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As notícias com Matilde Malva Sabino. Bruxelas vai pedir mais detalhes a Portugal sobre a suspensão do controle de fronteiras no Aeroporto de Lisboa. O Ministério da Administração Interna anunciou esta terça-feira que vai suspender, durante três meses, o sistema europeu de controle de fronteiras para cidadãos extracomunitários. Assegurou, no entanto, que a infraestrutura vai ser reforçada de imediato com militares da GNR. A porta-voz da Comissão Europeia anunciou que vão pedir mais detalhes às autoridades portuguesas. Arianna Podesta esclarece que a decisão é alheia a problemas com a implementação deste sistema. O Sindicato Nacional de Oficiais de Polícia critica a suspensão do controle de fronteiras no Aeroporto de Lisboa, acusa o governo de empurrar o problema com a barriga. O presidente do sindicato considera que a segurança nacional fica fragilizada com a suspensão do sistema europeu. Bruno Pereira sublinha que os cidadãos fora do espaço Schengen vão voltar a ser controlados sem qualquer tipo de recolha de dados biométricos e sem a possibilidade de cruzar dados. Para o presidente do Sindicato Nacional de Oficiais de Polícia, a suspensão imediata da aplicação do sistema europeu de controle de fronteiras é uma cedência do governo ao interesse econômico. Um militar armado continua barricado no posto da GNR de Felgueiras. O homem foi condenado a 13 anos de prisão por burlas superiores a €400 mil. De acordo com o Ministério Público, o esquema permitiu ao arguido e à mulher terem uma vida de luxo. Os pais do militar da GNR também foram condenados. De acordo com a GNR, o militar barricou-se por volta das 15h, quando alguns colegas tentavam executar o mandado de condução à cadeia. Segundo a mesma fonte, o arguido, que está barricado há várias horas, considera que a decisão judicial ainda não transitou em julgamento e alega que está por decidir um recurso. No local, está um forte dispositivo policial e uma equipa de negociadores. O governo vai afastar a administração da Unidade Local de Saúde do Hospital São José, em Lisboa. Para o cargo, escolheu um militante do PSD. Ao que o Observador apurou, Rosa Valente de Matos, atual presidente do Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde São José, não vai ser reconduzida. A dirigente da ULS é também militante socialista e membro do Secretariado Nacional do PS. Valente de Matos admite-se a possibilidade do vínculo partidário ter pesado na decisão do governo. Esta é apenas uma das mudanças na calha das administrações dos hospitais do SNS. João Lourenço.

Rosa Valente Matos assegura que a decisão partiu exclusivamente da vontade do governo e da direção executiva do Serviço Nacional de Saúde. Perante o silêncio da tutela, a dirigente hospitalar pediu uma reunião com a ministra Ana Paula Martins. Só aí é que teve conhecimento da dispensa. A atual dirigente da ULS de São José é também militante socialista e membro do Secretário Nacional do PS. Admite que o vínculo partidário possa ter pesado na decisão do governo. Para substituir Rosa Valente Matos, está na calha Miguel Paiva, militante do PSD. Já foi presidente da Concelhia Social-Democrata de Vila do Conde e liderou, nas últimas eleições autárquicas, a candidatura da coligação PSD/CDS à Assembleia Municipal daquele conselho do Distrito do Porto. Outro conselho de administração que não vai continuar em funções, apurou o Observador, é o da Unidade Local de Saúde de Coimbra. Alexandre Lourenço, atual líder, diz não ter recebido nenhuma indicação sobre a continuidade no cargo. Em janeiro deste ano, a Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares deixou críticas ao governo depois de o executivo ter afastado nove conselhos de administração de ULS, substituindo, em parte dos casos, dirigentes com ligações ao Partido Socialista por outros, com ligações ao PSD.

O jornalista João Lourenço, com as alterações dentro dos conselhos de administração dos hospitais públicos. O Observador questionou o Ministério da Saúde sobre o que motivou a mudança na administração da ULS de São José e que outras substituições de conselhos de administração de ULS estão previstas. Não obteve, no entanto, resposta. Já a direção executiva do SNS diz não comentar nomeações que ainda não aconteceram. Falamos agora das presidenciais. António José Seguro apela aos eleitores de esquerda para que concentrem os votos na candidatura apoiada pelo PS. Diz que é a única capaz de chegar à segunda volta. O candidato garante, no entanto, que não contactou nenhuma candidatura mais à esquerda para desistir da corrida presidencial. Uma explicação que chega depois do apelo feito na segunda-feira pelo secretário-geral do Partido Socialista, José Luís Carneiro, para que outros candidatos desistam a favor de Seguro, no caso, Catarina Martins, António Filipe e Jorge Pinto. Ora, António José Seguro considera esse pedido como natural.

É um apelo normal, é um apelo natural, porque há um facto incontornável: só a minha candidatura pode estar na segunda volta. E como só passam dois, eu penso que é desejável, até para o país, que exista um candidato oriundo da esquerda e do centro-esquerda e um candidato oriundo da direita, e não um candidato da extrema-direita e um candidato da direita que cada vez se tem aproximado mais da extrema-direita.

E questionado sobre se o próprio contactou alguma candidatura diretamente para desistir, António José Seguro diz que não, nem em público, nem em privado.

Eu não faço coisas à porta fechada. É tudo às claras.

António José Seguro, esta terça-feira, em campanha por Vila Franca de Xira. O líder parlamentar do Partido Socialista diz que os candidatos de esquerda ainda vão a tempo de desistir a favor de António José Seguro. Um passo em frente ao que chama Eurico Brilhante Dias à hipótese de os candidatos à esquerda abdicarem da corrida presidencial para concentrar o voto no candidato apoiado pelo PS. Depois de o ter feito no início da pré-campanha, o líder da bancada socialista diz que o povo da esquerda está a perceber qual é a única hipótese de ter alguém na segunda volta, é votar em Seguro e, por isso, apela às direções dos partidos.

Que muitas vezes desistir, procurando que outro tenha melhores condições de concretizar um objetivo político, é em muitas circunstâncias dar um passo em frente no sentido certo. Não é uma desistência, é uma opção.

E ainda estariam a tempo de o fazer.

Ainda estariam a tempo de o fazer. Agora, com toda a sinceridade, acho que o eleitorado de esquerda, em mais do que uma circunstância, mostrou com sabedoria que concentrando votos num candidato tinha melhores condições.

Eurico Brilhante Dias em entrevista ao Sofá do Parlamento, na Rádio Observador. O líder parlamentar do PS pede humildade ao governo e a António Leitão Amaro na revisão da Lei da Nacionalidade. Eurico Brilhante Dias afasta uma indicação conjunta dos juízes para o Tribunal Constitucional com o Chega e prefere testar outra solução aritmética.

O PS tem toda a disponibilidade para fazer com o PSD, como fez sempre na sua tradição, as conversas necessárias para termos um equilíbrio no Tribunal Constitucional. E isso é possível fazer, aliás, alargando essa discussão a um espectro em que outros partidos também democráticos devem participar para uma nova configuração de dois terços. Esta ideia de que tudo tem que passar por incluir a extrema-direita é uma opção que eu não partilho e que nós não partilhamos.

O líder da bancada do PS em entrevista ao Observador sobre a demora do Parlamento em eleger juízes para o Tribunal Constitucional e também para o Conselho de Estado. Cerca de € 5 milhões é o montante que os candidatos presidenciais esperam gastar na campanha eleitoral. Os dados foram divulgados pela Entidade das Contas e Financiamentos Políticos. Luís Marques Mendes é o candidato que estima gastar mais dinheiro para tentar convencer os eleitores. O candidato apoiado pelo PSD e CDS vai investir cerca de € 1.300.000. Já António José Seguro tem uma despesa prevista de € 1.013.000, com Henrique Vieira Mel a estimar um gasto na casa de € 1 milhão. Abaixo desse valor vem André Ventura, com orçamento na casa dos € 900.000. Já João Cotrim Figueiredo aponta para um gasto de € 500.000 na campanha presidencial. A estes candidatos seguem-se, com alguma distância, António Filipe, que prevê um gasto de € 395.000, Jorge Pinto, com despesa prevista de € 97.000 e Catarina Martins, com pouco mais de € 50.000. Este orçamento apresentado pela Entidade das Contas e Financiamentos Políticos revela que o valor é mais alto do que nas últimas eleições presidenciais, quando a despesa total de todos os candidatos não chegou a € 4 milhões. Nos Açores, o representante da República, Pedro Catarino, despede-se com gratidão e humildade. É a última mensagem de Ano Novo no cargo que ocupou durante 15 anos, nomeado para um primeiro mandato como representante da República para a Região Autónoma dos Açores em 2011, pelo então chefe de Estado Aníbal Cavaco Silva. Pedro Catarino foi reconduzido no cargo por mais dois mandatos por Marcelo Rebelo de Sousa. A poucos meses de deixar a função, Pedro Catarino sublinha que procurou, ao longo dos anos, defender os interesses dos açorianos e da região, conciliando com o interesse nacional. Vamos ainda à atualidade internacional. A Rússia diz que a Ucrânia atacou Moscovo com drones esta noite de terça-feira. Uma notícia avançada pela Reuters, que cita uma mensagem do Ministério da Defesa da Rússia no Telegram. As autoridades russas anunciaram ter destruído 27 drones ucranianos enviados para atingi-los no território, incluindo sobre Moscovo. O ataque terá durado três horas e um homem de 57 anos ficou ferido na vila de Pagubino, perto da capital russa. É o que adianta a agência russa Ria Novosti. O mesmo órgão de comunicação dá conta de um apagão geral que afetou a cidade de Ramenskoye, também perto de Moscovo. Entretanto, o Kyiv Independent avança que as operações ucranianas também incidiram sobre a refinaria petrolífera no sul da Rússia. As Nações Unidas indicam que uma trégua local permitiu restabelecer eletricidade na central de Zaporizhzhia, na Ucrânia. A trégua permitiu a reparação das linhas de transmissão danificadas e consideradas vitais. O anúncio foi feito pelo diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atómica. Em comunicado, Rafael Grossi explica que os técnicos concluíram reparações cruciais nas linhas de transmissão próximas da central, realizadas com garantias de segurança dadas por ambas as partes, ao abrigo de um cessar-fogo local e temporário, mediado pela agência que integra o sistema da ONU. Esta foi a terceira vez nos últimos meses que acordos de trégua negociados e monitorizados pela agência permitiram a religação de linhas essenciais para a segurança nuclear. Notícia de fecho deste jornal. A informação regressa à 13h30. Até já.