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Muito boa noite. Jornal da Meia Noite. Laura Figueiredo. E a começar com Nuno Melo, garante que a AD não vai usar o caso em torno de Pedro Nuno Santos da mesma forma que o PS capitalizou a polêmica da Spin Livro.

O caso em torno do líder socialista mereceu destaque esta noite no debate entre AD e Bloco de Esquerda. Foram representados por Nuno Melo e Joana Mortágua, respectivamente. Esta quarta-feira, o Ministério Público abriu uma averiguação preventiva relacionada com a compra de dois imóveis por parte do secretário-geral do PS. Ora do lado da coligação PSD/CDS, Nuno Melo pega no caso da Spin Um Viva e diz que não vai responder ao PS na mesma moeda.

Eu não vou fazer ao Pedro Nuno Santos aquilo que há mais de 40 dias o Pedro Nuno Santos vem fazendo ao Luís Montenegro. E eu estou num debate para discutir aquilo que argumentei nas nossas diferenças, poderá ajudar a resolver problemas dos portugueses e, por isso, da minha parte, a sugestão é que passemos ao debate.

E do lado do Bloco de Esquerda, Joana Mortágua não quis alimentar a polêmica.

Eu acho que este debate não é sobre as decisões do Ministério Público. Este debate é sobre os problemas do país, as soluções para o país, e é por aí que tem de seguir.

Caso uso à parte, a habitação é uma das matérias que separa a AD do Bloco de Esquerda. Os bloquistas querem colocar um teto às rendas para facilitar o acesso da classe baixa e da classe média. Nuno Melo discorda, diz que essa medida é um ataque à propriedade privada. Joana Mortágua não concorda e acusa a AD de arrogância por rejeitar uma medida que foi aplicada noutros países europeus. A representante do bloco fala numa ameaça de despejo. Fraturante entre AD e Bloco de Esquerda é também o tema da imigração. Nuno Melo defende a medida do governo, a via verde para a imigração, que entrou esta semana em vigor, enquanto Joana Mortágua acusa a Aliança Democrática de querer estigmatizar os migrantes. Os representantes das duas forças políticas protagonizaram um dos momentos de maior discussão no debate.

Com rigor, tratamos a entrada das pessoas.

Eu acho a maior desfaçatez as tentativas e insinuações de associar a crise de habitação à imigração. Eu não sei quem é que o Nuno Melo acha que vai construir as 130 mil casas que a AD prometeu. Não sei se acha que são os jovens da juventude centrista que vão carregar baldes de massa, ou se são os jovens da JSD que vão assentar tijolo, mas essas casas têm que ser construídas.

Neste frente a frente, Joana Mortágua criticou ainda o caos no INEM, lamenta que o governo não tenha demitido a ministra da Saúde. Quanto ao setor da defesa, Nuno Melo criticou o Bloco de Esquerda, diz que o partido liderado por Mariana Mortágua é irresponsável. Joana Mortágua diz que com mais investimento na NATO, é Putin e Trump que ficam a ganhar. Na reação ao debate entre Nuno Melo e Joana Mortágua, a jornalista de política do Observador, Mariana Lima Cunha, esclarece que o confronto foi equilibrado, uma vez que ambos os protagonistas conseguiram utilizar bem os argumentos.

Com rigor, tratamos a entrada das pessoas.

Eu acho a maior desfaçatez as tentativas e insinuações de associar a crise de habitação à imigração.

Este é daqueles debates em que não estão a discutir propriamente eleitorados comuns, ou seja, Joana Mortágua e Nuno Melo muito dificilmente estariam a lutar por um eleitor e, portanto, é difícil dizer que no confronto direto conseguiram derrotar-se. Falavam muito ao eleitorado base de cada um. Como eu dizia, Nuno Melo talvez estivesse a lutar um bocadinho mais para alargar o seu eleitorado do que Joana Mortágua. Mas parece-me que foi um debate equilibrado no sentido em que foram eficazes nas suas estratégias.

Análise de Mariana Lima Cunha ao debate entre AD e Bloco de Esquerda.

E no segundo debate da noite, André Ventura diz que Pedro Nuno Santos não pode dar menos explicações do que aquelas que exigiu a Luís Montenegro.

É reação do líder do Chega ao caso da averiguação preventiva às casas do secretário-geral do PS. Uma posição defendida esta noite no debate na CNN com o líder do PCP, Paulo Raimundo. André Ventura defende que é fundamental que a Justiça seja capaz de investigar todas as pessoas.

O que acho que tem que acontecer é termos uma Justiça que seja imparcial e apolítica, ou seja, fora do debate político, e acho que temos tido, e que seja capaz de investigar, doa a quem doer, ao Chega, ao PCP, ao PS e ao PSD. Portanto, Pedro Nuno Santos não pode dar menos explicações do que as que exigiu a Luís Montenegro. E quer dizer, e que seriam exigidas a qualquer, ou ao André Ventura e ao Paulo Raimundo. Nós temos é que ser capazes de ser exigentes em democracia. Uma vez, eu já disse isto, o Tribunal da Relação usou esta expressão: "quem cabritos dá e cabras não tem, de algum lado lhe vem". Nós não podemos é ter políticos que chegam a Lisboa sem nada e de repente saem de Lisboa com tudo. Não estou a dizer que é o caso de Pedro Nuno Santos ou de Luís Montenegro, estou a dizer que é preciso dar explicações. Portanto, isto é mais um caso que vem marcar a campanha eleitoral negativamente e eu espero que a atitude de Pedro Nuno Santos seja de dar mesmo esclarecimentos a sério, e não como Montenegro, de fingir que dá esclarecimentos.

Quanto ao líder do PCP, Paulo Raimundo espera que este caso relativo às casas de Pedro Nuno Santos seja investigado o mais depressa possível.

Eu acho que se há um processo em curso do ponto de vista de investigação, tem que se investigar até o fim e o mais depressa possível, porque eu acho que todos ganhamos em que estes climas de suspeição passem rapidamente. Portanto, há todas as condições para se esclarecer e esclarecer rapidamente. É isso que se impõe. É isso que se impõe às autoridades, quem está a investigar. Portanto, essa é a questão. E eu não nego a importância deste caso, como outros casos, mas também não quero que o debate político se centre nestas questões.

Já no plano internacional, André Ventura volta a defender que a Europa tem que responder às tarifas dos Estados Unidos. Na resposta, o líder do PCP acusa André Ventura de se ter esquecido que Portugal é um país soberano.

Na análise ao debate, a jornalista de política do Observador, Inês André Figueiredo, diz que o segundo debate da noite entre André Ventura e Paulo Raimundo foi um debate muito vivo, intenso, onde se discutiram ideias em concreto.

Inês André Figueiredo destaca que Paulo Raimundo foi mais eficaz a pôr temas em cima da mesa e obrigou André Ventura a explicar algumas propostas do Chega.

Paulo Raimundo foi mais eficaz em pôr temas e obrigou André Ventura a explicar algumas das propostas do Chega Que ainda não tinham sido explicadas até aqui e a dizer, por exemplo, que vai manter a proposta para equivaler as pensões no salário mínimo, que deu muito que falar no ano passado pelo custo e até aproveitou para dizer que a AD se aproximou desta proposta do Chega neste novo programa eleitoral. Foi um debate muito vivo, muito intenso, onde, ao contrário do que tem acontecido em vários debates com André Ventura, se discutiram de facto ideias, se percebeu que, como é natural, o PCP e o Chega estão em desacordo em praticamente tudo.

A jornalista política do Observador, Inês André Figueiredo, destaca ainda que o tema da imigração ficou fora de debate. Destaca que diz que isto é inédito num frente a frente com André Ventura.

Agora meia-noite e sete. Quanto a Pedro Nuno Santos, quer ser ouvido pelo Ministério Público já amanhã, na sequência da averiguação preventiva a cargo do Ministério Público. Diz que "quem não deve, não teme".

O secretário-geral do PS sublinha as diferenças entre ele e Luís Montenegro, garante que tem disponível toda a documentação referente às duas aquisições de imóveis em casa e que está pronto para responder a todas as questões.

As denúncias são anónimas, mas a verdade é pública. Não vou simular, como Luís Montenegro, que entrego documentos para depois fazer o contrário. Amanhã a documentação estará disponível no site. Finalmente, e que não se perca um segundo no esclarecimento e encerramento desta denúncia, dou nota de que gostaria, já a partir de amanhã, de ser ouvido pelo Ministério Público. Quem não deve, não teme. Quem não teme, não foge.

O secretário-geral do Partido Socialista, em conferência de imprensa na sede nacional do PS, a garantir a disponibilização de todos os registos relacionados com este caso. Pedro Nuno Santos vai pedir para ser ouvido desde já pelo Ministério Público.

O Presidente da República explica que, desde o início, que tem dúvidas quanto ao mecanismo nacional anticorrupção por ser uma entidade ligada ao governo.

No dia em que anunciou a promulgação do diploma que cria o mecanismo nacional de anticorrupção, o Presidente da República diz que as dúvidas que teve durante a decisão vêm já do tempo do anterior governo.

Vem desde que foi criado. Não foi neste governo, foi no governo anterior. Havia uma entidade ligada ao Tribunal de Contas, que foi substituída por uma entidade ligada ao governo. Eu desde o início disse que tinha dúvidas que funcionasse muito bem um mecanismo de combate à corrupção, que dependesse do poder executivo. Ainda demorou muito tempo a começar a produzir efeitos, porque é um bocado difícil. Quem vai controlar, no fundo, nascer sob a aldeia de sápa daqueles que vão ser controlados?

Marcelo Rebelo de Sousa, em declarações no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, a explicar as dúvidas que manifestou a promulgar o diploma que cria o mecanismo nacional anticorrupção. O Presidente da República afirma que considera o mecanismo um bocadinho difícil de funcionar, diz que pode ser que dê certo, mas que normalmente não é fácil.

E Laura, um avião aterrou esta noite em emergência no Porto devido a um fogo na cabine.

Um Airbus A320 aterrou no Aeroporto Francisco Sá Carneiro devido a uma emergência a bordo. Duas pessoas tiveram que ser assistidas por causa de inalação de fumo. De acordo com a Proteção Civil, o alerta foi dado às 20h58. Não existem quaisquer feridos a registar. Para o local foram acionados os bombeiros de várias localidades, um total de 10 veículos e 31 operacionais.

Agora meia-noite e nove. E para fechar, que outras notícias estão a marcar a atualidade?

A Ministra da Saúde, Ana Paula Martins, entregou hoje a São Tomé e Príncipe um lote de medicamentos consumíveis hospitalares e acessórios para aparelho de raio-X, avaliados em quase €305 mil. A ação surge no âmbito do projeto Saúde para Todos. No ato da entrega, a ministra enalteceu os laços históricos que unem São Tomé e Príncipe e Portugal, refere que jamais poderia deixar de ter uma intervenção colaborativa com o país. O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, ordenou à equipa de negociação que prossiga os esforços para garantir a libertação dos reféns ainda detidos na Faixa de Gaza. Em comunicado, o gabinete do primeiro-ministro israelita refere que Benjamin Netanyahu realizou esta noite uma reunião de avaliação sobre a questão dos reféns com a equipa de negociação e também os altos responsáveis do aparelho de segurança. Os serviços de alfândega dos Estados Unidos recolheram mais de $500 milhões no âmbito das novas tarifas recíprocas, uma informação avançada à CNBC. Os números contribuem para mais de $21 mil milhões em receitas totais de tarifas, o que contradiz os comentários de Donald Trump, uma vez que o presidente defendia que as tarifas eram $2 mil milhões por dia.

Edição da meia-noite, Laura Figueiredo. Quanto a nós é tudo. A informação estará de regresso daqui a pouco, à 00h30. Então até amanhã.

Até amanhã, Nuno.

Até amanhã.