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Observador 10:02. Começamos com a presidência aberta de António José Seguro. A Câmara Municipal da Sertã ainda espera pelo reforço financeiro do governo para avançar com mais obras de recuperação depois dos estragos provocados pelas tempestades. A Sertã foi o local escolhido para a primeira paragem de António José Seguro neste primeiro dia de presidência aberta, uma iniciativa que vai acompanhar a recuperação das zonas afetadas pelas tempestades. A visita do presidente a esta vila do distrito de Castelo Branco é importante para o território, considera o autarca Carlos Miranda, que indica que os apoios à requalificação das habitações particulares já começaram a chegar. A autarquia registou cerca de mil candidaturas para estas ajudas, mas quanto aos apoios destinados diretamente à Câmara Municipal, ainda nada.

De facto, não houve aqui ainda nenhum reforço, nenhum adiantamento. Nós estamos à espera.

E por que não está a acontecer?

Não sei. Questões burocráticas, questões administrativas, jurídicas. A verdade é que os municípios não estão ainda a receber, e era muito importante que houvesse um reforço para que nós possamos fazer contratação, para que nós possamos lançar empreitadas para a recuperação desses edifícios que foram atingidos e das vias de comunicação.

Apesar do atraso, o autarca Carlos Miranda dá conta de avanços na recuperação do conselho.

A recuperação está a correr bem dentro do possível. As situações de maior urgência estão resolvidas, algumas de uma forma ainda precária, mas foram resolvidas. Agora estamos a avançar para a resolução definitiva de muitas situações.

O presidente da Câmara Municipal da Sertã, em declarações esta manhã à Rádio Observador. António José Seguro visita o território daqui a cerca de uma hora, segue depois para Santarém e ao longo da semana vai passar também pelos distritos de Coimbra e Leiria. Vai ter a companhia de membros do governo, mas ainda não se sabe quais.

O CHEGA defende que nestas visitas ao terreno, António José Seguro deve alertar precisamente para os atrasos dos apoios.

A convidada do Explicador desta manhã, a deputada Patrícia Almeida, afirma que a visita não pode ser meramente simbólica.

Obviamente que tem que ser colaborativo, mas obviamente que tem também que, de alguma maneira, responsabilizar ou chamar à responsabilidade o governo para estes atrasos e para os apoios que não chegam. Quer dizer, dois meses depois de toda esta tragédia, termos pessoas que não sabem ainda o que é que podem contar por parte do governo. Para quem está a viver dia a dia estas situações, dois meses representam praticamente dois anos. Eu diria que o tempo passa de uma forma muito diferente e, portanto, os esforços têm que estar concentrados em dar respostas concretas.

Já Paulo Lopes Silva, do PS, destaca que António José Seguro cumpriu a promessa de visitar a zona centro no início do mandato. O socialista entende também que deve existir um papel de colaboração entre Belém e os ministros que participarem nesta presidência aberta.

Penso que o timing é mais do que adequado e é, acima de tudo, esse sinal de consequência das palavras de António José Seguro. Não me parece que a abordagem do presidente, conhecendo aquilo que é o seu historial, a sua abertura relativamente aos temas, seja de encontrar essa opção de que fala. Naturalmente, é de dar visibilidade e, ao dar essa visibilidade, naturalmente, responsabiliza todas as partes envolvidas. Mas o facto de se fará acompanhar de membros do governo em vários momentos desta visita, parece-me que é numa lógica muito mais construtiva do que de confrontação, se percebi bem a forma como coloca a questão.

Declarações do deputado do PS, Paulo Lopes Silva, no Explicador desta manhã. A presidência aberta vai decorrer nos próximos cinco dias. Arranca daqui a uma hora, na Sertã.

Está a decorrer a reunião entre governo e ANTRAM sobre a subida do preço dos combustíveis. Os empresários de transporte de mercadorias pedem medidas extra de apoio, caso contrário, podem avançar para protestos.

A Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias é recebida pelo ministro das Infraestruturas no Campus 21, a sede do governo. Ela é que está a repórter Matilde Malva Sabino. Matilde, a ANTRAM fala de uma reunião decisiva. Que medidas pede ao certo?

Apoios à tesouraria como linhas de apoio de financiamento é um dos pedidos feitos pela associação para as empresas. Esta manhã, em entrevista à Rádio Observador, o porta-voz da ANTRAM avisou que o setor empresarial sente-se sufocado devido ao aumento dos preços dos combustíveis e diz mesmo que as empresas não vão suportar os custos, que são cada vez mais elevados. Em antecipação deste encontro com o governo, o André Matos de Almeida diz que a conversa vai ser decisiva. Espera, por isso, que as preocupações da ANTRAM sejam ouvidas pelo ministro Miguel Pinto Luz.

Não há nenhuma caixa, nenhuma tesouraria que aguente um aumento imprevisível e extraordinário de um milhão ou à escala da empresa que for, tão abrupto como 30% a 40% num só mês. E, portanto, ou há medidas, nomeadamente apoio à tesouraria, quer seja pelo pode antecipar do pagamento das contribuições, quer seja com linhas de apoio de financiamento, ou estas empresas não vão suportar este aumento, porque esta situação que vimos hoje, e a ANTRAM tem vindo a alertar para isso, não tem qualquer similitude com aquilo que aconteceu em 2022 com a guerra da Ucrânia, e os números estão aí para dizer isso. E, portanto, o governo tem de escolher entre suportar um setor e apoiar um setor que tem mais de 50 mil empregados e que paga milhões de euros de contribuições todos os anos, ou começar a pagar subsídios de desemprego.

André Matos de Almeida esclarece que, apesar do apoio extraordinário de €0,10 por litro no gasóleo profissional anunciado pelo governo, as empresas apenas usufruem de um desconto de €0,025, devido à redução do ISP. É este imposto que, por norma, financia o apoio ao gasóleo profissional para as empresas e, portanto, o porta-voz da ANTRAM sublinha que, caso o encontro com o ministro Miguel Pinto Luz seja inconclusivo, há a possibilidade de avançarem com uma vaga de protestos.

E por isso, Matilde Malva, é importante perceber não só quando começa, mas sobretudo como vai terminar esta reunião da ANTRAM com o governo, está previsto para começar a esta hora.

Fazemos agora um novo ponto de situação no conflito do Médio Oriente. O Irão rejeita reabrir o Estreito de Hormuz, mesmo que haja um cessar-fogo temporário.

É o que avança a um alto funcionário do regime iraniano, à agência Reuters, acrescentando que a convicção de Teerão é de que os Estados Unidos não estão a preparar um cessar-fogo permanente. A mesma fonte adianta que o Irão recebeu a proposta de paz elaborada pelo Paquistão, que prevê um cessar-fogo imediato, mas garante que não aceita que lhe sejam impostos limites temporais para tomar uma decisão. Isto depois de um fim de semana em que Donald Trump deixou várias ameaças, sobretudo em relação à reabertura total do estreito de Hormuz. Na análise, o especialista em Relações Internacionais, Miguel Baumgartner, fala em desespero por parte do presidente norte-americano.

Donald Trump precisa de alguma coisa e o desespero é total. E é por isso que ele também tem esta reação de tentar encostar o Irão às cordas, através de algo que nesta guerra tem sido determinante, que é a guerra da comunicação. Nós já tivemos coisas feitas por inteligência artificial, já tivemos fake news e temos o Twitter ou a rede social de Donald Trump, que são utilizados como arma. Portanto, em termos de comunicação, nós também estamos a assistir a esta guerra, uma comunicação muito forte, tentando vender qual dos lados está efetivamente a ganhar esta guerra ou até muitas vezes para induzir o outro a tentar dar um passo em falso.

Análise do especialista em Relações Internacionais, Miguel Baumgartner, no Gabinete de Guerra desta manhã. No Irão, pelo menos 34 pessoas morreram nas últimas horas em novos ataques dos Estados Unidos e de Israel. Já esta manhã, ataques do Irão a Haifa e ao centro de Israel fizeram dois mortos e vários feridos.

São agora 10:10, Carla, antes do Contracorrente, que outras notícias estão em destaque a esta hora?

Carlos Monteiro, presidente da Junta de Freguesia da Guarda, exerceu funções como advogado enquanto recebia o subsídio do desemprego. O autarca do PSD perdeu a presidência da Câmara da Guarda em 2021, pediu o subsídio de desemprego total, que recebeu entre 2021 e 2023. É advogado de profissão, mas manteve suspensa a inscrição na Ordem dos Advogados. No entanto, o Observador teve acesso a documentos sobre um caso em que Carlos Monteiro se apresentou como advogado e exerceu atos jurídicos. Tal pode representar uma prática de procuradoria ilícita, isto de acordo com vários advogados ouvidos pelo Observador. Tudo isto enquanto recebia subsídio de desemprego, o que pode representar uma burla à Segurança Social. É a notícia que faz manchete a esta hora no site do Observador. A ministra do Trabalho reune hoje com a UGT e com as confederações empresariais sobre as alterações à lei laboral. Medidas como as restrições ao outsourcing, o regresso do banco de horas individual ou a duração do prazo dos contratos impedem um acordo. Também hoje, a CGTP vai dar uma conferência de imprensa junto ao Ministério do Trabalho. A Central Sindical volta a queixar-se de ter sido excluída das negociações. PSP e GNR terminam hoje as operações de segurança rodoviária dedicadas à Páscoa. Até ontem havia registro de 18 mortos em mais de dois mil acidentes rodoviários. O ministro da Administração Interna fez ontem o apelo para que todos os portugueses conduzam em segurança.