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Avançamos para o jornal das 17h, Vanessa Cruz, com a greve geral em destaque nesta quinta-feira.
O governo diz que só uma minoria do país parou. Os sindicatos apontam, pelo contrário, para uma das maiores greves de sempre. Já vamos ouvir um e outro lado, mas primeiro vamos à rua. À frente do Parlamento, em Lisboa, continuam a esta hora milhares de pessoas. A manifestação contra o pacote laboral começou pouco depois das 14h30, vinda do Rossio. A acompanhar este protesto estão os jornalistas do Observador, Teresa Freire e José Rafael Lopes. Começando por ti, Zé, a carrinho da CGTP já saiu a esta hora, mas ninguém arreda pé.
E pedem o fim do pacote laboral e asseguram que vão lutar contra ele e resistir contra o Executivo. São palavras de ordem que se vão podendo escutar aqui, em frente à Assembleia da República, vários cânticos entoados, cartazes ao alto, punhos levantados. São milhares de pessoas que se vão manifestando à porta da Assembleia da República. Há também representação política junto às cadeiras. Jorge Pinto e Rui Tavares, do Livre, juntaram-se ao protesto, ainda estão por cá, vão falando com os manifestantes. Há pouco, ao jornalista Jorge Pinto, candidato presidencial apoiado pelo Livre, diz que esta greve é resultado da falta de vontade do governo de ouvir os trabalhadores.
E o governo continua a estar apenas interessado em falar e muito pouco interessado em ouvir. Não quis ouvir os trabalhadores antes de apresentar esta proposta, continua a não os querer ouvir verdadeiramente durante a discussão da proposta e hoje, em que milhares de portugueses estão aqui na rua, muitos milhares de portugueses estão nas ruas de todo o país, o governo continua a não os querer ouvir e pior, continua a querer menorizar o seu papel e a menorizar até os números desta enorme adesão à greve.
Jorge Pinto, candidato presidencial junto à Assembleia da República pelo Bloco de Esquerda. O coordenador do partido, José Manuel Pureza, apontou ao governo, acusa-o de falta de vergonha, devido ao que foi dito sobre a fraca adesão.
O governo entra no domínio da vergonha de si próprio quando diz que esta greve tem uma fraca adesão. Eu acho que isso só estimula, evidentemente, o movimento social, o movimento popular, tanta gente de tantas orientações diferentes que aqui está para dizer que aquilo que o governo quer é uma agressão, é um mero preconceito ideológico. Não há nenhuma razão para aquela reforma laboral.
José Manuel Pureza, em declarações à frente da Assembleia da República, pelo PCP, Paulo Raimundo juntou-se bem cedo à manifestação, criticou também este pacote laboral. Já o candidato presidencial apoiado pelo PCP, António Filipe, também esteve presente, mas confesso que acabei por já o perder de vista neste mar de pessoas. São milhares de pessoas frente ao Parlamento, mas não é apenas aqui que há manifestantes, até porque, Teresa Freire, há quem esteja longe da Assembleia da República, mas também essas pessoas não arredam pé.
Os manifestantes estão dispersos pelas ruas à volta desta zona. Também vemos muita gente no Jardim São Bento, que fica mesmo à esquerda da Assembleia da República. Se para aí estivermos virados, é nessa zona onde me encontro. Movimento continua a haver, há algumas pessoas que já estão a dispersar, mas continuam a chegar muitas outras. Pelo menos na zona onde estou, o ambiente já não é tão acompanhado por cânticos. Percebo que junto à Assembleia da República isso já é diferente, mas é mais acompanhado por conversas entre toda a gente que aqui está. Além de jovens, reformados e adultos, vejo também muitas crianças que vieram aqui acompanhar os pais neste dia de greve geral. Tive a oportunidade de, durante este tempo que aqui estou, de falar com algumas das milhares de pessoas que estão junto à Assembleia da República, umas mais velhas, outras mais novas, e entre os diferentes motivos que as levaram a estar aqui, há uma coisa que todas têm em comum: estão revoltados com este pacote laboral, seja porque acham que os vai prejudicar a eles, seja porque acham que vai prejudicar o futuro dos filhos, dos netos ou dos jovens em geral portugueses. Os ânimos estão um pouco mais calmos aqui nos arredores, mas também começa a ficar um pouco mais frio, daqui a pouco também começa a anoitecer, mas estes manifestantes, de facto, continuam sem arredar pé da Assembleia da República.
Os manifestantes ao lado da Assembleia da República, nas redondezas da Assembleia da República, também à frente da escadaria, que é o palco central onde está concentrado o maior número de pessoas. São milhares a protestar contra o pacote laboral em dia de greve geral em Portugal.
Reportagem do José Rafael Lopes e da Teresa Freire a acompanhar esta grande manifestação em Lisboa, neste dia de greve geral. De Lisboa, vamos até ao Porto, porque há também, Laura Figueiredo, manifestação na Avenida dos Aliados.
Uma manifestação que estava já a ficar com os ânimos mais calmos, mas neste momento os manifestantes começaram a dirigir-se aqui para a Praça Dom João I, onde fica o Rivoli, aqui ao lado dos Aliados, e já novamente com ânimos mais exaltados. Muitas pessoas ainda que estão revoltadas com estas alterações que o governo quer implementar ao pacote laboral. Alguns dos manifestantes falam num retrocesso, num regresso ao tempo da ditadura e trazem cartazes que dizem, por exemplo: "Não deixem a Luís trabalhar" ou também "Queremos paz, queremos pão e o fim da exploração". Vários sindicatos que por aqui passaram, que discursaram na carrinho que aqui estava da CGTP, também chamaram mentiroso ao ministro da presidência e também ao primeiro-ministro, depois do governo ter dito que a greve estava a ser inexpressiva. E vou agora também tentar falar aqui com um manifestante. Boa tarde. O que o trouxe aqui hoje?
Vim em prol dos meus colegas, que podem estar às vezes em situações mais precárias do que eu. E também, no fundo, não concordo com esta mudança de lei que vai dar azo em que não é avaliada a capacidade ou profissionalismo do trabalhador, mas sim a simpatia para dentro das empresas, porque ser despedido sem justa causa, mesmo que seja ilícito, sem haver a opção de retornar ao trabalho, acaba por ser uma injustiça das injustiças. Por isso é que eu não consigo compactuar e estou aqui de pedra e cal para ser contra esta causa.
E acredita que esta greve, esta paralisação, pode trazer efeitos concretos, pode fazer o governo recuar?
Eu espero que sim. Eu vim cumprir o meu direito e, pelo menos, que não haja uma injustiça com este pacote. É o objetivo.
Obrigada. Fica aqui o testemunho de um dos muitos manifestantes, aqui ainda na Avenida dos Aliados, onde o trânsito continua cortado, ainda com muita gente, com apitos, cartazes, também cravos e, como dizia a Vanessa agora, as pessoas começaram a deslocar-se aqui ao lado, para a Praça Dom João I.
Reportagem da Laura Figueiredo, em direto do Porto. Laura, gostava também de perguntar, como estiveste durante a manhã a fazer a reportagem em diferentes setores afetados, que níveis de adesão foste encontrando?
De manhã, o cenário que encontrei, por exemplo, na estação do metrô da Trindade, foi algo incomum para o que costuma ser aquela estação às 07h. Só a linha amarela estava em funcionamento, apenas quatro composições por hora que faziam a ligação ao Hospital de São João e Santo Ovido, em Vila Nova de Gaia. Portanto, foi uma adesão grande por parte dos trabalhadores do metrô. As restantes linhas tinham apenas viagens nas estações que têm em comum, entre a estação de Campanhã e a da Senhora da Hora, e havia lá várias pessoas de manhã que se queixavam na demora da chegada do metrô e que diziam que iam chegar atrasadas ao trabalho. Também na estação de São Bento estava um cenário invulgar, a maioria dos comboios suprimidos e durante a manhã passei também ainda na Escola Secundária Aurélia de Sousa, que tinha os portões abertos, mas sem aulas. Foi mesmo pedido aos alunos que regressassem a casa e por volta das 09h, a escola estava já vazia. Pelo que me disseram, lá havia apenas três funcionários na escola. Já no Hospital de São João, por onde estive também esta manhã, o cenário parecia, pelo menos, aparentemente, de um dia normal. Parte das consultas externas estava com bastante movimento e várias pessoas com quem falei confirmaram que conseguiram ter a consulta que estava marcada ou mesmo fazer exames. E de facto, mais tarde, a fonte do Hospital de São João confirmou-me que a adesão à greve neste hospital rondou os 45%, Vanessa.
Ponto de situação aqui feito pela Laura Figueiredo, a partir do Porto. O secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, aponta para que três milhões de cidadãos tenham aderido à greve, três milhões de trabalhadores. Uma paralisação que classifica de histórica.
É talvez a maior greve geral de todos os tempos. Isto tem um significado. Tem um significado, porque os trabalhadores sentem já hoje em dia as dificuldades da sua vida, as dificuldades que hoje a atual legislação laboral já lhes coloca e estão atentos. Atentos, percebem bem o conteúdo deste pacote laboral e o significado que o mesmo teria se alguma vez fosse implementado.
O secretário-geral da CGTP a enfatizar que os trabalhadores mostram com esta greve como rejeitam o pacote laboral do governo.
E precisamente pelo governo, duas vozes já se fizeram ouvir, de um ministro e do primeiro-ministro. Luís Montenegro desvaloriza esta greve geral.
Foi depois da reunião do Conselho de Ministros na residência oficial em São Bento, acompanhado pela ministra do Trabalho, Rosário Ramalho, foram poucas as palavras de Luís Montenegro, e sobretudo para dar a ideia de que o país não parou.
Uma coisa muito rápida. O país está a trabalhar e há uma parte do país que está a exercer o seu legítimo direito à greve. A parte que está a exercer o seu legítimo direito à greve é a parte minoritária, a parte largamente majoritária está a trabalhar e nós estamos também a trabalhar.
O primeiro-ministro a dizer que foi uma minoria a fazer a greve geral. Antes, no mesmo tom, tinha sido o ministro da Presidência, António Leitão Amaro, a classificar esta paralisação de inexpressiva.
O nível de adesão no conjunto do país à greve geral é inexpressivo. Em particular, no setor privado e no setor social, a grande maioria dos portugueses está a trabalhar.
Ora, o PS, pela voz do líder parlamentar Eurico Brilhante Dias, utiliza a expressão contrária.
A resposta dos trabalhadores ao pacote laboral é uma resposta expressiva. Esta greve geral é, a todos os títulos, um grande êxito. Esperamos que o governo oiça, veja aquilo que está a acontecer em todo o país. É uma grande derrota do governo.
É o que diz Eurico Brilhante Dias. Se o governo põe em causa a grande adesão à greve reportada pelos sindicatos e pelas imagens que vimos nas televisões, para o Partido Socialista, não há dúvidas de que os trabalhadores pararam em massa esta quinta-feira.
Enquanto há, como já ouvimos, candidatos presidenciais na manifestação da greve geral, outros estão a participar na terceira edição do Dia da Democracia, no Tagus Park, em Oeiras.
António José Seguro foi o primeiro. Diz que a greve geral desta quinta-feira poderia ter sido evitada e que a proposta do governo não dignifica os trabalhadores. Por isso, o candidato presidencial apoiado pelo PS deixa um apelo.
O que o país não precisa neste momento é de instabilidade social e, portanto, o governo tem que ter mais bom senso e humildade para perceber que criou um problema e que se meteu nesse problema e que agora a melhor maneira de o fazer democraticamente é retirar a sua proposta.
Para além de António José Seguro, também Marques Mendes, André Ventura e Henrique Coveia e Melo participam neste evento em Oeiras, em momentos diferentes.
Amanhã, o candidato apoiado pelo PCP, António Filipe, vai estar aqui na Rádio Observador, vai ser entrevistado nas manhãs, no Sobre Escuta Especial, depois do jornal das 09h. António Filipe é o nosso convidado.
E hoje no Parlamento, só dar nota também do debate potestativo pedido pela Iniciativa Liberal para discutir propostas relacionadas precisamente com o Código de Trabalho. A bancada do PSD teceu críticas ao líder parlamentar do PCP, Paula Santos, tendo em conta que apareceu hoje para trabalhar no Parlamento. Vamos até lá em direto na edição das 18h.
E neste dia de greve geral, o governo avança com 14 medidas na área da Justiça.
Estão a ser anunciadas precisamente a esta hora, Ricardo, na conferência de imprensa pós Conselho de Ministros. O combate às manobras dilatórias é uma das prioridades. O governo quer criar uma nova categoria de multa para atos manifestamente dilatórios, ou seja, aqueles atos que são interpostos para atrasar os processos judiciais. Adere com esta medida a uma proposta do Conselho Superior da Magistratura. Está aprovado também, neste Conselho de Ministros, o novo regime de perda alargada que resulta de regras europeias. A ministra Rita Juta, ex-ministra da Justiça, aposta ainda na eficiência dos processos de crimes econômico-financeiros e no combate à violência doméstica. É, de resto, uma das prioridades que definiu na abertura do ano judicial.
E há outras notícias a marcar a tarde desta quinta-feira, 11 de dezembro.
O ministro grego da Economia e Finanças foi eleito presidente do Eurogrupo. Vai tomar posse já amanhã para cumprir um mandato de dois anos e meio. Kyriakos Pierrakakis sucede ao irlandês Pascal Donohoe, que deixou o cargo para ser diretor-executivo do Banco Mundial. Este cargo, liderança do Eurogrupo, também já foi ocupado pelo ministro português, na altura, ministro das Finanças, Mário Centeno, que saiu há pouco tempo do cargo de governador do Banco de Portugal. O Prêmio Pessoa também em destaque. A escritora Lídia Jorge é a vencedora este ano, um prêmio de €70 mil que visa reconhecer a atividade de portugueses com papel significativo na vida cultural e científica de Portugal. Lídia Jorge, 79 anos, tem também assento no Conselho de Estado. A escritora já publicou mais de 20 obras, a mais recente, "Misericórdia", sobre a mãe que morreu durante a pandemia, no ar, um livro que também já foi premiado. Edição 39 do Prêmio Pessoa, a primeira depois da morte do criador deste prêmio, Francisco Pinto Balsemão. A GNR interceptou duas embarcações com 39 migrantes a bordo, incluindo menores, ao largo da província espanhola de Almeria. A primeira embarcação, que estava em avançado estado de degradação, tinha 22 migrantes. Na segunda, viajavam outros 17, incluindo quatro menores. As autoridades não revelaram as nacionalidades destes migrantes que seguiam em duas embarcações interceptadas pela GNR.
Vanessa Cruz vai regressar às 17h30 para atualizar as notícias.