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As notícias na Rádio Observador com a Carla Jorge de Carvalho. Manuela Ferreira Leite critica o aumento extraordinário das pensões proposto pelo PS e que vai contar com a viabilização do Chega.
A antiga ministra das Finanças alerta para o cenário internacional de imprevisibilidade económica e acusa a oposição de irresponsabilidade. São palavras da antiga líder social-democrata esta manhã aqui no Explicador.
Aquilo que está em causa é um aumento extraordinário no momento de uma enorme imprevisibilidade. Parece-me irresponsável não tomar precaução sobre esta matéria. E, portanto, eu percebo que do ponto de vista político, aquilo que os partidos da oposição pretendem é criar algum embaraço ao governo, mas eu acho que tudo permite e é uma manifestação de alguns partidos de que é possível, por motivos de natureza estritamente política, tomar medidas que aparentemente são protetoras de classes mais desfavorecidas, mas que na realidade os podem vir a prejudicar.
É a reação de Manuela Ferreira Leite, depois de André Ventura ter anunciado ontem que o Chega vai viabilizar a proposta do PS para o aumento de pensões através da abstenção. Os socialistas propõem aumentar as pensões em 1,25 pontos percentuais, além da atualização que está prevista na lei.
Já o ex-ministro José Vieira da Silva considera que o Partido Socialista teve cautela na proposta apresentada.
O também antigo ministro socialista não prevê um grande impacto na medida e considera que o custo deste aumento enquadra-se nas contas do governo do Orçamento do Estado do próximo ano.
Eu acho que o PS fez as contas do que eu conheço, do ponto de vista de qual era o impacto, que tipo de efeitos é que nas pensões e quanto é que custaria uma medida desta natureza. O custo está estimado em €265 milhões.
No primeiro ano?
Sim, no primeiro ano. E esse custo é, a meu ver, claramente enquadrável nas contas que o governo e o Conselho de Finanças Públicas fizeram para o ano de 2025. Portanto, acho que essa cautela existiu.
Vieira da Silva, que esteve também esta manhã no Explicador. O antigo ministro socialista defende ainda que este aumento extraordinário deve ser suportado em parte pela Segurança Social e também pelo Orçamento do Estado.
A Comissão de Trabalhadores do INEM critica aquilo que descreve como desinvestimento crónico no instituto ao longo dos últimos 10 anos.
Rui Gonçalves é o coordenador desta comissão, está a esta hora a ser ouvido pelos deputados, a pedido do grupo parlamentar do Chega, criticou já o desinvestimento feito pelos últimos governos, que não permitem aumentar os recursos humanos, nem tampouco valorizar as carreiras profissionais no INEM.
Há aqui uma questão que é transversal a todas as carreiras profissionais, que é a falta de recursos humanos e a falta de recursos humanos e do investimento nas carreiras, nomeadamente nos técnicos de emergência pré-hospitalar, que têm uma posição remuneratória muito pouco atrativa, o que faz com que seja praticamente impossível reter estes recursos. Por exemplo, também no que diz respeito aos médicos que foram ou não foram incluídos no despacho ministerial sobre a dedicação plena, o que os atira para um vazio, não tendo o seu enquadramento na carreira médica dentro do instituto, e também às outras categorias profissionais. Portanto, toda esta falência ou estes impactos que têm havido no instituto, são fruto deste desinvestimento de há pelo menos 10 anos.
A Comissão de Trabalhadores do INEM falou também sobre as reformas que o atual governo quer fazer. Rui Gonçalves espera que o Ministério da Saúde se comprometa a fazer aquilo que propõe, nomeadamente no que toca à alocação de recursos financeiros no instituto.
Realmente temos ouvido a senhora ministra falar em refundação do INEM. Não sabemos o que isso quer dizer, mas esperamos que a refundação comece pelas palavras que o senhor primeiro-ministro deu recentemente, porque está na fundação do instituto, tem autonomia financeira e administrativa. Portanto, e quando ouvimos o senhor primeiro-ministro a dizer que nenhum cêntimo será retirado ao instituto, é voltar às fundações do INEM, porque aqueles €135 milhões que foram subtraídos nos últimos anos ao instituto, estamos a falar quase de um ano de orçamento do instituto. Isto implica que é impossível conseguirmos investir, apesar de um bom investimento que poderia ter sido feito pela tutela, pelas tutelas que passaram, não foi feito.
A Comissão de Trabalhadores do INEM, a ser ouvida pelos deputados na primeira das muitas audições que marcam este dia no Parlamento, com destaque para a do presidente do instituto, Sérgio Janero, vai ser ouvido por requerimento do Partido Socialista a partir das 15h15.
E a Rádio Observador vai acompanhar em direto essa audição do presidente do INEM. Entretanto, Carla, o governo está a consultar vários peritos para poder apresentar muito em breve o plano para o INEM.
O plano que já foi prometido por Luís Montenegro para resolver as falhas e atrasos no socorro do INEM. Esta informação é apurada pelo Observador, que falou com vários especialistas e que defendem que a atual atenção mediática colocada no INEM deve servir para implementar mudanças, nomeadamente mais formação, investimento na frota, reforço dos técnicos de emergência e autonomia.
10h08. As federações acadêmicas de Lisboa e Porto alertam que as dificuldades de acesso dos estudantes do ensino superior a alojamento se têm vindo a agravar e pedem mais apoios sociais.
Um estudo divulgado pela Fundação Kelner de Azevedo mostra que metade dos alunos do ensino superior deslocados em Lisboa ou no Porto vive em quartos sem contrato de arrendamento. Ora, sem contratos, estes estudantes não conseguem aceder a apoios como o complemento de alojamento. O presidente da Associação Académica da Universidade de Lisboa volta a alertar que há estudantes a desistir dos cursos por causa das dificuldades no acesso ao alojamento. Diogo Ferreira Leite sublinha que essas dificuldades são cada vez maiores.
Já nos habituámos, mas não nos acostumámos, de contactar com os estudantes, em particular nos primeiros meses do início do ano letivo, que após entrarem no ensino superior, terem obtido as notas para poderem ingressar, após um longo processo de procura de alojamento, procura de casa nas nossas cidades, acabam por desistir da sua procura e abandonar o ensino superior.
Um alerta deixado pelo presidente da Associação Académica da Universidade de Lisboa, Diogo Ferreira Leite. Também o presidente da Federação Académica do Porto, Francisco Porto Fernandes, alerta para um agravamento da situação.
Tem-se vindo a agravar porque cada vez mais o ensino superior, infelizmente, tem de ser um elevador social, parece estar a ser um reprodutor das desigualdades. Há bem pouco tempo tinha saído um estudo que dizia que o estudante deslocado gastava em média €900 por mês para conseguir estudar no ensino superior e estes valores são absolutamente proibitivos.
E por isso o presidente da Federação Académica do Porto pede mais apoios sociais para os estudantes deslocados. Os autores deste estudo da Fundação Bennier de Azevedo alertam para uma situação de grande vulnerabilidade. Hoje a Universidade de Lisboa inaugura uma residência no campus da Ajuda, que foi alvo de obras e que tem agora mais 123 camas nos novos blocos. Luís Montenegro vai estar presente na cerimónia de inauguração.
Numa altura em que passam 10 minutos para lá das 10h, Carla Jorge Carvalho, vamos a outras notícias em destaque.
O secretário-geral do PCP acusa o Governo de não se ter precavido para o inverno no SNS. Paulo Raimundo antecipa que vai haver problemas. O líder comunista reagiu também à notícia do Público, que indica que o Ministério da Saúde decidiu criar um dispositivo especial de emergência pré-hospitalar, que pode ter até 100 equipas de bombeiros para reforçar a resposta durante o inverno. Para o secretário-geral comunista, não há novidade nenhuma nessa medida. José Sócrates compara o processo Marquês à operação Influencer. O antigo primeiro-ministro diz que a única diferença foi a escolha do juiz. É o que escreve num artigo de opinião hoje no Diário de Notícias, precisamente 10 anos depois da detenção e numa altura em que o julgamento ainda não está marcado. Sócrates volta a falar de uma cabala política e acusa o Estado português de ter levado a cabo o que classifica da mais formidável campanha de difamação que alguma vez teve lugar em Portugal. A Rússia lançou esta manhã o primeiro míssil de longo alcance contra a Ucrânia, que atingiu a cidade de Dnipro. As autoridades ucranianas dizem que não há registo de danos. Ainda não há informação oficial quanto a eventuais vítimas. Questionado há pouco sobre este ataque, o porta-voz do Kremlin recusou comentar. E agora, João, alguma vez pediste um livro emprestado a um amigo ou foste a uma biblioteca requisitá-lo e depois te esqueceste de devolver?
Sim, aos dois. Já pedi emprestado e já fui a uma biblioteca também.
E também já te esqueceste de devolver?
Sim.
Sim, também. Pois, não és o único.
Tens uma história para contar, inusitada.
Um antigo cliente de uma biblioteca na Pensilvânia devolveu recentemente um livro que deveria ter sido devolvido há 51 anos.
51?
Há 51 anos. Esqueceu-se.
Já tinha aqui um carimbo como se fosse dele.
Já estava ali no quadro negro. A biblioteca deixou de passar multas por atraso em 2021, mas o cliente calculou o valor da multa, acrescentou juros e doou para a biblioteca.
Não sabe.
Não se sabe o que a biblioteca vai fazer com isto, se vai voltar a colocar o livro à disposição dos leitores ou se vai ficar exposto em exibição no escritório da biblioteca.
Este livro é uma relíquia. 51 anos.
E não se sabe, não é, se o próximo leitor também se pode esquecer por mais 50 anos.
Eu genuinamente acho que não era capaz.
O João tem uma história.
E o valor da multa, sabemos?
Não, aqui não sabemos. Porque depois acrescenta uma doação, portanto, deve ter sido mesmo um enorme arrependimento e uma forma de fazer justiça.
Eu acho que teria vergonha ao fim de 51 anos.
E ele também, por isso é que resolveu fazer isto.
Eu acho que uma biblioteca com uma doação agradece tudo.
Agradece.
É o ponto final no Jornal das 10. Já a seguir, a Contracorrente na Rádio Observador.