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Oito da noite na rádio Observador, Notícias com edição de Miguel Cordeiro. E Miguel, duas pessoas e duas empresas foram constituídas arguidas depois das buscas na TAP.

O Ministério Público constituiu hoje quatro arguidos. São duas pessoas e duas empresas numa operação que já tem nome: Operação Voo TP789. Durante o dia de hoje realizaram-se buscas na TAP, no Grupo Barraqueiro e na Parpública. Buscas relacionadas com a privatização da companhia aérea em 2015. A Procuradoria-Geral da República explica que decorreram buscas em 25 locais, incluindo empresas como a TAP, o Grupo Barraqueiro e a Parpública, também sociedades de advogados, sociedades de revisor oficial de contas e que não estão previstas detenções. Em causa estão suspeitas de crimes de administração danosa, de participação econômica em negócio, corrupção passiva no setor privado, fraude fiscal qualificada e fraude à segurança social qualificada. Na origem destas buscas está a privatização da TAP em 2015, com dúvidas sobre a forma como David Neeleman obteve o financiamento necessário para a recapitalização da empresa. Este era um dos requisitos do negócio na altura. Estas diligências acontecem também a poucos dias de estar concluída a primeira fase da nova privatização da TAP. Termina no sábado o período para a manifestação de interesse por parte dos potenciais candidatos.

E o governo diz que está com uma tranquilidade absoluta perante as buscas na TAP.

Declarações de Miguel Pinto Luz, ministro das Infraestruturas.

O foco do atual governo é na privatização da TAP de forma transparente, escrutinável e, portanto, com a Assembleia da República a acompanhar, como sabemos, e é aquilo que é o nosso foco. E não vamos desviar um milímetro desse foco. Em relação aos acontecimentos de hoje, dizer que é também saudável que em democracia, num Estado de direito, haja escrutínio. Falta só isto. Vamos embora. Vamos escrutinar tudo o que tiver para ser escrutinado. Tranquilidade absoluta.

Declarações de Miguel Pinto Luz esta tarde em Leiria.

André Ventura considera que as suspeitas de corrupção não devem significar um recuo na privatização da TAP.

Todas as investigações devem ser feitas. André Ventura realça também que a TAP não se pode transformar num saco sem fundo. Considera o líder do Chega e candidato presidencial que as suspeitas de corrupção relacionadas com a privatização da TAP em 2015 não podem significar que os portugueses continuam a pagar a companhia.

E o secretário-geral do PCP diz não ter dúvida nenhuma de que houve crime político e econômico na privatização da TAP.

Paulo Raimundo fala em falcatrua.

Nós já tínhamos constatado que a TAP foi comprada com o dinheiro da TAP. Os aviões da TAP foram comprados com o patrimônio da TAP. Não houve nenhum investimento de quem supostamente comprou a TAP. E, portanto, investigue-se o que há para investigar. Que há crime político e que há crime econômico naquela falcatrua de 2015, que foi a privatização da TAP, não há nenhuma dúvida sobre isso. Pelos vistos, há mais do que crime político e econômico, e vamos esperar.

Durante a tarde, o PCP já tinha emitido um comunicado em que pedia ao governo que abandone o projeto de privatização da TAP. Também durante esta tarde, Jorge Pinto, candidato presidencial apoiado pelo Livre, falou sobre este assunto e considera que a privatização da TAP sempre foi um processo inquinado, que levantou muitas questões.

Marcelo Rebelo de Sousa também deu opinião sobre estas buscas. O presidente da República considera que esta investigação não deve constituir um entrave ao processo da privatização.

E diz que são casos diferentes.

É vantajoso para a privatização da TAP, em geral, que tudo o que houver a investigar seja investigado cabalmente, mas também rapidamente, porque uma operação como a privatização da TAP implica candidaturas, implica interesse de vários candidatos e quanto menor for a dúvida sobre o que se passou, sobretudo há muito tempo, melhor é para a posição de Portugal.

Posição do presidente da República.

Miguel, são oito as normas que o PS aponta como inconstitucionais no pacote da nova lei da nacionalidade. O PS vai pedir a fiscalização de todo o pacote aprovado pelo Parlamento sobre a nacionalidade.

Para além do novo diploma da Lei da Nacionalidade, o Partido Socialista quer que os juízes do Palácio de Ratton fiscalizem também a mudança no Código Penal, que cria uma pena acessória que determina a perda de cidadania portuguesa para quem comete determinados crimes. O Partido Socialista, pela voz do deputado Pedro Delgado Alves, aponta problemas de constitucionalidade em oito normas nos dois diplomas e diz que existem sobretudo violações dos princípios da igualdade, da proporcionalidade e da proteção da confiança. Na fase do debate, o Partido Socialista critica o excessivo número de crimes que podem provocar a perda de nacionalidade e a falta de um regime transitório para quem já mora em Portugal e tem um pedido de cidadania pendente.

Morreu o presidente do Instituto de Segurança Social, Octávio Oliveira, tinha 65 anos.

Quem avançou com esta notícia foi o jornal de Abrantes, cidade de onde Octávio Oliveira é natural. Diz que o gestor público sofria de doença prolongada, era presidente do Instituto de Segurança Social desde maio de 2024, uma carreira dedicada ao serviço público. Chegou a ser diretor do Centro de Formação Profissional da Indústria Eletrônica, Energia, Telecomunicações e Tecnologias da Informação. Fez parte do governo de Pedro Passos Coelho. Octávio Oliveira chegou a presidente do Instituto de Emprego e Formação Profissional. Mais tarde, em 2013, acompanhou Pedro Mota Soares no Ministério da Solidariedade, Emprego e Segurança Social ao ocupar a pasta de secretário de Estado do Emprego. O PSD de Santarém, numa publicação na rede social Facebook, aponta para um homem de grandes princípios e valores. Escreve que viveu a política como missão e serviço, com lealdade e com coragem.

E Donald Trump recebeu esta tarde o príncipe herdeiro da Arábia Saudita. Na Sala Oval, o presidente dos Estados Unidos da América deixou elogios ao príncipe herdeiro da Arábia Saudita, mas, Miguel, houve um momento de tensão com a imprensa.

Foi já no período de perguntas e respostas, o momento em que o presidente dos Estados Unidos confrontou uma jornalista da ABC News, que estava a fazer uma pergunta relacionada com a morte do jornalista Jamal Khashoggi. Os serviços de informação norte-americanos, recordo, concluíram que a morte desse jornalista foi politicamente motivada e ordenada por Bin Salman, o príncipe herdeiro da Arábia Saudita. A jornalista questionou o príncipe saudita. Donald Trump não gostou. Foi o momento mais tenso na Sala Oval.

Os serviços de informação americanos concluíram que o príncipe mandou matar um jornalista. As famílias do 11 de setembro estão furiosas de que esteja aqui na Sala Oval. Por que os americanos devem confiar em si?

A senhora está com quem?

ABC News.

Notícias falsas da ABC. Uma das piores no negócio. No que se refere ao príncipe, ele fez um trabalho incrível. Está a mencionar alguém que foi extremamente controverso. Muitas pessoas não gostaram desse homem. As coisas acontecem. Ele não sabe nada disso. Não tem que envergonhar os nossos convidados por perguntar uma coisa dessas.

Donald Trump diz também que os Estados Unidos da América querem fazer um acordo com o Irão e confirma contatos com Teerão. Disse isto nesta conferência de imprensa. Agora, depois deste encontro entre os líderes dos Estados Unidos da América e da Arábia Saudita, está agendado um jantar na Casa Branca. Cristiano Ronaldo vai estar presente. O capitão da Seleção Nacional ainda não foi visto na residência oficial do presidente dos Estados Unidos da América, mas está confirmada essa participação de Cristiano Ronaldo na Casa Branca.

Oito minutos para lá das 20h, Miguel, vamos a outros temas em destaque.

A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos da América aprovaram o projeto de lei para tornar públicos todos os documentos do caso Jeffrey Epstein. A Lei da Transparência dos Arquivos Epstein foi aprovada com 427 votos a favor, apenas um voto contra, do representante republicano de Louisiana, Clay Higgins. No entanto, a proposta tem ainda de passar pelo Senado norte-americano. Se for aprovada pelo Senado, passará para as mãos do presidente dos Estados Unidos da América para depois poder ser aprovada esta medida. Donald Trump afirmou que assinaria a lei caso chegasse à Sala Oval. Se a proposta avançar, o Departamento de Justiça terá um prazo de 30 dias para divulgar todos os documentos deste caso. A fechar, Filipa, falamos de desporto. Sabias que Curaçao está prestes a fazer história no mundo do futebol porque pode estar muito perto de garantir um lugar no Mundial de 2026?

Não estava a par, mas é que nós pensamos nesta ilha e é quase uma coisa assim paradisíaca, de férias. Há seleção?

Há seleção! E curioso até esse aspecto. Nenhum jogador nasceu no território de Curaçao. Nenhum jogador. Todos nasceram fora do território.

Nenhum.

Alguns nos Países Baixos. Curaçao pertence ao Reino dos Países Baixos e, portanto, tem essa ligação e há muitos jogadores que nasceram e vivem nos Países Baixos.

É uma seleção importada.

Mais ou menos. Na verdade, são jogadores que têm raízes familiares à ilha, são descendentes naturais de Curaçao. Este país está a fazer uma campanha impressionante na qualificação, tão boa que pode alcançar um lugar no Mundial já daqui a pouco, e isso seria histórico.

E com certeza que vai ser uma grande festa.

Sim, já temos muitas festas garantidas, como por exemplo, de Cabo Verde, também no Mundial.

Estava a pensar nisso.

Se Curaçao se apurar, o Mundial 2026 ganha mais uma história daquelas que ninguém estava à espera. Nesta altura, Curaçao está muito perto. Joga daqui a pouco, à 01h, hora de Portugal continental. Vai jogar frente à Jamaica e só precisa de um empate para conseguir uma entrada direta no Mundial de 2026.

Estamos todos então a torcer por Curaçao. Notícia de fecho deste jornal das 20h.