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Jornal das duas, com edição do Miguel Cordeiro. O ministro da Administração Interna antecipa um ano complicado em incêndios florestais e promete novidades sobre o SIRESP nos próximos dias.

À margem de uma reunião com bombeiros em Portalegre, Luís Neves mostra-se apreensivo para a época de incêndios em Portugal. Diz que este ano há novos desafios.

Prevemos um ano complicado e como disse, e bem, não é só o momento do combate. O momento do combate é aquele que há de sempre existir. Portanto, foco muito na esfera da segurança interna, em toda ela, não só nesta esfera da proteção civil. A preparação, a proatividade, estamos, de facto, exercitados para responder a esses desafios. E este ano, como sabem, por via da calamidade que tivemos no mês de janeiro e depois de fevereiro, há muito material lenhoso no terreno. Portanto, é um combustível fácil, em que colocarão novos desafios do ponto de vista climático, tudo aquilo que já é do nosso conhecimento e estamos a trabalhar no sentido de procurar minimizar esse risco acrescido.

Diz Luís Neves que dentro dos próximos dias vai fazer uma comunicação muito específica sobre o Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal, o SIRESP. O ministro da Administração Interna acrescenta que está confiante que o sistema vai dar uma resposta diferente daquela que deu no passado.

E na Rádio Observador, entrevistamos esta manhã o ministro adjunto e da Reforma do Estado. Gonçalo Matias diz que não acredita que o Partido Socialista seja irresponsável ao ponto de chumbar o orçamento do Estado.

O ministro reforça que o governo conta com todos nas negociações e aponta a responsabilidade do Partido Socialista.

A posição do governo tem sido a de negociar com todos os partidos no Parlamento. O Partido Socialista, como partido responsável, como partido do arco da governação, não acredito que não seja responsável nos momentos certos. E repare, não é apenas no orçamento de Estado. Estamos, por exemplo, a falar da própria reforma do Estado, em que algumas das medidas, recordo a lei do Tribunal de Contas, e outras medidas muito importantes para o país, medidas reformistas, e contamos, evidentemente, com o apoio dos principais partidos que estão no Parlamento.

Acha, portanto, não há o risco de o Partido Socialista chumbar o próximo orçamento de Estado?

Eu acho que isso seria muito irresponsável por parte do Partido Socialista e não acredito que o Partido Socialista esteja nesse nível de irresponsabilidade.

Garante Gonçalo Matias que o governo mantém a intenção de dialogar.

E Miguel, nesta entrevista ao Observador, o ministro adjunto e da Reforma do Estado também disse que não se sente visado pelas críticas de Pedro Passos Coelho à falta de ímpeto reformista do atual governo.

Sendo que no mês passado, Pedro Passos Coelho tinha criticado as reformas do Estado feitas apenas para comunicação política. Disse o seguinte Pedro Passos Coelho: "Quem vai para o governo e chama as pessoas para preparar uma grande reforma, o que vai gerir é comunicação política. Não é preciso nomear um ministro para esse efeito." Confrontado com estas declarações na Rádio Observador, Gonçalo Matias foi questionado se se sentia visado por esta crítica e respondeu assim:

Não, de maneira nenhuma. Eu concordo com o doutor Pedro Passos Coelho sobre o diagnóstico, que aliás foi feito também pelo professor Cavaco Silva esta semana no Expresso, que é, no fundo, o diagnóstico de que Portugal precisa fortemente de uma reforma do Estado, de uma profunda reforma do Estado. Portanto, eu concordo com essa análise e com esse diagnóstico.

Não se sente questionado, nem particularmente visado.

Não, repare, eu fui secretário de Estado do doutor Pedro Passos Coelho, justamente no ministério que se chamava Modernização Administrativa, que é, no essencial, reforma do Estado e que tinha um ministro para esse efeito.

Gonçalo Matias, no explicador da Rádio Observador, a dizer que não se sentiu visado pelas críticas de Pedro Passos Coelho.

A Associação Nacional de Municípios acredita que o governo deve dar passos no sentido de reforçar o financiamento das autarquias no âmbito da transferência de competências no setor da educação.

Vamos escutar precisamente Pedro Pimpão, responsável representante dos autarcas, que considera que este estudo evidencia que a proximidade dos municípios à comunidade escolar é positiva, mas que é necessário reforçar o financiamento. Falou à saída de uma reunião do Ministério da Educação, na qual o ministro apresentou o ponto de situação deste processo transitório.

Esta proximidade aumenta a capacidade de resposta e que há uma avaliação positiva do ponto de vista daquilo que é a assunção de competências por parte dos municípios e do papel que os municípios têm na área da educação, que beneficia com a proximidade, naturalmente. Não tenho dúvidas nenhumas que a partir do momento em que é apresentado o estudo que evidencia, do ponto de vista científico, essa necessidade de haver reforço do financiamento dos municípios nestas competências, eu creio que o governo deve dar passos nesse caminho.

Mais financiamento. É isto que pede Pedro Pimpão ao governo.

É preciso reforçar a dotação financeira para os municípios nesta área da educação, porque os municípios gastam muito mais do que aquilo que recebem do Estado para essas competências e por isso fica também aqui presente com este estudo a necessidade de se atualizarem esses valores, não só do ponto de vista da dotação global, mas anualmente essa atualização ter em consideração, efetivamente, as despesas que os municípios têm com a área de educação.

Pedro Pimpão, à saída do encontro com o ministro da Educação, Fernando Alexandre. O estudo desenvolvido pela Universidade do Minho sobre o processo de descentralização na área da educação vai ser apresentado hoje à tarde em Lisboa e já foi detalhado pelo ministro junto dos autarcas da Associação Nacional de Municípios.

No conflito no Médio Oriente, Donald Trump voltou a deixar uma ameaça ao Irão. Diz que vai destruir as centrais elétricas do país se não houver um acordo sobre o Estreito de Ormuz.

O presidente dos Estados Unidos da América quer a reabertura deste estreito, que está condicionado desde o início da guerra no Irão. Para já, o Irão tem se mostrado inflexível neste aspecto. Isto leva Donald Trump a ameaçar novos ataques a infraestruturas energéticas. O presidente norte-americano aponta as centrais elétricas do Irão e vai mais longe, admite destruir a ilha de Kharg. Isto é o que se pode ler numa publicação na rede social Truth Social. Donald Trump diz que ainda estão a decorrer negociações para tentar chegar a um acordo para pôr fim à operação militar A ameaça do presidente norte-americano surge numa altura em que o Irão insiste que não está a negociar diretamente com os Estados Unidos da América. Isto é o que diz o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão. É uma declaração que está na agência de notícias iraniana. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano diz que tem recebido mensagens indiretas de intermediários a dizer que os Estados Unidos da América estão dispostos a negociar, mas diz também que essas propostas são irrealistas e ilógicas. Diz que a posição do Irão é defender o país que está, nesta altura, sob uma agressão militar.

E hoje, dia 30 de março, foram lançados os primeiros seis satélites da constelação Lusíada.

Quatro têm nomes bem conhecidos da literatura portuguesa: Camões, Pessoa, Saramago e Agustina. Pouco passava do meio-dia em Portugal quando os satélites foram lançados a partir da base de Vandenberg, na Califórnia. O momento foi acompanhado em direto no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa, numa cerimônia onde marcou também presença o ministro da Economia. Castro Almeida falou depois à imprensa e falou de um dia marcante que inaugura uma nova era entre Portugal e o espaço.

Eu diria que hoje não estamos a começar, porque já começamos a contactar o espaço há algumas dezenas de anos. Hoje é o dia mais marcante, mas é apenas o início, porque atrás destes satélites virão outros ainda este ano e vamos ter o nosso próprio lançador de satélites nos Açores, que também não há de demorar muito tempo. Portanto, é um caminho novo que estamos a abrir. É uma era nova na ligação de Portugal com o espaço, porque o espaço vai gerar grandes oportunidades no plano científico, no plano econômico e no plano militar.

A aposta portuguesa no espaço. Castro Almeida, ministro da Economia, fala em grandes oportunidades para Portugal.

São agora 14h08, Miguel. Que outras notícias estão em destaque a esta hora?

O líder de uma organização criminosa procurado por Espanha foi detido em Lisboa. Informação avançada hoje pela Polícia Judiciária. Este homem de 38 anos tinha sido condenado em Espanha a uma pena de prisão de seis anos e seis meses por crimes de tráfico de droga e associação criminosa, o que levou a Justiça espanhola a emitir um mandado de detenção europeu. O detido vai ser presente ao Tribunal da Relação de Lisboa para ficar a conhecer medidas de coação. Cerca de uma centena de trabalhadores da rádio pública manifesta-se hoje contra a mudança de identidade destas estações. Protesto que acontece em frente às instalações da RTP. A partir de hoje, as estações Antena um, Antena dois e Antena três deixam para segundo plano esses títulos, em detrimento da marca única RTP, introduzida no início de cada nome. E esta semana de Páscoa vai ser de sol e calor. Temperaturas acima do normal para esta altura do ano. Previsão do Instituto Português do Mar e da Atmosfera para esta semana de Páscoa. Amanhã e quarta-feira, algumas regiões do país podem mesmo chegar aos 26 graus. Apesar das temperaturas altas durante o dia, as noites vão continuar a ser frias e o vento pode soprar com alguma intensidade.

Fica por aqui a edição das duas com o Miguel Cordeiro.