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E começamos o jornal das 14 horas com a saúde, porque a esta hora presta declarações aos jornalistas a ministra Ana Paula Martins.
Precisamente, e vamos escutar o que tem a dizer a governante à boleia da CNN Portugal.
Depois de ter tido alta de um serviço hospitalar. É mais um caso em que falharam os serviços da obstetrícia. Que resposta e que comentário lhe merece este caso?
Olhe, eu naturalmente que lamento sempre, lamentamos muito, incomoda-nos muito que estas situações aconteçam, mas eu, relativamente a esta situação, como a outras semelhantes, tenho obrigatoriamente de remeter a explicação desse caso e dessa situação para a Unidade Local de Saúde respetiva, para os médicos, para os profissionais, e não fazer qualquer tipo de comentário.
E sobre a mulher que morreu no Amadora-Sintra, a família diz que ainda não falaram com eles. Há alguma palavra que tenha a dar a esta família?
Não, eu já todas as palavras que podia dar enquanto governante na área da saúde, de lamento, de grande consternação, dei-as no dia em que soube da ocorrência.
Mas nunca junto à família.
Relativamente, como sabem, além do próprio hospital, que tem um inquérito a decorrer, a IGAS abriu um inquérito, o Ministério Público também.
O Ministério da Saúde poderia ter feito mais qualquer coisa?
Temos que aguardar os resultados desse inquérito. E é tudo quanto lhe posso dizer sobre essa matéria.
O Ministério da Saúde poderia ter feito mais alguma coisa, inclusive contactar diretamente esta família ou apoiar até, por exemplo, nas questões de funeral e transladação dos corpos?
Tanto quanto eu sei, a Unidade Local de Saúde que tem contacto com esta família, está em contacto para saber o que é que é necessário. Portanto, não me vou pronunciar mais sobre essa matéria.
Sente que falhou enquanto ministra neste caso em específico e nos outros, das outras grávidas?
Não sinto que tenha falhado, estou a cumprir o meu dever. Admito que sempre debaixo de grande tensão e pressão mediática, mas não me desviarei nem um milímetro de cumprir esse dever. E como toda a gente sabe, continuarei aqui a trabalhar todos os dias.
Disse no seu discurso, senhora ministra.
Continuarei a trabalhar todos os dias com o governo que faço parte para melhorar a condição de saúde dos portugueses.
Isso significa que nunca pediu as suas demissões, senhora ministra.
Se não tiverem mais nenhuma pergunta.
Sobre o estudo, queríamos fazer também uma pergunta em relação a este estudo hoje apresentado, que fala na dificuldade de acesso de alguns utentes e também na questão da oncologia, que há alguns atrasos nas consultas, mas sobretudo nas cirurgias. Ora, isso foi uma das prioridades lançadas por este governo com o programa Oncosop. O que está a falhar?
Relativamente à questão do acesso às consultas, é de facto um problema muito preocupante, que tem anos de existência. Este novo sistema que estamos agora a começar a implementar, vai ter que cobrir todos os hospitais de Serviço Nacional de Saúde. Vai nos ajudar muito também os protocolos de referenciação dos cuidados de saúde primários para os hospitais, porque é suposto, uma vez que até temos cuidados mais integrados agora com as ULS, essa é a grande promessa, podermos ter aqui, de facto, uma melhoria dos tempos de acesso à primeira consulta. É disso que aqui estamos a falar. Relativamente à questão dos doentes oncológicos, eu também tive a oportunidade, quando fui à Assembleia da República para apresentar o orçamento, de detalhar com alguma profundidade o que se estava a passar em relação a esta lista de espera e ao não cumprimento dos tempos máximos de resposta garantida para uma parte destes doentes. E o que posso afirmar neste momento é que uma parte importante está concentrada nos institutos de oncologia e têm que ver, essencialmente também, com o fato de alguns destes doentes não aceitarem, porque têm essa liberdade e muito bem, não quererem, de facto, sair daquela instituição. E, portanto, apesar de tudo, preferirem aguardar. Depois, é preciso dizer uma coisa que na oncologia é muito importante para quem nos ouve lá em casa. Nós temos uma lista de espera e podemos melhorar muito a gestão desta lista de espera, isso objetivamente. Mas também temos casos que todos os dias nos chegam que acabam por ser mais prioritários ainda. E esses são sempre de avaliação clínica e por vezes acabam, naturalmente, por criar uma lista de espera acima do tempo máximo de resposta garantida para os outros doentes que já lá estavam, que é superior àquele que nós gostaríamos que existisse.
Esta era uma preocupação, esta é, de resto, uma preocupação que ontem tivemos oportunidade de ouvir aqui na antena do Observador, ser expressa pelo presidente da Liga Portuguesa contra o Cancro. Está preocupado com a demora nos rastreios. Chamava a atenção Victor Veloso para a importância destes rastreios e a detecção de cancros ser feita de forma tão antecipada quanto possível, para dessa forma tornar mais eficaz a terapêutica. Um dos temas abordados nestas declarações aos jornalistas pela ministra de Saúde, Ana Paula Martins.
Aí a que vamos regressar nos próximos serviços noticiosos na Rádio Observador. Miguel, continuam a esta hora os trabalhos de remoção de parte do telhado da estação de comboios de Santa Apolónia, em Lisboa, desprendeu-se do edifício por causa do vento.
E foi parar à via pública, atingiu sete carros. Há uma hora, o jornalista do Observador dava-nos conta de que estavam em marcha os trabalhos de remoção da estrutura. Os trabalhos estão concluídos, Vasco?
Ainda vão demorar, Miguel. A situação está agora mais calma, estão apenas alguns funcionários da junta de freguesia, também a equipa contratada para fazer a remoção do telhado, que é muito denso, muito pesado e tem de ser partido aos bocados para poder ser retirado deste local e poder desimpedir a via pública. A operação que, de acordo com o comandante Alexandre Rodrigues, dos Bombeiros Sapadores de Lisboa, ainda pode demorar.
Vamos já escutar esse som de Alexandre Rodrigues ao repórter do Observador, Vasco Maldonado Correia.
Ainda vai demorar umas horas, porque ainda terá que se remover, e como já viram ali a estrutura, estão a separar as chapas da estrutura em madeira, isto ainda terá que ser separado com trabalho manual, ainda vai demorar algumas horas.
Mas falava na noite, há risco de os trabalhos não estarem concluídos à noite?
É expectável que estejam concluídos ao final da tarde de hoje.
É essa a meta e falando com algumas das pessoas que assistiram ao incidente, algumas falaram-nos num pequeno tornado, outras numa rajada de vento que veio de repente. Ora o comandante Alexandre Rodrigues explica que foi uma rajada convectiva.
Recebemos o alerta às 10h59 pela população aqui desta zona e chegamos aqui ao local e verificamos que havia aqui o arrancamento parcial desta estrutura. O motivo e a causa deve ter sido uma rajada convectiva neste local.
Rajada convectiva, ou seja, um aumento súbito, mas muito breve do vento, dura menos de 20 segundos e é seguida de uma diminuição da intensidade. Nesta altura, Miguel, como dizia, decorrem os trabalhos de remoção do telhado, sendo que dos sete carros que ficaram debaixo do telhado, dois já foram retirados. Foi também possível perceber, entretanto, que o incidente não provocou constrangimentos ao funcionamento dos comboios. Os danos são apenas no exterior. A zona que perdeu o telhado é uma área de manutenção e apoio aos trabalhos dos comboios.
O retrato traçado aqui na antena do Observador pelo jornalista Vasco Maldonado Correia, que acompanha a esta hora os trabalhos de remoção de parte do telhado da estação de Santa Apolónia, que se desprendeu do edifício por força do vento intenso, uma rajada convectiva, aqui explicada pelo jornalista Vasco Maldonado Correia. Os trabalhos de remoção ainda continuam, só devem ficar concluídos, como ouvimos, ao final da tarde.
E a Proteção Civil dá conta de que é na região Centro que se regista o maior número de ocorrências.
Quarenta e nove no total, segue-se a região de Lisboa e Vale do Tejo com 42 e o Norte do país com 33. São as consequências da passagem pelo território continental e também pelo arquipélago da Madeira da depressão Cláudia. O comandante da Proteção Civil, Pedro Araújo, explica ao Observador quais as situações mais reportadas no universo destas ocorrências.
O maior número de eventos esteve associado à ação do vento, ou seja, à queda de árvores com 56 ocorrências, seguida de queda de estruturas com 33 ocorrências. Até o momento, não foi reportado qualquer incidente com vítimas.
É isso que diz Pedro Araújo, comandante da Proteção Civil, entrevistado pela jornalista Laura Figueiredo. Quase todo o país está hoje sob aviso meteorológico amarelo, devido à previsão de chuva e vento intensos, uma consequência da passagem pelo território continental e também pelo arquipélago da Madeira da depressão Cláudia.
Miguel, vamos agora a outras notícias também a marcar a atualidade.
Sim, e começamos com a reação da EDP à decisão do Ministério Público, que entende que a elétrica nacional tem a pagar mais de 300 milhões de euros pela venda das barragens do Douro. Ora, a EDP, num comunicado oficial, insiste na ideia de que cumpriu as regras fiscais e promete defender os interesses da empresa. Na sequência dessa decisão do Ministério Público, a elétrica portuguesa afirma que a decisão de arquivamento do processo-crime por parte do Ministério Público não é uma surpresa, porque, no entendimento da EDP, a empresa atuou em conformidade com a lei e com os padrões de mercado neste tipo de operações. Sobre o entendimento do Ministério Público de que a EDP tem que pagar 300 milhões de euros em impostos em falta, a EDP diz que vai defender os seus interesses. O governo propõe aumentar o subsídio de refeição da função pública já no próximo ano. Foi isso que foi transmitido aos sindicatos representativos dos trabalhadores do Estado, por parte da Secretária de Estado da Administração Pública, que esteve esta manhã reunida no Ministério das Finanças com as estruturas sindicais. O governo está também disposto a aumentar o valor do subsídio de refeição. A proposta em cima da mesa apontava para um aumento de €0,10. Segundo os sindicatos, a Secretária de Estado da Administração Pública manifestou disponibilidade para aumentar este valor. Valor para ser pago já em 2026 e não em 2027, como estava inicialmente previsto.