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Jornal das seis, com a jornalista Vanessa Cruz.

O primeiro-ministro admite que os danos do mau tempo são maiores do que se estava à espera. De visita a Coimbra, depois de já ter passado por Leiria, Luís Montenegro anunciou que o Ministro da Economia vai reunir-se com as comunidades intermunicipais para tentar calcular o valor dos prejuízos. Já vamos daqui a pouco em direto até Coimbra, ao encontro do Luís Soares, mas primeiro, nesta edição, entrevista com o secretário de Estado da Proteção Civil, Rui Rocha. Muito obrigada pela disponibilidade, por estar na tarde política da Rádio Observador. Soubemos mesmo há pouco que o governo decidiu alargar o estado de calamidade até à meia-noite do próximo domingo, dia 1 de fevereiro, e que a declaração hoje aprovada abrange pelo menos 60 municípios. Pode dar-nos exemplos desses municípios abrangidos?

Sim, boa tarde, obrigado pelo convite. Como disse, estou a sair de Coimbra e tenho estado todo o dia a acompanhar também aqui a visita do senhor primeiro-ministro a estes territórios e, por isso, a informação que agora vou também tomar conta é a informação que o senhor Ministro da Presidência apresentou sobre os municípios que vão ser contemplados nesta situação de calamidade, sendo que abrangerá todos aqueles que acionaram os seus planos municipais de emergência e todos aqueles que estão identificados como tendo sido também alvo da passagem devastadora desta depressão Cristina. Não tenho agora aqui presente a lista dos 60 que referenciou, mas os princípios são esses e também deriva esta minha curta explicação pelo facto, como disse-

Sim, está em trânsito também agora.

E no terreno e, sobretudo, porque, de facto, isso me permite, é algo que não está a ocupar toda a nossa atenção, porque é evidente que é muito importante dar também esse sinal daquilo que é o futuro próximo e aquilo que é a situação de calamidade.

Senhor Secretário de Estado, peço desculpa de interromper. O senhor foi presidente da Câmara de Ansião, conhece bem a região. Que cenário é que encontrou? Ajude-nos lá aqui a perceber um bocadinho melhor que cenário é que encontrou no terreno.

É um cenário devastador. De facto, há concelhos com menor incidência. A rota principal da depressão Cristina, de facto, é um cenário devastador, que desde ontem eu andei também em contacto com muitas quedas de árvores. Nós hoje de manhã já tínhamos mais de 6 mil ocorrências registadas, sendo que aquilo que preferia dizer há pouco, há ainda alguns dados que nós não temos por falta de comunicações e, portanto, telhados que voaram literalmente. Hoje, com esta preocupação maior também das pessoas perceberem que continuando o tempo de chuva, as suas casas começam a ficar cheias de água, muitas empresas do tecido empresarial também muito afetado e isso já fez alguma desobstrução, em muitos concelhos já quase na sua plenitude das vias. Há aqui nestas questões que são críticas e que nos limitam a nós próprios, membros do governo, que estamos no território e que, entre maus momentos, ficamos limitados nas comunicações normais, apesar da nossa rede de comunicações. E por isso, como dizia, não deixando de relevar a importância daquilo que pode apresentar a declaração de situação de calamidade, neste momento, a nossa prioridade ainda é tentar garantir aquela que é a normalidade possível para as pessoas.

Mas ao abrigo desta situação de calamidade, que tipo de apoios é que podem ser dados em concreto?

Isso ainda vai ser apresentado, porque aquilo, como digo, acho que é um sinal importante para toda a população saber que o governo está sensível. E o senhor primeiro-ministro hoje esteve também no terreno a percecionar aquilo que foi a dimensão desta depressão no território. Mas como digo, para além disso, que há de ser em pormenor, com o senhor ministro da Economia a dar a conhecer os apoios, as formas, de que tipologia, aquilo que ainda está a ocupar toda a nossa atenção é esta retoma da normalidade que estava a relatar. Há ainda, sobretudo nesta região de Leiria, ainda há muita gente sem energia, sem fornecimento de energia, sem comunicações. Isso, em alguns casos, também limita a própria agilidade na chegada de alguns apoios, que tem que ser feito quase pessoalmente.

E como é que está, por exemplo, o acesso à alimentação, a telhas, enfim, algum material para a comida?

Como imaginarão, estamos também a recorrer às próprias Forças Armadas para que numa primeira fase, sobretudo, porque não vai ser possível ter empresas e disponibilidade para fazer a reposição dos telhados, mas pelo menos com plásticos, com lonas, se possam dar as condições mínimas ou minimizar aquilo que possa ser a influência da chuva nestes dias, enquanto não se consegue resolver essa questão. Portanto, é nesse patamar, eu também enquanto secretário de Estado da Proteção Civil, mas também os meus colegas que também estiveram comigo no terreno, quer o da Energia, quer também o das autarquias locais, que estamos muito ainda empenhados em garantir a retoma dessa normalidade para depois, e a seu tempo, será dada a conhecer quais as formas de apoio, o seu enquadramento, aquilo que também o senhor primeiro-ministro já transmitiu no conjunto de agilização de procedimentos, quer para os cidadãos, quer para as empresas, quer mesmo também para as autarquias locais que têm muitos edifícios danificados. E, portanto, que é importante também dar a conhecer o conjunto de apoios e também agilizar a sua execução, porque, de facto, é importante que a normalidade regresse.

Porque as pessoas estão a precisar agora, não é? Estão a precisar de ajuda agora.

Sim, mas como digo, primeiro temos que dar este regresso para que possam regressar às suas casas, para que possam fazer essa normalidade depois daquilo que aconteceu ontem. E claramente que, como disse e muito bem, que depois destes apoios, aliás, à semelhança do que também aconteceu no verão passado, até pequenos apoios que foram dados e com uma agilidade e uma rapidez na entrega que foi verificada pela esmagadora maioria de todos aqueles que foram os beneficiários, porque é disso mesmo que as pessoas precisam, que essa resposta também seja efetiva e rápida.

O primeiro-ministro recusou hoje falhas graves no SIRESP, mas temos aqui o presidente da Câmara da Batalha a dizer que a Batalha continua sem acesso ao sistema de comunicações de emergência desde o meio-dia de ontem.

É assim, o senhor primeiro-ministro relatou e eu próprio, desde ontem e hoje no terreno, que quer pelo comando subregional, quer pelos autarcas que ainda hoje nos referenciaram, que em momentos críticos a única rede disponível para comunicar foi a rede SIRESP. Agora, é evidente que há casos particulares e esse caso concreto que foi relatado com o senhor autarca da Batalha, com quem também já estive a falar, que derivam de um conjunto de circunstâncias, desde logo a torre da Serra dos Candeeiros, que também teve problemas de danos. Outro que também teve muita incidência e que deriva da velocidade do vento, que foi completamente fora daquilo que era expectável.

Portanto, não está a funcionar, é isso?

Não, está a funcionar. O que estou a dizer é que momentaneamente e nalguns locais pode não ter funcionado. Agora, como estou a dizer, ainda hoje em reuniões com autarcas, referenciaram que em muitos momentos a única forma de comunicar foi através da rede SIRESP. Agora, deixe-me só, porque é importante que as pessoas também percebam para garantir também a tranquilidade e a segurança. A velocidade foi tamanha e hoje já me relataram que foram medidas velocidades ainda superiores, mas as de ontem teriam atingido cerca de 180 km/h.

Já tivemos agora um registo de 208, salvo erro.

E isso desalinhou completamente também aquilo que era a orientação das próprias torres com o satélite e que levou a alguns problemas que podem ter surgido.

Mas não é suposto este sistema, deixe-me pôr as coisas assim, resistir a tudo?

É assim, se fosse suposto, também não teríamos, e foi também uma decisão deste governo e que apresentará até o final deste mês um relatório de um grupo de trabalho para também fazer essa avaliação e ter essa reflexão, sobretudo naquilo que também aconteceu no apagão. Agora, o que quero significar é que o que terá acontecido neste episódio não foi crítico do ponto de vista daquilo que é dar resposta àquilo que eram os problemas. Portanto, não foi. E funcionou na sua esmagadora maioria.

Mas esse episódio, peço desculpa de insistir nisto, senhor secretário de Estado, mas esse episódio estamos a falar de quê? Trinta segundos, um minuto, dois minutos? É que nós não conseguimos perceber bem o que é que são essas quebras momentâneas.

Eu confesso que a única situação que tenho relatada é do senhor presidente da Câmara da Batalha, que refere aquilo que terá transmitido a voz, uma audição longa e prolongada, mas quanto a todos os outros, e isso pode ter incidência, porque como dizia, a torre da Serra dos Candeeiros é ali próxima, mas todos os outros com quem tenho falado têm dado conta do funcionamento da rede SIRESP. De qualquer forma, para dizer que para além dessa rede SIRESP, e temos também outro tipo de contactos naquilo que é os principais agentes de proteção civil para garantir, desde os rádios satélites, desde outra rede própria dos bombeiros, que podem ser redundâncias a esse sistema no caso de se verificar necessário. O que também quero dizer não deixa de significar essa questão, mas o que também quero dizer foi que não foi por isso que não foi dado atendimento a todas as questões que se impunham nesse momento.

Uma última pergunta, Rui Vasco: o que mais o preocupa agora e para as próximas horas?

Olha, preocupa-me, por um lado, estas questões que ainda temos pendentes da energia e das comunicações, porque isso é muito relevante para que as pessoas possam, muitas, ter as condições de, como eu dizia há pouco, da normalidade possível no dia de hoje. E depois também porque, como referia, ontem foi o dia em que tudo aconteceu. Hoje as pessoas também começam a ter um contacto maior com aquilo que são os estragos, a questão dos telhados nas habitações. E também porque ainda estamos com fragilidade, no sentido de que para a próxima semana não se apresentando nada, como é evidente, que se assemelha àquilo que aconteceu, mas há a previsão de chuva e de vento, que seriam situações normais num outro qualquer período, mas que a somar àquilo que aconteceu e com a saturação dos terrenos, obrigam ainda aqui a um conjunto de recomendações e de cautelas que as pessoas deverão ter nos próximos dias, sendo que isso também naqueles territórios que são de zonas ribeirinhas, terão com certeza também o problema das inundações, como também já está a acontecer nalguns concelhos. Ainda hoje estivemos em Coimbra, ainda há pouco também falei com o autarca de Alcácer do Sal, bem como também em Silves, que já observámos. E, portanto, ainda teremos aqui uns dias de grande preocupação no sentido de conseguirmos antecipar, nalguns casos, e acompanhar todas essas questões para que se possa, de facto, perante esta devastação, devo dizer que naquilo que era a previsão que o próprio IPMA tinha desta bomba meteorológica

Ela foi ultrapassada e causou estragos muito maiores do que se esperaria, atendendo também à sua dimensão. Ainda temos aqui, nos próximos dias, uma tarefa árdua, com uma grande palavra de reconhecimento e de agradecimento a todos os agentes de proteção civil, que estão a ser mobilizados de todo o país, também para as zonas mais afetadas, e também à população, porque, de facto, é preciso dar essa palavra de solidariedade, de apoio e pedir esta compreensão de que estamos todos juntos e empenhados em retomar um conjunto de questões que, face a esta adversidade e à sua dimensão, ainda não foram possíveis até ao dia de hoje.

E ainda se esperam dias difíceis. Muito obrigada, senhor Secretário de Estado da Proteção Civil, Rui Rocha, que esteve conosco na "Tarde Política". O primeiro-ministro está em Coimbra e Luís Soares, agora em direto, ficou surpreendido com a dimensão dos estragos que encontrou.

Esteve sim em Coimbra, o primeiro-ministro, como também esteve em Ansião e em Leiria, a dar conta e a ver com os próprios olhos, no terreno, os estragos, que são naturalmente mais avultados em Leiria, um pouco menos em Coimbra, mas em Coimbra viu o aeródromo municipal com o telhado totalmente arrancado, com 1 milhão de prejuízos entre a infraestrutura e também alguns aviões. Foi também aos serviços municipalizados de transportes de Coimbra, que também ficou com uma cobertura totalmente arrancada, os funcionários tiveram que ir trabalhar para casa, alguns ficaram a fazer a limpeza, a tirar alguma mobília e alguns equipamentos do sítio para sítios em que pudessem efetivamente estar seguros e não estar debaixo de chuva. O primeiro-ministro acabou por dar conta de que os prejuízos são muito avultados. Tão avultados que não é possível ainda contabilizá-los e para isso, já amanhã, haverá uma reunião do ministro da Economia com as comunidades intermunicipais para fazer essa avaliação.

Em termos de valores, confesso que neste momento é mesmo prematuro. Nós amanhã mesmo teremos o ministro da Economia e da Coesão Territorial a reunir com as comunidades intermunicipais e, portanto, com os senhores autarcas, para tentar fazer um primeiro levantamento, concelho a concelho, município a município, região a região, comunidade intermunicipal a comunidade intermunicipal. Isso é necessário para nós podermos decidir as nossas fontes de financiamento interno e também para podermos candidatar-nos a fontes de financiamento, nomeadamente à escala europeia.

Já quanto às críticas dos autarcas, de que o governo terá chegado tarde a acudir a quem precisava, Luís Montenegro recusa essas críticas, diz que o governo até começou a atuar antes de alguma coisa ter acontecido.

Nós estamos em contacto desde a primeira hora com todos os autarcas. No caso dos municípios mais afetados, em muitas circunstâncias, e até porque muitos dos membros do governo estavam precisamente nesses territórios, a própria comunicação entre os autarcas, uns com os outros, os autarcas connosco, foi difícil. E, portanto, a primeira diligência que nós tomámos foi falar com os presidentes das comunidades intermunicipais, pedindo-lhes a eles o auxílio para que, na rede, eles pudessem contactar diretamente todos os presidentes de câmara envolvidos. Eu estou em condições de garantir que isso foi feito. Não há nenhuma dúvida quanto a isso.

A garantia deixada por Luís Montenegro, primeiro-ministro, que esteve a prestar declarações aos jornalistas agora ao final da tarde, depois de visitar alguns dos locais mais afetados em Coimbra, a garantir que o governo está e estará com todos aqueles que precisarem, apelando também à solidariedade de todos neste processo, tanto de autarcas, como de governo, como de instituições, para que todos juntos possam levar em frente esta reconstrução, que vai demorar tempo, vai ser preciso dinheiro e também a União Europeia irá ser chamada a ajudar naqueles fundos que são possíveis, aos quais é possível candidatar-se para obter mais fundos europeus e mais dinheiro para ajudar também na reconstrução.

Reportagem do Luís Soares, que tem estado a acompanhar o primeiro-ministro. Luís Montenegro tem visitado as zonas mais afetadas pelo mau tempo. Os candidatos presidenciais têm tido abordagens diferentes na campanha em relação aos efeitos desta depressão. André Ventura está hoje em Leiria, em campanha, sendo que tem rejeitado estar a aproveitar politicamente os estragos causados pela depressão, Christine. António José Seguro já foi a Leiria ontem, mas sozinho, sem jornalistas. Assume fazer o mesmo noutras regiões afetadas ainda durante o dia de hoje. E decidiu adiar o comício que estava marcado para logo à noite, em Almeirim, no distrito de Santarém, até porque é uma zona também bastante afetada pelo mau tempo. António José Seguro diz que não é altura de tirar dividendos políticos. O candidato apoiado pelo PS acaba de receber um apoio de peso nesta segunda volta das presidenciais. É do antigo presidente da República, António Ramalho Eanes, diz que se identifica no pensamento democrático e partilha o entendimento de Seguro sobre as competências e o exercício da função de chefe de Estado. Ainda uma última informação, Ricardo, sobre a circulação na linha ferroviária do Norte. Continua suspensa nesta altura entre Lisboa e Porto para os comboios de longo curso e também o serviço da linha do Oeste não está a funcionar.

E já voltamos a atualizar as notícias às 18h30 com a jornalista Vanessa Cruz.