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Uma da tarde. Está a começar o Jornal da Uma, na Rádio Observador, com edição do João Gama. João, está prevista para esta hora uma declaração ao país do primeiro-ministro e também do presidente da Câmara de Lisboa.
A partir do Palácio de São Bento, que hoje recebeu o Conselho de Ministros, ao qual se juntou o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas. O briefing, que estava previsto para depois das 15h30, acabou por ser cancelado e foi, em vez disso, marcada uma comunicação ao país de Luís Montenegro e Carlos Moedas. O governo decretou um dia de luto nacional. A Câmara Municipal de Lisboa decretou três dias de luto municipais, o primeiro a ser já esta quinta-feira, por causa do acidente que aconteceu ontem no Elevador da Glória.
E pelo menos 17 pessoas morreram. Há ainda 21 feridos, sete em estado grave. É a última contabilização das vítimas deste acidente, João.
Duas das vítimas morreram durante a noite, já a receber cuidados hospitalares. Entre os mortos, contam-se o guarda-freio deste elevador, André Marques, é uma das vítimas mortais do descarrilamento, é o que revela a Carris, numa publicação feita na rede social Facebook, enquanto a Santa Casa adianta também que entre os mortos estão vários funcionários da instituição, informação apurada pelo Observador. Já nas redes sociais, a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa lamenta o que diz ter sido uma tragédia que tocou diretamente a instituição. No local, junto ao Elevador da Glória, na cidade de Lisboa, continuam a esta hora a decorrer diligências. O balanço foi feito esta manhã pela diretora do Serviço Municipal da Proteção Civil da Câmara Municipal de Lisboa, Margarida Castro Martins.
O trânsito foi reaberto a esta hora, mantém-se reaberto, com exceção desta lateral da Avenida Liberdade, que se mantém encerrada. O local mantém-se isolado. A esta hora decorrem os trabalhos de perícia e de investigação do acidente, que está a ser assegurado pelas seguintes entidades: o Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes de Aeronaves e Acidentes Ferroviários, a Brigada de Investigação de Acidentes de Viação da Divisão de Trânsito da PSP, a Divisão de Investigação Criminal, e estão ainda envolvidas a Polícia Judiciária, a Autoridade para as Condições de Trabalho, a Carris e o Regimento de Salvadores Bombeiros. Terminada a investigação, procederemos aos trabalhos de limpeza e remoção dos destroços do elevador.
Margarida Castro Martins a fazer este balanço ao final da manhã. É diretora do Serviço Municipal da Proteção Civil da Câmara Municipal de Lisboa. Além dos 17 mortos, há 21 feridos, sete em estado grave, como dizias. João Miguel, a ministra da Saúde visitou ontem à noite três hospitais onde se encontram estes feridos.
E a Polícia Judiciária já criou uma linha direta de informação oficial direcionada a entidades e a familiares das vítimas deste acidente.
E pede que apenas utilizem a linha familiares, amigos próximos e entidades oficiais. No mesmo comunicado, a PJ expressa ainda uma profunda consternação e solidariedade para com as vítimas deste acidente e para com os seus familiares, e assegura que tudo fará para garantir um cabal apuramento dos factos. Para um pouco mais tarde, às 16h, está prevista uma conferência de imprensa da Carris. A Carris que garantiu ontem ter cumprido os serviços de manutenção no Elevador da Glória e ter já aberto um inquérito interno.
Somam-se as reações. O Turismo de Portugal expressa pesar e solidariedade com as vítimas do acidente.
E para com as vítimas, também para com a cidade de Lisboa. Neste momento de luto, junta-se a este jornal Carla Salsinha, a nossa convidada é presidente da Entidade de Turismo da Região de Lisboa. Carla Salsinha, muito boa tarde. Bem-vinda à Rádio Observador. Apenas uma pequena ressalva, podemos ter que interromper esta entrevista quando for para ouvir o primeiro-ministro Luís Montenegro e também o presidente da Câmara Municipal de Lisboa. Mas o que eu queria ouvir, Carla Salsinha, sobre este terrível acidente que aconteceu ontem. Aconteceu numa zona muito turística da cidade de Lisboa. Pode ter impacto no turismo da capital? Lisboa ficou no mapa, mas pelas piores razões.
Muito boa tarde, obrigada pela oportunidade.
Obrigado nós.
E dizer-lhe que eu acho que nós estamos aqui em três momentos. Este é o momento que seguramente é o de prestar homenagem àqueles que faleceram nesta tragédia, neste terrível acidente, que obviamente, ao longo das últimas décadas, o turismo e a cidade de Lisboa nunca teve um impacto desta dimensão. Portanto, prestar a nossa solidariedade e dar os sentimentos a quem faleceu e ao familiar. E depois, um segundo momento, que é sim o que nos preocupa, que é aquele momento em que exista o cabal esclarecimento do que aconteceu com o fenómeno do elevador. Todos nós percebemos que só após sabermos se foi falha humana, se foi a tal especulação que se fala de haver a eventual falha na manutenção, se foi algo que ninguém consegue explicar. O que nós precisamos é para, com toda a calma, a tranquilidade e a prudência, perceber o que aconteceu e só que tem que ser rápido. Portanto, aquilo que nós, como turismo, pedimos às entidades oficiais é que o façam de uma forma rápida, transparente e clara. No terceiro momento, e sim, é óbvio, Lisboa desde ontem à noite está a ser projetada para o mundo, e Lisboa sempre foi considerada uma das melhores capitais para se viver, tem tido ene prêmios. É óbvio que desde ontem à noite está a projetar uma imagem de um acidente brutal com uma morte trágica de um número elevadíssimo de pessoas E que isto poderá ter algum impacto. Eu acredito que o impacto que irá ter numa primeira fase, nestes primeiros momentos, terá algum impacto, obviamente, porque para quem tem que selecionar, se calhar, a cidade de Lisboa com outra cidade, fica apreensivo, principalmente para quem chega à cidade de Lisboa, acredito que vai evitar ou poderá ter essa tendência a evitar utilizar esse tipo de equipamentos, porque os elétricos, esse nosso tesouro, é um dos produtos turísticos mais visitados, mais usados, mais projetados, mais divulgados nas nossas campanhas promocionais. E, portanto, isto vai ter algum impacto. Agora, acredito também que o turista percebe que isto foi um fenómeno muito específico. Não estamos a falar como houve já em várias capitais, motins, manifestações, não. Foi um fenómeno muito específico, numa operadora de mobilidade e que isso não implica que a cidade não seja uma cidade segura. Agora, vai implicar da nossa parte, do turismo, seguramente, após termos o cabal esclarecimento do que motivou, de termos aqui, juntamente com o Turismo de Portugal, com a Câmara Municipal, com o nosso governo, uma transmissão de imagem de que Lisboa continua a ser, Portugal e Lisboa em particular, uma cidade segura, é onde as pessoas podem usufruir dos múltiplos equipamentos, quer de mobilidade, quer culturais, de uma forma totalmente segura. Este vai ter que ser um esforço que vamos fazer, porque obviamente, num primeiro momento, apesar de eu acreditar que quem está a ver as notícias e fica chocado como nós ficamos, tem a percepção de que isto não implica que nós não possamos circular tranquilamente e viver o turismo na cidade de Lisboa. Agora vai ter um impacto, alguma preocupação. Se houver aqui uma seleção entre uma capital ou outra, se calhar, nesta primeira fase ou nestes primeiros dias, há aqui uma decisão de ir para outro sítio pelo impacto e pelo choque que isto causa na nossa imagem, mas não acredito, porque seguramente Lisboa fez um trabalho notável nesta transmissão e na qualificação do seu produto e da sua oferta e que as pessoas sabem que continua a ser uma cidade muito segura em todas as suas vertentes para virem visitar.
E essas imagens foram partilhadas com algum destaque por vários jornais da imprensa internacional, há vários correspondentes internacionais também no local, junto ao elevador. Eu queria perguntar-lhe, sei que ainda é muito cedo, mas já houve cancelamentos, os hoteleiros já registaram cancelamentos por causa deste incidente?
Não, até ao momento, não. Eu acho que até ao momento não há quaisquer sinais disso. Temos a percepção que, por exemplo, hoje todos os equipamentos de mobilidade, os elétricos, foram suspensos pelo senhor presidente da Câmara Municipal, ou seja, durante os próximos dias não podem ser utilizados, e bem. Isto mostra a prudência e como a cidade reage logo. E acho que aqui temos que citar o presidente da Câmara, porque ele reagiu logo de uma forma imediata, fazendo com que as pessoas percebam que nós estamos aqui para enfrentar e resolver o problema. E, portanto, acredito que se estivessem abertos, hoje não havia pessoas a circular neles. Mas isso não acontece. Agora, não há até ao momento. Imagine, se se detetar que foi falha de manutenção, uma falha grave de manutenção, aí poderemos vir a pensar se de facto as pessoas começam a ponderar se há segurança ou não. Nesta fase eu acho que as coisas estão dentro do possível, em termos da afluência, tranquilas. Agora vamos ver. Como digo, para mim o momento mais importante nesta fase é que o inquérito não seja um inquérito que demore dias, que nos próximos dois, três dias no máximo, nós possamos saber o que de facto aconteceu.
E se esse inquérito demorar, ou melhor, quão mais demorado for esse inquérito, pior será para o turismo da capital, é isso?
É óbvio, não é? Porque esta é a indecisão. Se nós soubermos que isto foi derivado a isto, a solução está resolvida. As pessoas percebem claramente que isto acontecia noutra capital da Europa, como tem acontecido noutros equipamentos. Agora, se estivermos 15 dias, que não acredito que isso vá acontecer, isso poderia ter algum impacto. Neste momento, como digo, pode haver quem anda na cidade, pode se calhar, quem está aqui, quem está dentro da cidade, os turistas, até porque percebemos claramente que não há ainda esses dados, mas provavelmente a maioria são todos turistas que perderam a vida, infelizmente. Portanto, podem evitar andar nos transportes públicos, utilizar este tipo de meios de mobilidade. Mas quem está para vir à cidade, choca, mas acredito que não seja ainda o motivo que os leve, porque se a cidade de Lisboa, ao longo do tempo, uma das coisas que soube construir foi esta imagem de segurança. E portanto, essa é a nossa expectativa.
A Câmara Municipal de Lisboa acabou por cancelar outros elevadores semelhantes na Bica, também o funicular da Graça e em Lavra. O que eu queria perguntar é se este tipo de equipamentos na cidade de Lisboa, como por exemplo, o elevador da Glória, vão voltar a ter a procura por turistas que tinham até agora este sentimento de insegurança, apesar de poder ser rápido o apuramento dos factos e independentemente da conclusão a que se chegue, é se o sentimento de insegurança alguma vez vai abandonar estes equipamentos que são tão icónicos na cidade.
Eu acho que sim, dependendo do pós O inquérito. Eu acho que quer a Câmara, quer nós como Entidade Regional do Turismo, quer o Turismo de Portugal, o trabalho que tem que ser feito é transmitir ao turista que após a resolução do problema que levou ao desencadear deste processo, os equipamentos são seguros e as pessoas podem voltar a utilizar. Essa é uma mensagem que nos cabe a nós, uma mensagem de confiança, de responsabilidade, em primeiro lugar, da parte das entidades, mas depois de confiança e de total tranquilidade que nós temos que reforçar. Esse vai ser um trabalho que vai ter que ser feito, porque percebemos que vai haver aqui o momento em que as pessoas vêm e pode acontecer algum receio de voltar a andar. Aí cabe que nós, em conjunto com a Câmara Municipal, Carris e o Turismo, façam esta mensagem e se mostre que é plenamente seguro e que o que aconteceu foi apenas um epifenómeno e que as pessoas podem utilizá-los. Aí é a nossa responsabilidade de estas três entidades juntas passarem essa mensagem após o inquérito o mais rápido possível. Isso é importante que o façamos.
Carla Salsinha, e poderá haver a tentação de proibir este tipo de equipamentos, como aconteceu, por exemplo, nos parques aquáticos nos anos 90, depois de uma desgraça. Poderá haver a tentação da Câmara Municipal, do governo, dizer que este tipo de equipamentos não são seguros?
Eu acho que isso era um extremo. A não ser que fosse um inquérito com umas conclusões de tal forma que chocassem o país. Não acredito que seja, e eu acho que isso até nem teria lógica. Porque depois os próprios parques voltaram a abrir. Acho que numa primeira fase, e muito bem, prudentemente o presidente, para tranquilizar as pessoas, mandou encerrar. Agora, acho que assim que esteja o inquérito feito, fazendo esta mensagem, mostrando ao mundo e utilizando os mesmos meios ou pedindo aos mesmos meios que divulgaram as imagens chocantes que todos nós assistimos ontem à noite, que essas imagens também sejam depois mostradas essa confiança.
Carla Salsinha, presidente da Entidade de Turismo da Região de Lisboa, muito obrigado por ter estado conosco em direto.
Obrigada eu.
Obrigado e boa tarde. Carla Salsinha esteve aqui a ajudar-nos a ler estas reações por parte do turismo. Nas reações políticas, o CHEGA cancelou a manifestação sobre a Lei de Estrangeiros pela segunda vez. Estava agendada para este sábado, mas por causa da tragédia ocorrida no Elevador da Graça, o partido informa em comunicado e também por causa do luto oficial que foi decretado, que essa manifestação está cancelada já a segunda vez, que o protesto é adiado. A primeira data tinha sido marcada para agosto, acabou adiada devido aos incêndios.
E sobre esta tragédia no elevador da Glória, Fernando Nunes da Silva, antigo vereador da Câmara Municipal de Lisboa, diz que o Estado falhou.
Ao não conseguir enviar especialistas de análise e prevenção de acidentes ferroviários para o local, Fernando Nunes da Silva foi vereador da Câmara Municipal durante a presidência de António Costa, é também especialista em transportes, acredita que a falta de pessoal técnico deve-se à falta de capitalização de empresas que diz ser fundamentais.
Fiquei extremamente preocupado e surpreendido como é que no final do primeiro quartel do século XXI, o Estado português deixou de ter capacidade para enviar para o local os especialistas de análise e prevenção de acidentes ferroviários, por falta de pessoal técnico para o fazer. Isto é absolutamente incompreensível no nosso tempo, mas é o resultado um pouco daquilo que estávamos a falar anteriormente, que foi a descapitalização completa de empresas e entidades fundamentais.
Foi convidado do Explicador desta manhã, Fernando Nunes da Silva explica também que o problema poderia estar no abdicar do know-how interno da Carris quando passou a manutenção dos elevadores para uma empresa externa. Ainda assim, o antigo vereador de António Costa rejeita uma leitura ideológica.
Não é uma questão ideológica, no sentido de dizer que tudo que é aquisição de serviços ao exterior é mau, ou nunca se deve fazer, ou pelo contrário, tudo se deve ser feito nesse sentido. A questão não pode ser analisada dessa maneira, por uma razão extremamente simples. Primeiro, como é que se faz isso? E em segundo lugar, em que situações e em que circunstâncias isso se faz.
Fernando Nunes da Silva, antigo vereador da Câmara Municipal de Lisboa, também especialista em transportes, foi o convidado do Explicador desta manhã.
E os candidatos à Câmara Municipal de Lisboa lamentam a tragédia, mas pedem o apuramento de todas as responsabilidades.
Esta manhã ouvimos aqui na Rádio Observador o candidato do CHEGA à Câmara Municipal da capital, Bruno Mascarenhas, pede o apuramento das responsabilidades, principalmente ao sistema de travões de emergência do elevador da Glória.
Temos que agora, nesta auditoria que vai ser feita, temos que saber exatamente por que esse sistema de emergência, o que aconteceu. E comparar isso com aquilo que também são estas tais avarias e aquilo que os trabalhadores e que os guarda-freios foram dizendo ao longo da semana e reportando nas folhas de avarias. Isso é fundamental saber. E as responsabilidades têm que ser sacadas.
Declarações do candidato do CHEGA à Câmara Municipal de Lisboa. É um apelo repetido pelo vereador do PCP e candidato da CDU à capital. João Ferreira pede que as investigações avancem o mais rapidamente possível.
O apuramento das causas, que é um processo, devo dizê-lo, que deve começar de imediato. Aliás, podia ter começado ontem a fazer fé na notícia Jornal Público, o gabinete de investigação deste tipo de acidentes ferroviários e com aeronaves, só por falta de meios, aliás, coisa que tem vindo a sinalizar também desde há algum tempo, não foi ainda ontem para o terreno.
Só há um inspetor neste momento.
Pronto, é uma situação que é demonstrativa do estado de empobrecimento de inúmeras estruturas da administração pública e dá a quem ache que nós temos é que mandar mais funcionários vulgos para a rua.
São pedidos de responsabilidade de alguns dos principais candidatos à Câmara Municipal de Lisboa. O mesmo pedido fez, esta manhã, o secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, quando chegou, vindo de Luanda, ao Aeroporto Humberto Delgado.
Sobre essa tragédia na Calçada da Glória, com o Elevador da Glória ontem ao final da tarde, em Lisboa, João, a qualquer momento seguiremos em direto para São Bento, porque está prevista uma declaração do primeiro-ministro e também uma declaração do presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas. Avancemos neste jornal da uma, prossegue o julgamento da Operação Marquês no Campus de Justiça. José Sócrates volta a negar favorecimentos à empresa Lena, no caso da Venezuela.
Ontem o primeiro-ministro do Estado volta ao tribunal para responder às questões do Ministério Público. Em discussão está novamente a ligação entre o ex-governante e a empresa Lena, no caso do TGV, também nos negócios da Venezuela. Já lá iremos neste jornal da uma, porque a esta hora Carlos Moedas e Luís Montenegro já estão no Palácio de São Bento a começar a fazer declarações aos jornalistas. Vamos ouvir o presidente da Câmara de Lisboa, a reboque da SIC Notícias.
Eu queria agradecer ao senhor primeiro-ministro, a todo o governo, o apoio prestado. Vim hoje aqui informar o governo da situação, tendo em conta que é um acidente sem precedentes e para pedir o apoio e celeridade na investigação. Precisamos da ajuda de todos. A minha preocupação está com as vítimas, os feridos nos hospitais, as famílias que perderam os seus entes queridos. Não há palavra para tamanha dor. Neste momento, a nossa prioridade é acompanhar as famílias e quero aqui garantir que a empresa responsável dará todo o apoio às famílias. Decretamos três dias de luto municipal. Mandamos fechar todos os funiculares. Neste momento estamos a recolher todas as informações para poder apurar responsabilidades. Tudo o que se possa dizer neste momento é mera especulação. A cidade precisa de respostas. Sou, em nome dos lisboetas, o primeiro interessado em que tudo seja apurado. Pedi ao presidente da Carris que não só abrisse uma investigação interna ontem à noite, mas também uma investigação externa independente, que apure todas as responsabilidades no mais curto espaço de tempo. Em relação a todos os outros funiculares da cidade, uma vistoria imediata está a ser feita e só voltarão a funcionar depois desta. Irei convocar uma reunião da Câmara Municipal de Lisboa na segunda-feira com este ponto único na agenda. Queria ainda agradecer a prontidão, o trabalho das equipas municipais e nacionais que chegaram ao local em escassos minutos depois do acidente, que trabalharam de forma absolutamente extraordinária e em coordenação total entre o nível nacional e municipal. Agradeço a todos os meus colegas autarcas que desde o primeiro minuto, em especial na região de Lisboa, imediatamente se disponibilizaram. Aos muitos chefes de Estado, de Governo, muitos autarcas por essa Europa fora, que nos contactaram de imediato de vários países, assim como o presidente do Conselho Europeu, a presidente da Comissão Europeia e a presidente do Parlamento Europeu. Este é o momento de respeitar as vítimas mortais e as suas famílias. É o momento de cuidar dos feridos. Eu estarei sempre ao lado dos lisboetas, nos bons e nos maus momentos.
Muito boa tarde, caras e caros portugueses. É com profunda tristeza e consternação que me dirijo a todos nesta hora difícil. Ontem, Portugal foi abalado por um terrível acidente com o descarrilamento do Elevador da Glória no coração de Lisboa. Esta é uma das maiores tragédias humanas da nossa história recente. Segundo os últimos dados confirmados pelas entidades de saúde e o Instituto de Medicina Legal e Ciências Forenses, temos a confirmar 16 vítimas mortais e cinco feridos em estado crítico. Em nome do governo português, dirijo-me às vítimas e às suas famílias, nacionais e estrangeiros, desejando também uma rápida e total recuperação àqueles que se encontram feridos. Neste momento de dor, nenhuma palavra será suficiente para apaziguar a vossa perda, nem para preencher o vazio que se abriu com quem partiu. Mas quero que saibam, em nome do Estado português, que não estão sozinhos e que o país inteiro partilha a vossa dor. Estamos perante um momento que exige de todos nós solidariedade e união. O governo está desde a primeira hora a acompanhar a evolução da situação E a resposta o mais célere possível de todas as entidades e autoridades públicas envolvidas, transmitindo as orientações essenciais pra prestação de todo o apoio necessário e também sempre mantendo um contato permanente com Sua Excelência, o senhor Presidente da República, e o senhor Presidente da Câmara Municipal de Lisboa. Não posso deixar de prestar, nesta ocasião, o meu profundo agradecimento e reconhecimento a todas as entidades envolvidas no socorro às vítimas, desde a Proteção Civil Municipal aos bombeiros, a todos os que prestam serviço nas diversas entidades de saúde, no Instituto Nacional de Emergência Médica e, em particular, no Hospital de São José, no Hospital de Santa Maria, no Hospital São Francisco Xavier, no Hospital Fernando da Fonseca, no Hospital de Cascais, aos agentes da Polícia de Segurança Pública, da Polícia Judiciária, da Polícia Municipal, entre tantos outros. Quero, como disse há pouco também o senhor Presidente da Câmara Municipal, destacar que os bombeiros, o INEM, a Polícia de Segurança Pública, chegaram ao local do acidente em escassos minutos e que esta resposta rápida permitiu salvar vidas e, acima de tudo, por via disso, evitar que a tragédia assumisse ainda proporções maiores e mais devastadoras. Quero, portanto, agradecer profundamente o espírito de missão e serviço público de todos. Esta pronta e coordenada resposta de todas as entidades envolvidas reafirma a capacidade das nossas instituições e, nesta ocasião, a colaboração e coordenação entre vários departamentos: do Ministério da Administração Interna, do Ministério da Saúde, do Ministério da Justiça, do Ministério das Infraestruturas e Habitação e do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, sempre em estreita colaboração com a Câmara Municipal de Lisboa. O Instituto de Medicina Legal e Ciências Forenses está a trabalhar incansavelmente com o objetivo de concluir o mais rápido que seja possível todas as autópsias e assegurar a rápida entrega dos corpos às famílias enlutadas. Quero anunciar-vos que mais logo serão dados todos os detalhes das diligências que foram efetuadas e que se encontram em curso por parte do diretor nacional da Polícia Judiciária, do presidente do Instituto de Medicina Legal e Ciências Forenses, do diretor-executivo do Serviço Nacional de Saúde e do responsável pelo Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes Aéreos e Ferroviários. Portuguesas e portugueses, ontem realizamos um Conselho de Ministros extraordinário pra decretar um dia de luto nacional, como manifestação de pesar e solidariedade do povo português. Eu próprio convidei o senhor presidente da Câmara Municipal de Lisboa, engenheiro Carlos Moedas, pra estar hoje no Conselho de Ministros pra podermos fazer um ponto de situação e também pra lhe podermos transmitir toda a nossa solidariedade e apoio do Governo a ele, à Câmara de Lisboa, à cidade de Lisboa, a todos os lisboetas. Consequentemente, como sinal de respeito pelas vítimas, a agenda do Governo pra o dia de hoje limitou-se à realização deste encontro e também à participação, por videoconferência, numa reunião de líderes da Coalizão da Boa Vontade sobre a situação que se vive na Ucrânia. Quero também dizer-vos que, através dos serviços competentes, estamos em contato com as famílias das vítimas nacionais e estrangeiras, nomeadamente através do Ministério dos Negócios Estrangeiros, sempre que haja lugar à identificação das pessoas e das nacionalidades que vão sendo confirmadas. Também transmitir-vos que o Instituto de Registro e Notariado vai disponibilizar uma equipa em Lisboa pra poder acelerar os registros de óbito e garantir um atendimento prioritário. A TAP já se disponibilizou também pra prestar todo o apoio, quer no transporte para território nacional de familiares, de cidadãos nacionais ou estrangeiros que se encontrem fora do nosso país, quer para repatriar feridos e mesmo trasladar os corpos das vítimas mortais. Este trágico acidente, que afetou o nosso país, ultrapassa fronteiras e é uma dor que não tem nacionalidade. Agradeço também toda a solidariedade internacional e as mensagens de solidariedade e condolências que nos foram dirigidas por parte de vários chefes do Governo e de Estado da União Europeia, do senhor presidente do Conselho Europeu, da senhora presidente da Comissão Europeia e da senhora presidente do Parlamento Europeu. Portuguesas e portugueses, tendo sido uma prioridade imediata o socorro às vítimas, as autoridades competentes realizarão, com celeridade, as averiguações necessárias ao apuramento da causa deste acidente trágico, incluindo nessas averiguações a Polícia Judiciária, que está envolvida desde o primeiro momento, e o Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e Acidentes Aéreos e Ferroviários. É também já do conhecimento público a abertura, por parte da Procuradoria-Geral da República, de um inquérito. Este é, portanto, um momento de união. Esta tragédia não pode nem deve ser usada para alimentar divisões ou manobras de aproveitamento político. Vamos apurar todas as responsabilidades com sentido de respeito por todos aqueles que sofreram e sofrem os efeitos deste acidente. Portugal é e sempre foi uma nação feita de coragem. Coragem que se revela no gesto de solidariedade e no trabalho incansável de todos que prestam e prestaram os primeiros socorros. Portugal está unido. Muito obrigado.
Queria apontar desde já as declarações de Luís Montenegro e Carlos Moedas, de fato preto e gravata preta também, sem responder às declarações dos jornalistas. Luís Montenegro, que diz que o número de vítimas mortais é 16 e não os 17 que tinham sido referidos durante esta manhã, no último ponto de situação da Proteção Civil. A Proteção Civil que falava também de sete vítimas em estado grave. O primeiro-ministro confirma apenas cinco. Falou Luís Montenegro de uma das maiores tragédias humanas da história de Portugal. Voltou a reforçar que o governo decretou um dia de luto nacional e que limitou a agenda do governo à realização deste encontro do Conselho de Ministros que aconteceu esta manhã e também à participação por videoconferência da Coligação da Boa Vontade sobre a Ucrânia. Diz Luís Montenegro que a TAP disponibilizou-se para repatriar feridos e trasladar corpos das vítimas mortais e assegurou que iriam ser apuradas todas as responsabilidades. Já Carlos Moedas diz que é o primeiro interessado em que tudo seja apurado e diz também que exigiu à Carris uma investigação externa que tenha resultados no mais curto espaço de tempo. Temos aqui em estúdio o diretor executivo do Observador, Miguel Pinheiro. Miguel, boa tarde. Luís Montenegro fez aqui uma confusão no número de vítimas mortais, anunciou 16. Durante a manhã, a Proteção Civil falou em 17. Como é que ficamos?
Não sei quem fez a confusão, mas há uma confusão. Alguém se enganou. Ou de manhã a Proteção Civil a falar 17, ou agora o primeiro-ministro a falar 16. É estranho. Se o erro tiver sido da Proteção Civil, acho estranho que não tenha reconhecido o erro nestas horas. Pode ter sido um lapso do primeiro-ministro. Enfim, não ajuda nada numa altura destas. Há aqui dois pontos, parece-me: um de substância e um de forma. No de substância, eu não consegui perceber exatamente para que foi esta reunião do Conselho de Ministros, porque não foi anunciada nenhuma-
Falou-se do dia de luto.
Não, mas isso foi ontem. Ontem houve uma reunião extraordinária do Conselho de Ministros para o dia de luto. O governo tomou a medida excecional de chamar o presidente da Câmara de Lisboa para participar na reunião do Conselho de Ministros. Pelo que se percebeu, o governo quis ouvir um ponto da situação. Foi só um ponto de situação? Foi só isso? Foi tomada alguma medida? Não consegui perceber. Um Conselho de Ministros existe para tomar medidas. Se não, temos uma mera reunião de ponto de situação. Podem ser feitas reuniões de ponto de situação. Não ficou claro, temos que perceber se há aqui alguma decisão que tenha sido tomada. O segundo ponto tem a ver com a forma. Mais uma vez, temos uma comunicação ao país sem responder a perguntas. Tenho alguma dificuldade em entender por quê. Na realidade, há muitas perguntas a serem feitas. Claro, há perguntas que não têm respostas neste momento, mas há outras que têm. Posso dar-te um exemplo: o primeiro-ministro falou aqui, de forma elogiosa, da ação do gabinete de prevenção e investigação de acidentes com aeronaves e acidentes ferroviários. Nós soubemos ontem que este gabinete só pôde começar a trabalhar hoje e não ontem, como seria normal, porque só tem um técnico e não dois. O segundo técnico deixou de trabalhar, não sabemos o que aconteceu exatamente, mas enfim, o gabinete deixou de ter o segundo técnico em agosto de 2023. Houve também informações de que o pedido de contratação estaria no Ministério das Finanças desde março deste ano, março de 2025. Março foi o mês em que o governo caiu, houve eleições. Portanto, pelo menos, já que o primeiro-ministro faz questão de referir este gabinete de prevenção e de investigação, então poderia esclarecer-nos por que é que desde agosto de 2023 não havia um segundo técnico. O pedido para contratação desse segundo técnico estava desde março no Ministério das Finanças. É algo que não podia ser despachado tendo em conta que o governo caiu, mas entretanto já temos o governo há algum tempo. Em que fase é que está esse processo de autorização ou não de contratação? Por exemplo, é uma informação que o governo nos podia dar, tendo em conta que o processo está no Ministério das Finanças. Mas como não é possível fazer perguntas, nós não temos respostas. Se o primeiro-ministro estava preocupado em que pudesse haver perguntas mais técnicas a que ele não soubesse responder, como é normal, podia ter Um secretário de Estado ou vários, podia ter um responsável da coordenação das estruturas mais técnicas. Agora, haver comunicações ao país sem depois responder a perguntas é uma moda, infelizmente, mas que se torna ainda mais óbvio as debilidades disto num momento como este. Não estamos a falar de uma medida política qualquer, uma coisa sem grande importância. Estamos a falar de uma tragédia onde morreram, nem sabemos quantas pessoas. Podíamos começar por aí. Se houvesse direito a perguntas, um jornalista ter-lhe-ia perguntado: "Sr. Primeiro-Ministro, está a dizer 16, a Proteção Civil falou em 17. Afinal são quantos?" Não, estamos aqui agora a tentar perceber, agarrarmo-nos ao telefone, a tentar falar com alguém que nos explique esta confusão. Por isso, acho que o governo não devia habituar-se a isto, a falar sem responder à pergunta.
E a Ministra da Administração Interna fez falta não ter estado presente nesta comunicação?
Pelos registos, a Proteção Civil está a corrigir agora o número de vítimas para 16, porque houve uma duplicação de registo. Portanto, a Proteção Civil percebeu agora. Lá está, podia ter sido tudo muito mais rápido. Não estávamos sequer aqui com isto.
Amigo Pinheiro, obrigado por teres vindo analisar as declarações de Luís Montenegro e também de Carlos Moedas nesta comunicação ao país, que não teve direito a perguntas, sobre o que aconteceu no Elevador da Glória ontem à tarde. Dezesseis vítimas mortais já confirmado, quer pelo governo, quer pela Proteção Civil.
É o ponto final do Jornal da UMA, é um assunto que vamos continuar a acompanhar nas próximas horas.