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Observador, são 10 da manhã. As notícias com Carla Jorge Carvalho. Pouco a pouco, a cidade de Ceuta vai voltando à normalidade. Esta manhã começa a abrir parte do comércio e também alguns serviços. Isto numa altura em que centenas de imigrantes continuam nas praias de Ceuta, impedidos de entrar na cidade.

A maior parte destes imigrantes que ainda se encontram em Ceuta não são marroquinos, mas de outros países do continente africano, como Sudão, Nigéria ou Argélia. Estavam em Marrocos na altura em que circularam as mensagens a dizer que as fronteiras estavam abertas. É o relato que nos chega de Ceuta, da enviada especial do Observador, Inês André Figueiredo. Do lado espanhol, há, depois, essa tentativa de regresso à normalidade.

Ceuta está aos poucos a recuperar a normalidade. As lojas foram reabrindo, outras deixaram esse regresso para esta segunda-feira, mas no fim de semana já foi possível ver muita gente nas ruas, pessoas a caminharem, a passearem os cães, a aproveitarem as esplanadas. Um cenário completamente diferente daquele a que assistimos na quinta e na sexta-feira, em que os habitantes ficaram trancados em casa por causa da entrada de milhares de migrantes de um momento para o outro. A questão é que esta ainda é uma normalidade incompleta, até porque o exército mantém-se nas ruas, o que obviamente não é normal em Ceuta, e há uma grande incerteza sobre o que vai acontecer aos migrantes que não regressaram a Marrocos. Na noite de ontem, estivemos na praia, onde estão centenas de pessoas reunidas, uma praia quase a uma hora a pé daquela por onde entraram a nado na fronteira com Marrocos, e não há respostas. Há pessoas sem comida há cinco dias, há seis dias. O exército ontem deu água, mas os próprios migrantes acabam por ter um conjunto de perguntas na cabeça deles às quais não conseguem responder. E acabam também por aproveitar a presença dos jornalistas para perceber se há respostas políticas a nível internacional sobre a situação que estão a viver aqui em Ceuta. Aguardam pacientemente, porque o cenário a que assistimos de madrugada foi esse, de pessoas calmas a fazer fogueiras para se aquecerem, muitas a dormirem, outras a aproveitar para jogar à bola. Porque há um pormenor relevante: ao contrário das pessoas que resolveram regressar a Marrocos depois de passarem a fronteira, logo nas horas a seguir, porque perceberam que não havia água, não havia comida, quem está em Ceuta neste momento não tem nada a perder. Muitos vieram de outros países da África Subsaariana, fogem de guerras, ficaram sem as famílias, têm fome há muito tempo, e não só há estes dias, e não têm nada a perder. Penso que a frase que melhor resume tudo aquilo que nos têm vindo a dizer é: "Eu prefiro morrer do que regressar a Marrocos". E isto diz bem o que estas pessoas estão aqui a fazer e a razão pela qual não voltam atrás.

Inês André Figueiredo é a enviada especial do Observador a Ceuta. Os serviços de informação espanhóis concluem que Marrocos não planeou a entrada de imigrantes em Ceuta, mas também não a deteve. É o que indica um relatório que é divulgado hoje pelo jornal "El País". O jornal espanhol afirma que Marrocos não avisou os responsáveis espanhóis sobre o movimento migratório quando começava a ganhar força nas redes sociais e, por isso, Espanha diz que o governo marroquino tem responsabilidades.

E na análise, o antigo vice-presidente do Parlamento Europeu, o socialista Pedro Silva Pereira, descarta que o problema esteja nas políticas de imigração adotadas pelo governo espanhol. Responsabiliza, sim, a conivência do governo de Marrocos, apesar de destacar que este movimento de migração em massa foge ao padrão habitual.

Os movimentos de legalização extraordinária de imigrantes, quando são cíclicos, produzem sempre um efeito chamada, na medida em que criam a expectativa de que mais tarde ou mais cedo a regularização vai acontecer. Mas esse efeito chamada é sempre um efeito gradual e diferido no tempo. Está muito longe de poder explicar o movimento súbito de dezenas de milhares de pessoas no mesmo dia entrarem num único ponto, que é o ponto de Ceuta. Essa regularização extraordinária não teve nada que ver com isto.

Pedro Silva Pereira esta manhã, no Explicador. Também na análise a este tema, o antigo eurodeputado social-democrata Carlos Coelho deixa um alerta para a possibilidade de se voltarem a repetir movimentos como este. Carlos Coelho lembra ainda que é um fator novo a dificultar o controle das fronteiras.

O fato de haver milhares de pessoas a cruzarem o Mediterrâneo com risco de vida para chegarem à Europa é algo que nós temos tido há muitos anos. Portanto, isso não tem nada de novo. O que tem de novo foi as redes sociais criarem uma narrativa e essa narrativa gerou um comportamento coletivo. Repare, isso tem acontecido também na Europa e na América, quando narrativas falsas, viralizadas pelas redes sociais, criam comportamentos coletivos. Eu correria o risco de dizer que Que vimos agora em Marrocos, pode se repetir no mesmo local ou noutras latitudes.

Carlos Coelho e Pedro Silva Pereira foram os convidados do Explicador desta manhã. Os dois antigos eurodeputados concordam com a necessidade de se rever a proteção das fronteiras europeias, apesar de, neste caso, sublinham não ter havido qualquer impacto no espaço Schengen. A última atualização das autoridades espanholas dá conta de 88 mortes depois da fase mais aguda desta crise migratória. Marrocos confirma 11 vítimas mortais.

O Irão desmente Donald Trump e diz não estar em negociações com os Estados Unidos.

É o que adianta esta manhã o porta-voz do Ministério Iraniano dos Negócios Estrangeiros, depois de ontem o presidente norte-americano ter afirmado que cancelou um ataque massivo contra o Irão, porque hoje iriam ser retomadas as negociações. Esmael Baghaei vai agora desmentir a administração norte-americana e dizer que não existem conversações em curso. Teerão recusa ainda que exista, nesta altura, um princípio de acordo entre Irão e Estados Unidos para a abertura do Estreito de Ormuz, contrariando também o que disse ontem Donald Trump a bordo do avião presidencial. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão deixa ainda uma garantia de que o bloqueio no Estreito de Ormuz vai manter-se enquanto os ataques dos Estados Unidos continuarem. Certo é que o presidente norte-americano anunciou que Estados Unidos e Irão iriam hoje voltar a sentar-se à mesa.

Por cá, o Presidente da República recebe hoje uma delegação do Tribunal de Contas. O motivo da audiência não foi divulgado.

O site da Presidência da República mostra apenas que a reunião acontece às 16h15. Este encontro foi pedido depois do Parlamento ter aprovado a reforma do Governo, que inclui a dispensa de visto prévio nos contratos públicos até aos €10 milhões e desta proposta ter gerado polêmica e enfrentado a contestação dentro do próprio Tribunal de Contas. Também poderá ser discutida a nova lei de organização e funcionamento do Tribunal de Contas, também apresentada pela AD e que está em suspenso devido às férias do Parlamento. António Costa Segur tem uma outra audiência marcada para hoje com a presidente da Iniciativa Liberal, Mariana Leitão. É recebida em Belém para falar sobre o atual estado do país. Esta reunião acontece às 15h30.

E o ministro da Educação é hoje chamado ao Parlamento, isto numa altura em que a Missão Escola Pública continua a relatar problemas no processo de correção dos exames nacionais.

Este movimento diz que existem professores com relatos de falta de folhas de continuação na correção das provas de reapreciação e, por isso, a Missão Escola Pública diz que será muito difícil cumprir o prazo estabelecido para a divulgação dos resultados. Esta organização de professores teme que as pautas afixadas na próxima sexta-feira tenham erros semelhantes aos que tiveram as da primeira fase. O ministro Fernando Alexandre poderá responder a esta e outras questões na reunião da Comissão Permanente. Está marcada para começar às 15h. Foi convocada em conferência de líderes a pedido do Partido Socialista. De lembrar que ainda há alunos da primeira fase que não sabem a nota que tiveram nos exames nacionais do secundário.

São agora 19. Antes do Contracorrente, Carla, que outras notícias merecem destaque?

A imprensa russa diz que seis pessoas morreram depois dos ataques desta noite da Ucrânia em várias zonas da península da Crimeia. O ataque ucraniano atingiu armazéns e infraestruturas energéticas. No futebol, continua a mexer o mercado de transferências, o guarda-redes Lukas Hrádecký deixa o Sporting de Braga e é reforço do Newcastle, de Inglaterra. A saída do guarda-rede checo vai render €30 milhões aos cofres do clube português. O negócio foi oficializado esta manhã entre os dois clubes.