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As notícias na Rádio Observador com Carla Jorge Carvalho. Pelo menos 326 pessoas morreram depois de ataques israelitas na Faixa de Gaza. O ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel entende que o país não teve outra opção depois da falta de resposta do Hamas. O cessar-fogo foi quebrado em Gaza e neste momento o exército israelita está a dar ordens de evacuação nos arredores do enclave, depois dos bombardeamentos de ontem, que foram os mais intensos desde o início do ano. E Miguel Gato, em conferência de imprensa já esta manhã, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel diz que se chegou à atual situação porque o país está num beco sem saída.

Isto perante a falta de respostas do Hamas a propostas concretas que foram feitas ao grupo palestiniano nos últimos dias. Foi a principal ideia deixada pelo membro do governo de Netanyahu esta manhã. O governante explica que esta ofensiva serve para concretizar os objetivos que estão definidos para a guerra, libertar todos os reféns, desmantelar o Hamas e assegurar que não há mais ameaças terroristas saídas de Gaza para ameaçar a segurança da população de Israel.

Esta é uma tese que tem sido repetida muitas vezes pelo governo israelita, mas das Nações Unidas, Miguel, chegam críticas à ação militar.

O coordenador humanitário da ONU para os territórios palestinianos ocupados apela a que se restabeleça de imediato o cessar-fogo em Gaza. Muin Tani Adi escreve, em comunicado, que o retomar das hostilidades é uma situação inaceitável e apela a Israel para que pare imediatamente com estes ataques. Segundo revela o Ministério da Saúde de Gaza, pelo menos 326 pessoas morreram, um número oficial que tem sido constantemente atualizado ao longo da manhã. No entanto, na emissão televisiva, a Al Jazeera aponta que este número pode ser superior, aponta para 356 mortos. Há ainda milhares de feridos no enclave depois dos bombardeamentos israelitas da última noite.

Miguel Gato, com as últimas da guerra no Médio Oriente, o Fórum das Famílias dos Reféns e Desaparecidos, que reúnem os familiares da maioria dos prisioneiros na Faixa de Gaza, já veio condenar estes ataques e acusa o governo de Benjamin Netanyahu de abandonar os reféns. Na análise, o historiador Bruno Cardoso Reis fala em ataques numa escala pouco habitual. E lembra precisamente a questão dos reféns, diz que é difícil prever, a partir de agora, o que lhes vai acontecer.

É numa escala muito grande, ou seja, tinha havido ocasionalmente algum tipo de ação israelita, sobretudo na Cisjordânia, que não está tecnicamente abrangida pelo acordo, mas obviamente que é uma região onde também o Hamas e a Jihad Islâmica procuram estar ativos. Houve também múltiplas vezes no sul do Líbano, mas de facto, temos aqui um claro regresso da guerra a Gaza e, portanto, o fim do cessar-fogo, enfim, com consequências também difíceis de prever em relação aos reféns que já foram ameaçados pelo Hamas como resultado disto.

Análise do Bruno Cardoso Reis, que esteve esta manhã no gabinete de guerra no dia em que Israel voltou a bombardear a Faixa de Gaza. E a poucos dias das eleições regionais, na Madeira, a Comissão Nacional de Eleições já recebeu 39 queixas. Doze destas queixas vão mesmo ser enviadas ao Ministério Público. A maioria alega a falta de neutralidade das entidades públicas na região autónoma. Os dados constam de um relatório da CNE. A jornalista do Observador, Mariana Lima Cunha, que está na Madeira a acompanhar a campanha eleitoral, dá alguns exemplos das queixas que foram apresentadas.

A maior parte das reclamações, por um lado, vem de cidadãos individuais, ou seja, não é propriamente uma questão de os partidos assumirem o seu nome em queixas e, portanto, fazerem essa luta política também através da CNE, mas sobretudo que a esmagadora maioria dos visados são entidades públicas, ou seja, tanto órgãos de autarquias como outras entidades públicas que não são definidas neste relatório. Mas nós sabemos, até por exemplos que já vieram a público, que muitas dessas queixas têm a ver precisamente tanto com o governo regional como com Miguel Albuquerque em concreto. A Iniciativa Liberal, por exemplo, já falou em público de uma queixa que fez e que diz que a CNE deu razão, que tinha a ver, neste caso, com as redes sociais de Miguel Albuquerque, porque há uma série de queixas que têm a ver com um alegado aproveitamento da imagem de Miguel Albuquerque e do governo para fazer campanha nas redes sociais oficiais do governo regional.

A reportagem da Mariana Lima Cunha, jornalista da editoria de política do Observador. A primeira sondagem para as eleições deste domingo antecipa uma vitória folgada do PSD, que espreita a maioria absoluta, com 38,4% das intenções de voto, contra apenas 16,7 do PS. O estudo é da Intercampus para o Jornal da Madeira. A Cáritas alerta que o número de pessoas em situação de sem-abrigo mais do que duplicou nos últimos cinco anos. A organização pede um novo impulso urgente contra a pobreza e a exclusão social. É o que indica este estudo da Cáritas, que fala de um aumento dramático destas situações-limite e são várias as razões, Maria João Braz.

O aumento acentuado das rendas e dos preços da habitação. São estas as explicações por detrás do agravamento do número de pessoas em situação de sem-abrigo. Em cinco anos, este número mais do que duplicou. Mas há outros indicadores. Em 2023, o número de pessoas com falta de casas de banho, teto que deixa passar água ou humidade nas paredes também subiu e a taxa de sobrelotação de habitação também aumentou. Mas nem tudo são más notícias. Este relatório da Cáritas aponta que o risco de pobreza ou exclusão social reduziu um ponto percentual nos últimos cinco anos. Para isso contribuiu o forte crescimento da economia. No entanto, Portugal continua a apresentar um dos menores contributos para a redução do risco de pobreza. A Cáritas reconhece que há algumas falhas nas estatísticas nacionais, isto porque tem aumentado o número de pedidos de ajuda por parte de estrangeiros. No entanto, estas pessoas por vezes não são incluídas nas estatísticas. A instituição explica que os trabalhadores estrangeiros têm sido fundamentais para sustentar o aumento do emprego em Portugal, mas que o país continua a ter dificuldade em integrar os imigrantes nas estruturas da sociedade.

Maria João Braz, com alguns dos principais destaques, algumas das principais conclusões deste estudo da Caritas que vai ser apresentado hoje. A presidente da Caritas destaca a questão dos imigrantes e confessa estar preocupada. Sobretudo pela realidade destas pessoas, que muitas vezes não está sequer inserida nas estatísticas.

É perceber que temos um conjunto de pessoas que não estão integradas, que têm medo de ser apanhadas, que podem ser uma solução de mão de obra e de rejuvenescimento da nossa população, mas que nós ainda não soubemos encontrar os caminhos de solução para eles e de solução também para Portugal.

Rita Valadas, a presidente da Caritas, ouvida esta manhã pela Rádio Observador, aponta uma política de proximidade como a aposta principal para dar resposta a estes cidadãos.

A nossa aposta é exatamente aproximar-nos, é usar a proximidade como trunfo e tentar encontrar soluções de vida que também sejam soluções para as pessoas que moram e para as pessoas que chegam.

Rita Valadas, é a presidente da Caritas. Um estudo hoje alerta também para os atuais riscos geopolíticos e pede medidas urgentes contra a pobreza e a exclusão. São 10:08. Hoje o Contracorrente também é sobre o novo podcast Plus do Observador. Mas primeiro, Carla, que outras notícias estão em destaque a esta hora? Vários municípios estão a investir em parcerias com entidades privadas para prestar cuidados de saúde aos habitantes. O objetivo é tentar compensar a falta de resposta do Serviço Nacional de Saúde. A informação é avançada pela Agência Lusa, que dá o exemplo da Câmara de Porto de Mós. A autarquia disponibiliza desde julho de 2022 um plano de saúde aos munícipes, em parceria com uma empresa da especialidade, ao qual já aderiram mais da metade dos habitantes do concelho. O governo promete cumprir em abril todas as metas relacionadas com o sétimo pagamento do Plano de Recuperação e Resiliência. De acordo com as projeções do Executivo, o país vai assim atingir 46% da execução do PRR. De acordo com o último relatório de monitorização, já foram pagos quase mil milhões de euros. O Ministro da Coesão Territorial afirma que o Governo conseguiu ultrapassar burocracias, antecipar prazos e que o país é o segundo Estado-membro a submeter o sexto pedido de pagamento. O Ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia afirma que Kiev não é um obstáculo para alcançar a paz. A declaração do governante surge poucas horas antes de Donald Trump e Vladimir Putin falarem ao telefone. O responsável pelos negócios estrangeiros de Kiev acredita que os países envolvidos vão conseguir chegar a um acordo. O novo podcast Plus do Observador conta a história de Jorge Jardim. Um homem de negócios, deputado à Assembleia Nacional, pai de uma família numerosa, por trás de uma aparência banal, Jardim escondia, Carla, uma vida de agente secreto. Chegou a ser, aos 29 anos, o mais jovem governante do Estado Novo, já na altura dava sinais de que não tinha sido feito para ficar fechado num gabinete.

Mas o cinzentismo dos gabinetes governamentais do Terreiro do Paço contrasta com o desejo de ação e adrenalina de Jardim. Carmo recorda que as reuniões eram muitas vezes interrompidas quando havia um incêndio.

O pai estava numa reunião bastante envolvente, mas se ouvisse um carro dos bombeiros passar onde era o Ministério da Indústria e do Comércio, ele largava tudo, tinha sempre no armário o fato de bombeiro, o capacete, as botas, arranjava-se toda e partia atrás do carro dos bombeiros e ia ajudar a apagar os fogos.

É o excerto do episódio de estreia de "O Misterioso Engenheiro Jardim", o novo podcast Plus do Observador. É uma série narrada pelo ator Lourenço Ortigão, tem banda sonora original dos HMB. O primeiro episódio já está disponível no site do Observador e nas plataformas de podcast. Aqui na rádio passa logo a seguir ao jornal da 13h, mas os assinantes do Observador têm acesso antecipado a todos os episódios.