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Jornal das duas, edição com Luís Soares. Luís, o governo aprovou o prolongamento do apoio ao gasóleo agrícola até o final do ano e o primeiro-ministro promete até mais apoios a outras áreas durante a próxima semana.

Foi no final da reunião do Conselho de Ministros, que decorreu em Bragança, o primeiro-ministro Luís Montenegro confirmou a decisão do governo.

Uma das decisões que tomámos foi precisamente a de prolongar até o final do ano o apoio extraordinário ao gasóleo agrícola, portanto, ao setor da agricultura e da floresta, que se consagra com €0,10 por litro, um regime que esteve em vigor até 30 de junho e que nós prolongamos agora de 30 de junho até 31 de dezembro.

Apoio de €0,10 por litro no gasóleo agrícola. Quanto a outros setores, Luís Montenegro explica que o governo vai decidir na reunião da próxima semana.

Nós temos neste momento vigente um desconto global para todos os consumidores. Temos regimes especiais no âmbito da agricultura, das pescas. Tivemos também no âmbito do setor dos transportes, no setor dos táxis, no apoio às associações humanitárias de bombeiros e também às instituições particulares de solidariedade social. Sobre estas outras áreas, o Conselho de Ministros tomará uma decisão na próxima semana.

Garantia do primeiro-ministro após a reunião do Conselho de Ministros, que teve lugar na Universidade Politécnica de Bragança. Já esta manhã, o Ministro da Energia, durante uma audição no Parlamento, não especificou qual a duração deste apoio a outras áreas, um apoio que já existiu e que tinha sido interrompido em junho. São medidas para fazer face à escalada dos preços causada pelo conflito no Médio Oriente.

E hoje o preço do barril de petróleo Brent voltou a ultrapassar a barreira dos 100 dólares. Também os preços do gasóleo refinado e do gás estão em alta.

É uma escalada que acontece na mesma medida em que se intensifica também o conflito entre Estados Unidos e Irão, no Médio Oriente. Esta noite as forças norte-americanas atacaram navios petroleiros iranianos e o Irão retaliou também contra navios e bases dos Estados Unidos no Golfo. O preço do petróleo ultrapassou a barreira dos 100 dólares pela primeira vez desde julho, mas não é só. O economista da Informação de Mercados Financeiros, Filipe Garcia, explica que o preço do gás também está em alta.

O gás, que faz também um movimento muito impressionante, já está a subir 140% desde o início da guerra, está a subir 175% desde o início do ano. Neste momento a cotação é 78 € o megawatt-hora. E isto também tem a ver com o facto de os estoques na União Europeia estarem em 67%, face a 88%, que normalmente é o nível de estoques nesta altura do ano, e está ainda a 23 pontos percentuais daquilo que é o objetivo da União Europeia de ter 90% dos estoques para o inverno no dia 1 de novembro. Isto é particularmente importante porque não só afeta a indústria que utiliza gás natural, como também é um input importante para a produção de eletricidade.

Filipe Garcia explica ainda que esta subida do preço das matérias-primas pode levar o Banco Central Europeu a considerar ainda mais urgente a subida das taxas de juro, que está prevista para amanhã.

Da forma que o BCE analisa a evolução de preços, criam um contexto de mais urgência na subida. É discutido que isso seja uma boa medida, dado que se trata de um choque de oferta e não há sinais de particular força na economia europeia, portanto, isso pode ser até um erro de política monetária, mas sabemos qual é a função de reação do BCE. E neste caso em concreto, sabemos que com um ambiente de subida de preço e ainda sem qualquer tipo de expectativa de que esta situação se vá alterar no curto prazo, a decisão mais evidente será a subida de taxas.

A decisão de Filipe Garcia, economista da Informação de Mercados Financeiros para a reunião do Banco Central Europeu, que decorre amanhã e que deve terminar com mais uma subida das taxas de juro.

O primeiro-ministro pediu uma reflexão sobre os dados dos testes PISA e defende mais exigência nos currículos.

Os resultados dos testes PISA 2025 mostram que Portugal está em queda nas capacidades de leitura e também da matemática. Igualmente no final da reunião do Conselho de Ministros, senhor Luís Montenegro disse que é preciso refletir sobre estes resultados.

Nós fomos confrontados e temos vindo a ser confrontados com a diminuição dos nossos resultados nos sistemas de avaliação internacional. Aconteceu ainda agora com os resultados do PISA relativamente a 2025. E repito, não quero aqui estar a fazer nenhuma polêmica à volta disto. Quero apenas que nós, enquanto sociedade, façamos uma reflexão. E, portanto, é nesse sentido que eu aqui recordo isso. É nesse sentido que eu aqui recordo os passos que nós estamos a dar também para o sistema de avaliação, para a revisão de alguns currículos essenciais, para reimplementarmos uma cultura de maior exigência.

O primeiro-ministro após o Conselho de Ministros, que teve lugar na Universidade Politécnica de Bragança.

O PS relativiza as responsabilidades sobre os testes PISA e acusa o atual governo de não saber ler os dados.

O deputado socialista Porfírio Silva diz que Portugal está na média da OCDE no que toca aos resultados e que existe uma tendência global nesses resultados agora conhecidos sobre os testes PISA, que avaliam as capacidades de leitura ou de cálculo. Depois do ex-ministro da Educação do PS, João Costa, ter assumido a responsabilidade pelos resultados que colocaram Portugal a descer em todos os indicadores, o deputado do PS, Porfírio Silva, faz uma leitura diferente dos dados e acusa o atual governo de irresponsabilidade.

Aquilo que o ex-ministro João Costa fez foi exatamente o contrário. Foi dizer: "Nós não podemos nem dizer é o governo de turno que tem a culpa Porque obviamente estes caminhos constroem-se ao longo de muitos anos e não alinhamos nessa demagogia, como outros fizeram no passado. Nem pode dizer responsavelmente: "Eu não tenho nada a ver com isso." E nem era preciso ter sido ministro. Qualquer um de nós, com responsabilidades públicas, que diga: "Isto é problema dos outros", está a ser irresponsável. É gravíssimo que o ministro de Estado dos Negócios Estrangeiros, numa circunstância tão solene como o instrumente do debate de uma moção de censura, pratique essa irresponsabilidade.

Deputado do PS, Porfírio Silva, em declarações aos jornalistas nos Passos Perdidos da Assembleia da República, a criticar a intervenção de encerramento de Paulo Rangel ontem, no debate da moção de censura.

Ainda na educação, o PCP leva a debate no Parlamento o arranque do ano letivo e a preocupação que tem com a falta de professores.

Debate que está marcado para dia 23 de setembro, a pedido do PCP, sobre o arranque do ano letivo nas escolas. O partido critica a reorganização do Ministério da Educação e acusa o ministro de ter desmantelado as estruturas. Em declarações aos jornalistas, a líder parlamentar Paula Santos mostra-se sobretudo preocupada com a falta de professores.

Prepara-se um novo ano letivo a iniciar agora nos próximos dias e aquilo que tem vindo já a público relativamente a esta matéria gera uma enorme preocupação, desde logo, a falta de professores, com muitos e muitos horários que não estão preenchidos. Não temos ainda noção da dimensão, mas aquilo que foram as medidas até agora aprovadas pelo governo não dão resposta à insuficiência de professores na escola pública.

Paula Santos, em declarações aos jornalistas no final de uma conferência de líderes parlamentares da Assembleia da República, que decidiu que depois do debate da moção de censura, o primeiro-ministro volta ao Parlamento para um debate quinzenal no dia 9 de outubro.

A ministra da Justiça recusa mentiras na polêmica da distribuição de químicos pela PJ e diz que pediu para apurar ao certo quantos materiais estavam incluídos no polêmico orçamento feito pela Judiciária durante os mandatos de Luís Neves.

O atual ministro da Administração Interna explicou em julho que o valor pedido para destruir esses materiais de €140 mil foi a razão que o levou a procurar alternativas e enviar o polêmico atrelado para as instalações da Constrobarcelos. Ora, na última semana, o gabinete da ministra da Justiça veio esclarecer que o orçamento estava destinado a várias operações, mas já esta manhã, ouvida no Parlamento, Rita Lecas Júdice explica que, para já, tem a informação de que o valor pedido só era mesmo referente à Operação Pacoba.

O orçamento que foi apresentado tem uma quantidade elevada de equipamento, de materiais para ser destruídos. E a pergunta que eu fiz e os esclarecimentos que eu aguardo é confirmação de que todos esses itens que estão nesse orçamento correspondem apenas ao processo Pacoba. A informação que tenho agora é que, efetivamente, darão apenas respeito à Operação Pacoba, com uma nuance: é muito mais material do que o material que estava na galera, como é natural, e daí, provavelmente, imagino eu, tenha estado na origem da informação errada que recebi da parte da Polícia Judiciária.

A ministra assume que as informações contraditórias geraram confusão. Pediu, por isso, ao diretor nacional da PJ que esclareça o tema o mais rápido possível e assume também algum incômodo pela polêmica em torno da informação sobre o orçamento pedido para destruir estes materiais químicos.

Luís, que outras notícias estão em destaque a esta hora?

Só hoje foram cancelados nove voos de Londres para Portugal, devido a uma falha no controle de tráfego aéreo britânico, que já obrigou ao cancelamento de quase duas mil ligações aéreas. A falha foi detectada ontem. Já durante a manhã, foram cancelados cerca de 250 voos, de acordo com o portal Flight Radar. Duas pessoas ficaram em estado grave após uma explosão hoje numa central hidroelétrica na Suíça. As autoridades suspeitam de um problema elétrico num transformador que tenha estado na origem da explosão. Parte do edifício ficou danificada, outra parte desabou.