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São 10 horas. As notícias com Carla Jorge Carvalho. Começamos com a guerra na Ucrânia. Donald Trump e Vladimir Putin devem encontrar-se nos próximos dias.
O Kremlin afirma que há um acordo para uma reunião pessoal a dois e adianta que a data e o local vão ser divulgados em breve. Sublinha que esta reunião deverá acontecer nos próximos dias. É uma informação avançada pela imprensa estatal russa. Um anúncio que surge na sequência da visita de Steve Witkoff, o enviado especial dos Estados Unidos para a guerra na Ucrânia, a Moscovo. Encontrou-se com Putin. Nas últimas horas, Donald Trump já se tinha mostrado disponível para este encontro e abordou também a hipótese de uma reunião a três que incluísse Volodymyr Zelensky. É uma informação com poucos minutos que vamos desenvolver nos próximos jornais.
Donald Trump, que se congratula com a entrada em vigor das tarifas globais e afirma que há agora milhares de milhões de dólares a entrar nos Estados Unidos.
O presidente norte-americano deu conta da entrada em vigor das novas taxas numa publicação na True Social, volta a garantir que vão contribuir para o enriquecimento do país. Entretanto, anuncia uma nova taxa de 100% para a importação de chips e semicondutores. Donald Trump repete a ideia de tarifas recíprocas para evitar que outros países se aproveitem dos Estados Unidos. Nadine Soares, vamos olhar para o impacto destas taxas, a começar na União Europeia.
A União Europeia vai ser taxada a 15%, um valor que os Estados-membros da União Europeia conseguiram através de uma negociação com os Estados Unidos. Donald Trump chegou a ameaçar os países europeus com taxas de 30% e 20%. A presidenta da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, negociou com o presidente norte-americano e fixou a taxa nos 15%. No entanto, apesar de se tratar de uma descida, ainda é um aumento das taxas, se compararmos com os valores que eram praticados, por exemplo, durante o mandato do antigo presidente Joe Biden. Nessa altura, a União Europeia pagava taxas de até 5%, dependendo do produto, de acordo com os dados da Comissão do Comércio Internacional dos Estados Unidos. Por isso, continua a ser um aumento de tarifas. Outros países também negociaram, como por exemplo, o Japão, uma das maiores potências mundiais e um importante parceiro comercial dos Estados Unidos. O Japão tinha recebido a ameaça de uma taxa de 25% e desceu para 15.
Mas Nadine, há outros países que sofreram a mão mais pesada de Donald Trump.
O Brasil, por exemplo, sujeito a 50% de tarifa, já levou até uma reação de Lula da Silva numa entrevista à Reuters. O presidente brasileiro exigiu respeito a Donald Trump e diz que este anúncio não vai humilhar a economia do Brasil. Nas palavras de Lula da Silva, a relação do Brasil e dos Estados Unidos atingiu o fundo do poço. A Índia também sofreu o mesmo endurecimento de taxas de 50%. Já o Canadá é taxado a 35.
Nadine Soares, com as tarifas que vão ser aplicadas, que passam a ser aplicadas a quase uma centena de países, entraram já em vigor e são taxas que podem afetar o equilíbrio do comércio internacional.
Carla, e aqui impõe-se a pergunta: qual o impacto para a economia portuguesa e para os principais produtos que exportamos para os Estados Unidos?
Precisamente, o caso do vinho é um deles e por isso se junta-se a nós neste jornal Pedro Soares. É enólogo, pertence à Comissão Vitivinícola da Bairrada. Bom dia, obrigada por estar conosco. Em primeiro lugar, como é que olha para a entrada em vigor destas tarifas e do impacto que pode ter no vinho?
Bom dia a todos.
Bom dia, Pedro Soares.
Obviamente, tarifas numa altura em que há uma contração do mercado de vinho a nível mundial, é uma preocupação. De alguma forma, este acordo traz, ao mesmo tempo, alguma previsibilidade àquilo que era uma instabilidade negocial e que permite conseguir olhar para o futuro próximo com alguma certeza. Nós já estávamos a ter tarifas de cerca de 10%, portanto aumentam estas tarifas para os 15%, o que terá, com certeza, um impacto negativo. O setor global do vinho em Portugal já tinha perdido, de janeiro a maio, cerca de 10,5% do total das exportações e, portanto, qualquer aumento vai, obviamente, colocá-los numa situação mais difícil.
E já tinha perdido, Pedro Soares, exatamente por haver esta indefinição em relação ao valor das tarifas e à variação que houve nestes e às várias datas em que foi marcada a introdução destas taxas. É por isso que já houve essa reação do mercado.
Claro que sim, o setor é um setor muito dinâmico, mas necessitamos de previsibilidade para conseguir efetuar negócios e para conseguir introduzir novos produtos. E, portanto, estando constantemente a ser ameaçados com tarifas até de percentuais muito mais elevados, torna-se muito difícil conseguir perspetivar a introdução de marcas em novos mercados. Neste caso, nos Estados Unidos, nós vamos estar com uma tarifa superior àquilo que são tarifas de alguns dos nossos concorrentes diretos, nomeadamente da Austrália e da China, que têm taxas inferiores, mas traz-nos alguma previsibilidade. De qualquer forma, temos ainda a esperança que, do ponto de vista daquilo que é a negociação que está a decorrer com Bruxelas, que possa o vinho ser incluído na lista de produtos com isenção de tarifas para os Estados Unidos e que poderia, de alguma forma, mitigar aqui as dificuldades que o setor possa ter.
Claro, seria um alívio. O que significa que, pensando agora em formas de contornar ou mitigar os efeitos das taxas, confia no poder de negociação da União Europeia com os Estados Unidos.
Confiamos até ao último momento, sendo certo que a forma de mitigar, para já, a questão das taxas, tem passado por um esforço dos produtores de vinho nacional na redução de margem e isso, de alguma forma, também confiamos que o nosso governo possa olhar para esse esforço e arranjar forma de compensar esse esforço que os produtores estão a fazer para conseguir exportar os vinhos.
Que poderia ser qual, essa forma?
Incentivos à exportação, por exemplo, pode ser também o melhorar aquilo que são os mecanismos que temos para os apoios à promoção e valorização dos nossos produtos no mercado externo, nomeadamente no mercado de países terceiros, como é o caso dos Estados Unidos. E, portanto, tem que existir aqui um olhar atento de quem tem responsabilidades no setor para nos poder ajudar a fazer o nosso trabalho.
Pedro Soares, muito obrigada por estar conosco, ajudando-nos a perceber como o setor vitivinícola olha para a introdução destas taxas. Pedro Soares é enólogo e pertence à Comissão Vitivinícola da Bairrada. O vinho é só uma das áreas onde se tema a aplicação destas tarifas. Há outros produtos, como os têxteis, a cortiça ou os produtos farmacêuticos, que estão também na lista de setores que podem sofrer o impacto das tarifas de Donald Trump.
O histórico socialista José Vieira da Silva acusa o governo de não ter fundamentação para alterar a lei laboral.
O antigo ministro do Trabalho acusa o executivo de estar a seguir uma agenda ideológica para uma liberalização do mercado laboral português, mas critica o governo pela falta de justificação e de explicação da mudança.
Há uma agenda ideológica. Isto não tem mal nenhum. A ideologia faz parte da nossa vida. Esta maioria tem muito este hábito. "Isto é ideológico". Tudo é ideológico na vida, tem é que ser uma ideologia que se compreenda as razões e que seja razoável, seja equilibrada, mas é uma agenda no sentido de uma maior liberalização.
José Vieira da Silva foi o convidado do Explicador desta manhã e vai mais longe. Acusa o governo de estar a reutilizar antigas medidas dos governos do PSD durante a troika, criticando a falta de ideias novas.
Nós pouco mais temos do que o regresso a algumas normas que existiam ou em 2013, 2014, no tempo da troika, ou ao 2003, quando foi apresentado o primeiro Código de Trabalho. Portanto, medidas inovadoras que mudem com alguma substância o mercado de trabalho, eu tenho dificuldade em encontrar.
Entre críticas e acusações, o antigo ministro de vários governos socialistas aponta esta alteração da lei laboral como uma tentativa de retirar poder ao trabalhador e entregá-lo às empresas. Aguarda assim as posições a esta reforma e diz que vai esperar para ver como se vai posicionar o partido Chega.
O Sindicato dos Médicos da Zona Sul prevê uma forte adesão à greve de 24 horas dos médicos e enfermeiros na região do Algarve.
O balanço é feito na última hora por André Gomes, dirigente sindical, em declarações aos jornalistas. O Sindicato dos Médicos da Zona Sul, que pertence à FNAM, faz o balanço da situação esta manhã no Hospital de Faro.
Estamos no início desta jornada de greve. Ainda não temos os números definitivos, mas pela volta que demos aqui pelos serviços no Hospital de Faro, temos uma boa adesão a esta greve. Muitos dos serviços estão a funcionar em serviços mínimos, alguns deles até abaixo dos serviços mínimos, mas isso é como funcionam cronicamente no Algarve. Infelizmente, é aquilo a que nos tem habituado o funcionamento aqui na região do Algarve. A maior parte das medidas que podem salvar o Serviço Nacional de Saúde estão nas mãos do governo e não das ULS, porque são intermediários e a maior parte das medidas não podem ser tomadas pela administração.
André Gomes, dirigente do Sindicato dos Médicos da Zona Sul, aos jornalistas, exige ao governo que tome medidas efetivas para fixar profissionais no Algarve. Médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde estão a fazer uma greve de 24 horas em protesto contra a falta de recursos humanos e a degradação das condições de trabalho. É uma greve convocada por vários sindicatos de médicos, enfermeiros e trabalhadores da função pública.
E do Algarve passamos para o Porto. O funeral de Jorge Costa começa daqui a minutos.
Na Igreja de Cristo Rei, no Porto. É uma cerimônia reservada apenas a familiares e amigos. A jornalista Maria Rico está junto à igreja. Bom dia, Maria. Que retrato é que nos pode fazer do ambiente aí a esta hora?
Bom dia, Carla. É caso para dizer que o tempo combina com o momento que se vive aqui. Está um dia cinzento, nublado, para a última despedida a Jorge Costa. Ao redor da Igreja Cristo Rei, está montado um perímetro de segurança. Vemos várias forças policiais a delimitarem o espaço. E à volta deste perímetro, vemos alguns adeptos que vêm até aqui vestidos em tons de azul com os equipamentos do Futebol Clube do Porto, todos de frente para esta igreja e todos com uma expressão abatida. Grande parte destas pessoas está cabisbaixa e em busca de explicações para esta despedida tão repentina. Mas não são só adeptos que vêm até aqui. Um dos primeiros a cá chegar foi precisamente André Villas-Boas, o presidente do Futebol Clube do Porto. Chegou de forma discreta e permaneceu no interior da igreja durante largos minutos. Rumou depois para a capela mortuária, onde está a esta hora e onde se encontram também outras figuras do mundo do futebol, como Domingos Paciência, Abel Xavier, João Pinto, Nuno Valente, João Vieira Pinto, Costinha, Chaíno e também Sérgio Conceição. Vimos também, há poucos minutos, chegarem dois representantes do Benfica e são múltiplas personalidades para este último adeus, que como percebemos, mostram também a figura que foi Jorge Costa, que foi consensual não só dentro do próprio clube, do Futebol Clube do Porto, como também a outros clubes e dos próprios rivais. Também dar a nota de que chegaram, nos últimos minutos, o plantel principal da equipe do futebol masculino do Futebol Clube do Porto. É de facto um dia triste para esta última despedida a Jorge Costa, o capitão eterno do Futebol Clube do Porto.
Maria Rico, e o funeral, as cerimônias fúnebres começam dentro de minutos. Jorge Costa morreu aos 53 anos.
São 10:12, Carla, antes do Contracorrente, que outras notícias estão em destaque a esta hora?
Portugal continua sem incêndios em curso esta manhã. As últimas horas têm sido mais calmas depois do fogo em Sirarelhos, Vila Real, ter sido dominado. As temperaturas estão hoje mais baixas, mas devem voltar a subir no fim de semana. Bragança e Vila Real vão estar sob aviso vermelho no sábado por causa do calor. Dezesseis médicos da Maternidade Bissaya Barreto, em Coimbra, apresentaram escusas de responsabilidade. Alertam para a sobrecarga desta unidade de saúde. A explicação foi feita pela Federação Nacional dos Médicos, em comunicado esta manhã. A FNAM alerta que a qualidade dos cuidados prestados a grávidas nesta ULS está comprometida. E hoje começa mais uma edição da Feira de São Mateus, em Viseu.
Estamos a falar da mais antiga feira da Península Ibérica e uma das mais antigas em toda a Europa.
Em toda a Europa. Foi criada em 1393 e por isso este ano, faz bem as contas, é a edição 633. Começa hoje, dura até 21 de setembro e ao longo destes dias há música, gastronomia, eventos desportivos. Falámos com o presidente da Viseu Marca, Pedro Alves, que explica que este é um evento que tem tido a capacidade de se transformar.
A Feira de São Mateus, além de ser a mais antiga, é aquela que tem tido a capacidade de se renovar e de se ajustar ao longo dos anos, em função daquilo que são também os desafios e os gostos de cada uma das gerações. Há 633 anos a organizarmos nestes 75 mil metros quadrados dentro da cidade, ou seja, é uma cidade dentro da cidade. E sendo Viseu a cidade melhor para viver do país, como muitas das vezes fomos classificados, nada melhor, como disse, se queres ser feliz, tens que vir visitar a melhor feira do país.
Melhor, até rima.
Até rima.
Ora, há música quase todos os dias, com vários nomes. Tradicionalmente, esta feira abre com o espetáculo de fogo de artifício.
Mas este ano?
Este ano tudo mudou.
Nós antecipámos todo este problema e adiámos este exercício de lançamento de fogo. E já o teríamos, de acordo com aquilo que é a informação do governo, à hora que lançamos o fogo, já estaríamos invertos, à meia-noite. No entanto, não achamos que é um minuto depois que as coisas deixam de acontecer. E por isso, pelo respeito da situação em que se encontra e pelo aquilo que as autoridades nos pediram, mas sobretudo também daquilo que os bombeiros estão a fazer, nós entendemos por bem adiar essa sessão para uma data a anunciar.
Esperando para que as condições meteorológicas assim o facilitem. Não há fogo de artifício, mas na abertura da Feira de São Mateus vai haver um espetáculo de luzes e de música.
Portanto, até dia 21 de setembro, mais uma Feira de São Mateus em Viseu.