Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

São 10 horas. Este é o Jornal das 10, com edição de Carla Jorge Carvalho. Carla, é oficial. Keir Starmer anunciou a renúncia ao cargo de primeiro-ministro britânico.

Depois de um fim de semana passado a refletir, Keir Starmer anunciou, há poucos minutos, em Downing Street, a demissão do cargo de líder do Partido Trabalhista.

Todas as decisões que tomei tiveram como objetivo colocar em primeiro lugar o país que amo. É por isso que vou demitir-me do cargo de líder do Partido Trabalhista. Falei com Sua Majestade o Rei esta manhã para o informar da minha decisão. Vou pedir ao Comitê Executivo Nacional do partido para definir um calendário com nomeações a abrir dia 9 de julho e acabar até o fim das férias parlamentares.

A declaração feita há minutos pelo ainda primeiro-ministro britânico. Mais de uma centena de deputados do Partido Trabalhista já tinha pedido que se demitissem por considerarem que perdeu a autoridade. Keir Starmer confirmou que não vai haver um vazio de poder imediato. Fica no cargo de primeiro-ministro até que o sucessor assuma funções. De acordo com Starmer, este calendário vai garantir que o Partido Trabalhista terá uma nova liderança definida e pronta quando o Parlamento britânico retomar os trabalhos em setembro. O nome mais apontado à sucessão é o de Andy Burnham. Era até agora o presidente da Câmara de Manchester. Na semana passada, foi eleito deputado. Junta-se a nós, em direto neste Jornal das 10, Madalena Meyer Resende, é investigadora do Instituto Português de Relações Internacionais, é professora associada na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Madalena, bom dia, obrigada por estar aqui conosco.

Bom dia.

Já sabíamos, esta renúncia era muito antecipada, mas que impacto é que pode ter no Partido Trabalhista e na política britânica?

É um impacto grande, é de fato um sinal de que a instabilidade profunda da política britânica do pós-Brexit também afetou Keir Starmer, que tinha conseguido uma vitória em 2024 exatamente propondo estabilidade, competência, etc., e caiu em menos de dois anos perdendo autoridade dentro do próprio Partido Trabalhista. Portanto, vemos um pouco à esquerda acontecer o que aconteceu à direita no Partido Conservador depois do Brexit, em que uma sucessão rápida de primeiros-ministros foram, de certa maneira, minando o próprio partido. Portanto, apesar de esta parecer uma solução expedita e pacífica, eu temo pela política britânica.

É uma máquina trituradora de primeiros-ministros, quer do Partido Conservador como do Trabalhista. Agora, há um nome que parece o mais provável, o de Andy Burnham. O que isso pode significar? O que sabemos deste homem que foi autarca de Manchester até há dias?

Sim, Andy Burnham é claramente também a causa próxima desta demissão, uma vez que houve toda uma movimentação à volta dele para o pôr em situação de vir a substituir Keir Starmer. Ele é um trabalhista veterano, foi ministro dos governos de Tony Blair e Gordon Brown. Construiu a sua imagem exatamente no sul de Inglaterra, numa zona onde existem trabalhadores industriais, e é visto como alguém menos londrino, menos tecnocrático e capaz de fazer frente à onda populista do norte de Inglaterra, que é representada pelo Reform e Nigel Farage.

A ver vamos se será este o nome e se a sucessão vai caminhar por aí. Esta crise política pode ter impacto a nível externo e a nível daquilo que têm sido as posições tradicionais do Reino Unido no conflito no Médio Oriente e no conflito na Ucrânia, ou ainda é muito cedo para percebermos o impacto que terá?

Não, penso que isto, em termos de política externa, é uma transição na continuidade. Burnham é, tal como Starmer, um pró-europeu, apesar de nenhum deles querer o regresso à União Europeia. Mas Starmer vai, provavelmente, antes de acabar o seu mandato, conduzir a reunião entre o Reino Unido e a União Europeia, que porá a relação entre os dois num pé mais sólido. Penso que a alternativa de Burnham não será outra, será continuar esta relação. Talvez no tema da imigração venha a ser mais duro. Os mercados reagiram com calma, a libra caiu ligeiramente, mas nada indica para uma revolução imediata, tanto na relação com a União Europeia, como na guerra do Médio Oriente.

Madalena Meyer Resende, muito obrigada pela análise em direto neste jornal, poucos minutos depois de anunciada a demissão de Keir Starmer como chefe de governo britânico. É o sexto primeiro-ministro britânico em 10 anos.

Ainda os ecos do chumbo das alterações ao Código do Trabalho. O antigo deputado do PSD, Fernando Negrão, aponta erros na forma como o Governo geriu o dossiê das leis laborais e sugere negociações com o Partido Socialista.

Fernando Negrão lamenta o voto contra do Chega, que acusa de ter tido uma conduta lamentável na votação da última sexta-feira. Ainda assim, o antigo deputado social-democrata, antigo ministro, considera que faltou ao Governo algum sentido democrático e espera que a equipa de Luís Montenegro aprenda com os erros.

Eu aguardo que o governo tenha aprendido duas lições. A primeira é que negociar com o Chega não é fácil, e ficou provado que não é fácil, porque de noite diz uma coisa, de manhã diz uma coisa completamente diferente, e isto aconteceu, e que alargue o leque de negociação a outras forças políticas, designadamente ao PS, que ninguém experimentou negociar com o PS.

Já o Chega, pela voz do vereador da Câmara do Porto, Miguel Corte-Real, desvaloriza as críticas do PSD sobre o Chega ser ou não um parceiro confiável. Para Miguel Corte-Real, o chumbo da proposta do Governo é apenas a democracia a funcionar.

O Governo não teve uma capacidade de, junto de nenhum parceiro, conseguir encontrar uma solução para aprovar a proposta. E por quê? Porque a proposta não era suficiente. E quando a proposta não é suficiente, de um governo não tem maioria absoluta, a consequência é ser chumbado. É tão simples como isso. Claro que podemos fazer como o Fernando Negrão e dizer que não interessa dizer se a reforma era boa ou má, o que interessa aqui é discutir se o Chega é confiável ou não. Não, não é isso que interessa aos portugueses.

A proposta da reforma laboral é também insuficiente, na ótica dos socialistas. O antigo ministro do Trabalho, José Vieira da Silva, lamenta que o Governo tenha atuado como se tivesse maioria absoluta e aponta o dedo a outra proposta do Executivo.

A chamada PSU é mais um exemplo, talvez ainda mais grave, da iniciativa laboral. Por quê? Porque o Governo pretende que o Parlamento vote uma proposta de uma nova prestação sem definir qual é o valor dessa prestação. Algo absolutamente inédito na democracia portuguesa. Não diz ao que vem, quer que o Parlamento passe um cheque em branco ao Governo através de portarias. Para quem não sabe, portarias é um instrumento que o Governo usa, que não pode ser, a lei não permite que seja fiscalizado pelo Parlamento, através de portarias fixar qual é o valor da prestação. Isto é absurdo.

José Vieira da Silva, Miguel Corte-Real e Fernando Negrão foram os convidados do Explicador desta manhã.

E os diretores escolares defendem a suspensão de aulas no pré-escolar e primeiro ciclo por causa do calor. A decisão cabe aos diretores, mas tem de haver luz verde das autarquias e também do Ministério da Educação.

O presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas alerta que as escolas em Portugal não estão preparadas para lidar com o calor previsto para esta semana e chama a atenção, sobretudo, para as crianças do pré-escolar e do primeiro ciclo. Filinto Lima explica que uma eventual decisão de suspender aulas tem de ser tomada em conjunto, em articulação direta entre escolas, autarquias e ministério.

Eu não me repugo de nada, as aulas do pré-escolar e do primeiro ciclo, porque neste momento temos ainda mais 15 dias de aulas com estes jovens, são os jovens dos três anos aos 10, possam ser suspensas em algumas localidades, em alguns concelhos, em alguns distritos, não em todos, necessariamente. Aqui terá que haver uma parceria, uma interação com o Ministério da Educação, com certeza, com as escolas e com as autarquias, perceber-se em que circunstâncias e em que localidades é que, de fato, esse calor extremo pode ser prejudicial para as nossas crianças.

Filinto Lima, o presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas, não considera necessária a suspensão dos exames nacionais, visto que os alunos são mais velhos e as provas realizam-se de manhã, quando o calor é menos intenso. A Rádio Observador já questionou o Ministério da Educação sobre o tema e aguarda resposta.

E a semana começa com previsões de calor extremo em algumas regiões do país. Amanhã os termômetros podem chegar aos 45 graus. A Direção-Geral da Saúde ativou o nível um de contingência.

O que corresponde ao nível amarelo ou nível de vigilância reforçada. Os distritos de Bragança, Guarda e Vila Real estão hoje sob aviso laranja por causa do calor. Quase todos os outros distritos do continente estão sob aviso amarelo. Mais de 30 concelhos do interior Norte e Centro estão em perigo máximo de incêndio. O calor está também a afetar outros países europeus. Em França, três pessoas morreram. O governo francês reúne-se hoje para discutir os efeitos desta vaga de calor. Em Espanha, várias atividades culturais e desportivas foram canceladas ontem. E na Bélgica, a circulação de comboios é suspensa nas horas de maior calor para reduzir o risco de falhas nas vias.

Destaque agora para as negociações entre Estados Unidos e Irã, que estão a decorrer na Suíça. A primeira ronda de conversas terminou com progressos positivos.

É o que afirmam os mediadores Catar e Paquistão. Foi numa declaração conjunta. Anunciam ainda a criação de uma célula de resolução de conflitos entre Estados Unidos, Irã e o Líbano. O objetivo é pôr fim total à guerra de Israel contra o Hezbollah. Na análise, o especialista em relações internacionais, Miguel Baumgartner, explica que a ideia pode ser difícil de concretizar e sublinha que o principal objetivo é acalmar Israel.

Qual é que é aqui a grande dificuldade? A grande dificuldade é a questão política de o Irã acaba por manter o próprio regime que Donald Trump dizia também querer combater, neste momento financiado por aquilo que vai ser a libertação de sanções e as autorizações para a venda do petróleo, e depois é a sobrevivência política e até existencial de Israel, que está posta de alguma forma em causa naquilo que é a sua própria segurança, e como é que estas duas forças vão poder coabitar naquele espaço do Médio Oriente, quando as duas mais ou menos têm como objetivo destruir a outra

As negociações duraram toda a noite na Suíça, devem prolongar-se durante a semana. Os trabalhos arrancaram, ainda assim, com alguma tensão. Os negociadores iranianos chegaram a abandonar a reunião depois de uma série de ameaças feitas por Donald Trump, mas as negociações acabaram por ser retomadas.

Estas negociações entre Estados Unidos e Irão vão ser o tema do Contracorrentes a seguir, mas antes, Carla, que outras notícias estão a marcar a atualidade esta manhã?

Mais de 240 estrangeiros foram detidos pela GNR por permanência ilegal em Portugal em quase três anos. Neste período, foram realizadas várias ações em setores de atividade, o que permitiu identificar milhares de situações de incumprimento, sobretudo faltas de declaração de entrada e excesso de permanência em território nacional. A GNR explica que desde 2023 controlou mais de 90 mil estrangeiros. No total, foram emitidas mais de 6,5 mil contraordenações. O presidente da República encontra-se hoje com o primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão. Os dois chefes de Estado vão visitar a sede da CPLP, cuja presidência está atribuída precisamente a Timor-Leste. A CPLP celebra no próximo mês 30 anos de existência. Muito se fala dos efeitos negativos da inteligência artificial. A Coreia do Sul encontrou agora um projeto de bonecas com sistema IA, cuja ideia é fazerem companhia aos mais velhos.

E como é que funciona esse sistema de bonecas com IA?

São uma espécie de nenucos, mas equipados com sistema que responde aos estímulos dos idosos e, portanto, fazem companhia, conversam e é uma forma também de ajudar a combater a solidão. Há um problema aqui, de facto. A Coreia do Sul, em 2024, teve quase 4 mil mortes de idosos, sobretudo, que morreram sozinhos, sem qualquer família por junto. Esta é uma alternativa sofisticada, tecnologicamente avançada, humanamente questionável.

Exato. É o ponto final do Jornal das 10, com edição da Carla Jorge Carvalho.