que abandonar o ensino por falta de rendimentos.

Sim, confirmo tudo isto. A minha vida não melhorou rigorosamente nada.

Se a tua vida não melhorou, faz sentido continuar a votar nos mesmos de sempre e esperar resultados diferentes?

Não faz sentido nenhum. Está na hora de mudar. Exigimos algo diferente.

Olá, o meu nome é Renata Campra, sou a porta-voz do MAS, Movimento Alternativa Socialista, e serei a nossa candidata nas eleições legislativas de 2022.

Não, pois. Afinal, não. Afinal, parece que é só mais uma variante de socialismo.

E este último som até tinha ali aquele sonzinho de alterna. Parecia uma coisa de antigamente.

Pois. Na verdade, prometia muito, mas afinal, não.

Tu tinhas prometido algo de novo, diferente, prometedor. Como é que é, Tiago Dores?

Peço desculpa, é verdade.

Ai, meu Deus! Bom, motivo pelo qual nunca é demais referir que este espaço, e atenção a esta frase, é da exclusiva responsabilidade da organização interveniente. Neste caso, a organização chama-se Tiago Dores.

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