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Vamos ao noticiário das 06:00. Atualizamos toda a informação, Miguel Vitor Dias.

Paulo Rangel não responde às palavras de Marcelo Rebelo de Sousa sobre Donald Trump, mas deixa uma garantia: é o governo que define as posições de Portugal sobre política externa.

Estamos aqui a falar das declarações do presidente da República na última quarta-feira, na Universidade de Verão do PSD, em Castelo de Vide. Perante os alunos dessa universidade de verão, o presidente da República classificou Donald Trump como um ativo soviético ou russo.

Agora, em declarações à RTP, o Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros lembra que as linhas da política externa portuguesa não cabem ao presidente, mas apenas e só ao governo.

Eu não comento, nem vou comentar declarações ou intervenções do senhor presidente da República. Em todo o caso, algo que é importante não deixar de sublinhar e que todos os nossos parceiros sabem, é que a condução da política externa, no caso do sistema constitucional português, cabe ao governo e, portanto, obviamente, que é através do governo que as posições de Portugal são veiculadas neste plano.

Paulo Rangel, ouvido hoje na RTP, sublinha a posição que Portugal tem quanto à guerra da Ucrânia e diz que as provocações da Rússia precisam de uma resposta à altura.

Já o presidente do Chega tem uma visão mais direta sobre o que disse Marcelo Rebelo de Sousa. Para André Ventura, Marcelo foi extremamente imprudente.

Para além de que não partilha da opinião do chefe de Estado, o presidente do Chega considera que os Estados Unidos da América são uns dos maiores aliados de Portugal. Por esta razão, André Ventura teme os efeitos das críticas de Marcelo Rebelo de Sousa, teme os efeitos que podem ter nas relações transatlânticas.

O presidente da República tem direito a ter a sua posição enquanto cidadão. Parece-me de uma certa imprudência que o presidente da República se refira a um dos nossos maiores aliados, os Estados Unidos da América, ao presidente dos Estados Unidos da América, um dos nossos aliados, dessa forma, com o potencial que aqui há de criar um conflito diplomático severo. Foi extremamente imprudente em fazer esse tipo de categorização.

André Ventura, numa declaração aos jornalistas na sede do Chega, em que manifestou novamente disponibilidade para negociar o Orçamento do Estado. Ainda assim, sublinha que vai ter linhas vermelhas, como por exemplo, não aumentar a carga fiscal e aumentar as pensões.

André Ventura falou do impacto das declarações de Marcelo Rebelo de Sousa. Esse impacto já é possível constatar na imprensa internacional.

Da Ucrânia à Rússia, passando pelos Estados Unidos, a classificação de Marcelo de ativo russo a Trump não passou despercebida. Em estúdio, temos a jornalista Matilde Malva Sabino. O que é que dizem os jornais russos e ucranianos?

No Kyiv Independent, recordam que o presidente de Portugal não é o primeiro político europeu a fazer estas acusações e relembram as afirmações do deputado britânico Graham Stuart, que levantou a possibilidade de Trump ter sido preparado pelo Kremlin ao longo dos anos. Já o RBC Ukraine escreve que o esforço de Trump para ser o principal mediador para a reconciliação entre a Ucrânia e a Rússia não deixaram uma boa impressão no presidente português. Citou Marcelo quando disse que as tentativas de Trump para resolver a guerra não foram benéficas para a Ucrânia. Já do lado russo, também houve reações, mas limitaram-se apenas a citar aquelas que foram as declarações do presidente português com algum contexto. Por exemplo, The Moscow Times explicam a opinião de Marcelo sobre a política de Washington e remetem para as declarações sobre Trump ser um ativo soviético e de estar a favorecer estrategicamente a Federação Russa.

Matilde, estas declarações foram também comentadas nos Estados Unidos.

Precisamente, a voz mais mediática a pronunciar sobre o assunto fora de Portugal foi um antigo alto funcionário do Departamento de Defesa dos Estados Unidos da América, Feth Jones. Nos estúdios da CNN Internacional, o especialista norte-americano admitiu que é um exagero classificar Trump como um ativo russo e referiu que é algo que já tinha ouvido de outros líderes europeus em privado. Ainda assim, considera que não existe qualquer prova nesse sentido. Na imprensa norte-americana, o nome de Marcelo Rebelo de Sousa não aparece, é apenas referido como um líder europeu que faz críticas a Donald Trump.

Matilde, houve mais países a comentar o tema?

As palavras de Marcelo também chegaram à imprensa na Índia, através da NDTV e do News Arena India. Descrevem a posição de Marcelo Rebelo de Sousa e escrevem: "Marcelo sugeriu que as ações de Trump podem enfraquecer a posição da Ucrânia ou podem até indiretamente favorecer a Rússia".

Destaques na imprensa internacional depois dessas palavras de Marcelo Rebelo de Sousa na Universidade do Verão do PSD. Foi esta semana, na quarta-feira, em Castelo de Vide.

Voltamos a Paulo Rangel. O ministro dos Negócios Estrangeiros deixa um aviso: o Estado não tem responsabilidade sobre a proteção da flotilha humanitária que vai à Faixa de Gaza.

A coordenadora do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua, que integra esta viagem, tem ao longo desta semana defendido que o governo tem a obrigação legal e moral de ajudar a flotilha. Disse isto até numa conferência de imprensa esta semana no Parlamento. A dois dias da partida deste navio, o Ministério dos Negócios Estrangeiros lembra, numa resposta enviada ao Observador, que à luz do direito internacional, o Estado português não tem responsabilidade jurídica em ajudar os navios.

O ministério de Paulo Rangel é claro, descreve a viagem como uma iniciativa autónoma da sociedade civil, que não tem qualquer vínculo a Portugal. Ainda assim, assegura que está prevista a proteção consular de Mariana Mortágua, Miguel Duarte e também Sofia Aparício.

O Partido Comunista quer ouvir com urgência o governador do Banco de Portugal no Parlamento. Em causa, a prescrição das coimas ao chamado "cartel da banca", relativas às práticas que ocorreram entre 2002 e 2013.

O Tribunal Constitucional rejeitou de forma definitiva o recurso apresentado pela Autoridade da Concorrência. As multas visavam 11 instituições bancárias, num total de 225 milhões de euros de multa

Agora o PCP quer esclarecer porque prescreveram todos os atos e apurar os motivos que levaram a Autoridade da Concorrência a demorar sete anos a aplicar as multas. O Partido Comunista critica a desigualdade de meios entre a banca e o regulador.

Não há linhas vermelhas sobre acordos com outros partidos, é o que defende o candidato do PSD à Câmara do Porto, Pedro Duarte. Entrevistado pelo Observador enquanto percorria as ruas da cidade no carpool das autárquicas, o social-democrata defende que a realidade local é diferente do que acontece a nível nacional.

Pedro Duarte foi questionado sobre um cenário em que, sendo eleito, teria de governar em minoria. Pedro Duarte lembra os compromissos institucionais que um autarca tem de cumprir e, portanto, admite pôr de lado diferenças ideológicas com o Chega.

Em termos autárquicos, não faz sentido linhas vermelhas quanto a forças partidárias. Faz sentido linhas vermelhas quanto a determinado tipo de princípios e políticas. Há algumas que eu não vou abdicar. As pessoas conhecem o meu pensamento, eu tenho pensamento humanista desde sempre e nós todos sabemos que o Chega se esquece muito desse tipo de valores e de princípios e vai atrás de populismos em que eu manifestamente não me revejo. Agora, isso não me dá o direito de de repente eu ter um capricho e ter uns amuos.

Pedro Duarte lembra até que o último autarca social-democrata na cidade invicta, Rui Rio, chegou a ter de fazer um acordo com o PCP para governar.

Caso não seja eleito presidente da Câmara do Porto, não promete ficar como vereador, assume que se está a candidatar ao cargo de presidente da Câmara. Pode ouvir a entrevista de Pedro Duarte já a seguir a este jornal, numa viagem conduzida pela jornalista Inês André Figueiredo.

Passam nesta altura sete minutos das 18h. Vamos agora, Miguel Viterbo Dias, a outras notícias que estão a marcar a atualidade.

João Almeida subiu hoje ao pódio da Volta à Espanha em bicicleta. O ciclista português é agora o terceiro classificado da geral. A vitória foi para o companheiro de equipa na Emirates, o espanhol Juan Ayuso.

João Almeida chegou à meta integrado no grupo dos principais favoritos e subiu, desta forma, três lugares na classificação geral. Está agora a 2min41s do camisola vermelha, o norueguês Torstein Traen. Amanhã é dia da oitava etapa que liga Benasque a Zaragoza, ao longo de quase 200 km.

E no futebol, Florentino Luís vai deixar o Benfica, rumo à Premier League, o destino vai ser o Burnley.

O Observador sabe que o acordo entre os dois clubes já foi fechado. Resta agora ultimar os pormenores. O médio deve ser emprestado com opção obrigatória de compra e é um adeus do jogador luso-angolano, que está ligado ao Benfica há já 15 anos.

O Departamento de Estado dos Estados Unidos da América vai revogar os vistos de membros da Organização para a Libertação da Palestina e da Autoridade Palestiniana. É uma garantia deixada pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.

A administração Trump explica que é do interesse da segurança norte-americana responsabilizar as instituições que comprometem as perspectivas de paz. A revogação dos vistos vai ser feita antes da próxima Assembleia Geral das Nações Unidas, mas a missão da Autoridade Palestiniana vai poder entrar no país para assistir ao plenário.