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O Bastonário da Ordem dos Advogados não considera as sucessivas renúncias dos advogados do José Sócrates como manobras dilatórias. Ainda assim, admite que a Operação Marquês coloca em causa a credibilidade da Justiça em Portugal.

É a reação do João Massano à notícia da renúncia do advogado oficioso do ex-primeiro-ministro. A CNN Portugal avançou que Marco Amaro renunciou à defesa de Sócrates depois de ter sido nomeado pela Ordem dos Advogados. Este advogado tinha 10 dias para consultar o processo, mas acabou por desistir rapidamente depois de levantar os autos na secretaria do tribunal. Convidado da comissão de inquérito de hoje, o Bastonário da Ordem dos Advogados diz que os megaprocessos, como a Operação Marquês, estão a colocar em causa todo o sistema judicial, e não a classe de advogados, mas diz que a renúncia não pode ser entendida como uma manobra dilatória.

Eu tenho dificuldades em chamar manobras dilatórias ao que quer que seja, porque se está previsto legalmente, eu tenho dificuldade em considerar uma manobra. Como é óbvio, das duas uma: ou se acaba com algumas situações e se afasta essas situações dos processos e da possibilidade de serem utilizados nos processos, e aí se foram utilizadas é dilatório, porque não está previsto, até é ilegal, ou então, se está previsto na lei, é uma faculdade que é concedida.

Nos últimos 12 anos, José Sócrates foi defendido por oito advogados, três deles oficiosos. O Bastonário João Massano diz que é precisa outra solução para a Justiça não ficar nas mãos do réu.

Não desta forma. Ou seja, a opção que eu defendi e que eu continuo a defender, e que acho que é a única possível, é nós termos advogados nomeados especificamente para os megaprocessos. Volto a dizer, não é só para o engenheiro Sócrates, é para os quatro megaprocessos que estão neste momento, por exemplo, a correr na Comarca de Lisboa e podem ser outros. Esses advogados estarão em permanência adstritos àquele processo, teriam a obrigação de consultar o processo, teriam a obrigação de assistir às sessões de julgamento e seriam remunerados por essa disponibilidade.

O Bastonário da Ordem dos Advogados, o convidado desta manhã da comissão de inquérito da Rádio Observador. Agora, caso o antigo primeiro-ministro não apresente um novo advogado, cabe à Ordem nomear um novo oficioso. Ao semanário Expresso, José Sócrates revela que ainda não tem um novo advogado e critica o Ministério Público por o acusar de atrasar o julgamento com manobras dilatórias.

De costas voltadas, a CIP acusa a UGT de falta de vontade para as negociações sobre a lei laboral.

A reunião de concertação social de ontem chegou ao fim, sem acordo. Os patrões dizem que não há condições para continuar a negociar. Ainda assim, o governo continua sem fechar a porta a novas reuniões, ao referir que vai fazer todos os esforços para chegar a um entendimento. Acusa a UGT, no entanto, de ter sido intransigente. As críticas foram sublinhadas esta manhã por Armindo Monteiro, da Confederação Empresarial de Portugal. Diz que o processo negocial foi longo, sete meses, e a UGT não mostrou abertura para negociar.

Estamos há sete meses nisto e este processo é um processo que, de alguma maneira, começou mal. Começou mal porque mesmo antes de se entrar em negociação propriamente dita, foram extremadas posições a partir de uma greve geral. Quando assim é, ou seja, quando ainda estamos em negociações e se extremam essas posições, é logo um indício errado. Depois, começamos então a tentar encontrar pontos de equilíbrio. Mas aquilo que nos pareceu foi que havia uma vontade reduzida de se encontrar um consenso.

A CIP recusa atirar a toalha ao chão, apesar de ter sido um dos quatro representantes dos patrões a dizer, na segunda-feira, que o processo negocial tinha chegado ao fim. Também no explicador desta manhã, o secretário-geral da UGT, Mário Mourão, recusa assumir a responsabilidade pelo insucesso das negociações. Diz que os termos apresentados não eram suficientes.

Não vai assumir a responsabilidade do não haver acordo. O que a UGT ontem disse na mesa é que, relativamente à proposta, e que ainda está em cima da mesa, era insuficiente para que a UGT fizesse um acordo. Portanto, as matérias que são as taras mestras do governo e da CIP e do presidente da CIP, porque eu até nesta proposta, deixe-me dizer, que senti que alguns patrões se sentiram coagidos a aceitar esta proposta do governo e fizeram, enquanto outros correram para ela e quase foram o porta-voz da proposta do governo.

Ainda assim, também a UGT diz que não fecha a porta a negociações. Mário Mourão garante que vai marcar presença em todas as reuniões para as quais a central sindical seja convocada.

Ainda na política, na próxima hora é retomada a agenda da tomada de posse de António José Seguro. O presidente da República começa o dia em Arganil.

António José Seguro desdobrou a agenda da tomada de posse em dois dias. Ontem em Lisboa, a Assembleia da República e Palácio de Belém, hoje no Norte e interior do país. O chefe de Estado começa daqui por uma hora, 11h00, na aldeia de Morísia, no Conselho de Arganil. Foi uma das aldeias que esteve cercada por chamas nos incêndios do ano passado. À tarde, Seguro passa por uma associação que promove o desenvolvimento sustentável em Guimarães e termina o dia no Porto. É recebido pelo presidente da Câmara, Pedro Duarte, no Salão Nobre dos Passos do Conselho.

E mudamos de temas. Bruxelas diz que vai acompanhar de perto o impacto orçamental do desconto que o governo português vai dar no ISP do gasóleo.

Numa nota enviada à Agência Lusa, a Comissão Europeia lembra que Bruxelas já recomendou a Portugal que elimine de forma gradual os subsídios aos combustíveis fósseis e assim vai avaliar as novas medidas adotadas para enfrentar o aumento dos preços da energia. Ontem, o ministro Joaquim Miranda Sarmento mostrou-se confiante que Bruxelas não teria qualquer objeção ao desconto do ISP, que foi anunciado na sexta-feira. Falamos de uma redução temporária de €0,0355 por litro no gasóleo, para fazer face ao aumento de €0,20 por litro, que surgiu no início desta semana.

O preço da energia está a aumentar precisamente por causa da guerra no Médio Oriente e vários países estão a cortar a produção de petróleo.

É notícia da Bloomberg. A Arábia Saudita reduziu a produção de petróleo em dois milhões de barris por dia, enquanto os Emirados Árabes Unidos cortaram 500 mil barris a cada 24 horas. Ainda assim, na abertura dos mercados de hoje, o Brent caiu, está agora nos $92 o barril, numa altura em que Irã e Israel continuam a trocar ataques. Mísseis balísticos iranianos foram disparados em direção ao centro de Israel, mas terão sido interceptados.

Donald Trump acredita que a guerra pode terminar em breve. Já o Irã exclui qualquer regresso à mesa das negociações.

Numa entrevista a um canal norte-americano, o ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros garante que o Irã está preparado para continuar a atacar os países vizinhos pelo tempo que for necessário. Ontem, Donald Trump chegou a admitir que a guerra pode terminar em breve, apenas para horas mais tarde ameaçar Teerão com morte, fogo e fúria, a expressão utilizada, caso Teerão decida impedir o comércio de petróleo no Estreito de Ormuz. Na análise, o historiador Bruno Cardoso Reis acredita que o presidente dos Estados Unidos começa a acusar a pressão por causa do aumento do preço do petróleo.

Aparentemente, não tinha preparado bem a questão do Estreito de Ormuz, apesar de ser bastante previsível que a estratégia do Irão ia ser esta. No fundo, nem precisa de ser assim tão eficaz militarmente, basta simplesmente ameaçar de forma credível a navegação. Alguns navios foram realmente atacados com mísseis para depois grande parte das empresas de navegação não quererem arriscar pôr navios extremamente expensiosos, pôr tripulações em risco numa zona de guerra.

Análise de Bruno Cardoso Reis esta manhã no Gabinete de Guerra. São agora 10h08, Carla. Daqui a pouco a Contracorrente, mas antes que outras notícias marcam esta manhã.

Uma sondagem coloca o PS de José Luís Carneiro à frente nas intenções de voto. O estudo de Actos de Imagem, publicado hoje no DN, dá 27% das intenções de voto ao Partido Socialista, seguido da AD, com 26,6%, e do Chega, com 25,8%. Ainda assim, todos dentro da margem de erro. O ministro da Economia garante que o governo não tem um fetiche sobre os números do crescimento económico e do saldo orçamental. Manuel Castro Almeida está hoje no Fórum Banca 2026, em Lisboa, e foi lá que reforçou que o governo está empenhado em manter as contas equilibradas, mas que o primeiro foco é o bem-estar das pessoas. Em Lisboa, a Rede Expressos vai dar acesso à Flixbus para o Terminal de Sete Rios. É uma ordem do Tribunal de Lisboa. A Flixbus avançou com a ação em novembro, onde pedia condições de igualdade e não discriminação. O tribunal deliberou para que a Rede Expressos seja transparente sobre as condições no terminal de Sete Rios, em Lisboa. O lucro da Volkswagen caiu para metade em 2025, alcançando o valor mais baixo desde 2016. O grupo automóvel alemão lucrou quase 7 mil milhões de euros no ano passado. Em comunicado, a Volkswagen escreve que a queda do lucro deve-se às tarifas norte-americanas e a outros custos que não estavam previstos. No mesmo comunicado, a empresa automóvel anunciou ainda que vai despedir 50 mil pessoas na Alemanha até 2030.