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Jornal das 6 com o jornalista Miguel Cordeiro. Vamos começar com as presidenciais e com a notícia de que António José Seguro recusa participar no debate organizado pelas rádios. André Ventura aceitou o convite e até havia duas datas disponíveis, 30 de janeiro ou 4 de fevereiro, mas Seguro recusou o convite, não aceita fazer mais do que um debate. Este debate das rádios é organizado pela Rádio Observador, pela Renascença, Antena 1 e TSF. Para terça-feira, às 20h30, está agendado o debate que será organizado e transmitido pelas televisões, pela RTP, SIC e TVI. Entretanto, avançamos para outras notícias, no que toca às presidenciais, porque António José Seguro agradece o apoio de Luís Marques Mendes, Miguel.

Esse apoio surgiu ontem e António José Seguro hoje disse que está feliz e que recebeu com agrado essa informação de que Luís Marques Mendes apoia António José Seguro nesta segunda volta. E sobre essa questão do debate, o candidato apoiado pelo Partido Socialista quis, durante esta tarde, recordar o número de debates que fez durante o período de campanha eleitoral para a primeira volta e também durante a pré-campanha. Disse que vai ter ainda um debate e não respondeu à provocação do adversário. Disse que só se pode rir perante essa provocação. Agradeceu também o apoio de Marques Mendes. Já hoje tinha dito António José Seguro que não seria um obstáculo ao governo, mas também esta tarde tomou posição sobre a reforma laboral para dizer que se for eleito presidente, não vai promulgar alterações à lei laboral sem que haja um acordo em sede de concertação social.

E Seguro continua a somar apoios políticos. Esta tarde, mais 500 nomes ligados ao setor da cultura subscreveram o manifesto de apoio a Seguro.

E nesse manifesto lê-se que o apoio é concedido ao candidato que garante democracia, garante a proteção do Estado social e garante o respeito pelos mais frágeis. Vários nomes, são 500 nomes ligados ao setor da cultura, entre eles o Henry Ninho, Nuno Markl, Luís Presas, Maria do Céu Guerra, membros dos Xutos & ​​Pontapés, Martim Sousa Tavares, alguns exemplos de assinantes deste manifesto.

E aqui na Rádio Observador, Sebastião Bugalho, o eurodeputado eleito pelo PSD, disse que o eleitor da AD não quer instabilidade na presidência.

Palavras numa entrevista ao programa "Vichy Suave", o eurodeputado Sebastião Bugalho diz que a opção de um eleitor da Aliança Democrática só pode ser uma.

A mim parece-me claro que um eleitor do PSD, um eleitor da AD, não quer instabilidade, não quer a tentação constante de convocar eleições ou dissolver a Assembleia da República.

Declarações de Sebastião Bugalho, que diz que a melhor opção recai em António José Seguro.

E entretanto, o coordenador do Bloco de Esquerda deixou críticas à neutralidade do PSD Iniciativa Liberal.

José Manuel Pureza entende que é uma forma de normalização da extrema-direita em Portugal e acrescenta que é inaceitável que isso esteja a acontecer.

Seguimos agora para as consequências da passagem da depressão Ingrid. Entre a meia-noite e as 16h, a Proteção Civil registou mais de 400 ocorrências, Miguel.

Balanço feito à Rádio Observador por José Costa, chefe de operações da Proteção Civil.

Entre a meia-noite e as 16h de hoje, temos 427 ocorrências relacionadas com a meteorologia adversa. Foram 139 quedas de árvore, 141 limpezas de via, 73 quedas de estruturas, 45 movimentos de massa e 29 inundações. Nestas ocorrências, foram empenhados 1400 operacionais e 593 meios terrestres.

Detalha também a Proteção Civil que a região Norte tem sido a mais afetada. 172 ocorrências também até às 16h.

Entretanto, há uma outra notícia que está a marcar esta sexta-feira, que pode constituir um novo caso de atraso no socorro. Um homem de 45 anos morreu ontem depois de esperar mais de 20 minutos pelos meios de socorro.

Aconteceu em Abrantes, distrito de Santarém. A notícia foi avançada pela Agência Lusa e foi também detalhada à Rádio Observador durante esta tarde pelo comandante dos Bombeiros de Abrantes. António Jesus diz que é impossível cumprir o tempo de oito minutos para qualquer caso, principalmente por causa do estado das estradas.

É humanamente impossível cumprir a chegada nos oito minutos. Aqui não está em causa a demora do socorro, o tempo que demorou, porque são 13 minutos daqui até ao Tremendal, quem vive aquelas zonas sabe que isto não é possível. É o tempo que dá.

Posição do comandante António Jesus, que indica que os bombeiros demoraram 16 minutos a chegar ao local. De acordo com a Fita do Tempo, que a Agência Lusa detalhou também durante esta tarde, o INEM foi contactado pouco antes das 7h30 para a situação de um homem em paragem cardíaca. Cinco minutos depois, os bombeiros foram acionados. A viatura de emergência médica foi enviada para o local, chegou apenas por volta das 8h.

Importa regressar aqui ao estado do tempo, porque o IPMA prevê que a queda de neve se acentue nas próximas horas.

A meteorologista Ângela Lourenço explica que a queda de neve deve chegar agora a regiões mais a sul do território continental.

Nas próximas horas, tem estado a ocorrer queda de neve em muitos locais das regiões do interior Norte e Centro, em muitos locais que até normalmente não costuma ocorrer neve, portanto, a cota é um pouco mais baixa. E o que se espera nas próximas horas é que esta situação se mantenha, inclusivamente com a descida da temperatura Pode então haver queda de neve até mais para sul. Estamos a falar do Ribatejo, estamos a falar do Alto Alentejo, até no Algarve, nos pontos mais altos da serra de Monchique.

A partir de amanhã de manhã a precipitação continua, a queda de neve volta às cotas mais comuns no território continental e maioritariamente no interior norte e centro. Há outros fenómenos a acontecer hoje que a meteorologista considera importante referir.

Hoje, em particular, temos estado também a ter registos de queda de granizo. Hoje é uma situação com alguma instabilidade e existem condições para queda de granizo e trovada, acompanhadas de trovada.

Nas próximas horas mantêm-se as condições para a queda de granizo. Ângela Lourenço, meteorologista, alerta também para a forte agitação marítima que se tem sentido, que se vai continuar a sentir nas próximas horas até amanhã de manhã, pelo menos.

E há outras notícias a marcar a tarde desta sexta-feira, 23 de janeiro.

Portugal reafirma um lugar no pódio entre os países que apresentam a maior taxa de execução do PRR depois do oitavo pagamento. Isto é o que defende a estrutura de missão Recuperar Portugal. A Comissão Europeia aprovou hoje o oitavo pedido de pagamento do PRR no valor de 1100 milhões de euros. O Bloco de Esquerda apresenta um voto de solidariedade com o autor da publicação alvo de queixa por Luís Montenegro. Em causa uma partilha na rede social X de uma falsa publicação do presidente dos Estados Unidos da América. Trata-se de uma imagem com uma mensagem alegadamente atribuída ao primeiro-ministro português. Luís Montenegro disse ontem que ia avançar com uma queixa contra o utilizador, Volks Vargas, por divulgar conteúdos desinformativos. O Bloco de Esquerda mostra-se solidário com Luís Vargas, o autor da publicação, e condena qualquer tentativa de censura. No voto apresentado pelo deputado único Fabian Figueiredo, é realçado o direito à liberdade de expressão, mesmo quando se tratam de visões satíricas. Para fechar, Ricardo, já te imaginaste a escrever canções?

Quem nunca, Miguel, mas felizmente não há registo.

A carreira de compositor passou ao lado.

Esse caderno perdeu-se no tempo.

Eu venho falar de canções de Luís Vaz de Camões.

Tu estavas a comparar. Ok, Miguel, continua.

Acho que aqui nenhum de nós conseguiu ouvir Camões cantar ou acompanhá-lo a escrever canções. Mas sabemos que canções de Camões vão agora ganhar nova vida, porque o Estado comprou um cancioneiro raro do poeta português por €70 mil.

É um bom investimento.

É um bom investimento, é verdade. Estamos a falar de um documento único e é um dos três cancioneiros mais importantes da época de Camões.

Mas são vários poemas de Camões que não eram conhecidos?

Não eram conhecidos, estavam guardados. O cancioneiro reúne textos de Camões, entre os quais versos inéditos, mas há mais, há composições de outros autores da época, Gil Vicente, Sá de Miranda, António Ferreira, Jerónimo Ribeiro e António Prestes. No fundo, é uma espécie de antologia manuscrita do século XVI e, de acordo com a ministra da Cultura, Madalena Valeiro Lopes, o manuscrito acabou de chegar à Torre do Tombo e vai haver um trabalho ainda técnico de desenvolver, seguindo-se a avaliação das formas de preservar e de valorizar esta aquisição feita pelo Estado português. Só depois disto é que pode começar o processo de dar vida a este cancioneiro.

Camões fica sempre bem a fechar o jornal, o jornal das 18h, e o Miguel Cordeiro vai regressar às 18h30 para atualizar as notícias.