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É uma hora. As notícias com Beatriz Félix. Boa noite. Uma da manhã, tempo de atualizar a informação e começamos pelo incêndio em Ponte da Barca. O fogo está cada vez mais perto de várias aldeias e, por isso, cerca de 150 habitantes estão a ser retirados de casa. De acordo com o autarca de Ponte da Barca, os habitantes das aldeias de Igreja, Britelo, Sobredo, Germil e Lourido estão a ser concentrados nos pontos da aldeia segura, definidos para cada uma das localidades, para serem depois transferidos para o centro de escolas de Entre Ambos os Rios. Augusto Marinho explica que a frente do fogo é muito grande, está a encaminhar-se com muita violência para outros pontos e, mais uma vez, faz o apelo a que haja o reforço de meios de combate a incêndio. Para esta quinta-feira, está prevista a chegada de cinco meios aéreos.

Eu já falei com o senhor Secretário de Estado da Proteção Civil, que me assegurou que estarão cá logo pela manhã cinco meios aéreos, que inclusivamente anteciparam a vinda deles para cá, mas não são suficientes. A frente é muito extensa, são muitos lugares, os meios humanos e os meios terrestres também são necessários reforçar, porque nós temos muitas aldeias a proteger, temos muitas casas a proteger, é habitação dispersa. Estamos no Minho e, portanto, o apelo que eu faço é que esses meios cheguem com rapidez para proteger a população.

Declarações de Augusto Marinho esta noite à RTP, que insiste que os meios atuais são insuficientes e, por isso, pede rapidez no reforço. Já à Rádio Observador, João Pereira, um habitante da aldeia de Germil, relata que não há bombeiros no local.

A frente de fogo aproxima-se do aglomerado populacional. Bombeiros, até ao momento, não está cá ninguém e nós, dentro do que podemos, vamos tentar impedir que chegue mesmo às casas. Está a GNR aqui a tentar convencer as pessoas para saírem de casa. As pessoas estão revoltadas, não querem sair. Não sei o que vão fazer. Eu, pela minha parte, nem vou intervir, porque também não concordo muito que as pessoas deixem as suas casas sem um bombeiro aqui, sem coisa nenhuma e vão para 10 km daqui. Mas pronto, eu vou ficar por aqui. Quem vai defender a nossa aldeia? Eu e mais pessoas.

É o testemunho de João Pereira, habitante de Germil, uma das aldeias que está a ser evacuada em Ponte da Barca. Este que é um incêndio que também já chegou ao Conselho de Terras de Bouro. Está já a cerca de 200 m de habitações na freguesia de Brufe, com os bombeiros a fazerem uma linha de água para proteger pessoas e bens. É o que adianta o presidente da Câmara de Terras de Bouro. Em declarações à Agência Lusa, Manuel Tivio estima que ao todo estejam em risco cerca de 70 habitações, contando com as de residentes, mas também com as de turismo rural e também de imigrantes. O que espera agora o autarca é que os ventos ajudem esta noite ao trabalho dos 60 operacionais que estão a evitar que o fogo chegue a estas habitações e deixa um apelo à Proteção Civil para que esta madrugada reforce os meios para o combate ao incêndio. Já em Arouca, a autarquia diz que a situação está mais estabilizada e sem desenvolvimentos que causem maior preocupação. Uma informação que foi divulgada pela Câmara Municipal do Conselho, que cita fontes da Proteção Civil. A autarquia admite que, embora se tenham verificado vários reacendimentos, estes têm sido prontamente combatidos pelos meios terrestres. Ainda assim, a Câmara apela a que as pessoas mantenham uma atitude vigilante e para que não adotem qualquer comportamento de risco. A esta hora estão no local perto de 700 bombeiros a combater os incêndios em Arouca. E damos ainda conta de mais dois incêndios que preocupam as autoridades. O fogo em Capela, em Penafiel, continua com três frentes ativas, uma delas a resistir aos esforços dos bombeiros. À Rádio Observador, o comandante dos Bombeiros Voluntários de Merres, Joel Castro, explica que os difíceis acessos estão a dificultar o combate às chamas.

De momento, o incêndio tem três frentes ativas, duas delas a ceder aos meios e uma a arder com bastante intensidade. Temos 200 operacionais e 55 veículos.

Há alguma situação a dificultar o combate ao incêndio neste momento?

Não. Nós temos as duas frentes a ceder aos meios. A terceira frente está a arder com alguma intensidade, derivada à dificuldade dos acessos e à alta vegetação.

Declarações de Joel Castro, comandante dos Bombeiros Voluntários de Merres, à Rádio Observador. Quanto ao incêndio em Paredes, está a ser combatido a esta hora por mais de 250 bombeiros. E nesta altura, com mais de 50 fogos ativos em Portugal, a GNR atualizou as informações relativas às estradas cortadas. De acordo com o comunicado, há quatro estradas interditas ao trânsito, três ficam no distrito do Porto. A A41, cortada nos dois sentidos na saída para Aguiar de Sousa, também a Nacional 209, cortada em ambos os sentidos entre São Pedro da Cova e Aguiar de Sousa, e a Nacional 309.2, cortada em ambos os sentidos entre Recarei e Aguiar de Sousa. Mais a sul, no distrito de Portalegre, a estrada nacional está cortada em ambos os sentidos entre Vila Velha de Ródão e Nisa. André Ventura acusa o Governo de manter um desinvestimento gritante na prevenção dos incêndios. À margem da apresentação dos candidatos autárquicos do partido em Santarém, o presidente do Chega defendeu a aprovação urgente de uma legislação que exija a prisão preventiva nos alegados incendiários. Ventura aponta para um desinvestimento de mais de 60 milhões de euros em matéria de prevenção dos incêndios. Diz que é uma tendência que vem do governo de António Costa e que ficou no governo de Luís Montenegro.

Eu não estou a gostar, francamente, de ver a ação do Governo nesta matéria. Isso não tem que ver diretamente com o primeiro-ministro, mas tem que ver com a senhora Ministra da Administração Interna, por quem até tenho algum apreço, pela estrutura, pela forma como o Governo está a lidar com a questão dos incêndios, não só com uma falta de meios gritante que continuamos a ter, mas com a necessidade que eu vejo, que é urgente, de aprovarmos legislação que garanta que os incendiários ficam presos e que não estão em liberdade nestes dias em que está muito calor e em que o território está absolutamente vulnerável a incêndios.

O líder do Chega apela ainda à consciência dos tribunais para que os suspeitos de fogo posto não fiquem em liberdade. Falamos também da política. O secretário-geral socialista deixou um recado ao Governo: se quer diálogo com o PS, é com o PS que deve falar. José Luís Carneiro e Luís Montenegro estiveram esta quarta-feira reunidos em São Bento, a pedido do líder socialista. Em declarações no final do encontro, José Luís Carneiro considerou ter tido uma conversa construtiva com o primeiro-ministro e promete mais reuniões em setembro.

O Partido Socialista, pela minha voz de secretário-geral, está a transmitir-vos o que eu transmiti ao senhor primeiro-ministro. Se quer dialogar com o PS, o diálogo tem de ser feito com o PS. Em segundo lugar, o PS não é um qualquer partido, é o partido que, de clandestinidade, conquistou as liberdades, os direitos e as garantias fundamentais. Sobre aquilo que o senhor primeiro-ministro me transmitiu, deve ser ele a dizê-lo, porque não devo ser eu a substituir-me às palavras do senhor primeiro-ministro.

O secretário-geral socialista revela ainda que o PS entregou uma proposta detalhada ao Governo para resolver os problemas da habitação.

Apresentámos uma proposta e dissemos ao primeiro-ministro como é que entendíamos que era importante resolver e como pode ser resolvida a emergência a partir da Bolsa de Emergência Habitacional do país. Já há legislação própria, é preciso financiar para responder a situações de emergência como aquelas que podemos verificar na Área Metropolitana de Lisboa. Há soluções que permitem colocar habitações modulares para responder, até mais estruturalmente, a alguns dos problemas de habitação. E depois, a importância de lançar um programa de habitação a custos controlados.

Quanto à Lei da Nacionalidade, José Luís Carneiro diz que há condições para diálogo com o Governo. Resta apenas saber em que termos. Neste jornal, há tempo ainda para olhar para a atualidade internacional. O atirador que matou quatro pessoas num ataque no arranha-céus em Nova Iorque esta segunda-feira, comprou a arma ao patrão num casino em Las Vegas, por mais de mil dólares. A informação é avançada pela polícia de Nova Iorque, em conferência de imprensa, na tarde desta quarta-feira. As autoridades adiantam também que encontraram medicação antipsicótica no apartamento do atirador. O Canadá pretende reconhecer o Estado da Palestina na Assembleia Geral da ONU, em setembro. A informação é avançada pela Reuters, que cita o primeiro-ministro Mark Carney. A intenção do Canadá está baseada no comprometimento da autoridade palestiniana em promover reformas, incluindo no governo, e também na promessa de ir a eleições já no próximo ano, eleições nas quais o Hamas não vai poder participar. O primeiro-ministro canadiano diz ainda que o país condena o facto de o governo israelita ter permitido uma catástrofe em Gaza. E a fechar, Donald Trump decidiu impor uma penalização às tarifas de 25%, aplicadas à Índia por comprar armas e receber fornecimento energético da Rússia. Numa publicação na rede social Truth Social, o presidente dos Estados Unidos escreve que a Índia vai pagar uma tarifa de 25%, mais uma multa pelo acima referido, a partir de 1 de agosto. É o ponto final neste noticiário. A informação fica por aqui, mas regressa daqui a pouco, à 13h30, com a síntese.