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Uma da tarde. Jornal da Uma, com edição do Miguel Cordeiro. Miguel, o Presidente da República não quer comentar a moção de censura apresentada pelo Chega, mas avisa que não envia recados através de ninguém.

Isto depois do PSD acusar António José Seguro de enviar mensagens através de amigos como Álvaro Beleza e de Alberto Campos Fernandes, atual conselheiro presidencial. O Observador sabe que há um clima de desgaste entre Belém e os social-democratas, que aumentou depois do alegado ultimato de Seguro ao primeiro-ministro a exigir a demissão de Luís Neves, uma informação que não foi desmentida pela presidência. Em declarações à SIC, que não foram gravadas, feitas em Porto Covo, onde o chefe de Estado passa férias, António José Seguro abstém-se de comentar a moção de censura. Diz que quando entender que é a altura de falar sobre o assunto, vai fazê-lo. Deixa apenas claro que o Presidente da República não é um fator de perturbação e que não envia recados por ninguém. O chefe de Estado não coloca de parte tomar uma posição durante as férias, mas diz que para já ainda não é o momento de o fazer.

E Luís Montenegro já reagiu à moção de censura apresentada pelo Chega. O primeiro-ministro desvaloriza e diz que está tranquilo e preparado para enfrentar essa moção de censura e com sentido de responsabilidade.

E o primeiro-ministro referiu também nestas declarações à imprensa, a partir de São Tomé, que a moção de censura não faz sentido. Diz que é apenas uma lógica de jogo político e desvaloriza esta intenção do Chega.

Estamos a aguardar a definição do dia e da hora em que temos de nos apresentar na Assembleia da República para responder a esta moção de censura e mostrar que ela não faz sentido, que ela se enquadra numa lógica de mero jogo político e não está focada na resolução dos problemas das pessoas. O nosso foco é completamente diferente àqueles que são os proponentes desta moção. Mas a democracia incorpora os dois prismas e nós daremos o nosso na Assembleia da República.

Sem mostrar preocupação com a moção de censura apresentada pelo Chega, Luís Montenegro refere que o país não quer eleições neste momento. Diz o primeiro-ministro que o mais importante é apresentar trabalho e responde também às críticas públicas que têm surgido devido aos casos em que está envolvido o ministro Luís Neves.

Deus me livre se eu governasse atendendo àquilo que dizem os comentadores, sejam eles de direita, de esquerda, de centro, ou sejam eles quem forem. Eu governo à base das minhas convicções e dos compromissos que assumi com o povo. É esse o meu princípio, a minha filosofia. As pessoas são livres de dizerem o que entendem e isso é também democrático. Agora, uma coisa é dizerem, outra coisa é parecerem que querem impor, eles próprios, ao governo que faça assim ou assado. Não, quem tem ideias e quer desempenhar a função da governação, candidata-se.

Luís Montenegro considera que o povo não está interessado na dinâmica do jogo político.

E o presidente da Assembleia da República vai rejeitar a proposta de Chega para uma comissão parlamentar ao ministro Luís Neves, se o requerimento não for alterado.

Porque José Pedro Aguiar Branco considera que os fundamentos que estão na proposta do Chega para se realizar esta comissão parlamentar de inquérito são insuficientes. Isto porque só num despacho a que a Agência Lusa teve acesso, refere José Pedro Aguiar Branco que o documento, da forma como está agora, na formulação que tem agora, não permite a constituição obrigatória da Comissão Parlamentar de Inquérito. Aguiar Branco entende que deve ser reformulada a referência à intervenção de Luís Neves enquanto diretor da PJ durante todos os mandatos, para identificar os atos, as decisões ou os procedimentos que devem ser investigados. No caso da sociedade Constrobarcelos, José Pedro Aguiar Branco afirma também que devem ser delimitados os contratos, os procedimentos e as matérias que devem ser analisados na Comissão Parlamentar de Inquérito. Por estas razões, o presidente da Assembleia da República pede agora à bancada do Chega que altere o requerimento sob pena de ser rejeitado. Se for admitido, deve ser concluída a Comissão Parlamentar de Inquérito nesta sessão legislativa que vai arrancar. O Chega não pode requerer a constituição obrigatória de outra comissão parlamentar de inquérito.

E foi assinalado esta manhã um ano desde o trágico acidente do elevador da Glória, que tirou a vida a 16 pessoas. Carlos Moedas garante que a Câmara de Lisboa esteve sempre ao lado das vítimas.

Hoje foi divulgada uma carta que é assinada por várias famílias das vítimas, em que se queixam de uma alegada falta de acompanhamento por parte do executivo municipal. É dito nessa carta que as famílias apenas foram contactadas para comparecer hoje na inauguração do Memorial de Homenagem. Carlos Moedas, confrontado pela imprensa com esta carta, respondeu assim:

A Câmara esteve sempre presente, está presente e estará sempre presente.

Estão a mentir, então, estes familiares?

E por isso é muito importante que hoje não me levem a mal. É um dia de homenagem, solidariedade e de gratidão. E é isso que nós estamos aqui a fazer hoje. Portanto, eu não vou aqui alimentar, nem responder àquilo que é tão importante. Agradeço-vos, agradeço-vos, agradeço-vos, agradeço-vos, agradeço-vos do coração uma homenagem, uma solidariedade. É realmente um dia tão importante. As famílias, que ainda ontem estive com várias, aquelas que quiseram ser recebidas, durante o tempo, a Câmara e os trabalhadores da Câmara e todos nós estivemos sempre.

A reação de Carlos Moedas. O memorial foi entretanto inaugurado no Largo da Oliveirinha. A cerimónia contou com a presença de vários elementos da Câmara Municipal de Lisboa, também das forças de segurança. Esteve também no local o Patriarca de Lisboa Rui Manuel Valério. Já os vereadores da oposição não foram convidados. Aliás, foi pedido que não estivessem presentes. João Ferreira, vereador do PCP, refere isso mesmo, que não esteve presente a pedido da própria autarquia, um pedido que se estendeu aos restantes vereadores da oposição, mas mais tarde João Ferreira esteve numa outra ação, neste caso de homenagem ao guarda-freio André Marques, que morreu no acidente do elevador da Glória há um ano. Nesse momento, João Ferreira falou à imprensa e criticou o executivo de Carlos Moedas.

Este é um acidente, eu disse várias vezes há um ano, que nunca deveria ter acontecido. Infelizmente, um ano depois, nós constatamos que quem não tomou todas as medidas para que o acidente não acontecesse e que estava obrigado a ser irrepreensível na resposta ao acidente, também no apoio às vítimas e aos seus familiares, infelizmente não terá assegurado todo o apoio que se esperaria que tivesse sido prestado. Não posso senão lamentar essa circunstância.

A reação de João Ferreira, vereador do PCP na Câmara Municipal de Lisboa.

E o diretor executivo do SNS responsabiliza o Ministério das Finanças pela demora em contratar mais profissionais de saúde.

Até porque o Observador noticiou esta semana que há vários meses que os hospitais estão com dificuldades em contratar profissionais, tudo porque os planos de desenvolvimento organizacionais nos hospitais ainda não foram aprovados pela direção executiva do SNS. Hoje, de visita ao Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, Álvaro Almeida, o diretor executivo do Serviço Nacional de Saúde, atirou as responsabilidades para o Ministério das Finanças.

Os planos de desenvolvimento organizacional têm que estar alinhados com o quadro global de referência do SNS e, portanto, o parecer da direção executiva é o parecer a dizer: "Sim, este PDO está alinhado com o QGR". Mas para poder fazer isso, precisamos de conhecer o quadro global de referência, que ainda não foi aprovado.

E quem é que não o aprova?

É o Ministério das Finanças.

O diretor executivo do SNS assumiu que estes planos deveriam ser idealmente aprovados no final do ano anterior, mas que não impedem a atividade dos hospitais. Álvaro Almeida refere também que o cenário global no Serviço Nacional de Saúde é melhor este ano, mas reconhece alguns problemas pontuais.

E lá para fora, Pedro Sánchez defende que os agentes de segurança espanhóis fizeram o correto ao deixar entrar temporariamente os migrantes em Ceuta.

O chefe de governo foi ouvido esta manhã no Parlamento Espanhol sobre a entrada em massa de migrantes no final de julho. Assegura que o governo não recebeu alertas prévios sobre a dimensão da crise, mas diz que a decisão de deixar entrar os migrantes em Ceuta foi a decisão correta.

Quero dizer aos espanhóis e às espanholas, e também às forças e corpos de segurança do Estado, que na qualidade de presidente do governo de Espanha e de cidadão espanhol, afirmo que fizeram o que estava certo, que fizeram o mais inteligente, e diria o mais corajoso, porque perante a ameaça, souberam responder com humanidade, que é o que distingue as grandes democracias, como a espanhola, em relação a outros países.

Sánchez destacou também a colaboração de Marrocos no regresso dos migrantes que entraram irregularmente no território espanhol e deixa uma garantia: o governo espanhol tem sido totalmente transparente sobre este tema e faz um anúncio.

O governo, senhores deputados, não tem nada a esconder neste assunto, a tal ponto que dei ordem para publicar um dossiê com todos os relatórios, todos eles, para que os meios de comunicação social e os cidadãos possam analisá-los por si próprios e por conta própria. Assim, transparência absoluta e divulgação de todos os documentos para que se saiba exatamente a verdade sobre esta questão.

A intervenção de Pedro Sánchez não convenceu a oposição, que pede que o presidente espanhol abandone o cargo. Alberto Núñez Feijóo, líder do Partido Popular, pediu formalmente a demissão de Pedro Sánchez durante a sessão parlamentar desta manhã no Congresso dos Deputados.

E assim termina o Jornal da Uma, que teve edição do Miguel Cordeiro.