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Atualizamos as notícias na Rádio Observador com o jornalista João Gama. O PS admite entendimentos com o LIVRE no dia a seguir às eleições. O deputado Miguel Costa Matos diz que o PS já provou ter capacidade de dialogar com os partidos à esquerda.

E que tem boas memórias do último executivo que foi apoiado pelo PCP e pelo Bloco de Esquerda, apesar de o LIVRE, na altura, ainda não estar na Assembleia da República. O debate entre Pedro Nuno Santos e Rui Tavares esteve no Explicador desta manhã, questionado sobre o apelo ao voto útil do secretário-geral do Partido Socialista, que chegou a dizer que não vale a pena votar no LIVRE ou no Bloco de Esquerda em círculos como Braga, Aveiro e Santarém. Miguel Costa Matos desvaloriza, mas acredita que há círculos eleitorais onde a escolha é entre o PS e a direita. São declarações no Explicador desta manhã.

Não havendo um círculo de compensação, o que é preciso aos eleitores de esquerda nos distritos onde é menos provável um partido pequeno como o LIVRE poder eleger, é dizer: "Bom, meus senhores, aqui vocês têm a oportunidade, em vez de elegermos um deputado da AD ou do Chega, poderem eleger mais um deputado do PS. Se esses votos não fazem diferença para eleger um deputado desses partidos mais à esquerda que vocês preferem, ajudem a esquerda a ter mais um deputado no Parlamento, porque é isso que vai fazer com que nós possamos mudar o país." Repare, é completamente diferente a negociação que se fará, e a força que o LIVRE terá, se tivermos um governo PS ou se tivermos um governo de AD.

Já o LIVRE, na voz da líder da bancada parlamentar, Isabel Mendes Lopes, não fecha a porta ao diálogo com o Partido Socialista, mas diz que o número de deputados que o LIVRE conseguir eleger nas próximas eleições é essencial para que esse diálogo aconteça. Diz Isabel Mendes Lopes que não é claro que quem vença as eleições acabe por governar, pede uma maioria progressista no dia 19 de maio.

Nós temos um sistema que é muito claro e que joga em função das maiorias parlamentares. E, portanto, se o que sair destas eleições for uma maioria progressista, é essa maioria progressista que deve governar. E é a maioria progressista que pode aprovar um programa de governo. E, portanto, isso para nós é muito claro.

Independentemente do partido que ficar em primeiro lugar?

Sim.

Tal como aconteceu na geringonça em 2015.

Como aconteceu na geringonça. E isso para nós é muito claro. E nós sabemos, aliás, foi muito óbvio do debate de ontem que de fato o melhor governo que Portugal pode ter estava naquela mesa, porque nós vemos a confusão que é do outro lado. Temos um PSD liderado por Luís Montenegro, em quem na verdade ninguém confia.

Tanto Miguel Costa Matos como Isabel Mendes Lopes concordam que Pedro Nuno Santos foi correto ao dar esclarecimentos quanto à investigação preliminar de que é alvo por parte do Ministério Público, o que dizem que contrasta com a postura de Luís Montenegro sobre o caso Pinum Viva. Pedro Nuno Santos que revelou ontem à noite que vai entregar um requerimento para ser ouvido pelo Ministério Público.

E no outro debate da noite, João, Rui Rocha e André Ventura concordam que Pedro Nuno Santos tem ainda explicações para dar, mas quanto a possíveis acordos à direita, a iniciativa liberal fecha a porta ao Chega.

Foi um desafio deixado diretamente por André Ventura no debate de ontem à noite com Rui Rocha, embalado pela mais recente sondagem que dá 21% das intenções de voto ao Chega, o líder do partido está cada vez mais confiante numa vitória à direita e estende a mão à iniciativa liberal.

Se a direita tiver maioria, e com direita eu nem estou a incluir muito o PSD, porque infelizmente o PSD deixou de ser um partido de direita, mas se essa maioria existir, e eu estou a incluir a iniciativa liberal, não estou a deixar de fora a iniciativa liberal, se essa maioria existir, e é uma questão que deixo ao Rui Rocha, eu acho que nós só não governamos se não quisermos. Portanto, nós podemos ganhar. Eu quero ganhar à direita. Se me pergunta assim: conto com o Rui Rocha e com a iniciativa liberal? Conto.

A resposta não tardou. Rui Rocha é perentório: cola as políticas do partido de André Ventura às políticas do Partido Socialista.

Um programa dirigista, estatista.

Eu só lhe perguntei se vota contra o programa ou não.

E eu estou lhe a responder. E um impacto orçamental de 8 mil milhões, que leva a uma bancarrota de imediato do país, porque o senhor quer, por exemplo, unir o salário mínimo nacional e as pensões. Isso são milhares de milhões, só isso. Isso é para entalar os portugueses.

Então deixe-me lá responder. 30 segundos, André, temos que avançar.

Eu não viabilizo um orçamento, venha de onde vier.

Está clara a posição do Rui Rocha e eu vou permitir uma réplica de 30 segundos ao André Ventura.

Não é não. Na resposta, André Ventura acusa a iniciativa liberal de ser um andarilho do PSD e Rui Rocha de ser um Rui Tavares, mas de gravata.

E este é o tema do segundo Explicador de hoje. Juntam-se a nós Mário Amorim Lopes, da Iniciativa Liberal, e Filipe Melo, do Chega. É para ouvir logo depois do Jornal do Meio Dia. Paulo Rangel, número dois do governo de Luís Montenegro, acusa Pedro Nuno Santos de não ter condições para ser primeiro-ministro e de pertencer à ala radical do Partido Socialista.

Foi entrevista a Nevise Soares da Rádio Observador, o ministro dos Negócios Estrangeiros, cabeça de lista da AD pelo círculo do Porto, diz que o secretário-geral do PS passou os últimos 40 dias a lançar insinuações e acusações sobre Luís Montenegro. Acusa ainda Pedro Nuno Santos de se intrometer no trabalho da Justiça ao questionar o timing em que a averiguação foi anunciada. E para Paulo Rangel, isto são atitudes que provam que o secretário-geral do PS não está à altura para ser primeiro-ministro.

Eu não estou a criticar Pedro Nuno Santos quando ele pedia esclarecimentos. É a partir do momento em que ele passa a ter certezas absolutas, que já foram, aliás, desmentidas. Eu lembro só, por exemplo, aquela questão de saber se havia ou não havia atividade para o Regulamento Geral de Proteção de Dados, e que ficou mais demonstradíssima por uma investigação feita pelo Observador. E ele dizia que não havia nada e que era tudo uma farsa. Portanto, uma pessoa que diz estas coisas não está em condições de ocupar um cargo institucional com a seriedade que é ser primeiro-ministro.

Declarações de Paulo Rangel na "Vicia Suave", da Rádio Observador, o ministro dos Negócios Estrangeiros, ainda em funções, deixa críticas à estratégia de Pedro Nuno Santos. Acredita que é um socialista radical.

O presidente da Câmara de Vizela e líder do PS de Braga está a ser investigado por crimes de violência doméstica.

É uma notícia Observador. A Procuradoria-Geral da República e a GNR confirmam a existência de um inquérito que foi aberto contra Vítor Hugo Salgado. A mulher terá dado entrada nas urgências em Guimarães após alegadas agressões em fevereiro deste ano, por duas vezes. Terá recebido tratamento médico hospitalar em menos de 24 horas. Ainda assim, ao Observador, o Hospital de Guimarães recusa prestar informações acerca desta ocorrência. Foram também pedidos esclarecimentos à Procuradoria-Geral da República sobre se teria sido reportada ou não ao Ministério Público alguma queixa por parte da mulher de Vítor Hugo Salgado. A resposta da PGR confirma apenas a existência de um inquérito sujeito a segredo de Justiça.

E este é um artigo que faz manchete a esta hora no site do Observador. Na atualidade internacional, os Estados Unidos estão prontos para seguir em frente se não for possível chegar a um acordo de paz na guerra da Ucrânia.

Um aviso deixado por Marco Rubio, o secretário de Estado norte-americano, em declarações aos jornalistas antes de partir de Paris e depois de ter estado reunido com autoridades europeias e ucranianas. O responsável lembra que a guerra na Ucrânia não é uma guerra dos Estados Unidos, assegura que Donald Trump passou 87 dias ao mais alto nível empenhado em pôr fim ao conflito, mas sem sucesso, e avisa que os Estados Unidos estão a chegar a um ponto em que é preciso decidir se é possível ou não colocar um fim à guerra na Ucrânia. Entretanto, no terreno, os ataques russos continuam. Um ataque com mísseis em Kharkiv e Sumy, no nordeste da Ucrânia, fez duas mortes e dezenas de feridos. Os autarcas destas cidades asseguram que foi utilizado um míssil com munições de fragmentação. Vinte blocos de apartamentos foram atingidos. Apenas em Kharkiv, 40 pessoas ficaram feridas.

E João, continuamos a falar dos Estados Unidos, até porque Donald Trump mostra-se disponível para terminar as tarifas de retaliação com a China.

Os dois países têm respondido à imposição de tarifas e os valores escalaram. Estão agora acima de 100%, tanto em Pequim como em Washington. Ontem à noite, em declarações aos jornalistas a partir da Sala Oval, Donald Trump admitiu que não quer que as tarifas subam mais e que pode não querer passar um certo nível. Isto para não comprometer o poder de compra dos norte-americanos. Pequim também já tinha dito que não voltaria a responder a uma nova imposição de tarifas por parte de Washington, numa tentativa de evitar uma escalada desta guerra comercial.

Fica por aqui a edição das 11:00. O João Gama regressa às 11:30 com mais notícias. Até já.

Até já.