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Jornal das 6 com o Luís Soares. Já vamos recuperar o essencial do debate no Parlamento, mas primeiro, um salto ao exterior do edifício, porque para daqui a pouco está marcado um protesto contra a violência policial nas acampadas.
É uma concentração promovida pela plataforma Casa para Viver. Vamos, desde já, em direto para a praça frontal ao Parlamento, Praça de São Bento, onde está o Miguel Pina Andrade. E por enquanto, Miguel, ultimam-se os preparativos para esta concentração. Vamos já tentar o contato com o Miguel Pina Andrade, que vai estar no exterior do Parlamento para acompanhar este protesto, numa altura em que se ultimam os preparativos. Miguel.
Sim, Luís, já se juntam os últimos condimentos daquela que será uma noite de protestos. Já aqui um palco montado à frente da escadaria do Palácio de São Bento, que já está devidamente protegida com as grades e blocos de cimento da PSP, que caracterizam a escadaria do Palácio de São Bento nos dias de manifestação. Há mais de uma centena de pessoas aqui na praça, isto apesar da estrada ainda não estar cortada, algo que deverá acontecer em breve. Já se vão ouvindo alguns cânticos que temos ouvido nos últimos dias nas acampadas e ouvem-se de umas colunas que aqui foram instaladas, músicas de protesto da altura do 25 de Abril, que marcaram a revolução do 25 de Abril. Ao que o Observador apurou, alguns dos comerciantes das lojas aqui à volta foram notificados ontem que teriam de encerrar até às 18h. Dar conta que há aqui um grande contingente policial com cerca de uma dezena de carrinhas da Unidade Especial da Polícia e várias dezenas de agentes. Esta é uma manifestação convocada pela plataforma Casa para Viver, como dizias, em protesto contra aquilo que considera-se ter sido uma violência policial na dispersão das acampadas de Lisboa e do Porto. A acampada de Lisboa já se associou à iniciativa, pela que depois da manifestação seja montada, à frente do Parlamento, a habitual assembleia popular, a primeira que não terá o Rossio como palco, e é nessa altura que os manifestantes devem tomar a decisão sobre se as tendas ficam ou não recolhidas. À semelhança do que tem acontecido na última semana, espera-se mais um dia de protestos, com muita gente já à frente da Assembleia da República a ser vigiada por um forte contingente policial.
Um protesto que está marcado para às 18h30. O Miguel Pina Andrade vai acompanhar no exterior do Parlamento esta concentração contra a violência policial que se registou nas acampadas de Lisboa e também do Porto.
E o primeiro-ministro falou hoje, depois de um silêncio de 11 dias, para elogiar a atuação da PSP nas manifestações pelo direito à habitação. O tema acabou por marcar o arranque do debate do Orçamento do Estado, que ainda decorre a esta hora no Parlamento, Luís.
É, e foi logo na intervenção inicial que Luís Montenegro deixou elogios à atuação da PSP. Diz que tem sido competente a repor a normalidade.
A Polícia de Segurança Pública tem sido especialmente cuidadosa e competente na reposição da normalidade, sempre que se verificam excessos e desrespeito pela lei e pelos direitos dos outros cidadãos. Presto público reconhecimento aos nossos polícias pela pedagogia, pelo profissionalismo, pelo equilíbrio.
O elogio de Luís Montenegro à PSP, o primeiro-ministro aproveitou para responsabilizar os antigos governos de esquerda pela atual crise na habitação.
Faltam muitas casas em Portugal porque durante 10 anos ninguém as construiu. Como podem os socialistas, os comunistas, os bloquistas culpar uma lei do arrendamento que ainda nem sequer foi aprovada?
E nesse sentido, Luís Montenegro elencou medidas que o atual governo tem estado a tomar para fazer face ao problema da falta de habitação. Já o líder do Chega, André Ventura, questionou o primeiro-ministro sobre onde esteve até hoje.
Onde é que andou? Onde é que andou durante todo este tempo em que o país se debatia? Onde é que andou quando o país se debatia com manifestações em todas ou muitas das suas cidades, em que polícias eram agredidos, ofendidos e o Estado de direito ameaçado permanentemente e o país não sabia do seu primeiro-ministro?
Na resposta a André Ventura, Luís Montenegro disse que tem estado a trabalhar. Do lado do PS, José Luís Carneiro, que foi ministro da Administração Interna, tentou não condenar a polícia pela ação que teve e responsabiliza o governo pelas orientações políticas que terá dado.
O direito de manifestação nunca foi incompatível com o Estado de direito democrático. Senhor primeiro-ministro, o uso da força é uma última e uma derradeira opção. As forças policiais cumprem orientações do poder político.
Na resposta a José Luís Carneiro, Luís Montenegro lembrou a operação policial de abril de 2023, quando José Luís Carneiro era Ministro da Administração Interna, sublinhando que não terá sido o agora líder do PS a dar ordens para a atuação da polícia nessa altura.
Quem também quebrou hoje o silêncio foi o presidente da República. António José Seguro lamenta a carga policial que aconteceu em Lisboa.
Diz mesmo que não gostou do que viu.
A cultura portuguesa é uma cultura de diálogo. Não é uma cultura de violência, nem é uma cultura de confronto. Não gostei do que vi nas imagens recentes, designadamente em Lisboa, no passado sábado. E desde as 07h desse domingo, tenho estado sempre atento
Preocupado, a recolher a informação, a exigir as informações de quem devo. Não gostei do que vi, tal como estou convencido, a maioria dos portugueses, porque não são imagens normais para uma democracia consolidada.
O Presidente da República diz que exigiu justificações a Luís Montenegro na reunião semanal. António José Seguro garante que não está, nem vai ficar parado.
Não fiquei quieto, porque recentemente convidei os partidos para uma reunião que vai ocorrer na próxima quinta-feira, convoquei o Conselho de Estado e amanhã mesmo vou reunir com especialistas na área da habitação. Tenho estado ativo, tenho estado vigilante e continuarei vigilante na garantia do Estado de Direito Democrático no nosso país.
António José Seguro exige celeridade ao inquérito da Inspeção Geral da Administração Interna, a atuação da polícia na madrugada de sábado para domingo, em Lisboa.
Em Israel, as eleições legislativas que decorrem hoje continuam a bater recordes de afluência.
E a Comissão Eleitoral diz mesmo que não se verificava uma afluência destas às urnas a nível nacional desde 1973. Tanto o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, como o principal rival, o antigo chefe do exército Gadi Eizenkot, já votaram. Vamos agora ao encontro do enviado especial a Israel, Pedro Jorge Castro. Pedro, é a enorme participação que está a marcar este dia eleitoral em Israel.
É sim. Às 18h aqui em Jerusalém, menos duas horas em Lisboa, tinham votado 66% dos eleitores, portanto cinco milhões de pessoas. 66% é um número estonteante para os padrões a que estamos habituados a ver. Há quatro anos a esta hora tinham votado 57% dos eleitores, o que dá bem a dimensão da diferença. Quando faltam ainda quatro horas para fecharem as urnas, estava previsto para às 22h, já tinham votado mais pessoas do que em todas as eleições de há quatro anos. Vamos ver se as urnas fecham mesmo às 22h, porque há aqui várias coisas a acontecer. Tanto o Likud, de Benjamin Netanyahu, como o Shas, o partido ultraortodoxo, pediram para as urnas se mantiverem abertas pelo menos mais uma hora, devido às filas em muitas assembleias de voto. Depois, há sinais aqui de que o Likud e Benjamin Netanyahu estão a temer que isto pode não correr bem. Por um lado, têm aqui registo de 600 reclamações por erros e falhas nas cabines de voto, os departamentos do Likud não correr a nível nacional. Por outro, há indícios de que houve uma reunião no Likud para se prepararem para desafiar os resultados, para contestar os resultados que saírem da eleição desta noite. Isto pode indiciar que se calhar nem vamos ter resultados fechados, oficiais, que não sejam depois postos em causa em tribunal quando chegar ao fim do dia. Outro pormenor interessante, coisas que não estamos habituados a ver em Portugal e que também são proibidas aqui, mas o primeiro-ministro deu uma entrevista hoje numa rádio ultraortodoxa a dizer às pessoas que não estão a votar ao nível a que era suposto. Não está a haver um nível elevado de afluência às urnas entre os ultraortodoxos, e a avisá-los de que o mundo da Tora vai ruir se eles não forem votar. Isto também é uma história, creio que extraordinária e que surpreenderá muitos dos nossos ouvintes. Vamos continuar aqui a acompanhar até à emissão especial de logo.
Uma emissão especial que arranca às 22h no YouTube e que terá diversos convidados e comentadores. Também vai ser possível ouvi-la na rádio e vai contar, naturalmente, com os enviados da Rádio Observador, Pedro Jorge Castro e também o João Porfírio.
E há outras notícias também a marcar esta tarde, Luís.
No Brasil, Flávio Bolsonaro não cumpriu o prazo determinado pelo Supremo Tribunal Federal e não entregou o passaporte à Polícia Federal até hoje de manhã. A decisão foi tomada no processo em que o candidato derrotado nas eleições brasileiras e um advogado são investigados por lavagem de dinheiro. Por isso, foi determinado o cancelamento de todos os passaportes emitidos pelo Brasil em nome de Flávio Bolsonaro, incluindo os diplomáticos. Um jornal argentino está a avançar que Flávio Bolsonaro terá saído do país pela fronteira. As autoridades brasileiras ainda estão em contacto com as argentinas, nomeadamente a Polícia Federal, para verificar se há ou não algum registo de entrada no país vizinho. Até o momento, a informação não foi confirmada oficialmente, a informação de que Flávio Bolsonaro saiu do Brasil. E depois da anteestreia, na passada quinta-feira, já está disponível o segundo episódio do novo podcast+ Observador. Chama-se "As Sombras de Duarte Lima".
É uma série para ouvir em seis episódios, que no fundo reconstitui a investigação à morte da portuguesa Rosalina Ribeiro no Brasil.
E que revela também como Duarte Lima acabou por ser acusado do crime pela Justiça brasileira.
Rosalina passa a trabalhar como secretária do Lúcio Feteira e é apresentada a chefes de Estado e grandes banqueiros. Não fala inglês, mas começa a acompanhar Lúcio nas deslocações ao estrangeiro, para as quais Adelaide não tem paciência nem saúde. É nessa altura que iniciam uma relação que parte da família do Lúcio, sobretudo a filha Olímpia, fruto de um outro caso extraconjugal, não aceita. Tratam sempre por senhor Feteira e por dona Lina, mesmo quando já vivem juntos. Ao longo de 30 anos de relação, Rosalina começa a dominar todos os segredos e papéis dos negócios de Feteira.
Um excerto do segundo episódio de "As Sombras de Duarte Lima" já está disponível, uma série narrada pelo ator João Reis, músico original do pianista Filipe Raposo. A investigação e os guiões são do jornalista Carlos Diogo Santos.
E como é habitual, os assinantes Standard e Premium do Observador não precisam de esperar. A partir de hoje, os seis episódios estão todos disponíveis para os assinantes do Observador no site. Quem não é assinante terá de esperar pela publicação semana a semana. Já estão disponíveis os dois primeiros episódios desta nova série do podcast+, "As Sombras de Duarte Lima".