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Zero. Edição da Diana Rosa. Boa noite, Diana.

Muito boa noite, João.

Começamos com a greve geral. A Polícia de Intervenção já desceu mais do que uma vez a escadaria da Assembleia da República, depois de terem sido incendiados os caixotes do lixo.

E arremessados, João, vários objetos pelos manifestantes. Foram centenas de pessoas que não arredaram pé da frente do Parlamento, há várias horas. De acordo com a reportagem do Observador no local, um dos polícias tinha um extintor na mão, mas os manifestantes voltaram a pegar fogo ao objeto. É para lá que vamos de imediato, em direto. Martim Madeira, boa noite. Qual é o ponto de situação que nos pode fazer da Assembleia da República, neste momento?

Boa noite, Diana. Por agora, está tudo mais calmo. Os manifestantes fugiram, todos saíram deste local quando a Polícia de Intervenção desceu. Isto porque foram ateados mais dois fogos, um foi apagado pela polícia, o outro pelos bombeiros, que quando desceram para apagar o fogo que tinha sido ateado, receberam muitos aplausos dos manifestantes, muitos abraços, muito carinho e lá conseguiram apagar o fogo. Entretanto, a Polícia de Intervenção desceu mesmo à região onde estavam todos os manifestantes e começaram todos a fugir por todos os lados. Também dizer que houve uma detenção, um homem foi detido, e inclusivamente o Observador tem foto dessa detenção. Portanto, temos aqui os dados de que uma pessoa foi detida e depois houve uma grande confusão quando os manifestantes subiram, através da Travessa da Arruchela, subiram a fugir da Polícia de Intervenção e enquanto mandavam pedras, garrafas contra a Polícia de Intervenção, fugiram para cima e abandonaram por completo o local. Entretanto, também foi vista uma carrinho do INEM a prestar assistência a uma pessoa. Não se sabe concretamente o que é que aconteceu a essa pessoa, mas de fato estava uma carrinho do INEM a prestar assistência a uma pessoa, num dos locais onde os manifestantes fugiram. Entretanto, por agora, a polícia cerca todo o local, ninguém entra, nem ninguém sai. Apenas vieram aqui os bombeiros sapadores de Lisboa, que estão neste exato momento com uma carrinho a fazer toda a limpeza do local, a retirar os destroços, a retirar as garrafas e a retirar as pedras aqui em frente à Assembleia da República.

É a reportagem do repórter do Observador, Martim Madeira, aqui a dar nota de um detido na sequência destes desacatos depois da manifestação e da greve geral, hoje convocada pela CGTP, numa altura em que os manifestantes, como ouvimos aqui dizer o Martim, abandonaram a Assembleia da República depois de terem sido dispersados pelas forças de segurança.

E seguimos com a greve geral. O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses contesta as declarações do governo, que afirmou que esta greve foi inexpressiva no setor privado. Em comunicado, o SEP garante que os dados desmentem isso mesmo.

Só nos hospitais da CUF, por exemplo, a maioria dos serviços teve 100% de adesão. A unidade com registro mais baixo foi a CUF Descobertas, que mesmo assim teve 67% dos profissionais parados no internamento geral. No SAMS, os números variam entre os 52 e os 70%. Nos Lusíadas, um total de 44% de adesão. O Hospital da Luz registra entre os 50 e os 100%. Ainda unidades como a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, registra números de adesão entre os 50 e os 100%, dependendo dos estabelecimentos. O mesmo em IPSS em todo o país.

O governo afasta, para já, o recurso a medidas excepcionais para repor a normalidade nos aeroportos.

Através, por exemplo, do recurso a voos noturnos, João. O executivo espera que o retorno à normalidade nos aeroportos se registre a partir de amanhã. O Observador questionou o Ministério das Infraestruturas sobre se estava a ser equacionada alguma medida de exceção para permitir a realização de voos durante a noite, face às centenas de voos cancelados em vários aeroportos. Mas essa hipótese é negada por fonte oficial do Ministério das Infraestruturas, remete eventuais pedidos nesse sentido para o regulador ANAC. Do balanço feito até ao meio do dia pela ANA, a grande maioria dos voos afetados tinha sido cancelada antes do dia da greve geral.

E os candidatos presidenciais manifestam-se. Luís Marques Mendes afirma que a greve geral é a prova que a democracia funciona.

E apelou ao diálogo na concertação social.

Para mim, agora, o mais importante é que este dia continue a correr sem incidentes. Isso é importante. E sobretudo, que a partir de amanhã ou da próxima semana, as três partes que estão envolvidas neste processo sejam capazes de se juntar novamente, empregadores, sindicatos e governo, e dialogar e negociar o que houver a negociar.

Ouvimos aqui Luís Marques Mendes. Já António José Seguro diz que a greve geral desta quinta-feira poderia ter sido evitada e que a proposta do governo não dignifica os trabalhadores. Deixei-me dar um apelo.

O que o país não precisa neste momento é de instabilidade social. E, portanto, o governo tem que ter mais bom senso e humildade para perceber que criou um problema e que se meteu nesse problema e que agora a melhor maneira de o fazer democraticamente é retirar a sua proposta.

Também Henrique Gouveia e Melo lamenta esta greve, mas considera que as várias entidades ainda vão a tempo de encontrar um equilíbrio. O almirante apela ao diálogo.

Eu acho que guerra de números não faz sentido. O que faz sentido é que os sindicatos, as entidades patronais e o governo se voltem a sentar à mesa das negociações, porque nós temos que avançar com uma economia com coesão social, uma economia que motive os trabalhadores, mas que também flexibilize o suficiente a nossa economia para a economia poder também desenvolver o seu máximo potencial. Esse equilíbrio pode ser encontrado.

Ouvimos aqui então o almirante Gouveia e Melo, estes candidatos à presidência que manifestaram as respectivas opiniões relativamente a esta greve geral. Foi a primeira nos últimos 13 anos. A última tinha sido durante o governo de Pedro Passos Coelho.

As forças de segurança também aderiram a esta greve geral, Diana, exigem respostas e o cumprimento do acordo celebrado para melhorar a carreira.

Em causa está o acordo assinado em julho do ano passado. Desde então, os sindicatos denunciam que nunca mais houve negociações. No protesto junto à residência oficial do primeiro-ministro, os polícias saíram à rua e entregaram em São Bento um documento com propostas. É o que dá conta ao jornalista César Nogueira, da Associação dos Profissionais da GNR.

Que pelo menos esta reunião tenha servido para que o senhor primeiro-ministro dê indicações à senhora ministra da Administração Interna para, de facto, começarmos a discutir aquilo que é importante, porque é isso que os profissionais querem, e querem que esse trabalho seja feito imediatamente. Caso não seja, nós logicamente que não poderemos parar os protestos.

Também Paulo Santos, da ASP, participou na entrega do documento. O representante da PSP exige seriedade ao governo.

Não podemos estar a continuar numa ficção. Nós queremos viver a realidade, nós queremos dar os nossos contributos nos processos negociais, mas também que haja aqui um espaço de seriedade por parte do governo. Eu não estou a dizer que o senhor primeiro-ministro não é sério. Agora, neste caso concreto, neste acordo que foi celebrado e naquilo que está a ser apresentado pelo Ministério da Administração Interna, não há aqui seriedade. E nós queremos que, objetivamente, haja o cumprimento integral do acordo que foi celebrado, porque se assim não for, não pode existir confiança, não pode existir aqui um compromisso e não pode existir aqui uma perspectiva