Acompanhe o nosso artigo em direto sobre as eleições em Israel

O líder do partido Yashar!, Gadi Eisenkot, afirmou esta quarta-feira que quer formar Governo e opõe-se à realização de novas eleições.

O chamado bloco da mudança liderado pelo partido Yashar!, do ex-chefe do Exército Gadi Eisenkot, deverá ter mais deputados do que o bloco pró-governamental, que integra o Likud (partido do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu), a extrema-direita e os ultraortodoxos, nas eleições legislativas de terça-feira em Israel, segundo três projeções.

Diante dos seus apoiantes em Telavive, Eisenkot também se dirigiu a Benjamin Netanyahu – que ainda não reagiu publicamente.

“Nem sequer tente usar a segurança de Israel para fins políticos“, disse, numa aparente referência às recentes declarações do primeiro-ministro israelita sobre a ameaça iraniana.

Na sua intervenção, o antigo chefe do Exército israelita afirmou que fará “todos os possíveis para formar um Governo sionista”, que represente “todos os cidadãos de Israel por igual”.

Para Eisenkot, as projeções apontam para uma intenção clara do povo israelita contra a continuidade de Netanyahu como primeiro-ministro.

“Um líder digno aceitaria esta moção de censura popular e anunciaria hoje mesmo a sua retirada da vida política”, afirmou, dirigindo-se ao primeiro-ministro.

O líder do partido Yashar! relembrou aos responsáveis de segurança israelitas que Netanyahu é “um primeiro-ministro de transição, que carece tanto de mandato como da confiança” dos cidadãos.

“Recordem-se que servem o Estado exclusivamente em prol dos interesses dos cidadãos de Israel. Mantenham-se firmes e decididos perante qualquer tentativa de serem desafiados. Contam com o meu apoio pleno e absoluto”, vincou.

Numas eleições com a taxa de participação mais elevada desde 2001, o líder do partido Yashar! considerou que “seria um erro ir a eleições de novo”.

Segundo as projeções dos canais 11, 12 e 13, o partido Likud, de Netanyahu, é o individualmente mais votado (24 a 25 deputados, segundo as três), mas o seu bloco não vai além de 50 deputados, sendo 61 necessários para a maioria no parlamento israelita (Knesset, composto por 120 lugares).

As mesmas projeções dão ao Yashar! de Eisenkot 21 a 23 lugares, mas à coligação liderada por este partido 52 a 53 lugares, com os partidos árabes – Lista Conjunta e Ra’am – a alcançarem uma representação histórica de 17 a 18 deputados na primeira eleição no país desde o ataque do grupo extremista palestiniano Hamas, a 7 de outubro de 2023.

Caso este cenário se concretize, confirmam-se as análises políticas que destacavam o caráter determinante dos partidos árabes para a formação do Governo.

O sucesso dos partidos árabes poderá permitir-lhes definir o próximo primeiro-ministro de Israel, mas, até esta quarta-feira, ambos os blocos que disputam a liderança do país, o de Netanyahu e o de Eisenkot, recusaram-se a formar uma parceria com eles.

Esta quarta-feira, o líder do partido Ra’am (Lista Árabe Unida) afirmou que tem sido contactado pelos dois grandes blocos, após as projeções não terem dado uma maioria clara às forças anti ou pró-Netanyahu.

Em declarações ao canal televisivo 12, Mansour Abbas mostrou a sua disponibilidade para se juntar a um Governo encabeçado pelo líder do partido Yashar!, mas considerou que antes é preciso assegurar que tal coligação seria viável.