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Não se fala de outra coisa. Ainda.
Ainda. Na semana passada falamos dela e voltamos a falar de Jane Goodall.
E só podia ser agora.
E só podia ser agora. Isto a propósito de um programa que estreou com Jane Goodall e que é um programa que só estreia quando a pessoa entrevistada morre, o que é muito estranho. Ficamos a saber agora, nesta última terça.
E aí é que não há filtro, dizes tudo aquilo que pensas.
Será que é isso? Será que muda muito por sabermos que estamos a dar uma entrevista que só vai ser vista quando já cá não estamos?
É estranho, tudo muito estranho.
É muito estranho. Ficamos a saber no início do ano que em março Jane Goodall gravou uma entrevista a saber que só ia ser divulgada depois de morrer. Não sabíamos quando é que isso iria acontecer, ninguém sabia. E agora esta última mensagem faz parte de uma série da Netflix que se chama "Famous Last Words", famosas últimas palavras, que é uma série composta por entrevistas de pessoas que não sabemos quem são, obviamente, mas que sabemos que são influentes, que são vistas por muita gente como pessoas que merecem a atenção e cujas palavras são importantes. A identidade do entrevistado só é divulgada depois de morrerem, portanto, não sabemos quantas entrevistas neste momento foram feitas, nem a quem. E vimos agora esta, em que estão sentados frente a frente Brad Falchuk, que entrevistou Jane Goodall. São 55 minutos de uma entrevista em que só o entrevistador e o entrevistado sabem o que é dito no estúdio. Todas as câmaras são operadas de forma remota. As pessoas que estão na sala de controle e que estão a acompanhar as gravações, porque é preciso, não usam auriculares, portanto, há a garantia absoluta que não sabem o que é que está a ser dito. O local das entrevistas também é em Los Angeles, é num estúdio da Netflix. Também existe um estúdio móvel que possa chegar aos entrevistados que têm mobilidade mais reduzida. E o produtor durante a entrevista faz questão de ir lembrando que eles estão mortos e, portanto, muitas das questões são usadas no tempo verbal, no passado. O objetivo é que estas conversas possam dar aos espectadores uma última oportunidade de ouvir estas pessoas que tinham como referência. Tudo um bocadinho estranho. A entrevista tem dois momentos: tem um momento de entrevista e há um em que o entrevistado se dirige para a câmera e lança uma mensagem para as pessoas que o estejam a ouvir. Sobre Jane Goodall, claro, já sabemos, e fez títulos aquilo que ela assumiu. Assume que há pessoas de quem não gosta verdadeiramente e diz que gostaria de colocar numa nave espacial de Elon Musk e enviá-las para um planeta algures no universo. Não só Musk, mas também Trump, os verdadeiros apoiantes de Trump, Putin, Xi Jinping, Netanyahu e o seu governo de extrema-direita. Colocava-os todos numa nave espacial e mandava-os embora.
Isso é muita gente. Você escambiou.
É muita gente. E depois há uma mensagem em que pede às pessoas que tentem encontrar o seu papel no mundo e que ajudem a salvar o planeta. Enfim, um programa interessante.
E para salvar o planeta, nada melhor do que, digo eu, ouvir Taylor Swift.
Como o Paulo fez logo às 06h57 da manhã.
Paulo, tu gostas de Taylor Swift, é Swiftie?
Sim. Não sou Swiftie.
Mas ouves?
Sim.
Consegues trautear uma música dela?
Não, não mudo de estação se me puserem.
Trauteia lá uma música.
Não sei trautear nenhuma.
Os meus filhos não gostam deste álbum.
Não gostam?
Não.
Mas certamente já ouviram. Não sei se compraram.
Não, Spotify.
Claro, mas ao descarregar.
Não, pagas uma assinatura ou nem pagas assinatura e apanhas com publicidade.
Mas ouve-se? Quer dizer, é contabilizado se tu ouves, não?
É contabilizado.
É contabilizado como venda ou não? Eu não percebo muito bem como é que funciona isso.
Há regras para isso. Não é como venda, mas até para pagar aos autores, tem que ser milhares, milhões de audições e como mínimo de X segundos.
Exato.
Isto é, se desistires passado três ou quatro segundos, penso que não conta.
Onde é que tu queres chegar?
O que eu quero chegar é que Taylor Swift bateu mais um recorde. Ela está sempre a bater recordes.
Confia nas estatísticas que dão as plataformas.
Era já a primeira mulher a ultrapassar os 100 milhões de vendas de álbuns, antes deste "The Life of a Show Girl" ter saído na sexta-feira, e bateu o recorde das melhores vendas de sempre numa semana, numa única semana. E há aqui este pormenor, aqui não há dúvidas em relação aos valores, à contabilização, porque vendeu 1 milhão e 200 mil vinis, que é o maior número desde 1991, que um álbum não vendia tantos vinis. O que também diz muito sobre a ressurreição do vinil e também, claro, do impacto de Taylor Swift. Mas depois há aqui estas contabilizações, que são sempre um bocadinho mais difíceis de fazer. São claras, as regras são iguais para todos, mas não se percebe muito bem como é que são feitas, porque inclui os downloads do Spotify e ouvir através de outras plataformas. Enfim, o que não há dúvida é que Taylor Swift continua em alta, a bater muitos recordes. Já tinha batido o seu próprio recorde ao vender 2,7 milhões de discos em formato digital ou físico. Uma empresa, a Luminate, que faz esta avaliação do mercado, diz que esta é a segunda melhor semana de vendas de sempre de um álbum desde 1991. Há aqui um álbum de 2015 que ultrapassou, mas esta semana não é uma semana completa, é uma semana com um só dia. Portanto, é provável que venha a bater o recorde. E em 2015, quem é que tinha alcançado o número de 3,3 milhões de cópias com um disco? E foi quem foi, também era uma mulher.
A Beyoncé?
A Beyoncé, não. A Adele com o álbum "25", como se diz em americano, "twenty-five". Claro que Taylor Swift tem aqui um impacto enorme sempre que faz qualquer coisa, e ela tem feito muitas coisas, mas diz que não vai fazer uma digressão a propósito deste álbum. Portanto, os teus filhos, Carla, podem ficar sossegados.
Não vão ter de ouvir isto ao vivo.
Não vão ter de ouvir ao vivo. Não, ela diz que está um pouco ainda cansada depois da Eras Tour, que também bateu recordes. Lá está, 2000 milhões de dólares de receitas.
E não vai fazer tour porque vem aí o casamento também, não se pode cancelar.
Pronto, aí está, tem que estar em forma. É preciso estar em forma, mas a verdade é que tudo que Taylor Swift faz é, de uma forma ou de outra, notícia, está sempre a atingir novos picos de popularidade, de vendas, e nós, por muito que possamos resistir aos encantos de Taylor Swift, não podemos resistir à avalanche de notícias, porque não se fala de mais nada.
Completamente, não se fala de outra coisa. Rádio Observador, Lisboa 92.8. 10 para as 08, antes do Três Toques, deixe-me só perguntar-lhe: e se o conteúdo mais valioso fosse aquele que não dá likes? Esta é a provocação do primeiro episódio da websérie Geração Fiatástica, uma parceria do Observador Lab com a Fiat. Não adie mais e assista já ao primeiro episódio. Vá ao site do Observador Lab e acompanhe-nos nas nossas redes sociais para não perder pitada. Rádio Observador.
Bom dia.
Bom dia. É parecido o teu bom dia com o de antes agora.
Bom dia, tudo bem? Estou surpreendido. Eu pensei ainda falar dos resultados dos jogos de ontem, da Primeira Liga, porque acabou tudo empatado.
Justamente.
Tudo empatado.
É, só empates.
Ninguém se fica a frente de ninguém, não é?
Pois, não sei, porque é sempre possível olhar para estes resultados de uma maneira ou de outra. Há quem veja num empate uma espécie de vitória.
Uma vitória ou uma derrota.
Claro, e outros veem uma derrota.
O Porto não viu o resultado da mesma maneira que o Benfica, por exemplo. Isso o Porto lembra.
O Benfica partia para esta jornada um bocadinho desanimado, por tudo o que tem acontecido, a equipa não estar num grande momento. O Porto vinha de nove vitórias consecutivas, só sabia ganhar este ano em todas as competições. Portanto, ficam sabores diferentes. O Sporting, por exemplo, também estava a ganhar até ao último minuto, praticamente. Portanto, também fica aquele sabor agridoce no final. Por isso, podia perfeitamente falar destes resultados que deixaram tudo na mesma na Primeira Liga, mas não resisto a falar do adepto do Manchester United que ainda não cortou o cabelo. Obviamente, está à espera de cinco vitórias consecutivas. Já há memes que mostram, por exemplo, o estádio de Old Trafford coberto por uma grande cabeleira, é muito provável que isso venha a acontecer. O Manchester United ganhou este fim de semana, portanto só faltam quatro vitórias para conseguir cortar o cabelo finalmente. Só que o próximo jogo é contra o Liverpool fora.
Boa sorte.
Não vai ser fácil. O Liverpool que vem de três derrotas consecutivas para a Premier League.
Aquela cabeleira já dá pra esconder ali um monte de coisas.
Já dá.
Já dá pra arrumação.
Eu acho que ele vai desistir da aposta, porque vai chegar a um ponto absolutamente insuportável.
Não, vai começar a cair. Eu acho que o cabelo vai começar a cair naturalmente.
Não, mas ele pode lavar o cabelo, não é cortar.
Não, ele pode lavar.
Pode cuidar do cabelo.
Pode.
Vai crescer, vai fazer rastas.
Não, acho que não.
E ele vai ficar velhote, vai perder cabelo com a idade.
Vai cair o cabelo, naturalmente.
Pois, de tanto esperar as cinco vitórias consecutivas.
Nós aqui até já falámos daquele senhor que o agrediu.
Desisto, vou cortar o cabelo.
Eu acho que não, acho que não vai desistir.
Porque isto está a lhe dar muita popularidade indesejável. Alguma indesejável. Alguma como outra.
Deve fazer bem este tipo de popularidade.
Para seguidores nas redes sociais, sim, sem dúvida. Mas não sei se os outros adeptos do Manchester United ficam muito contentes por haver um adepto que está a lucrar à conta dos insucessos e das desgraças do United. Vamos ver, só faltam quatro vitórias. Há que não perder a esperança. Quem bateu um recorde muito indesejado neste fim de semana foi Martin Odegaard, do Arsenal. O Arsenal ganhou, está a liderar a Premier League, mas o médio norueguês não tem motivos para sorrir, porque pela terceira vez consecutiva, e devido a lesão, saiu antes do intervalo. Ou seja, jogou, entrou como titular, mas teve de ser substituído, e é a terceira vez consecutiva que isto acontece. Aqueles jogadores que sofrem muito de lesões. E Odegaard parece estar num desses momentos. Mikel Arteta tem apostado no jogador, mesmo assim, tem confiado a titularidade, mas ele não consegue chegar ao fim. Ali a meio da primeira parte, começa a lhe dar umas dores.
Uma travadinha.
E nunca tinha acontecido. Vejam só que nunca nenhum jogador tinha sido substituído três vezes seguidas na primeira parte de um jogo, isto na Premier League. Vamos ver. É desejar as melhoras ao Ødegaard.
As melhoras, Ødegaard.
Ødegaard.
Força nisso.
Vê lá no que é que te metes, porque um jovem da tua idade ter estes problemas todos de saúde não é nada bom, não indicia nada de bom. E agora coisas mais sérias.
E também era jovem.
Este era jovem. Estamos a falar de um alpinista, Balin Miller. Não sei se viram aquele documentário, que até acho que ganhou um Oscar há uns anos, o "Free Solo", sobre a subida daquela autêntica parede no Parque Natural de Yosemite, nos Estados Unidos, em que o alpinista sobe sem o auxílio de qualquer equipamento de segurança. Chama-se isso free solo. E é mesmo sem equipamento de segurança. Neste caso, este alpinista estava a subir com equipamento de segurança, mas foi precisamente com o equipamento de segurança que caiu, morreu e estava a ser transmitida esta subida, esta escalada, em direto no TikTok. Na altura estavam cerca de 500 pessoas a assistir à transmissão. Ele estava a tentar recuperar o saco com o equipamento, que tinha ficado preso, e às vezes o facto de se usar este equipamento de segurança faz com que a escalada seja muito mais demorada e, num certo sentido, até mais perigosa. Claro que quem sobe sem equipamento de segurança corre outro tipo de riscos, mas o facto de ter de ir buscar o equipamento mais abaixo, às vezes faz com que a escalada seja mais perigosa. Foi isto que aconteceu com este alpinista norte-americano de 23 anos, que morreu na quarta-feira, dia 11 de outubro, e de facto teve um grande impacto nas redes sociais.
Como não?
Por estar a ser transmitido.
Claro, em direto.
Em direto. É um desporto espetacular, mas muito perigoso.