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São 10 da manhã . As notícias com Carla Jorge Carvalho. O deputado do PS, Carlos Pereira, considera que os anúncios feitos pelo Primeiro-Ministro no debate de moção de censura apenas serviram para desviar as atenções dos casos em que está envolvido Luís Neves.

Em causa a atribuição de um suplemento extraordinário para os pensionistas e um alívio fiscal no IRS, medidas anunciadas por Luís Montenegro durante o debate da moção de censura no Parlamento. Estas medidas tiveram em destaque no Explicador. O deputado do PS, Carlos Pereira, acusa o governo de escolher o momento errado para anunciar as medidas que, apesar de tudo, considera que vão ao encontro de algumas necessidades. Ainda assim, sublinha que foi uma espécie de máscara para esconder o objetivo principal do debate da moção de censura.

O anúncio de medidas desta natureza, naturalmente, vai ao encontro, de certa forma, de algumas necessidades que o país tem, não se devem fazer no momento de uma moção de censura. Parece-me, de facto, uma espécie de biombo para esconder aquilo que era a discussão que estava a ser feita. Um governo não se deve esconder deste escrutínio e deve ter a capacidade para um debate sério, elevado, responsável.

Do lado do PS, o deputado Ricardo Carvalho defende que o debate teve a seriedade necessária e sublinha que o momento foi o indicado devido às projeções orçamentais que nesta altura começam a ser conhecidas.

O governo e parte da oposição, inclusivamente o Partido Socialista, tiveram um debate sério relativamente à essência do que é uma moção de censura. O governo fez um balanço de tudo aquilo que tem feito e projetou medidas para o futuro do país e dos portugueses. O momento é o momento em que o Primeiro-Ministro entende e penso que é o momento adequado, porque começamos a ter uma projeção daquilo que vai ser a execução orçamental e o crescimento econômico.

Declarações do deputado do PSD, Ricardo Carvalho, aqui no Explicador, sublinha que os atuais indicadores econômicos permitem ao governo avançar com estes apoios.

A presidente da Associação de Aposentados, Pensionistas e Reformados afirma que o bônus anunciado ontem pelo Primeiro-Ministro não é novo e considera que a medida não é suficiente para compensar a perda do poder de compra.

A presidente da associação que representa os reformados garante que a medida tem sido repetida nos últimos anos e explica que um apoio pago apenas uma vez por ano, no caso será em dezembro, não responde ao verdadeiro aumento do custo de vida.

Viver com pensão abaixo de €500 é um suplício, não é viver, não é sobreviver. E portanto, para essas pessoas, seria necessário que houvesse, a partir de janeiro, um aumento estrutural nas suas pensões. Em vez de ser aquela porcentagem baixíssima que existe, era necessário que houvesse um aumento que permitisse uma vida com dignidade.

Maria do Rosário Gama, a presidente da associação que representa os pensionistas, ouvida pela Rádio Observador. Este ano o governo volta a avançar com este apoio, mas ainda não foi divulgado o valor do suplemento, nem a porcentagem a aplicar. A entrevista ontem à noite à SIC Notícias, o ministro das Finanças garante que, salvo algum cataclismo, 2026 vai terminar com as contas públicas equilibradas, mesmo com estas novas medidas.

E falamos agora de educação e do relatório PISA, que mostra que os alunos portugueses estão a perder conhecimentos e competências.

Este estudo feito pela OCDE mostra um recuo acentuado em Portugal em diferentes disciplinas, anulando os ganhos obtidos nos últimos 20 anos. Está agora em direto neste Jornal das 10, Filinto Lima, o presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas. Bom dia. Obrigada por estar conosco. Perante estes resultados, tocaram os sinais de alarme na comunidade escolar. O que está a correr mal? Já há uma reflexão sobre isso.

É evidente que nós temos que ter muito cuidado e temos que estudar cautelosamente os dados que ontem foram conhecidos. Tomar algumas medidas. Por exemplo, eu acho que nós temos que motivar os nossos alunos para algo que eles não querem muito fazer: leitura, mais leitura. Acho que isso é importante. O Ministério da Educação está a dotar as escolas de mais bibliotecas. É importante também haver, na nossa opinião, menos telemóvel. E não é das escolas, só. Menos telemóvel lá em casa também, junto dos nossos alunos. E também mais esforço por parte dos alunos. Nós sabemos que hoje em dia, não só no ensino universitário, a IA é muito usada. Os trabalhos que os alunos apresentam nas escolas não têm nenhum esforço. Por quê? Porque eles recorrem bastante à IA e, nesse sentido, eu aqui o que preconizo é, na verdade, haver uma regulamentação do uso da inteligência artificial nas nossas escolas, quer públicas, quer privadas. Seguramente que essas medidas que eu aqui tracei de forma resumida poderão ajudar, de futuro, a que os resultados, os testes PISA sejam bem mais agradáveis para Portugal do que aqueles que ontem conhecemos.

O ministro da Educação ontem já admitiu recuperar os exames de finais de ciclo, quarto e sexto ano. Isso também poderia ir no bom sentido, Filinto Lima?

Bom, nós não podemos é ser reativos de imediato àquilo que ontem se passou. Temos que deixar, de facto, deixe-me usar esta expressão, a poeira assentar. É importante. Ser reativos poderá ser importante na medida que o ministro preconizou, não estou a dizer o contrário, mas temos que fazer essa avaliação.

Não associar aos resultados do PISA.

Parece-me que não estávamos à espera disto, e estávamos à espera disto. O que eu aconselho é, quer o governo, quer os partidos da oposição, fazerem um pacto na educação. Nós há muito tempo temos falado nisso. Fala-se recentemente do pacto na saúde, que se faça o pacto na saúde, mas o pacto da educação em relação ao currículo, aquilo que se ensina, e em relação à avaliação externa, que é daquilo que estamos a falar, é muito importante. Ou seja, o governo que avance com medidas, mas que cative a oposição para que haja aqui um consenso. Por quê? Porque em Portugal nós sabemos que reina, no bom sentido, a alternância democrática. Ora está no governo um partido de esquerda, ora está no governo um partido de direita. Nós queremos a estabilidade na escola e a estabilidade também poderá gerar melhores resultados nos testes PISA daqui por três anos.

E ter um ex-ministro da Educação, no caso João Costa, a admitir parte da responsabilidade política destes resultados, vai no sentido desse eventual pacto para a educação?

Exatamente. Estamos a falar de dois ministros de partidos diferentes. João Costa, PS, governo de esquerda, Fernando Alexandre, atual governo, um governo de direita. Sim, eu acho que tem toda a lógica. Nunca isto aconteceu. Claro que o partido que está no governo não gosta de fazer pactos. Quem está na oposição quer pactos, mas eu acho que na educação é mesmo necessário. A educação é de todos, é algo que deve ser consensualizado e eu acho que isso era importante no nosso país, porque mexem muitas vezes na educação. Mexem naquilo que está bem, mexem naquilo que está mal e isso é prejudicial às aprendizagens dos nossos alunos.

Filipa Lima, muito obrigada por ter estado conosco. Presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas, a reagir aos números do relatório PISA 2025, que mostram que os alunos portugueses estão com o pior resultado de sempre na leitura. Pioraram os resultados pelo terceiro ano consecutivo. Em relação à leitura, é mesmo o pior resultado desde 2006. Felipe Lima a dizer que é preciso, apesar de tudo, deixar a poeira assentar.

O preço do barril de Brent ultrapassou hoje os 100 dólares. É a primeira vez que acontece desde julho, em consequência da escalada de hostilidades no Medio Oriente.

A olhar para a última madrugada, os Estados Unidos atacaram cinco petroleiros. O Irão retaliou com o ataque a uma base militar norte-americana na Jordânia. Este ataque está em consequência direta nos mercados. O preço do petróleo voltou a disparar, uma subida de mais de 2%. Na análise esta manhã, o militar e professor catedrático Francisco Proença Garcia antecipa que este aumento do custo de vida pode obrigar as partes envolvidas no conflito a ceder nas negociações.

Nenhum quer ceder, mas ambos vão ter que ceder, porque senão o petróleo continua a disparar. Já se fala em chegar acima de 120 dólares. Vejam o impacto que isso vai ter na carteira dos norte-americanos, e na nossa já está a ter. Esta semana tivemos mais um aumento da gasolina e vai continuar. O impacto que isto tem em toda a cadeia de produção, em toda a logística. E eles vão ter eleições intercalares, de maneira que penso que o presidente Donald Trump tem que mostrar que está a fazer alguma coisa e que não está a obter resultados. Serve de desculpa estes bombardeamentos. Por outro lado, tem que negociar, porque senão não encontramos uma solução para o estreito e para o preço dos combustíveis.

A análise desta manhã do militar, investigador e professor catedrático Francisco Proença Garcia no Gabinete de Guerra.

São 10:09, já se ouve o contra corrente. Primeiro, Carla, que outras notícias estão em destaque?

O julgamento dos dois polícias da Esquadra do Rato, acusados de crimes de tortura e violação, começa na próxima sexta-feira, de manhã, às 9h30. A juíza considera que a acusação tem indícios suficientes de que os polícias cometeram os crimes e que existe uma séria probabilidade de serem condenados no final do julgamento. Os arguidos, de 22 e 26 anos, foram detidos no verão do ano passado. A investigação às agressões na esquadra da PSP do Rato, em Lisboa, deu origem a dois processos: este que chega agora a julgamento, outro ainda em fase de investigação. O governo aprova hoje o prolongamento dos apoios ao gasóleo agrícola até ao final do ano, bem como ajudas ao setor da pesca. É uma medida para fazer face à escalada dos preços causada pelo conflito no Medio Oriente. Há de ser aprovada no Conselho de Ministros, que decorre esta manhã em Bragança. Mais de 5100 pessoas continuam desaparecidas na sequência das inundações no Nepal. O número de mortos mantém-se nos 1367. São os dados oficiais das autoridades nepalesas. Apenas 102 corpos foram até agora entregues às famílias. Amanhã é quinta-feira, dia habitual de estreias nos cinemas portugueses, mas o que eu vos trago agora não é propriamente uma estreia.

Nostalgia.

Nostalgia.

Momento nostálgico.

Nostalgia. Sabem o que é que está de regresso aos cinemas? Shrek, 25 anos depois da estreia.

25 anos.

Devem estar cheios de cabelos brancos, o Shrek e a Fiona. O Burro!

O Burro deve estar ainda mais burro.

Eu acho que é do melhor que já foi feito de animação.

É, não é? E por isso, se calhar, vale a pena ser revisto.

Eu vi nos cinemas na altura.

E na altura venceu até o Oscar de melhor filme de animação. Estamos a falar de 2001.

Então, Carla, 25 anos do primeiro, vamos poder rever os quatro. Quatro ou menos?

Já chegamos.

E agora? Para já, só é possível ver o primeiro, mas de facto há mais Shreks pelo caminho, porque o quinto filme está previsto para 2027.

Uau! E é sempre bom ver no cinema, melhor do que em casa.

Claro que sim.