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São 10h. As notícias com Carla Jorge Carvalho. O PSD avisa a isenção nas portagens em algumas autoestradas pode levar a um aumento de impostos. Os sociais-democratas pedem que o tema seja discutido à margem do Orçamento do Estado numa estratégia nacional.

Posição transmitida pelo deputado Gonçalo Lage, um dos convidados do Explicador desta manhã. Ontem o orçamento foi aprovado na votação final global. A oposição forçou algumas medidas contra a vontade do PSD e do CDS, como a isenção de portagens em cinco autoestradas. O deputado social-democrata Gonçalo Lage avisa: o dinheiro não cai do céu e para evitar um déficit orçamental, o governo pode ser obrigado até a aumentar os impostos.

Se nós tiramos dinheiro de um lado, é óbvio que ele tem que ser substituído do outro. E depois há duas formas: ou se cria déficit ou se vai ter que aumentar a receita. Qualquer um consegue perceber isto. Tem que aumentar impostos, das coisas mais básicas que existem. E efetivamente é verdade que, neste caso em concreto, merecia que fosse feita uma reflexão estratégica nacional de todo o sistema, de todo o financiamento, da ferrovia, da rodovia e quem paga e quem não paga, porque não podemos continuar a abolir portagens de valores de sete e oito mil milhões de euros numa legislatura.

O deputado defende ainda que a discussão e a votação do Orçamento do Estado não apontou para um parceiro preferencial do governo.

Já os dois maiores partidos da oposição discordam. O Chega quer abolir gradualmente todas as portagens. O PS admite estudar o tema, mas apenas caso a caso.

O socialista Frederico Francisco recusa as acusações do PSD e assegura que o PS começou a reduzir os custos das portagens quando ainda estava no governo. Quanto às isenções aprovadas na especialidade, em troços de autoestradas como a A6, a A2 e a A25, Frederico Francisco fala numa otimização dos recursos.

Nós não colocamos em causa o princípio do utilizador pagador. O que há aqui é um conjunto de medidas e de situações específicas, vistas caso a caso, em que nós temos autoestradas com um tráfego muito baixo, onde há um excedente de capacidade e onde a existência de portagens pode estar a contribuir para desviar tráfego para estradas nacionais, sobrecarregando essas estradas nacionais e pode até colocar-se como uma forma de otimizar a utilização das infraestruturas que existem.

Posição defendida pelo deputado Frederico Francisco, do PS, aqui no Explicador.

Já o Chega cola o PS ao PSD. O deputado João Ribeiro acusa os dois partidos de agirem de forma diferente quando estão na oposição e quando estão a governar.

E por isso insiste que o Chega quer reduzir as portagens ao nível do que existe hoje em Espanha.

Eu vou dar um exemplo concreto. Eu sou do interior do país, de Castelo Branco, e lá, por Aótica, que acabo de dizer que eu não concordo, eu também pago os transportes públicos de Lisboa e não os uso. Mas as coisas não são assim literalmente que funcionam. O Chega defende uma ideia de abolição de portagens à linha do que já acontece em todo o resto da Península Ibérica. Eu recordo que em Espanha, as autoestradas, quando acaba a concessão, as portagens são eliminadas. Nós temos menos de meia dúzia de estradas em Espanha que ainda são pagas.

João Ribeiro, deputado do Chega, no Explicador desta manhã, frente a Frederico Francisco, do PS, e Gonçalo Lage, do PSD. Estivemos a discutir a isenção de portagens em algumas autoestradas. Foi aprovada contra a vontade do governo, durante a discussão na especialidade do Orçamento do Estado.

João Cotrim Figueiredo ficou indignado com os resultados da sondagem que o coloca em quinto na corrida a Belém. O candidato apoiado pela Iniciativa Liberal questiona os dados.

Falamos de uma sondagem feita pelo ICS/Isket, noticiada ontem à noite pela SIC e Expresso. O inquérito coloca Henrique Gouveia e Melo e André Ventura na segunda volta das eleições, com Marques Mendes em terceiro, António José Seguro e João Cotrim Figueiredo em quinto, com apenas 5% das intenções de voto. O candidato não gostou dos dados e nas redes sociais questiona o inquérito.

Essa sondagem que acaba de sair na SIC e também no Expresso é absolutamente inacreditável. Este resultado é inferior àquele que eu tinha nas sondagens antes de anunciar a candidatura. E das duas, uma: enganaram-se sem querer ou enganaram-nos de propósito. Se enganaram sem querer, é grave, é incompetência. Não seria impossível, porque esta empresa de sondagem sempre subestimou os meus resultados. Há três semanas, no ato eleitoral das europeias, deram menos da metade do resultado que efetivamente tive. E se é por um erro de propósito, pior ainda. É para quê? É para gerar aqui um clima de favorecimento de voto de alguma candidatura? Digam a vossa opinião. Isto é inacreditável.

Já Luís Marques Mendes está confiante de que vai chegar à segunda volta das presidenciais. Em entrevista à CMTV, o candidato, que é apoiado pelo PSD, diz que apesar dos resultados não lhe serem favoráveis, gostou da sondagem.

Esta sondagem, como as anteriores, deixa-me muito satisfeito e confortável, porque em fevereiro, quando avancei para a candidatura, sabe quantos pontos de atraso eu tinha em relação a Gouveia e Melo? 21. Neste momento, a diferença está em dois pontos. Portanto, estamos no domínio de um empate técnico, três candidatos no domínio de um empate técnico. E portanto, dois deles hão de passar à segunda volta. Um deles não passará. E eu acredito que eu passarei à segunda volta. Por quê? Porque eu tinha 21 pontos de atraso e tenho vindo sempre a recuperar. E, portanto, numa tendência de subida.

Ascendente, não é?

E, portanto, estou satisfeito.

Marques Mendes satisfeito nesta entrevista deixa ainda uma mensagem a André Ventura: combater a corrupção envolve ação e não apenas promessas.

E há desenvolvimentos na Operação Marquês. Afinal, Pedro Delile continua a ser advogado de José Sócrates, mas num processo secundário. É uma situação que pode levar a um novo atraso no julgamento.

Pedro Delile renunciou no início deste mês ao mandato de advogado de Sócrates no processo principal da Operação Marquês, mas continua a representar o ex-primeiro-ministro num processo secundário, sendo que o advogado está a tentar juntar este processo ao principal e se o conseguir, pode levar a mais um atraso no julgamento da Operação Marquês.

Carla, esse processo secundário nasceu da decisão instrutória do juiz Ivo Rosa e o Observador confirmou que aqui não houve qualquer renúncia de Pedro Delile.

Não, há também um requerimento apresentado neste processo secundário com a assinatura digital de Delile, com data de 20 de novembro, ou seja, 16 dias depois da renúncia do processo Marquês. Ou seja, o advogado continua a representar Sócrates. O Observador tentou contactar Pedro Delile, mas não obteve resposta.

Esta é a notícia que faz manchete a esta hora no nosso site. Falamos agora da guerra na Ucrânia. O chefe de gabinete de Volodymyr Zelensky está a ser alvo de buscas por suspeitas de corrupção, mas garante total cooperação com as autoridades.

Em causa está o escândalo de corrupção a envolver a maior central de energia nuclear da Ucrânia, um caso que já levou à demissão de dois ministros de Zelensky. As buscas são confirmadas pelo próprio chefe de gabinete do presidente ucraniano nas redes sociais. Ele que promete cooperação total com as autoridades. Não é o único visado. Há mais oito suspeitos, incluindo um colaborador do chefe de Estado ucraniano.

Entretanto, no terreno, os ataques da Rússia à Ucrânia continuam e cada vez mais com drones fabricados no Irão. É o que relatam os enviados especiais do Observador à Ucrânia. E nem as cidades mais ocidentais do país, como Lviv, estão livres de perigo. O jornalista Rui Pedro Antunes dá exemplos do desgaste permanente que é sentido pela população.

Há dois meses, quando estive aqui, nós falávamos com uma adolescente de 16 anos que estava num centro de tiro, que se estava a preparar para a guerra e ela falava: "Há duas noites não dormi nada porque só ouvia Shahed na minha cabeça". Shahed é um nome que uma criança ou um adolescente não devia conhecer. É o nome de um drone iraniano e, portanto, por aí vês que é sempre permanente. Na zona de Lviv, onde nós também estamos, todos os dias o campo de Marte, o cemitério de Lyviv aumenta mais uma, duas, três, quatro, cinco campas. É um cemitério só para combatentes do exército ucraniano.

Rui Pedro Antunes, na história do dia, reforça ainda que a luta dos ucranianos é, acima de tudo, pela identidade do país. Relata também o ambiente de ceticismo em relação às negociações para a paz.

E vamos voltar a este tema já a seguir no Contracorrente. Continuamos na atualidade internacional porque pode estar iminente outro conflito. Donald Trump avisa que as incursões terrestres na Venezuela vão começar muito em breve, com o objetivo de parar a entrada de droga da América Latina nos Estados Unidos.

O presidente dos Estados Unidos fez esta ameaça ontem à noite. Afirma que quer travar os traficantes de droga venezuelanos e que fazê-lo por terra é mais fácil. Na análise, o historiador Bruno Cardoso Reis fala numa exibição de poder para assustar o regime de Nicolás Maduro e levá-lo a sair voluntariamente do poder.

Portanto, o que é mais provável, o que parece mais provável, será algo do tipo do Irão, ou seja, ataques aéreos contra bases militares, contra elementos ligados ao regime e, eventualmente, algum tipo de ação também em terra, enfim, com forças especiais, com os marines, etc. Mas à partida, mais localizado. Mas eu diria que o mais provável parece ser, pelo menos para começar, esta questão de ataques aéreos, até porque Donald Trump foi eleito com a promessa de que não se ia envolver em mais conflitos armados.

Bruno Cardoso Reis no gabinete de guerra desta manhã. Nicolás Maduro já veio pedir aos elementos da Força Aérea para que estejam em alerta, prontos e dispostos a defenderem os direitos da Venezuela.

São agora 10h09, Carla, antes do Contracorrente, que outras notícias marcam esta véspera de fim de semana.

A Organização Mundial de Saúde diz que as unidades locais de saúde são decisivas para reduzir a pressão sobre os hospitais. De acordo com a agência de saúde, o modelo das ULS em Portugal é dos mais avançados e está a ser determinante para evitar falências no SNS. A Organização Mundial de Saúde acredita que a Europa vive uma crise sistémica de falta de médicos e de enfermeiros e que a otimização dos recursos é a chave para que os serviços de saúde continuem a dar resposta. Para esta hora está marcada a reunião da Ministra da Administração Interna com as associações da GNR. Em cima da mesa vai estar a assinatura do protocolo negocial e também a apresentação da proposta do governo para as negociações laborais. As reuniões que arrancam a esta hora com as associações da GNR vão prolongar-se durante a parte da tarde, com a ministra a receber os sindicatos da PSP. Os funcionários do Parlamento apresentaram uma queixa contra os deputados do CHEGA. Falam em comportamentos que afetam a dignidade, a saúde mental e até a integridade física dos trabalhadores. O sindicato pede mesmo a aplicação de medidas que defendam os funcionários. A notícia é avançada pelo Expresso, que teve acesso à queixa. Saíram em liberdade 10 dos 17 detidos na Operação Safra Justa, que desmantelou uma rede que escravizava imigrantes no Alentejo. É o que resulta do primeiro dia de interrogatório judicial no campus de Justiça. Os outros sete arguidos continuam detidos. Entre eles está o agente da PSP e um militar da GNR. Vão conhecer as medidas de coação amanhã à tarde, sendo que o Ministério Público pede a prisão preventiva para estes sete arguidos.