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Notícias, já a seguir. Jornal das 11 com João Gama. O governo quer que a situação nos conselhos mais afetados pelo mau tempo esteja resolvida no prazo de um ano. Para isso, vai apostar numa bazuca da simplificação.

Palavra do ministro da Reforma do Estado, Gonçalo Matias, ao Observador. Diz que o governo quer implementar uma série de medidas para aliviar a burocracia associada às obras de recuperação. Entre as medidas, estão ajustes diretos simplificados, a dispensa de avaliações de impacto ambiental e também a possibilidade de suspender o prazo dos trabalhos caso não haja mão de obra. O ministro da Reforma do Estado fala de um conjunto de medidas nunca antes tomadas em Portugal. O governo admite uma situação complexa no terreno e diz que o esforço financeiro necessário está a ser contabilizado.

Na mesma linha, o ministro da Economia e Coesão Territorial fala em estragos significativos e não exclui o cenário de déficit orçamental.

Foi o que disse ontem Manuel Castro Almeida, em entrevista à SIC Notícias. O ministro diz que as contas certas têm apenas de estar ao serviço da população.

Temos que arranjar dinheiro, evidentemente. E vamos procurar manter as contas certas na medida do possível. Mas as contas certas não são um fim em si mesmo. Portanto, se houver necessidade de fazer déficit para garantir condições de conforto e de bem-estar mínimo das pessoas, para garantir o relançamento da economia, para garantir que as empresas não vão fechar, que não vamos perder a capacidade exportadora que hoje temos, se for necessário, teremos que chegar a isso, porque as contas certas são, de facto, um objetivo que tem que estar ao serviço das pessoas.

As declarações de Manuel Castro Almeida, ministro da Coesão Territorial, ontem à noite, em entrevista à SIC Notícias.

E Henrique Gouveia e Melo volta a bancar o governo e, em particular, o primeiro-ministro. Considera que Luís Montenegro devia ter assumido as rédeas desde o início das tempestades.

E que devia também ter mobilizado todos os ministérios para o terreno, e não apenas o da Administração Interna. Em entrevista ontem à noite na CNN Portugal, Gouveia e Melo afirma que esta crise climática mostrou as fragilidades do Estado.

O Estado falhou. No entanto, é preciso ter a noção da dimensão da crise. A crise foi de uma dimensão não habitual e, portanto, o poder do Estado também é limitado. No entanto, nesta crise, o que notamos foi um conjunto de fragilidades, quer organizacionais, quer de capacidades de resposta, que fizeram com que o Estado, no início, tivesse falhado e depois, de alguma forma, não tem conseguido responder às populações. Não tem conseguido responder às populações, o que cria muita instabilidade e incerteza nas populações, o que não é bom.

Críticas de Henrique Gouveia e Melo, ontem na CNN Portugal.

E fazemos agora um ponto de situação do mau tempo. João, este fim de semana pode respirar-se um pouco de alívio.

Pode sim, João. O mau tempo vai dar tréguas hoje e amanhã. Essa é a previsão do IPMA. Nenhum distrito está sob aviso amarelo devido à chuva ou ao vento forte. Há ainda assim avisos amarelos no norte do país e laranja em toda a costa centro e sul do país por causa da agitação marítima. A situação está mais calma nas zonas mais afetadas. Por exemplo, em Coimbra, a autarca Ana Abrunhosa disse ontem à noite que o pior já tinha passado, uma vez que o cenário de cheias centenárias acabou por não se verificar. Em Leiria, há milhares de pessoas que continuam sem luz. Vai se fazendo o levantamento dos estragos causados pelo mau tempo.

Entretanto, e muito por força da chuva, Portugal atingiu mais de 90% de armazenamento de águas nas albufeiras.

Fixa-se nos 93, isto segundo dados divulgados pela Agência Portuguesa do Ambiente, das 80 albufeiras monitorizadas. Setenta e cinco têm mais de 80% da capacidade de armazenamento preenchida, bem acima da média por esta altura do ano. Já a Agência Espacial Portuguesa indica que as cheias na bacia do Mondego atingiram quatro metros de altura. As águas baixaram hoje no vale do rio Mondego, no Conselho de Montemor-o-Velho. Embora a situação ainda esteja crítica, prevê-se para o final do dia uma descida significativa do caudal do rio.

A ERP Portugal, entidade gestora de equipamentos elétricos e eletrónicos, começou ontem a recolher eletrodomésticos afetados pela tempestade.

Para prevenir uma possível calamidade ambiental em que se pode transformar a situação que estamos a viver. À Rádio Observador, Ricardo Neto, presidente da ERP Portugal, explica a importância desta ação. Declarações à Rádio Observador.

Na realidade, eles são equipamentos que nós utilizamos todos os dias, mas são equipamentos que contêm substâncias perigosas, que quando não tratadas, ou seja, recicladas de acordo com os standards mais avançados, acabam nos lençóis freáticos, portanto, acabam num dano ambiental. Enquanto entidade gestora deste tipo de resíduos, o que a ERP pretende é, dentro da sua esfera de atuação, mitigar esta situação.

Declarações de Ricardo Neto, presidente da ERP Portugal, aqui ouvido pelo jornalista da Rádio Observador, Miguel Andrade. A entidade lançou ontem uma iniciativa de recolha gratuita de resíduos tóxicos e perigosos que foram danificados pelo mau tempo. O objetivo é facilitar a remoção e garantir a reciclagem destas matérias.

Na atualidade internacional, e apesar das recentes tensões entre a Europa e os Estados Unidos, o secretário de Estado norte-americano garante que a Aliança Atlântica vai continuar a cooperar.

Durante o discurso desta manhã na Conferência de Segurança de Munique, na Alemanha, Marco Rubio diz que é mais uma vez a missão dos Estados Unidos restaurar e renovar a ordem mundial, aludindo aqui à ajuda americana da Segunda Guerra Mundial. Quer fazê-lo precisamente na Europa.

Under President Trump

Sob o presidente Trump, os Estados Unidos vão mais uma vez ter a missão de restaurar e renovar, conduzidos por uma visão tão orgulhosa, tão soberana e tão vital quanto o passado da nossa nação. E apesar de estarmos preparados, se necessário, para fazermos isto sozinhos, é a nossa preferência e a nossa esperança fazermos isto juntos com vocês, os nossos amigos aqui na Europa, pois os Estados Unidos e a Europa pertencemos juntos.

Uma hora depois de Rubio, foi a vez da presidente da Comissão Europeia discursar. Ursula von der Leyen mostrou-se atenta ao discurso do secretário de Estado norte-americano, diz que foi necessária uma terapia de choque para a Europa acordar e que está na hora de assumir a independência de Bruxelas.

Acabamos de ouvir isso do secretário de Estado Rubio. Uma Europa independente é uma Europa forte e uma Europa forte contribui para uma aliança transatlântica mais forte. Hoje é hora de agir e quero concentrar-me no plano da Europa para a independência. A Europa precisa de dar um passo à frente e assumir a sua responsabilidade. É certo que foi necessária uma terapia de choque e que foram ultrapassados alguns limites que já não podem ser revertidos, mas todos concordamos, pelo menos, com o que é necessário e estamos a cumprir.

Ursula von der Leyen diz ainda estar descansada pelo alinhamento da União dos Estados Unidos.

São agora 11h07, já seguirá Explicador na Rádio Observador, mas antes, João Gama, que outras notícias estão em destaque a esta hora?

Hoje é Dia Nacional do Doente Coronário. Cerca de 33 mil pessoas morrem por ano devido a AVCs ou enfartes em Portugal. Ainda assim, a presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia, Cristina Gavina, diz que o país tem melhorado o tratamento de pessoas que sofrem episódios cardíacos, mas que falta principalmente trabalho de prevenção. Entrou hoje em vigor na cidade de Lisboa a proibição de vendas alcoólicas para consumo no exterior durante a noite. A proibição a partir das 23h passa a estar em vigor de domingo a quinta-feira, já às sextas, sábados e vésperas de feriado, a venda é proibida a partir da meia-noite.

Fica por aqui o Jornal das 11 com João Gama na Rádio Observador.