O presidente do Chega acusou este domingo o primeiro-ministro de “total inépcia” a lidar com o tema da habitação permitindo que se gerasse “uma questão de ordem pública”, e defendeu que são necessárias “propostas de emergência”.
Em conferência de imprensa, na sede do Chega, em Lisboa, André Ventura pediu ao primeiro-ministro, Luís Montenegro, que “fale ao país sobre a habitação, anuncie medidas para a habitação” e referiu que o seu partido apresentará na próxima semana um conjunto de medidas para este setor.
O presidente do Chega rejeitou a ideia “de egoísmo, de falta de empatia e de não saberem o país em que vivem” por parte dos manifestantes pelo direito à habitação, e contrapôs: “Eles sabem o país onde vivem. É Luís Montenegro que não sabe o país onde vive”.
“Esta não devia ser uma questão de ordem pública. Só nasceu uma questão de ordem pública porque o primeiro-ministro desapareceu de cena durante vários dias ou semanas, porque no momento em que o país mais precisava de si o primeiro-ministro, o ministro da Administração Interna, o ministro da Habitação não souberam olhar de frente para o país e dizer: compreendemos a vossa insatisfação, vamos apresentar um grande pacote de medidas para corresponder ou tentar corresponder à resolução desses problemas”, considerou.
André Ventura contestou que “isto seja atirado para cima dos polícias”, também afetados pelos problemas no acesso à habitação. No seu entender, foi isso que aconteceu, “foi tudo mal gerido” e “atiraram para a polícia culpas que deviam ser do Governo”.
Questionado sobre a atuação policial desta madrugada nas manifestações em Lisboa e no Porto, respondeu: “Nós não sabemos ainda quem deu que ordens e quem deu ordens para quê”. Depois, invocou o incumprimento da ordem e da lei: “Nós temos que ter a noção do país que queremos, se queremos um país em que a ordem e a lei possam ser incumpridas, reiteradamente, ou se queremos um país em que todos tenham direito a manifestar-se, mas a lei tenha que ser cumprida”.
O presidente do Chega ressalvou que há “razões legítimas” para haver manifestações contra a situação da habitação em Portugal, que qualificou como “uma situação de emergência”, dramática, mais grave do que em França, na Alemanha e em Espanha, que exige “propostas de emergência”. “É um rastilho à espera de ganhar ainda mais dimensão”, comparou.
As propostas do Chega serão no sentido de “devolver aos portugueses muito do que gastam em habitação, permitir uma aceleração acentuada da construção em Portugal” e “que os jovens que querem aceder à primeira casa têm uma garantia e que o Estado terá parte nessa garantia”, indicou.
“Mas também garantir que proprietários e senhorios não são tratados como se fossem agentes da segurança social”, acrescentou o presidente do Chega — partido que viabilizou pela abstenção, na generalidade, a proposta do Governo para rever o regime de arrendamento, com base num acordo com o PSD para alterações na especialidade.
André Ventura afirmou que a causa da habitação não pode ficar reduzida “a um grupo de arruaceiros, nem de vândalos, nem à falta de empatia e de reconhecimento do Governo de Luís Montenegro”, a quem reiterou o apelo para que “tenha uma palavra” para os cidadãos e “soluções para lhes apresentar”.
“Nós temos visto, pela Europa fora, outros primeiros-ministros e presidentes, no meio dos protestos, no meio de crises deste tipo, dizem ao seu país, ao seu povo: está a haver este problema, estas são as soluções que têm para apresentar e é isto que vou fazer”, disse.
Segundo o presidente do Chega, “era isto que o primeiro-ministro devia ter feito” e, “ao não o fazer”, deixou “um país em roda livre”. Ventura responsabilizou também a esquerda em geral e o PS pelos problemas de acesso à habitação, que associou à imigração, e criticou a reduzida dimensão do parque habitacional público em Portugal.
O líder do Chega condenou que tenham sido vistas “bandeiras do Hamas, da Palestina e do coletivo comunista” nas manifestações, atacando a “irresponsável oposição de esquerda” pela situação a que se chegou nos protestos pela habitação.
Para o presidente do Chega, o debate do Orçamento do Estado para 2027 é um “momento privilegiado” para se aprovarem medidas para este setor e contribuir para “a pacificação social”.
O presidente do Chega anunciou também que vai apresentar um “pacote de emergência para a Habitação”. “Não é uma lei de bases da habitação e do arrendamento. Mas é o que um Governo decente e sério deveria ter feito”, salienta. O partido vai apresentar legislação para ajudar aqueles que “gastam mais em habitação”, assim como vai apresentar medidas de uma “aceleração acentuada na construção”.