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Na Rádio Observador. Jornal das 10, com edição da Vanessa Cruz. Estamos no segundo dia de Congresso do PS. Terminam a esta hora as votações para o presidente do partido e para a Comissão de Honra. No primeiro discurso, ontem à noite, Vanessa, o líder, José Luís Carneiro, enviou recados para dentro do partido e fez avisos a Luís Montenegro.

O rumo que tomarem as polêmicas eleições para o Tribunal Constitucional vai ser definidor da relação com os sociais-democratas. Mas nesta primeira intervenção do secretário-geral do PS, quem queria uma resposta à pergunta: "Vai o Partido Socialista romper ou não com o PSD?" Ficou sem resposta. Mas o discurso teve também, Carlos Pedro, recados para críticos internos e externos.

Oito meses depois de assumir a liderança do partido, com feridas das últimas legislativas e uma semana após ver essa liderança reforçada, José Luís Carneiro quis deixar uma mensagem para fora.

No momento em que muitos questionavam o nosso futuro, no momento em que muitos determinavam o nosso declínio, caras e caros camaradas, afinal, estamos vivos.

Vivos e prontos para o combate, incluindo o próprio secretário-geral, que apontou baterias ao primeiro-ministro. A Luís Montenegro volta a pedir que escolha entre o PS e o Chega.

Cabe ao governo decidir se quer a via da moderação, em que poderá contar com o PS, ou se prefere capitular perante a demagogia e o populismo.

Diálogo com o governo, que acusa de falta de humildade democrática, o mesmo diálogo que não vai impedir o PS de ser oposição sem bloqueios. Sem bloqueios, mas se o tema for o Tribunal Constitucional, o líder dos socialistas admite que, se tiver que dizer não, dirá não.

Há linhas que não se negoceiam. A Constituição não se relativiza. A democracia não se instrumentaliza. Se tentarem desfigurar os equilíbrios do nosso sistema democrático, começando por tentar desequilibrar o Tribunal Constitucional, ouvirão da nossa parte um rotundo não. Não, não podem ofender esses valores fundamentais.

Dentro do partido há quem esteja desconfortável com a ideia de que o PS é um parceiro do Executivo, apontam alguma indecisão nas opções de José Luís Carneiro, e o tema até vai ter direito a uma moção setorial neste congresso. Sem se colar ao governo, o líder do PS manda uma mensagem também para dentro do partido.

Um partido que quer governar o país tem que começar por saber unir-se a si próprio. Quem quer unir lá fora, tem que saber começar por manter-se unido cá dentro.

No arranque deste congresso, Carneiro falou de habitação, saúde e política externa, com foco na guerra no Irão. O socialista apontou o dedo às medidas insuficientes do governo.

O governo tem o dever de agir e não, como fez ainda hoje, agir de forma incompleta e insuficiente para responder ao aumento do custo de vida.

José Luís Carneiro, no arranque deste congresso número 25 do PS, em Viseu, terra onde os socialistas venceram pela primeira vez nas últimas eleições autárquicas.

Discurso de José Luís Carneiro, resumido pelo jornalista Carlos Pedro. Os trabalhos, entretanto, já retomaram neste congresso em Viseu. Vamos até lá em direto. Miguel Viterbo Dias, vai ser um dia marcado pela apresentação da moção global de estratégia do líder socialista.

Sim, a tentar virar o foco para as ideias e não tanto para o combate partidário com o PSD. José Luís Carneiro, que chegou agora mesmo ao Congresso do PS, neste segundo dia de trabalhos, não falou aos jornalistas, não esclareceu se o rotundo não que prometeu será um não ao orçamento do Estado. Diz que aquilo que tinha a dizer, já disse. Está agora a visitar a Oficina do Futuro, que é um espaço criado no Congresso para tentar aumentar a interação entre dirigentes e militantes. Um espaço que, por exemplo, tem encontros com dirigentes do PS, tem o Speakers Corner, tem também uma caixa para que cada militante possa deixar ideias para o futuro. Uma tentativa do PS em aumentar esse debate interno, em virar os trabalhos também para a questão das políticas e das ideias. Com o secretário-geral que já está por aqui, mas que hoje deverá passar discreto, não deverá ter qualquer intervenção. Será o dia de ouvir aquilo que o partido pensa sobre o futuro.

Miguel Viterbo Dias, em direto do Multiusos de Viseu. Vamos voltar a Miguel depois das 10h30 para transmitir a intervenção do presidente do PS, Carlos César.

E o Vence o Doré, que é feito também a partir deste Multiusos de Viseu, onde está a equipa da Rádio Observador, com especial destaque ao longo deste fim de semana aqui na sua rádio. A hora muda esta próxima madrugada. É sempre assim, Vanessa, no último fim de semana de março.

Pois é, vem aí o horário de verão. Quando bater a 1h da manhã de domingo, os relógios adiantam uma hora, passam a ser 2h da manhã. Os dias ficam maiores, o sol nasce mais cedo, põe-se mais tarde. Nos Açores, esta mudança acontece uma hora mais cedo, à meia-noite, passa a ser 1h. E há aqui ainda um outro ponto importante, João, para quem se levanta cedo, amanhã é menos uma hora de sono.

Vai ser o nosso caso amanhã.

Pois vai.

Vamos seguir. E hoje faz um mês, precisamente, estávamos aqui, eu e tu, Vanessa Cruz, deste ataque dos Estados Unidos e Israel contra o Irão, com Donald Trump agora a enfrentar uma contestação crescente. Há mais de 3 mil protestos convocados para o dia de hoje.

Manifestações sob o lema "No Kings", em português, sem reis. São manifestações organizadas por vários movimentos e grupos de ativistas. A ideia é chamar a atenção para a direção que a democracia dos Estados Unidos está a tomar e também as ações da administração Trump. São esperadas milhares de pessoas em várias cidades norte-americanas, sendo que, João, os protestos vão além-fronteiras. Há também manifestações previstas em vários países europeus. Portugal é um deles. O protesto vai ser no Porto, em frente à Câmara Municipal, a partir da 13h30.

E o bloqueio do estreito de Ormuz pelo Irão tem sido a consequência mais visível da guerra para todo o mundo. Os preços dos combustíveis estiveram sempre a subir neste último mês. Já o presidente dos Estados Unidos, Vanessa, refere-se agora a este estreito como estreito de Trump.

Sim, renomeou. Garante que o Irão está desesperado para chegar a um acordo e aparentemente indiferente A esses protestos dos norte-americanos, Donald Trump diz que a economia vai disparar depois do final da guerra. Foi num comício ontem à noite em Miami, num tom sarcástico, acabou por alterar o nome do Estreito de Ormuz.

"O Irão disse-nos que ia enviar oito petroleiros e depois eles disseram que iam adicionar mais dois e passamos a ter 10 petroleiros. E apenas aí é que as pessoas perceberam que estávamos mesmo a negociar. E estamos a negociar, mas eles têm de abrir o Estreito de Trump aí, quer dizer, o Estreito de Ormuz. Peço desculpa, que erro terrível. As fake news vão dizer que eu errei, mas eu não erro. Comigo não há acidentes".

Donald Trump avisa que os Estados Unidos ainda têm mais de 3500 alvos a atingir no Medio Oriente.

E Vanessa, esta manhã o Iémen entrou nesta guerra.

O grupo de rebeldes Houthis confirma que atacou Israel com um míssil e o exército israelita também assume que detetou um míssil. Primeiro ataque lançado a partir do Iémen no mês de guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irão, sendo que os Houthis controlam grande parte do Iémen. Também já tinham avançado com uma série de ataques contra Israel, mas no contexto de outra guerra na Faixa de Gaza, nesta é a primeira vez.

São agora 10h07. Já a seguir há "Máquinas que Pensam", novo episódio para ouvir aqui na Rádio Observador, mas antes há ainda outras notícias em destaque a esta hora, Vanessa.

O líder da Coreia do Norte diz que as relações com a China estão cada vez melhores. Kim Jong-un fala numa ligação que está a atingir novos patamares, sobretudo depois da cimeira realizada entre os dois em setembro. Entretanto, os pedidos de asilo pendentes duplicaram em Portugal. São agora quase 9000, por causa dos atrasos na transição do SEF para a AIMA, Agência para a Integração, Migrações e Asilo. É pelo menos esta a explicação do Conselho Português para os Refugiados, uma explicação dada ao Jornal Público. É um processo diferente. A lei prevê que o Ministério Público apresente um máximo de 20 testemunhas em julgamentos, mas neste processo vão ser mais de 2100. Envolve escolas de condução, mediadores e médicos por causa da revalidação de cartas de condução. De acordo com o JN, os atestados seriam passados sem que os médicos vissem as pessoas que queriam revalidar a carta. O julgamento começa em maio. Há 18 arguidos que respondem por crimes de falsidade informática e de documentos. Terão recebido indevidamente 80 mil €, valor que o Ministério Público quer que vá agora para o Estado. Ainda uma pergunta nesta edição das 10h. João, qual é a tua relação com o Brasil, o samba, o carnaval?

Gosto muito. Nunca fui ao Brasil na altura do carnaval, nem nunca fui ao Brasil, mas quero muito ir.

Tens de ir.

Então.

Então?

Gosto.

É que há aqui uma notícia para quem é fã do carnaval e de Ivete Sangalo. Dá pra reconhecer logo. Cá está ela. A artista brasileira vai regressar a Portugal com o "Ivete Clariô". É um espetáculo de cinco horas, vai ser apresentado pela primeira vez fora do Brasil.

Cinco horas?

Cinco horas. Samba.

Meu Deus!

Samba, pagode, os maiores êxitos da carreira de Ivete Sangalo. Vai ser um palco 360 que recria a atmosfera de uma grande roda de samba.

Ia pensar assim: nem cinco minutos eu aguentava fazer samba, que não sei fazer. Como é que alguém com 53 anos e com uma carreira destas consegue aguentar cinco horas? É impressionante. A grande questão agora, Vanessa, é quando é que vai ser esta grande festa?

Olha, vai ser dia 5 de setembro. Ainda falta um bocadinho, mas 5 de setembro nos Jardins do Casimiro de Esteiro, em Cascais. Os bilhetes para o espetáculo estão disponíveis a partir do dia 7 de abril, está quase, no site da Ticketline. E os preços começam nos 60 €. Para cinco horas.

Não vamos sambar, mas deixamos a poeira aqui um bocadinho. No final deste jornal das 10 com a Vanessa Cruz.