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Quinta-feira, são 10h. As notícias com Carla Jorge Carvalho. Chegou o momento da decisão. Começa a esta hora a reunião do Secretariado Nacional da UGT para analisar e votar a proposta final do governo sobre a lei laboral. Vamos ficar a saber se há ou não acordo sobre a reforma.

Sendo que há duas semanas a UGT rejeitou a proposta do governo, precisamente no encontro do Secretariado Nacional. As negociações acabaram por ser retomadas pelos parceiros sociais, com novas alterações ao documento. A UGT reúne-se novamente para tomar uma decisão final. A reunião deve começar a esta hora, na sede da Central Sindical. É lá que está o repórter João Gama e agora em direto, João, expectativa para saber a posição da UGT, é o passo que falta para o documento seguir depois para a Assembleia da República.

Sendo que essa, Carla, é a única garantia de que temos com ou sem acordo, este projecto, esta reforma da lei laboral vai mesmo para a Assembleia da República. O mesmo já foi dito não só por Luís Montenegro, como também pela ministra do Trabalho e esta luz verde ou não da UGT, que será decidida hoje, não será, por isso, vinculativa para os próximos passos do projeto de alteração da lei laboral. A reunião marcada para às 10h, ainda não temos certeza que tenha começado, ainda não vi, por exemplo, Mário Mourão, para participar nesta reunião. Têm entrado vários membros do Secretariado Nacional nos últimos minutos, entradas a conta-gotas para participar e temos já alguns avisos de que antes da hora de almoço não haverá novidades aqui da sede da UGT. Esta é uma proposta do governo que a UGT vai discutir aqui pelos membros do Secretariado Nacional, que já gerou alguma polêmica entre os membros da UGT, como o Observador noticiou ontem, a propósito dos membros mais ligados à vertente social-democrata da UGT, a propósito de ter havido outra proposta que não foi apresentada por Mário Mourão na altura da votação que aconteceu há 15 dias. Há 15 dias, a UGT decidiu chumbar a proposta do governo. Não sabemos como irá votar agora. Está prometida uma conferência de imprensa, mas conclusões, Carla, só pela hora de almoço.

Vamos ter que esperar então ainda algumas horas. Contamos contigo, João Gama, aí da sede da UGT, onde para esta hora está marcado o início da reunião do Secretariado Nacional. Depois, vai ser anunciada uma decisão final em conferência de imprensa.

O secretário-geral dos Trabalhadores Social-Democratas não acredita que a UGT aprove hoje a proposta de alteração à legislação laboral.

Pedro Roque foi o convidado do Explicador desta manhã. O secretário-geral dos TSD e também deputado, admite que gostava que a Central Sindical aprovasse a proposta, mas não está esperançoso, tendo em conta a aproximação de datas como o 25 de abril e o 1 de maio.

Hoje, creio que não haverá condições para isso, para ser realista.

Não acredita que desta reunião do Secretariado da UGT saia a luz verde a este acordo?

Eu gostaria que saísse, mas também entendo que não é desejável que a unidade que a UGT tem, que é essa a sua força, possa sair beliscada nas vésperas do 1 de maio e nas vésperas do Congresso da UGT. E, portanto, acho que o debate interno deve prosseguir e deve prosseguir a negociação. E se isso permitir, por um lado, conservar a unidade no seio da Central, um, e acima de tudo, permitir chegar a um acordo, isso aí seria o desejável.

O secretário-geral dos Trabalhadores Social-Democratas admite ainda que o PSD preferia negociar esta proposta com o PS, mas avisa que se os socialistas se puserem à margem, então o governo terá de optar por conversar com o Chega.

Se um dos partidos da oposição relevante, que é o caso do Partido Socialista, se põe à margem, não resta outra solução ao governo senão tentar um entendimento com o Chega. Vejo com muita dificuldade, não havendo acordo, que o Partido Socialista seja um parceiro nesta intenção. E, portanto, aquela tática de dizer que o não é não, que é um mito, levado ao extremo, faz com que, estrategicamente, o Partido Socialista se vá retirando das grandes decisões políticas e legislativas deste país. E esta aqui, eu acho que ninguém lhe perdoará.

Pedro Roque, o secretário-geral dos Trabalhadores Social-Democratas, no Explicador desta manhã. O Observador noticia, entretanto, que o presidente da República vai esperar pela decisão do Parlamento antes de se pronunciar e que o veto não é inevitável, apesar das posições assumidas por António José Seguro durante a campanha eleitoral.

A antiga ministra da Presidência do Governo do PS, Mariana Vieira da Silva, garante que não se sentiu visada nas críticas de Pedro Nuno Santos e avisa que não se pode confundir coragem com taticismo.

No regresso à Assembleia da República, Pedro Nuno Santos afirmou que tem muito mais respeito por José Luís Carneiro, que decidiu candidatar-se à liderança do PS, do que pelos taticistas, que esperam tempos mais fáceis para avançar. Não mencionam nomes, mas esta é uma crítica que pode ter vários destinatários, como Mariana Vieira da Silva, Duarte Cordeiro ou Fernando Medina. São dirigentes do PS críticos da atual direção, mas que não avançaram para a liderança do partido. Em declarações à Renascença, Mariana Vieira da Silva responde, diz que não se sentiu visada e deixa também um recado a Pedro Nuno Santos.

Em primeiro lugar, esperaria que o Pedro Nuno Santos, se assim o entendesse, me tivesse dito isso mesmo a mim, coisa que não fez. Nós não podemos sistematicamente achar que quando nos disponibilizamos a nós próprios para os lugares e as lideranças dos partidos, somos corajosos, e quando os outros mostram a mesma disponibilidade, são taticistas.

Mariana Vieira da Silva, entrevista à Rádio Renascença. As críticas de Pedro Nuno Santos foram feitas dias depois de Duarte Cordeiro recusar integrar a Comissão Política Nacional do PS para ter a liberdade para discordar da direção do Partido Socialista.

E Duarte Cordeiro terá sido o principal alvo de Pedro Nuno Santos. O Observador ouviu vários deputados e dirigentes do PS que explicam que o afastamento entre os dois foi sendo progressivo ao longo dos últimos tempos.

Entre os mais próximos de Pedro Nuno, a leitura é clara: Duarte Cordeiro quis afastar-se e não ser apenas o braço direito de Pedro Nuno Santos. Um deputado socialista explica ao Observador que Duarte Cordeiro foi se distanciando, sobretudo por discordâncias com a estratégia política seguida por Pedro Nuno Santos quando era líder do partido. As críticas de ontem são reduzidas por alguns socialistas a um mero acerto de contas passadas e de acordo com o que apurou o Observador, Pedro Nuno Santos tem insistido que regressa livre ao Parlamento e que já disse a José Luís Carneiro que não tem ambições de voltar a liderar o partido.

Mas o editor de política do Observador tem outro entendimento.

Rui Pedro Antunes explica que o regresso do ex-líder socialista à vida política ajuda a AD e dificulta a vida ao PS.

Eu acho que Pedro Nuno Santos é uma espécie de bomba-relógio. Portanto, ele é sempre muito imprevisível e naquilo que ele queria fazer, nem se saiu mal. Queria fazer um ajuste de contas com algumas pessoas, com António Costa, principalmente com o Duarte Cordeiro, que é um ex-amigo. Agora, não faz grande sentido. Se ele queria defender o Partido Socialista, eu acho que Luís Montenegro, se pôde assistir à conferência mais tarde, talvez em diferido, acho que àquela hora tinha outros compromissos, deve ter ido buscar um balde de pipocas e ficou a ver, porque, na verdade, se Pedro Nuno Santos ajudou alguém, foi a AD.

A análise de Rui Pedro Antunes, que esteve esta manhã no "Juventude". O presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade recebeu com alarme os dados divulgados hoje sobre o aumento do número de internamentos sociais e defende que em causa não estão os custos, mas sim a dignidade humana. O número de internamentos sociais aumentou 19% e ultrapassou os 2800 em março, isto de acordo com o Barómetro dos Internamentos Sociais da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares. O padre Lino Maia acredita que apesar de existirem atualmente respostas, não são suficientes e não resolvem o problema.

As várias respostas que têm sido tentadas têm ajudado, mas não resolvem. Eu penso que é importante nós pensarmos em mais cuidados continuados, em mais lares, em mais apoio domiciliário.

O presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade defende que há respostas possíveis, que passam pela criação de residências e que teriam um custo menor para o Estado português.

Ora, é importante nós, de facto, não enfiarmos a cabeça na areia e resolver, até porque a ocupação de uma cama no hospital fica muito mais cara. É necessário, de facto, que tenhamos uma resposta especial para estas situações. Aquilo a que nós chamamos pequenas residências de transição, em que as pessoas possam estar até dois anos e depois, provavelmente, transitarem para outra resposta social ou para a vida ativa, normal.

As declarações do padre Lino Maia, presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade, perante o aumento do número dos internamentos sociais. E Carla, ainda na saúde, o consumo de psicofármacos em Portugal atingiu novo máximo em 2025. No ano passado foram dispensadas quase 30 milhões de embalagens, de acordo com o Infarmed. O Infarmed é o valor mais elevado da última década. Os encargos do SNS com os psicofármacos rondaram os 152 milhões de euros. O presidente do Conselho de Psicologia Clínica e da Saúde, Miguel Ricou, diz que os médicos acabam por receitar medicamentos porque o acesso à psicoterapia é insuficiente.

E isto são áreas onde, ainda por cima, a acessibilidade é muito importante, porque isto nas pessoas acontece por momentos, há uma altura em que elas procuram e depois não têm acesso. E ao não terem acesso, depois às vezes passa muito mais tempo até procurarem outra vez. Quando surge o tempo da consulta, naquele momento a pessoa não está para ali virada. E é uma pena, nós precisamos de conseguir promover a acessibilidade das pessoas aos profissionais de saúde mental. Agora, se não há acesso a estes profissionais, claro que os médicos de família não têm outra alternativa senão receitar psicofármaco.

Miguel Ricou, do Conselho de Psicologia Clínica e da Saúde, que defende ainda um maior investimento em psicoterapia. Já a psiquiatra Ana Matos Pires admite que os dados refletem uma procura mais precoce de ajuda associada à reforma dos serviços.

A reforma da saúde mental, nomeadamente com a maior disseminação de equipas comunitárias de saúde mental, apanha as pessoas mais rapidamente e, portanto, estamos a melhorar o acesso, porque é importante deixar referido que estas doenças mentais graves não se tratam, naturalmente, apenas com psicofármacos, precisam de outro tipo de abordagens, nomeadamente psicoterapêuticas e psicoeducacionais, mas, por outro lado, não se tratam sem fármacos.

A psiquiatra Ana Matos Pires, da Coordenação Nacional das Políticas de Saúde Mental, sobre o aumento do consumo de psicofármacos em Portugal. Em 10 anos, a venda de antidepressivos aumentou mais de 80% e a de antipsicóticos cresceu cerca de 70. São agora 10h11, Carla, que outras notícias estão em destaque antes do Contracorrente? 59 pessoas foram detidas pelo crime de incêndio desde o início do ano, a maioria por negligência em queimas e queimadas que se descontrolaram. São dados da GNR. No âmbito da Operação Floresta Segura 2026, já foram sinalizados mais de 7 mil terrenos para limpeza obrigatória, a maior parte nos distritos de Leiria e Bragança. De acordo com dados provisórios da GNR, até 15 de abril já arderam mais de 7 mil hectares. Donald Trump revela que não tem um calendário definido para acabar com a guerra no Irão ou para o fim do cessar-fogo. O presidente dos Estados Unidos rejeita também que as eleições intercalares o estejam a influenciar. São os destaques de uma entrevista à Fox News. Hoje há uma cimeira de chefes de Estado e de governo da União Europeia para discutir a guerra no Médio Oriente. Estão reunidos no Chipre. Destaque também para a guerra na Ucrânia. Três pessoas morreram e oito ficaram feridas numa troca de ofensivas. Ambos os países atingiram zonas residenciais esta madrugada. As autoridades ucranianas confirmaram duas mortes que resultaram de ataques aéreos russos em Dnipro. Do lado russo, morreu uma pessoa vítima de drones ucranianos.