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Atualizar as notícias. Jornal das Duas, com edição do João Gama. É um esclarecimento da Proteção Civil. Afinal, são 16 e não 17 as vítimas mortais do acidente do Elevador da Glória ontem à tarde.
O número que tinha sido avançado pela Proteção Civil de Lisboa durante esta manhã é agora corrigido numa nota assinada pela responsável Margarida Castro Martins. É explicado que foi apurada uma duplicação de um registro que levou a que fosse contada duas vezes a morte de um dos feridos em estado grave na última noite. Fica assim esclarecido que morreu apenas uma pessoa no Hospital de São José. Margarida Castro Martins lamenta o lapso.
E João, o esclarecimento chega depois do primeiro-ministro ter falado em 16 vítimas mortais confirmadas.
Foi uma declaração ao país na última hora, a partir do Palácio de São Bento e ao lado do presidente da Câmara Municipal de Lisboa, em que Luís Montenegro falou numa das mais graves tragédias na história recente de Portugal.
Portugal foi abalado por um terrível acidente com o descarrilamento do Elevador da Glória no coração de Lisboa. Esta é uma das maiores tragédias humanas da nossa história recente. Segundo os últimos dados confirmados pelas entidades de saúde e o Instituto de Medicina Legal e Ciências Forenses, temos a confirmar 16 vítimas mortais e cinco feridos em estado crítico.
Declarações de Luís Montenegro, a partir do Palácio de São Bento. Luís Montenegro, que enaltece a resposta das autoridades que considera ter sido decisiva.
Quero, como disse há pouco também o senhor presidente da Câmara Municipal, destacar que os bombeiros, o INEM, a Polícia de Segurança Pública, chegaram ao local do acidente em escassos minutos e que esta resposta rápida permitiu salvar vidas e, acima de tudo, por via disso, evitar que a tragédia assumisse ainda proporções maiores e mais devastadoras. Quero, portanto, agradecer profundamente o espírito de missão e serviço público de todos.
Numa declaração ao país, a partir do Palácio de São Bento, o primeiro-ministro esclareceu também que a TAP já se disponibilizou para transportar os feridos e transladar os corpos das vítimas mortais e prometeu uma resposta o mais célere possível para perceber as causas do acidente.
Foi também o que prometeu o presidente da Câmara de Lisboa. Carlos Moedas diz que a cidade precisa de respostas.
O autor, que fala num acidente sem precedentes, garante que deu instruções à Carris para prestar todo o apoio necessário às famílias das vítimas, afirma que nesta altura é cedo para avançar com qualquer conclusão sobre o acidente, mas pede que as respostas cheguem rápido. Pediu dois inquéritos à empresa responsável por este elevador.
A cidade precisa de respostas. Sou, em nome dos lisboetas, o primeiro interessado em que tudo, tudo seja apurado. Pedi ao presidente da Carris que não só abrisse uma investigação interna ontem à noite, mas também uma investigação externa independente, que apure todas as responsabilidades no mais curto espaço de tempo. Em relação a todos os outros funiculares da cidade, uma vistoria imediata está a ser feita e só voltarão a funcionar depois desta. Irei convocar uma reunião da Câmara Municipal de Lisboa na segunda-feira com este ponto único na agenda.
Carlos Moedas, a partir do Palácio de São Bento, ao lado do primeiro-ministro. Uma declaração que não teve direito às perguntas dos jornalistas. Entre as vítimas mortais, contam-se um funcionário da Carris e vários funcionários da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. Vamos agora, em direto, para a Calçada da Glória, ao encontro da repórter do Observador, Beatriz Félix. Beatriz, bem-vinda. Que ponto de situação é que se pode fazer a esta hora?
Boa tarde, João. Pouco mudou nas últimas horas. Continua um cenário de curiosidade, diria, aqui na Praça dos Restauradores. São muitas as pessoas que se aproximam, algumas que ficam, outras que estão apenas de passagem para poder tirar uma foto ou fazer um vídeo daquilo que aqui se está a passar, que é ainda muito pouco. Aliás, neste momento, olhamos então para o Elevador da Glória acidentado, ainda em destroços. Não começaram os trabalhos de remoção destes destroços. Para já, não há previsão disso mesmo. No entanto, continuam aqui vários operacionais num esforço de coordenação entre várias entidades que estão aqui presentes, PSP, PJ, também o Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e Acidentes Ferroviários. Também a própria Carris, que continua aqui a tentar reunir esforços para que então estes trabalhos de remoção possam ser iniciados. Para já, não há então nenhuma movimentação diferente daquela que houve nas últimas horas. Continuam então aqui muitas pessoas reunidas, também na expectativa de perceber um pouquinho melhor daquilo que aqui se passou ontem à tarde nos Restauradores, o Elevador da Glória que descarrilou.
Reportagem em direto da Beatriz Félix, a partir da Calçada da Glória, onde vai estar durante a tarde a acompanhar os trabalhos. Já foram, entretanto, concluídas as perícias no local do descarrilamento. O Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários remete informações já para amanhã, em comunicado. A Polícia Judiciária criou uma linha direta de informação oficial direcionada a entidades e a familiares das vítimas deste acidente. Assegura que tudo fará para garantir um cabal apuramento dos factos e para mais tarde, às 16h, está prevista uma conferência de imprensa da Carris. A Carris que garantiu ontem ter cumprido os serviços de manutenção no Elevador da Glória e diz já ter aberto um inquérito interno
E sobre este caso, Fernando Nunes da Silva, antigo vereador da Câmara Municipal de Lisboa, diz que o Estado falhou.
Ao não conseguir enviar especialistas de análise e prevenção de acidentes ferroviários para o local, Fernando Nunes da Silva foi vereador da Câmara Municipal de Lisboa durante a presidência de António Costa. É também especialista em transportes. Acredita que a falta de pessoal técnico deve-se à falta de capitalização de empresas que diz ser fundamentais.
Estou extremamente preocupado e surpreendido como é que no final do primeiro quartel do século XXI, o Estado português deixou de ter capacidade para enviar para o local os especialistas de análise e prevenção de acidentes ferroviários, por falta de pessoal técnico para o fazer. Isto é absolutamente incompreensível no nosso tempo, mas é um resultado um pouco daquilo que estávamos a falar anteriormente, que foi a descapitalização completa de empresas e entidades fundamentais.
Fernando Nunes da Silva, antigo vereador da Câmara Municipal de Lisboa, explica também que o problema poderia estar em abdicar do know-how interno da Carris quando a manutenção dos elevadores passou a ser assegurada por uma empresa externa. Ainda assim, rejeita qualquer leitura ideológica.
Não é uma questão ideológica, no sentido de dizer que tudo o que é aquisição de serviço ao exterior é mau ou nunca se deve fazer, ou pelo contrário, tudo se deve ser feito nesse sentido. A questão não pode ser analisada dessa maneira, por uma razão extremamente simples. Primeiro é como é que se faz isso e, em segundo lugar, em que situações e em que circunstâncias isso se faz.
Fernando Nunes da Silva foi o convidado do Explicador desta manhã.
E João está em pausa para o almoço, o julgamento da Operação Marquês. À saída do tribunal, José Sócrates acusou o Ministério Público de estar aos papéis.
Uma expressão utilizada pelo antigo governante, que continua a queixar-se da falta de provas apresentadas pelos procuradores. Na sessão da manhã, José Sócrates foi confrontado com um e-mail de 2010 de Vítor Scaria, no qual o antigo assessor do ex-primeiro-ministro fala precisamente numa alegada pressão do governante para resolver uma questão relativa ao grupo Lena. Sócrates diz que Joaquim Barroco, o antigo administrador desta empresa, lhe confusou problemas com pagamentos à empresa por parte da Venezuela e, por isso, pediu a Vítor Scaria para ver do tema. Diz que foi diplomacia económica.
Duas e nove, João Gama, outras notícias em destaque a esta hora.
Guerra da Ucrânia, a reunião em Paris sobre as garantias de segurança. Kiev já começou, vários líderes europeus estão no Palácio do Eliseu. Luís Montenegro já disse que participa à distância nesta reunião. Donald Trump junta-se mais tarde por telefone. O avião que transportava o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez para a reunião desta coligação dos dispostos, que decorre esta quinta-feira em Paris, sofreu uma avaria, teve de regressar a Madrid. De acordo com o jornal "El País", o governo espanhol minimiza o imprevisto pela falha do avião oficial que foi detetada em pleno voo e diz que o primeiro-ministro espanhol vai estar no evento em videoconferência. E a primeira-ministra de Itália, Giorgia Meloni, garantiu hoje que o governo fará o possível para proteger os italianos que estejam a participar na flotilha humanitária, que pretende levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza, embora tenha defendido a utilização de canais humanitários já existentes. Respondia assim a uma carta aberta da líder do principal partido da oposição do centro-esquerda, a questionar o que fará o governo italiano para proteger esta frota.
Ponto final no Jornal das Duas.